Inferno: Fogo Extinguível - II

"[...] Malditos, apartem-se de Mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. [...] E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna." (Mateus 25:41, 46 NVI).
A palavra "eterno(a)" usada nos versos acima origina-se do adjetivo grego "aionios", que significa: sem começo e fim; que sempre existiu; que não cessa. Embora gramaticalmente o adjetivo caracterize o substantivo ligado a ele, o termo "aionios" não procede obrigatoriamente caracterizando qualquer substantivo como sendo "infinito", pois esta qualidade depende de circunstâncias e da própria natureza do substantivo.

Fogo eterno
A explanação inicial ocorre com o substantivo "fogo", que permanece atuante enquanto aquilo que lhe serve de combustível não finda. Mesmo que haja situações impossíveis de determinar o tempo de duração do fogo, é certo que ocorrerá a sua extinção, pois ele depende de fatores externos limitados (finitos) para permanecer ativo. Isso pode ser exemplificado através de Judas 1:7 que também utiliza o adjetivo "aionios":
"De modo semelhante, Sodoma, Gomorra e as cidades vizinhas, por se terem prostituído, procurando unir-se a seres de uma natureza diferente, foram postas como exemplo, ficando sujeitas ao castigo de um fogo eterno [aionios]." (BJ).
Estas cidades, submetidas ao fogo "eterno", continuam queimando infinitamente? É óbvio que não. Elas foram reduzidas a cinzas e tornaram-se exemplos do resultado final do pecado (II Pedro 2:6); e cinzas não favorecem a permanência de fogo.

Outro exemplo: "Eles sofrerão a pena de destruição eterna [aionios], a separação da presença do Senhor e da majestade do Seu poder." (II Tessalonicenses 1:9 NVI). Destruição é a ação ou, o resultado de arruinar, eliminar, exterminar algo ou alguém. Seria possível para o ser humano, que não possui natureza imortal(a), passar por um processo punitivo de destruição "eterna" e nunca ser aniquilado?
"[...] Quem de nós pode conviver com o fogo consumidor? Quem de nós pode conviver com a chama eterna?" "Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles, diz o Senhor dos Exércitos. Não sobrará raiz ou galho algum." (Isaías 33:14 NVI; Malaquias 4:1 NVI cf. Deuteronômio 29:23).
"Pela mesma palavra os céus e a Terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para a destruição dos ímpios. [...] Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a Terra, e tudo o que nela há, será desnudada. [...]. Naquele dia os céus serão desfeitos pelo fogo, e os elementos se derreterão pelo calor." (II Pedro 3:7-12 NVI).
A destruição é eterna porque não haverá mais possibilidade de restauração ou ressurreição de vida para os ímpios (Apocalipse 20:11-15). É neste sentido que a expressão "fogo eterno" é aplicada em Mateus 25:41. Haverá completo aniquilamento do mal e sem chance alguma de seu retorno. O fogo citado em Mateus 25:41 não permanecerá pela eternidade, mas cessará quando tudo o que for submetido a ele, deixar de existir. Esta análise conduz ainda ao seguinte detalhe: a Terra será recriada, tudo será refeito por Deus.1 Então, como poderia a nova Terra ser estabelecida se a antiga permanecesse queimando por um fogo que nunca se apaga?

Castigo eterno
O "castigo eterno" refere-se a punição derradeira que os ímpios receberão, a saber: o sofrimento proporcional as obras pecaminosas que praticaram (Apocalipse 20:12; Apocalipse 22:12-15; Salmos 11:6) e, a subsequente morte eterna (João 11:25-26; Romanos 6:23; Apocalipse 21:8). Satanás, seus anjos e os ímpios nunca mais existirão após serem consumidos pelo fogo (Ezequiel 28:13-19; Naum 1:6; II Tessalonicenses 1:6-10).

