Memorial da Criação

A primeira mensagem angélica convida a humanidade a obedecer e exaltar a Deus como o Criador de todas as coisas: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo[a]; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas". (Apocalipse 14:7 RA).

A primeira mensagem é compreendida em sua plenitude quando a vida é direcionada nos caminhos estabelecidos pela lei divina. Neste ponto, as Escrituras declaram que:

"[...] se você aceitar as Minhas palavras e guardar no coração os Meus mandamentos; se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto; se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus." (Provérbios 2:1-5 NVI cf. Isaías 8:16).
"Teme a Deus e guarda os Seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem." (Eclesiastes 12:13 RA). "Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são pesados." (I João 5:3 NVI cf. João 14:21).

Portanto, tratar os mandamentos da lei de Deus de forma relapsa, equivale a neglegenciar o próprio Criador. "Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão detestáveis." (Provérbios 28:9 NVI).

O Criador

Deus é apresentado pela Bíblia como o único que possui o direito à reverência, e isso se deve pelo fato de que Ele é o Criador; ou seja, por intermédio dEle, todos os outros seres devem a existência.1

"Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador." (Salmos 95:6 NVI).
"Todos os deuses das nações não passam de ídolos, mas o Senhor fez os céus." (Salmos 96:5 NVI cf. Jeremias 16:20).
"Reconheçam que o Senhor é o nosso Deus. Ele nos fez e somos dEle. [...]" (Salmos 100:3 NVI).
"Pois assim diz o Senhor, que criou os céus, Ele é Deus; que moldou a terra e a fez, Ele fundou-a; não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada; Ele diz: 'Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro'." (Isaías 45:18 NVI).
"No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dEle e sem Ele nada foi feito." (João 1:1-3 BJ).

Os seres celestiais, igualmente, declaram o mesmo fundamento da adoração a Deus: "Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade elas existem e foram criadas." (Apocalipse 4:10-11 NVI).

Tempo Memorável

No Éden, Deus estabeleceu o memorial de Sua obra da criação, depondo a Sua bênção sobre o sétimo dia (Gênesis 2:3). O sábado foi confiado a Adão, pai e representante de toda a família humana. A observância sabática deveria ser um ato de grato reconhecimento, por parte de todos os que morassem sobre a Terra, de que Deus era seu Criador e legítimo Soberano; de que eles eram a obra de Suas mãos, e súditos de Sua autoridade. Assim, a instituição sabática era inteiramente comemorativa, e foi dada a toda a humanidade (Isaías 56:2; Marcos 2:27). Nela, nada havia de prefigurativo, ou de aplicação restrita a qualquer povo.

Deus concluiu que um repouso era essencial para o homem, mesmo no Paraíso; pois era necessário que os seus próprios interesses e ocupações cessassem durante um dia da semana para que pudesse de maneira mais ampla contemplar as obras de Deus, e meditar em Seu poder e bondade. Necessitava de um sábado para, de maneira mais vívida, o fazer lembrar de Deus e para despertar-lhe gratidão, visto que tudo quanto desfrutava e possuía vinha de seu Criador.

Era o desígnio de Deus que o sábado encaminhasse a mente dos homens à contemplação de Suas obras criadas. A natureza fala aos sentidos, declarando que há um Deus vivo, Criador e supremo governador de tudo:2

"Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das Suas mãos." (Salmos 19:1 NVI).
"Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, Seu eterno poder e Sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se." (Romanos 1:20-21 NVI).

Logo, a instituição do sábado originada no Éden é tão antiga como o próprio mundo, e foi observada por todos os patriarcas(b). Durante o cativeiro no Egito, os israelitas foram obrigados por seus maiorais de tarefas a violar o sábado; e em grande parte perderam o conhecimento de sua santidade(c). Quando a lei foi proclamada no Sinai, as primeiras palavras do quarto mandamento foram: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar." (Êxodo 20:8 RA); mostrando que o sábado não foi instituído naquela ocasião, mas à sua origem na criação (Êxodo 20:11 cf. Gênesis 2:1-3).

