Jesus e o Sábado - III

O posicionamento bíblico de que Jesus jamais agiu contra o sábado(a), é aceito e defendido por várias igrejas cristãs. E logo abaixo, estão listadas algumas delas com os seus respectivos ensinos:

Igreja Anglicana
"Esta é a primeira declaração pública[b] de hostilidade a Cristo; e está apoiada na suposta violação da letra da lei relacionada com o sábado, assim como nos outros Evangelhos, Mat. 12.2 ss. e paralelos. O milagre registrado descreve exatamente à inimizade estabelecida pelos judeus, mas a frase 'porque Ele fazia', ou melhor, 'costumava fazer, tinha o hábito de fazer, essas coisas' (atos de misericórdia que acarretaram em crimes contra às interpretações tradicionais da lei) no sábado, demonstra que o sentimento não foi devido a um ato isolado, mas por um óbvio princípio de comportamento.
[...] As obras de Cristo não violam a lei, ao passo que elas conduzem à verdade a qual tendiam (cf. Mat. 12.1 ss. e paralelos). Pelo 'trabalho' do Pai, devemos entender de imediato a manutenção da importante criação e a redenção e restauração de todas as coisas, na qual o Filho cooperou com Ele (Heb. 1.3; Ef. 1.9 f.). [...] O trabalho de Cristo que havia provocado a hostilidade dos judeus foi, apesar de pouco compreendido por eles, realmente idêntico ao trabalho de Deus que não conhece interrupção."1

Igreja Assembleia de Deus
"[...] Jesus não demonstrou qualquer conivência com a desobediência aos mandamentos de Deus; apenas enfatizou o discernimento e a compaixão na aplicação das leis. Os Dez Mandamentos exigiam que o sábado sempre fosse um dia santificado ao Senhor (Êx. 20.8-11). Mas os fariseus, de acordo com sua interpretação da lei, criaram uma longa lista de atividades que não poderiam ser praticadas nesse dia, e as pessoas foram forçadas a 'descansar'. Eles se prenderam à letra da lei.
Jesus sempre enfatizou o significado e a finalidade dos mandamentos. Mas os fariseus haviam perdido o verdadeiro sentido da lei de Deus e estavam, com todo o rigor, exigindo que ela fosse cumprida de acordo com a interpretação que eles julgavam ser correta. A verdadeira finalidade do sábado era proporcionar às pessoas tempo para descansar e adorar a Deus, por isso os sacerdotes tinham permissão de oferecer sacrifícios e conduzir os cultos de adoração, porque seu trabalho no sábado tinha a finalidade de servir e adorar a Deus."2

Igreja Batista
"Durante o período entre os dois Testamentos, entretanto, foi surgindo gradualmente uma alteração no que diz respeito à compreensão acerca do propósito do sábado. Nas sinagogas a lei era estudada no sábado. Paulatinamente a tradição oral foi se desenvolvendo entre os judeus, e a atenção passou a focalizar-se na observância de minúcias. Dois tratados da Mishnah, Shabbath e 'Erubin, são devotados à consideração de como o sábado devia ser detalhadamente observado. Foi contra essa sobrecarga aos mandamentos de Deus, pelas tradições humanas, que nosso Senhor se insurgiu. Suas observações não eram dirigidas contra a instituição do sábado como tal, nem contra o ensinamento do AT [Antigo Testamento]. Mas Ele se opunha aos fariseus, que deixavam a palavra de Deus sem efeito por causa de suas pesadíssimas tradições orais. Cristo identificou-Se como Senhor do sábado (Mc 2.28). Ao assim falar, Ele não estava depreciando a importância e a significação do sábado, nem de forma alguma estava em contravenção contra a legislação do AT. Ele estava simplesmente apontando para a verdadeira significação do sábado no que diz respeito ao homem, e indicava o Seu direito de falar, visto que Ele mesmo era o Senhor do sábado.
Embora fosse Senhor do sábado, Jesus Cristo frequentava a sinagoga no dia de sábado, conforme era de Seu costume (Lc 4.16). Sua observância estava de conformidade com a prescrição do AT no referente ao dia como santo ao Senhor. Em Seu conflito com os fariseus (Mt 12.1-14; Mc 2.23-28; Lc 6.1-11) nosso Senhor salientou perante os judeus o fato que eles mal entendiam completamente os mandamentos do AT. Buscavam tornar a observância do sábado mais rigorosa do que Deus havia ordenado. Não era errado comer no sábado, ainda que o alimento tivesse de ser obtido ao debulhar o grão da espiga nas mãos. Semelhantemente, não era errado fazer o bem no dia de sábado. As curas eram uma obra de misericórdia, e o Senhor do sábado é misericordioso (cf. tb. Jo 5.1-18; Lc 13.10-17; 14.1-6).3

