Jesus, o Advogado

"[...] se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados. E não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (I João 2:1-2 BJ). "Por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dEle, se aproximam de Deus, visto que Ele vive para sempre para interceder por eles." (Hebreus 7:25 BJ).

"Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim Alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade." (Hebreus 4:14-16 NVI).

Expiação e intercessão

Quando Jesus ofereceu-Se como sacrifício expiatório, Ele assumiu o castigo que deveria recair sobre toda a humanidade, pois estávamos sob a ira de Deus em decorrência dos pecados cometidos contra à Sua lei (Isaías capítulo 53; Romanos 5:12-13; I João 3:4). Assim, através de Sua morte na cruz do Calvário, Jesus nos concedeu a oportunidade de obter o perdão de Deus, pois o Seu sacrifício atendeu a justiça reivindicada pela lei (Ezequiel 18:4 cf. I Coríntios 15:56; II Coríntios 5:21). Portanto, uma vez quitada essa dívida, cada pecador pode dirigir-se a Deus em busca desse perdão por intermédio do próprio Jesus (II Coríntios 5:18-19).

E é justamente esse trabalho de mediação que Jesus vem exercendo no santuário celestial. Sem o ministério sumo sacerdotal de Jesus no Céu, à Sua morte não teria valor algum para a humanidade, pois não teríamos condições de recorrer a Deus por Seu perdão (João 14:6; Hebreus 7:25); em outras palavras, se Jesus não advogasse em nosso favor perante Deus, de nada adiantaria à Sua morte em nosso lugar (Romanos 8:34; Hebreus 9:15). Portanto, a intercessão de Cristo no santuário celestial é tão importante quanto o Seu sacrifício na cruz. Por isso Satanás, a todo custo, induz o pecador a desviar-se de Jesus. E o arqui-inimigo de Deus vem obtendo sucesso, pois milhões de pessoas recorrem a indivíduos(a) incapazes de realizar tal mediação por elas (Atos 4:11-12).

Jesus e o juízo

Durante o juízo de Deus, os livros de registro(b) são abertos para que seja avaliada a vida de todos os que creram em Jesus (I Pedro 4:17). Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos. Todo nome é mencionado, cada caso é minuciosamente investigado. Aceita-se e rejeita-se nomes (Apocalipse 22:12 cf. Jeremias 17:10, Mateus 7:22-23).

Quando alguém possui pecados mantidos nos livros de registro por falta de arrependimento e, consequentemente, ausência de perdão (Atos 2:38; II Coríntios 7:10), essa pessoa é excluída do livro da Vida; e o relato de suas boas ações é apagado do livro Memorial de Deus (Neemias 13:14; Ezequiel 33:13; Malaquias 3:16). Sobre isso, o próprio Criador afirma: "Riscarei do Meu livro todo aquele que pecar contra Mim." (Êxodo 32:33). Se "um justo se desviar de sua justiça, e cometer pecado e as mesmas práticas detestáveis dos ímpios, deverá ele viver? Nenhum de seus atos justos será lembrado! Por causa da infidelidade de que é culpado e por causa dos pecados que cometeu, ele morrerá." (Ezequiel 18:24 NVI).

Situação oposta ocorre com aqueles que verdadeiramente se arrependeram de seus pecados e, pela fé, rogaram pelo sangue de Cristo como o seu sacrifício expiatório. Nos livros do Céu, tais pessoas possuem o perdão acrescentado aos seus respectivos nomes. Sendo participantes da justiça de Cristo e tendo o caráter em harmonia com a lei de Deus (Romanos 2:13 cf. Mateus 19:16-19), os pecados dessas pessoas são riscados, habilitando-as a herdar a vida eterna. As Escrituras declaram nitidamente que:

"Mas, se um ímpio se desviar de sua maldade e fizer o que é justo e direito, ele salvará sua vida. Por considerar todas as ofensas que cometeu e se desviar delas, ele com certeza viverá; não morrerá. Não se terá lembrança de nenhuma das ofensas que cometeu. [...]" (Ezequiel 18:21-22 NVI).
"[...] havia um memorial escrito diante dEle para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do Seu nome. Eles serão para Mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o Senhor dos exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve. Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve." (Malaquias 3:16-18 RA).
"Sou Eu, Eu mesmo, Aquele que apaga suas transgressões, por amor de Mim, e que não se lembra mais de seus pecados." (Isaías 43:25 NVI cf. Miquéias 7:18-20, Hebreus 8:10-12).
"O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da Vida, mas o reconhecerei diante do Meu Pai e dos Seus anjos. Quem, pois, Me confessar diante dos homens, Eu também o confessarei diante do Meu Pai que está nos céus. Mas aquele que Me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante do Meu Pai que está nos céus." (Apocalipse 3:5 NVI; Mateus 10:32-33 NVI).