E é justamente com o intuito de eliminar a lembrança de Deus da mente dos homens, que Satanás tenta destruir este grande memorial; isso aumentaria as suas chances de envolver a humanidade completamente com o mal, e sem oferecer resistência.3

Satanás tem sido perseverante e infatigável em seus esforços para levar avante a obra que começou no Céu - mudar a lei de Deus (Isaías 14:13-14; Daniel 7:25; Apocalipse 12:7-17). E tem tido êxito em levar o mundo a crer na teoria que ele apresentou no Céu antes de sua queda, de que a lei divina era defeituosa e necessitava ser revisada(d). E grande parte da professa igreja cristã, por sua atitude, se não por suas palavras, demostra que aceita o mesmo erro. Se, porém, a lei de Deus foi mudada num jota ou num til, Satanás ganhou na Terra aquilo que não pôde obter no Céu. Ele preparou seus enganosos laços na esperança de levar cativos a igreja e o mundo. Mas nem todos serão enlaçados. Está sendo traçada uma linha de distinção entre os filhos da obediência e os filhos da desobediência, entre os leais e verdadeiros e os desleais e infiéis. Dois grandes partidos se desenvolvem - os adoradores da besta e sua imagem(e), e os adoradores do Deus vivo e verdadeiro.4

"Como memorial da Criação, a observância do sábado representa um antídoto contra a idolatria. Ao lembrar-nos que Deus criou os céus e a Terra, transparece claramente a distinção entre Deus e todos os falsos deuses (Jeremias 16:20-21; Habacuque 2:19). A guarda do sábado torna-se, pois, um sinal de nossa fidelidade ao verdadeiro Criador - um sinal de que reconhecemos a Sua soberania como Criador e Rei."5

Considerações finais

"A importância do sábado como memória da criação consiste em conservar sempre presente o verdadeiro motivo de se render culto a Deus - porque Ele é o Criador, e nós as Suas criaturas. O sábado, portanto, está no fundamento do culto divino, pois ensina esta grande verdade da maneira mais impressionante, e nenhuma outra instituição faz isso. O verdadeiro fundamento para o culto divino, não meramente o daquele que se realiza no sétimo dia, mas de todo o culto, encontra-se na distinção entre o Criador e Suas criaturas. Este fato capital jamais poderá tornar-se obsoleto, e jamais deverá ser esquecido. [...]

Tivesse sido o sábado universalmente guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos ao Criador como objeto de reverência e culto, jamais teria havido idólatra, ateu, ou incrédulo. A guarda do sábado é um sinal de lealdade para com o verdadeiro Deus, 'Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas' (Apocalipse 14:7 cf. Êxodo 20:11). Segue-se que a mensagem que ordena aos homens adorar a Deus e guardar Seus mandamentos, apelará especialmente para que observemos o quarto mandamento. [...]

A alegação tantas vezes feita, de que Cristo mudou o sábado, é refutada por Suas próprias palavras. Em Seu sermão no monte, disse Ele: 'Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer pois que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos Céus' (Mateus 5:17-19 ASV cf. Lucas 16:17)."6

E João complementa dizendo: "Aquele que diz: 'Eu o conheço', mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele." (I João 2:4 NVI).

"As igrejas que recusaram receber a primeira mensagem angélica, rejeitaram luz celestial. A mensagem foi misericordiosamente enviada para levá-los a ver sua verdadeira condição de mundanismo e afastamento, e para buscarem o preparo para o encontro com o Senhor. A primeira mensagem angélica foi dada para separar a igreja de Cristo da influência corruptora do mundo. Todavia para a multidão, mesmo os professos cristãos, as amarras que os prendiam à Terra eram mais poderosas do que os atrativos celestiais. Escolheram dar ouvidos à voz da sabedoria terrena e deram as costas à vigorosa mensagem da verdade (Marcos 7:8-9; Colossenses 2:8)."7



Vídeos relacionados: Cremos na Criação; Quarto Mandamento

a. Acesse: A Hora do Juízo
1. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; 41.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. III, cap. 25, p. 436.
2. WHITE, E. G. Patriarcas e Profetas, 16.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. I, cap. 2, p. 48.
3. Ibidem, sec. III, cap. 29, p. 336.
4. WHITE, E. G. Mensagens Escolhidas, vol. II, 5.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. II, cap. 12, p. 107.
5. Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 19, p. 334.
6. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; 41.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. III, cap. 25, p. 437-438, 447.
7. WHITE, E. G. História da Redenção, 9.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 51, p. 364.

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28 de nov de 2014 02:20