Igreja Católica
"Proporcionando, com autoridade divina, a interpretação definitiva da Lei, Jesus colocou-Se numa situação de confronto com certos doutores da Lei, que não aceitavam a Sua interpretação, muito embora garantida pelos sinais divinos que a acompanhavam. Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos, que o repouso sabático não é violado pelo serviço de Deus ou do próximo que as Suas curas realizam."4

"Sob a influência da rigorosidade farisaica, um sistema de regulamentos minucioso e opressor foi elaborado, enquanto que o maior propósito do sábado foi perdido de vista. A Mishna Treatise Shabbath enumera trinta e nove fundamentos básicos sobre ações proibidas, cada um com subdivisões. [...] Cristo, ao observar o sábado, pôs-Se em palavras e atitudes contra essa rigorosidade absurda que tornou o homem um escravo do dia. Ele reprovou os escribas e fariseus por colocarem um fardo insuportável sobre os ombros dos homens (Mateus 23.4), e proclamou o princípio de que "o sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado" (Marcos 2.27). Ele curou no sábado, e defendeu Seus discípulos por colher espigas de cereal nesse dia. Em Seus argumentos com os fariseus sobre estas questões, Ele demonstrou que o sábado não é violado em casos de necessidade ou por atos de caridade (Mateus 12.3 ss; Marcos 2.25 ss; Lucas 6.3 ss; 14.5)."5

Igreja Congregacional
"Somos ensinados por Cristo, que a pratica de caridade e a demonstração de misericórdia são atividades apropriadas para o dia de sábado. Quando os fariseus acharam falha em Cristo por tolerar os Seus discípulos a colher e comer as espigas de cereal no sábado, Cristo os repreendeu com esta declaração: "Terei misericórdia e não sacrifício" (Mateus 12:7). Cristo ensina que as obras de misericórdia são adequadas para serem realizadas no sábado (Lucas 13.15,16 e 14.5)."6

Igreja Luterana
"[...] Deus nunca está ocioso, segundo nosso modo de dizer, Ele nem poderia estar; pois cessando um momento de preservar o mundo que criou, imediatamente ele [o mundo] precipitaria em sua original inexistência. Por isso Jesus citou, João 5:17, quando os judeus O acusaram de violar o sábado: 'Meu Pai trabalha até agora' (constantemente, mesmo em dia de sábado) 'e Eu trabalho' (mas somente pelo bem-estar). [...] o homem foi feito à imagem de Deus, e o sábado foi santificado e abençoado no estado de inocência[c]; isso pode nos ensinar que não é uma questão de indiferença, se vamos ou não abster-nos por um tempo de nossos trabalhos regulares e descansar como Deus, com Deus e em Deus.
Portanto, a estes mandamentos: não terás outro deus diante de Mim - não tomarás o nome de Deus em vão - honra teu pai e mãe - não matarás - não cometerás adultério, e etc., Deus uniu com igual autoridade, também, este mandamento: Lembre-se do dia de sábado para santificá-lo. Por sua vez, é verdade o que Jesus disse de todos os mandamentos e, consequentemente, também da santificação do sábado, que o amor a Deus e ao nosso próximo é o cumprimento da lei (Mat. 22:40, Rom. 13:10); igualmente, o que disse em Marcos 2:27: 'O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado', e novamente em Mateus 12:12: 'é lícito fazer o bem nos dias de sábado'. Ele também realizou muitos milagres no sábado sem ponderar o que os fariseus e outros judeus consideravam transgressão; de modo que, quando viram Seus milagres e, não podendo negar a realidade deles, fingiram [dizendo]: 'este Homem não é de Deus, visto que Ele não guarda o sábado' [João 9:16]. O mesmo ocorre nos dias atuais, os homens estão sempre deparando-se com extremos a respeito da observação do sábado."7