O acusador

Enquanto Jesus faz a defesa dos súditos de Sua graça, Satanás acusa-os como transgressores. O grande enganador procurou levá-los ao ceticismo e os induziu a renegar a Deus e Sua lei. Agora aponta para o relatório de suas vidas, para os defeitos de caráter e dessemelhança com Cristo. Indica todos os pecados que ele mesmo os tentou a cometerem e, por causa disto, os reclama como seus súditos (Apocalipse 12:10 cf. I Pedro 5:8-9).

Contudo, Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o arrependimento e a fé que desenvolveram, e, reivindicando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai, dizendo: "Conheço-os pelo nome. 'Gravei-os na palma de Minhas mãos'. 'Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás'. (Isaías 49:16; Salmos 51:17). E ao acusador de Seu povo, declara: 'O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?'[c] (Zacarias 3:2 RA)".

Cristo vestirá Seus fiéis com Sua própria justiça, para que os possa apresentar a Seu Pai "como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável" (Efésios 5:27 NVI). Seus nomes permanecem registrados no livro da Vida, e ao lado de Cristo andarão "vestidos de branco, pois são dignos" (Apocalipse 3:4 NVI).

No culto típico(d), o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação. "Assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que O aguardam." (Hebreus 9:28 NVI). Abençoará com a vida eterna Seu povo que O espera (Apocalipse 22:12-14).

E assim como o sumo sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessava-os sobre a cabeça do bode emissário(e), semelhantemente, Cristo porá todos esses pecados sobre Satanás, o originador e instigador do mal. E, da mesma forma que o bode emissário, levando os pecados de Israel, era enviado à "terra solitária" (Levítico 16:22), Satanás, levando a culpa de todos os pecados que induziu o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à Terra desolada e sem habitantes, aguardando finalmente a punição que recairá sobre ele e seus seguidores (Malaquias 4:1; Apocalipse capítulo 20). Através desses episódios, o plano da redenção atingirá seu cumprimento na extinção final do pecado e no livramento de todos os que estiverem dispostos a renunciar ao mal.

Considerações finais

Cada pessoa tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. A intercessão de Cristo no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção como o foi a Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou essa obra, para cuja conclusão ascendeu ao Céu, depois de ressurgir. Ali se reflete a luz da cruz do Calvário. Ali podemos obter mais discernimento sobre os mistérios da redenção. A salvação do homem se efetua a preço infinito para o Céu; o sacrifício feito é igual aos mais amplos requisitos da violada lei de Deus. Jesus abriu o caminho para o trono do Pai, e por meio de Sua mediação pode ser apresentado a Deus o desejo sincero de todos os que a Ele se chegam pela fé.

"Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia." (Provérbios 28:13 NVI). Se os que ocultam ou desculpam suas faltas pudessem ver como Satanás exulta sobre eles, como escarnece de Cristo e dos santos anjos, pelo procedimento deles, apressar-se-iam a confessar seus pecados e a deixá-los.

Por meio dos defeitos do caráter, Satanás trabalha para obter o domínio de toda a mente, e sabe que, se esses defeitos forem acariciados, será bem-sucedido. Portanto, está constantemente procurando enganar os seguidores de Cristo com seu fatal sofisma de que lhes é impossível vencer. Mas Jesus apresenta em favor de Seu povo as Suas mãos feridas, Seu corpo moído; e declara a todos os que desejam segui-Lo: "Basta-te a Minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder." (II Coríntios 12:9 BJ). "Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve." (Mateus 11:29-30 BJ). Ninguém, pois, considere incuráveis os seus defeitos. Deus concederá fé e graça para vencê-los.



Extraído e adaptado de: WHITE, E. G. Grande Conflito, O; 41.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. IV, cap. 28, p. 482-489.

c. Acesse: Arcanjo Miguel
d. Liturgia do santuário terrestre, o dia da Expiação (Levítico capítulo 16).

Outros estudos:
Ċ
IASD On-line,
8 de nov de 2014 08:00