A Lei do Tribunal Celestial

"Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no Céu, e foi vista a arca da aliança no Seu santuário, e sobrevieram[a] relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada." (Apocalipse 11:19 RA cf. Apocalipse 15:5).

À medida em que o livro de Apocalipse avança em sua narrativa, ele cita algumas mobílias do santuário celestial, entre elas: os candelabros (Apocalipse 1:12-15 cf. Êxodo 25:31); o altar de incenso (Apocalipse 8:3 cf. Êxodo 40:5); e, a arca da aliança, que destaca-se por abrigar em seu interior a lei de Deus (Apocalipse 11:19 cf. Êxodo 25:16), e por ser o lugar no qual às decisões divinas são pronunciadas à semelhança do que ocorria no santuário terrestre (Apocalipse 4:5 cf. Apocalipse 11:19; Números 7:89).

A arca da aliança encontra-se no "Santo dos Santos", ou "Lugar Santíssimo", que é o segundo compartimento do santuário celestial. No ministério do santuário terrestre, que representava as coisas celestiais (Hebreus 8:1-2; Hebreus 9:23-25; Êxodo 25:9), esse compartimento era aberto somente no dia da Expiação para a atuação do sumo sacerdote (Levítico 16:2; Levítico 23:27). Assim, a declaração de que a arca da aliança foi vista no Céu (Apocalipse 11:19), revela que o Lugar Santíssimo do santuário celestial foi aberto ou disposto para que Cristo pudesse exercer à Sua função sumo sacerdotal e, desse modo, concretizar a obra da expiação; isto é, purificar o santuário(b). Paulo fundamentado nesse sacerdócio, exortou: "Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus." (Hebreus 10:19 NVI).

Ao se estudar paralelamente o santuário terrestre e celestial, chega-se a inevitável conclusão de que Jesus finalizou a fase sacerdotal e iniciou a fase sumo sacerdotal de Seu ministério; ou seja, diante da arca de Deus, Ele encontra-Se na fase final de Sua obra de intercessão. "[...] pelo Seu próprio sangue, Ele entrou no Lugar Santíssimo, de uma vez por todas" (Hebreus 9:11-12 NVI).

A arca da aliança e a lei de Deus

A arca do santuário terrestre, que alojava a lei de Deus inscrita em duas tábuas de pedra, era apenas um receptáculo; a presença da lei é que dava valor e santidade à arca da aliança. E essa lei, registrada também no Pentateuco(c), é uma transcrição da lei que encontra-se guardada na arca do santuário celestial.

A lei de Deus, sendo a revelação de Sua vontade e reflexo de Seu caráter, permanece para sempre como uma fiel testemunha no Céu. Nenhum mandamento foi anulado; nenhum jota ou til mudou. Diz o salmista: "Para sempre, ó Senhor, está firmada a Tua palavra no Céu." (Salmos 119:89 RA). "As obras das Suas mãos são fiéis e justas; todos os Seus preceitos merecem confiança. Estão firmes para sempre, estabelecidos com fidelidade e retidão." (Salmos 111:7-8 NVI).

E esse importante ensino é transmitido também por Jesus nas seguintes palavras: "É mais fácil os céus e a terra desaparecerem do que cair da Lei o menor traço." (Lucas 16:17 NVI cf. Mateus 5:18).

Tanto a mediação de Cristo no santuário celestial quanto a eterna vigência da lei de Deus são realidades apresentadas no capítulo 14 de Apocalipse. Esse capítulo contém uma tríplice mensagem que prepara os habitantes da Terra para a segunda vinda de Jesus, e que será proclamada até o fim do tempo da graça(d). O anúncio da primeira, dessas três mensagens, declara: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo." (Apocalipse 14:7 RA). Essa mensagem aponta para o trabalho final de salvação conduzido pelo ministério sacerdotal de Cristo; ela anuncia uma verdade que deve ser proclamada até que cesse a intercessão do Salvador, ocasião em que Ele retornará à Terra para receber o Seu povo. A obra do juízo que começou em 1844, continuará até que os casos de todos estejam decididos, tanto dos vivos como dos mortos.

Com o propósito de preparar a humanidade para o juízo, a primeira mensagem ordena temer, reverenciar e glorificar "Aquele que fez o céu e a terra, e o mar, e as fontes das águas"(e) (Apocalipse 14:7 cf. Êxodo 20:11). E a aceitação dessa mensagem resulta naturalmente em guardar os mandamentos de Deus e a fé em Jesus (Apocalipse 14:12 cf. Apocalipse 12:17).

Observando que a obediência aos mandamentos não é praticada por medo a Deus, a palavra "temer" não foi utilizada nesse sentido; essa forma de obediência nunca foi exigida pela lei. A expressão "temer a Deus" não significa manter um sentimento de pavor e intranquilidade, mas viver em harmonia com a vontade do Criador motivado por amor (Mateus 22:36-40; Romanos 13:8-10; I João 5:1-3); significa viver em retidão:

"[...] se você aceitar as Minhas palavras e guardar no coração os Meus mandamentos; se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto; se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus." (Provérbios 2:1-5 NVI cf. Isaías 8:16).

E essa conduta é o dever de todo o homem (Eclesiastes 12:13-14). Todos devem lutar contra à sua natureza pecaminosa que encontra-se em constante oposição à lei (cf. Romanos 3:10-12); todos devem ceder diariamente a influência do Espírito Santo que busca estabelecê-la na "mente e coração":

"Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus." (Romanos 8:5-8 NVI cf. Gálatas 5:16-18).
"O Espírito Santo também nos testifica a este respeito. Primeiro Ele diz: 'Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as Minhas leis em seu coração e as escreverei em sua mente'." (Hebreus 10:15-16 NVI).

"A lei é espiritual" (Romanos 7:14), portanto, somente aqueles que volvem-se com as coisas espirituais desenvolvem os "frutos do Espírito" e podem obedecer a lei (Gálatas 5:22-25). É o Espírito de Deus que guia e fortalece para a verdadeira obediência (João 14:25-26). As leis humanas abrangem apenas atos públicos, mas os Dez Mandamentos da lei de Deus são "ilimitados" (Salmos 119:96-97), alcançando os mais secretos pensamentos e sentimentos humanos, tais como: ciúme, inveja, lascívia e ambição (Gálatas 5:19-21). Durante o sermão da Montanha, Jesus enfatizou essa dimensão espiritual da lei, demonstrando que a transgressão começa no coração (Mateus 5:21-22; Mateus 5:27-28; Marcos 7:21-23). E essa mesma lei é a norma de caráter no Seu juízo:

"Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados."(f) (Romanos 2:12-13 RA). "Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, Aquele que disse: 'Não adulterarás', também ordenou: 'Não matarás'. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade." (Tiago 2:10-12 RA cf. Tiago 1:25).



Texto baseado em: WHITE, E. G. Grande Conflito, O; 41.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. III, cap. 25, p. 433-436; Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 18 (A lei de Deus).

a. Fenômenos similares, concernente aos elementos da natureza, foram observados quando Deus pronunciou os Dez Mandamentos para a nação israelita: "Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante [...]" (Êxodo 20:18 RA).
d. Acesse: Finda-se o Tempo

Outros estudos:
Ċ
IASD On-line,
11 de out de 2014 13:39