Igreja Metodista
"Agora, existe aqui o menor indício de que o sábado não era mais obrigatório, ou que o nosso Salvador o aboliu?[d] Em vez disso, Ele passa a defender a conduta de Seus discípulos na ocasião, provando que sob as circunstâncias do ocorrido, eles tinham justificativa em colher e comer as espigas de trigo, e que eram, portanto, inocentes quanto à violação da lei sabática, coisa que Ele [Jesus] certamente não teria feito, não tivesse a lei mais vínculo. Por que defender os Seus discípulos dessa maneira, se a lei supostamente violada não era mais obrigatória? Por que não disse de imediato que a lei do sábado foi abolida, e que eles não estavam sob a obrigação de guardá-la?
[...] Nosso Senhor, portanto, longe de ensinar nesta passagem [Mateus 12:8], que o sábado não era mais necessário, ou de transmitir alguma insinuação de que Ele pretendia aboli-lo, indiretamente demonstra sua obrigação essencial resgatando-o da estima demasiadamente rigorosa e supersticiosa franqueada pelos fariseus de Sua época.
[...] É desnecessário citar quaisquer casos adicionais, visto que eles não projetarão grande luz sobre o assunto. Todos eles revelam que o nosso Salvador ensinou que as obras de necessidade e misericórdia podem ser realizadas no sábado sem qualquer violação da lei sabática, ou profanação do dia santo; não obstante, em nenhum caso há, semelhantemente, uma ocorrência sugerindo que o sábado não era mais obrigatório, ou que poderia ser legalmente dedicado para fins de negócios ou de diversão."8

Igreja Presbiteriana
"Em Seu ministério, Jesus cumpriu a lei de Deus. O Evangelho de Mateus particularmente sustenta a indicação de que Jesus curou e ensinou 'a fim de cumprir o que foi dito pelo profeta' (Mt 8:17; 12:17). Sua interpretação da lei diferiu daquela geralmente entendida em Sua época. Ele inclusive curou no sábado, em violação às leis rigorosas. Em Suas ações, Jesus mostrou que Deus esperava obediência em atos de justiça e misericórdia, e não meramente a realização de atos ritualísticos religiosos pré-determinados. O ministério de Jesus foi uma vida abrangente de serviço e compaixão, realizado em obediência ao propósito de Deus em prol das pessoas.
Presbiterianos, assim como outros cristãos, consideram que na Sua morte, Jesus também ministrou cumprindo a lei de acordo com a providência de Deus. [...] Jesus, perfeitamente obediente em vida e morte, fez o que nenhum outro ser humano foi capaz de fazer. Paulo e demais pregadores cristãos primitivos mostraram o contraste entre a vida de Jesus e a vida de outros, tal como Abraão e Davi (Rom 4). Acima de tudo, eles contrastaram a desobediência de Adão (e Eva) com a obediência de Jesus Cristo. [...] Jesus reinterpretou outros dos Dez Mandamentos e [outras] leis, para que às pessoas pudessem ver que Deus exigia obediência total em mente e espírito, bem como em obras.9


b. Comentário fundamentado no relato de João 5:16-18.
c. Referindo-se ao término da criação (Gênesis 2:1-3), época em que havia o total domínio da inocência (pureza, santidade).
d. Pergunta sobre o relato de Mateus 12:1-8.
1. COOK*, C. F. (1880). The Holy Bible: according to the authorized version (A.D. 1611), vol. II (New Testament), London: John Murray, p. 83-84; (commentary and revision of the translation: by bishops and other clergy of the Anglican Church. *Charles Frederick Cook).
2. Bíblia de Estudos Aplicação Pessoal. (2004). Rio de Janeiro: CPAD, p. 1242; (comentários sobre Mateus 12:4-5).
3. DOUGLAS, J. D.; et. al. (2006). O Novo Dicionário da Bíblia, 3.ª ed., São Paulo, SP: Vida Nova, p. 1180b; (verbete: sábado; editor da edição em português: Russell Philip Shedd).
4. Catecismo da Igreja Católica, parte I, seção II, capítulo II, artigo III, §1 [582].
5. HERBERMANN, C. G. et al. (1913). The Catholic Encyclopedia, vol. XIII, New York: The Encyclopedia Press, Inc., p. 288b; (entry: "Sabbath". Nihil obstat: Remy Lafort; imprimatur: John Cardinal Farley).
6. The Works of Jonathan Edwards, vol II, sermon XIII, Grand Rapids, MI: CCEL Staff Writer (2005*), p. 252; (*First publisehed 1834, revised and corrected by Edward Hickman).
7. "Brief Discourses: of the sabbath", june of 1829, art. 5. In: The Lutheran Magazine, vol. III (feb. 1829, to jan. 1830), Schoharie County, N.Y.: Printed by L. Cuthbert, p. 101-102; (Published by The Western Conference of Lutheran Ministers).
8. "Miscellanies". In: The Primitive Methodist Magazine, vol. VIII (january, 1855), London: Published by Thomas King, p. 356-359.
9. WEEKS, L. B. (2010). To Be a Presbyterian, revised edition, Louisville, KY: Geneva Press, p. 22-24; (first published by John Knox Press, 1983).

Outros estudos:
Ċ
IASD On-line,
12 de abr de 2014 06:02