IEAD e o Sábado - II

Posso alterar o dia de descanso semanal instituído por Deus?
Ninguém possui autoridade para mudar o dia que Deus escolheu para ser o Seu santo sábado, e o qual encontra-se firmemente estabelecido no sétimo dia da semana (Êxodo 20:8-11; Lucas 4:14-16; Lucas 16:17). Entretanto, muitos imaginam deter esta prerrogativa e com frequência manifestam tal ilusão com soberba. "Parece incrível que ensinadores religiosos sustentem a 'tese da anarquia divina' que coloca sob o critério do homem a escolha de Seu dia em sete. É ser mais realista do que o Rei. É inverter a ordem das coisas para justificar o pecado. A Escritura não confere tal poder ao homem."1

Na realidade esta questão reside sobre uma teoria que foi elaborada para subjugar o descanso discriminado no quarto mandamento, e ela utiliza capciosamente a seguinte orientação: "Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum [...]" (Êxodo 20:9-10 NVI). Por meio destes versos, a referida teoria visa suprimir o sétimo dia como único dia de descanso sagrado, alegando que cada pessoa é livre para escolher o "sábado" de Deus, desde que: trabalhe seis dias consecutivos e descanse no sétimo, não importando o dia da semana em que será considerado o início dessa contagem. Este falso ensino, além de ser uma interpretação maliciosa de Êxodo 20:9-10, põe em contradição os seus defensores, haja vista que tal ensinamento está fundamentado no quarto mandamento, frequentemente considerado pela grande maioria como tendo sido abolido na nova aliança(a). Ademais, o mandamento em pauta não ordena que cada pessoa trabalhe obrigatoriamente ao longo de seis dias semanais, mas concede este período para que as atividades seculares possam ser realizadas.

E muitos assembleianos acatam a falsa ideia relatada acima, acreditam veementemente que o homem pode escolher aleatoriamente o dia de sábado - sofisma aniquilado pela própria lei de Deus que estabelece especificamente o sétimo dia da semana como sendo o sábado(b), o santo dia do Senhor(c); e não um dia escolhido numa contagem aleatória de "um dia em sete" (Gênesis 2:2-3 cf. Êxodo 20:8-11). O relato do envio do maná no deserto de Sim (Êxodo capítulo 16), auxilia a pulveriza o vil engano de que o descanso semanal descrito no quarto mandamento refere-se a "um dia em sete" casual e subjetivo.

Quando Deus ordenou que fosse colhido o dobro de maná no sexto dia, Ele anunciou: "Durante seis dias o recolhereis, mas no sétimo dia, no sábado, não o haverá." (Êxodo 16:26 BJ). E na ocasião alguns transgrediram o mandamento deliberadamente e foram em sua busca "mas não o acharam"(d) (Êxodo 16:27). Então o Senhor disse: "Até quando recusareis guardar Meus mandamentos e Minhas leis?" (Êxodo 16:28 BJ). Se o princípio do quarto mandamento fosse de que, cada pessoa escolhe "um dia em sete" para ser o sábado, o envio do maná não poderia ter sido cessado em momento algum, mas deveria ter sido enviado todos os dias da semana, pois haveriam aqueles que durante às suas contagens independentes e aleatórias de "seis dias de trabalho e um dia de descanso", considerariam inevitavelmente como dia de trabalho (e consequentemente de colheita), o dia em que Deus determinou para ser o sábado (sétimo dia da semana, Êxodo 16:23), e na qual Ele não enviou o maná. Assim, Deus não poderia ter Se indignado ao ver alguns do povo indo em sua busca, ao contrário, Ele deveria ter acatado a vontade dos israelitas e ter enviado o maná também no sétimo dia da semana sem nenhuma palavra de desagrado.