A ideia de um castigo infinito contraria a intenção principal do próprio castigo que é a morte, pois o indivíduo teria que permanecer vivo para que pudesse sofrer eternamente, e assim, jamais receberia a recompensa final de seus pecados que é morte eterna: "a alma que pecar, essa morrerá", "porque o salário do pecado é a morte" (Ezequiel 18:4; Romanos 6:23). João, sem deixar margem para qualquer dúvida, declara que:
"Quanto aos covardes, porém, e aos infiéis, aos corruptos, aos assassinos, aos impudicos, aos mágicos, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção se encontra no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte." (Apocalipse 21:8 BJ).
A ideia de um castigo infinito, além de contraditória, atribui um caráter perverso a Deus e contesta as Suas próprias palavras: "Teria Eu algum prazer na morte do ímpio? [...]. Ao contrário, acaso não Me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver?" (Ezequiel 18:23 NVI). "[...] não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam." (Ezequiel 33:11 NVI cf. Jonas 1:2; Jonas capítulo 3). Deus não tem satisfação alguma em ver os pecadores sendo condenados à morte por causa de seus pecados, e tampouco teria algum deleite em proporcionar o fictício e repugnante castigo (sofrimento) eterno a eles(b). Apesar destes esclarecimentos escriturísticos, os imortalistas se esforçam para sustentar o mito de um punição infindável mediante a errônea interpretação dos seguintes textos:
"O Diabo que os seduzira foi então lançado no lago de fogo e de enxofre, onde já se achavam a besta e o falso profeta. E serão atormentados dia e noite, pelos séculos dos séculos." (Apocalipse 20:10 BJ). "A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos [...]" (Apocalipse 14:11 BJ).
Estes versos não ensinam que o tormento e a fumaça decorrentes do "lago de fogo e enxofre" durarão "pelos séculos dos séculos" ou "para todo o sempre"(c) pelos seguintes motivos: Satanás e seus súditos serão completamente exterminados, serão transformados em fumaça e cinzas,2 eles jamais subsistirão (Ezequiel 28:13-19; Obadias 1:15-16). A fumaça(d) é um dos produtos finais da matéria degradada pelo calor, ela cessa de ser formada quando a matéria que a origina transforma-se completamente em cinzas (pó). Para que a fumaça pudesse subir "pelos séculos dos séculos", os ímpios teriam que ser submetidos a um processo de degradação e recomposição infinito. E as criaturas não possuem a propriedade de regenerar-se em condições extremas, tais como num lago de fogo e enxofre; isso teria que ser proporcionado pelo "deus" pagão que os imortalistas acreditam, um indivíduo cruel e sem misericórdia que concede deliberadamente dor e angústia pela eternidade; muitíssimo diferente do Deus Criador de justiça e compaixão ensinado pelas Escrituras. O texto de Isaías 34:8-10 auxilia a esclarecer este assunto ao descrever um evento similar:
"Pois o Senhor terá Seu dia de vingança, um ano de retribuição, para defender a causa de Sião. Os riachos de Edom se transformarão em piche, em enxofre, o seu pó; sua terra se tornará betume ardente! Não se apagará de dia nem de noite; sua fumaça subirá para sempre. De geração em geração ficará abandonada; ninguém voltará a passar por ela." (NVI).
O profeta Isaías não contemplou um fogo interminável, pois na mesma visão, lhe é mostrado os resultados do fogo sobre o povo de Edom: "" e "fumaça", produtos finais da completa destruição. E após essa cena de desolação, Isaías observou vegetação e animais selvagens habitando aquela terra (versos 11-15). Deste modo, pergunta-se: O fogo de Edom continua ativo "dia e noite"? A fumaça continua a subir "para sempre"? Onde estão os edomitas e seus pertences?

Para estas perguntas, a Bíblia apresenta respostas indiscutíveis: "Olhei, e a terra fértil era um deserto; todas as suas cidades estavam em ruína por causa do Senhor, por causa do fogo da Sua ira." (Jeremias 4:26 NVI). "Que Tu os dissipes assim como o vento leva a fumaça; como a cera se derrete na presença do fogo, assim pereçam os ímpios na presença de Deus." (Salmos 68:2 NVI).

Da mesma forma que ocorreu com os edomitas, ocorrerá com aqueles que são citados em Apocalipses 20:10 e Apocalipse 14:11, serão transformados em pó e fumaça. Nestas referências, a expressão "pelos séculos dos séculos" não revela um tormento eterno mas um aniquilamento total, definitivo e irreversível para "todo o sempre".

Vida eterna
"Que teremos que morrer um dia, é tão certo como não se pode recolher a água que se espalhou pela terra. Mas Deus não tira a vida; ao contrário, cria meios para que o banido não permaneça afastado dEle." (II Samuel 14:14 NVI). "Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno." (Daniel 12:2 NVI). "Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também vida a quem Ele quer." (João 5:21 NVI).
Nenhuma criatura possui em si mesmo imortalidade (Gênesis 2:7; Jó 33:4; Salmos 49:15), somente Deus detém a natureza imortal (Isaías 40:28; I Timóteo 1:17; I Timóteo 6:13-16); a vida de todos procede e depende unicamente dEle (Jó 12:10 cf. Êxodo 20:11).

As características inerentes a Deus mencionadas na Bíblia são em essência infindáveis em qualquer circunstância. Portanto, quando o adjetivo "aionios" é aplicado a Ele, ou, vinculado a algo que emana dEle, tal adjetivo sempre indicará perpetuidade no mais elevado sentido. Os próprios elementos, "fogo eterno" e "castigo eterno", que foram analisados a partir de Mateus 25:41 e 46 dependem diretamente da presença de vida, que por sua vez é originada de Deus e, não será mantida naqueles que serão submetidos ao lago de fogo e enxofre (Apocalipse 21:8).

Os conceitos pagãos de "fogo eterno" e "castigo eterno" são absurdamente contrários aos ensinos das Sagradas Escrituras, Deus não manterá após a sentença de Seu juízo, qualquer vestígio do mal no Universo. "Depois de ter Deus feito tudo que devia fazer para salvar os homens, se eles demonstrarem pela vida que menosprezam a misericórdia oferecida, a morte será a porção deles; e será uma terrível morte, pois terão que sentir a agonia que Cristo sentiu na cruz. Então compreenderão o que perderam, a vida eterna e herança imortal."3


a. Atributo pertencente unicamente a Deus, e que será concedido aos redimidos no segundo advento de Jesus (I Timóteo 1:17; I Timóteo 6:13-16; Romanos 2:5-8). Para maiores esclarecimentos acesse: Mortalidade da Alma.
c. As expressões "pelos séculos dos séculos" ou "todo o sempre" proveem do radical grego "aion", que significa: tempo perpétuo, ininterrupto; tempo de uma vida; tempo de uma geração, de um determinado século; tempo longínquo do passado; tempo deste mundo; em determinadas situações pode indicar o universo (infinito). O termo "aion", assim como a sua derivação "aionios", não caracteriza obrigatoriamente como perpétuo ou infinito as classes gramaticais ligadas a ele, tal como a classe dos substantivos demonstrado no início deste estudo. A palavra "aion" pode ser aplicada com vários sentidos, por exemplo: "[...] não, porém, a sabedoria deste século [aion], nem a dos poderosos desta época [aion], que se reduzem a nada." (I Coríntios 2:6); "[...] desde a antiguidade [aion], por boca dos seus santos profetas." (Lucas 1:70); "[...] contra os dominadores deste mundo [aion] tenebroso [...]" (Efésios 6:12); "pela fé, entendemos que foi o universo [aion] formado pela palavra de Deus." (Hebreus 11:3).
d. Quimicamente, a fumaça é formada por compostos gasosos provenientes da matéria submetida à sua temperatura de ebulição ou, de sublimação.
1. Isaías 65:17; Isaías 66:22; II Pedro 3:7-13; Apocalipse 21:1.
2. Ezequiel 28:13-19; Naum 1:6; João 11:25-26; Romanos 6:23; II Tessalonicenses 1:6-10; Apocalipse 21:8.
3. Ellen Gould White, Review and Herald, august 5, 1884.

Outros estudos:
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IASD On-line,
12 de jan de 2014 09:35