O mesmo pode ser aplicado quando Neemias repreendeu severamente aqueles que estavam executando suas atividades seculares no dia de sábado, instituído no sétimo dia da semana (Neemias 13:15-22). Se o descanso semanal fosse algo subjetivo, Neemias não teria razão alguma em condenar a atitude da multidão e deveria ter aceitado a suposta autoridade deles de determinar qual dia da semana seria reservado para ser o sábado; o quarto mandamento estaria submetido a escolha privativa de cada indivíduo, ou seja, submisso à vontade de cada pecador.
"Afirmar que o sábado significa 'um dia em sete' é estabelecer a anarquia divina, como se Deus subordinasse ao critério de Suas criaturas frágeis e pecadoras, indignas e mortais, guardarem o Seu dia, no dia em que melhor atendesse às suas conveniências. Isto é monstruoso, sem sentido, sem objetivo. Qual seria o sentido de um filho de Deus guardar uma terça-feira por exemplo? A teoria beócia da guarda de um dia em sete só tem um objetivo: justificar a guarda do 'dia do Sol'(e) dos pagãos, que a cristandade recebeu do paganismo que se infiltrava na igreja, nos primeiros séculos da nossa era."2
O Novo Testamento não cita o quarto mandamento?
Outra especulação absorvida pelos membros da igreja Evangélica Assembleia de Deus, afirma que o sábado não deve ser observado porque o quarto mandamento não é citado no Novo Testamento(f); há até mesmo àqueles que exigem a transcrição exata de Êxodo 20:8. Este ingênuo argumento, além de imprudente, contraria também os três primeiros mandamentos da lei de Deus, visto que eles não são citados pelo Novo Testamento, muito menos nas exigências ipsis verbis:
"Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto [...]. Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão [...]." (Êxodo 20:3-7 RA).
Existem muitas outras normas de conduta cristã presentes no Antigo Testamento que não foram repassadas diretamente para o Novo Testamento(g), contudo, por tal ausência, estariam os assembleianos livres para transgredi-las? O Novo Testamento não foi idealizado para ser uma cópia exata do Antigo Testamento, mas uma extensão de seus ensinos. Quando Jesus disse: "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim" (João 5:39 RA cf. Mateus 19:16-19), Ele referia-se na ocasião ao Velho Testamento. Quanto à isso, a própria IEAD declara:
"[...] Talvez a explicação para a grande falta de santidade e de moral que hoje assistimos na vida dos membros da 'igreja' moderna seja exatamente a falta de conhecimento da ética cristã, que nos é apresentada através dos Dez Mandamentos. Já se tornou normal a leitura e estudo somente do Novo Testamento pela maioria de nossos irmãos, porém o padrão seguido pelos judeus e gentios que se converteram nos primórdios do cristianismo têm sua base no Velho Testamento e principalmente nos Dez Mandamentos, nas leis e ordenanças feitas por Deus aos hebreus, para que fossem um povo separado e diferente dos outros povos que viviam à sua volta."3

"O relacionamento entre o crente e a lei de Deus envolve os seguintes aspectos: (1) A lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do AT [Antigo Testamento] bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos. Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam hoje em vigor. [...]"4
O início da redação do Novo Testamento ocorreu 31 anos após a ascensão de Cristo ao Céu, sendo concluída 66 anos depois. A igreja primitiva tinha na sua origem, unicamente, o Antigo Testamento e os ensinos transmitidos diretamente por Cristo. E um desses ensinos exortava: "Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado." (Mateus 24:20 RA). Assim, por meio da oração, ajuda celestial seria concedida para que o inverno e suas difíceis condições climáticas fossem evitadas ou amenizadas e, também, conseguiriam auxílio para preservar o sábado dos infortúnios de uma fuga(h). Haveria algum sentido em solicitar que orassem para resguardar o sábado, se ele não tivesse algum valor para o cristianismo?

Quanto a insinuação de que o quarto mandamento não é transmitido pelo Novo Testamento, o que se percebe é a nítida intenção de omitir premeditadamente textos explícitos que esclarecem esta questão. Dentre eles:
"Era o dia da Preparação, e estava para começar o sábado. As mulheres que haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, seguiram José, e viram o sepulcro, e como o corpo de Jesus fora colocado nele. Em seguida, foram para casa e prepararam perfumes e especiarias aromáticas. E descansaram no sábado, em obediência ao mandamento." (Lucas 23:54-56 NVI).
Este descanso, "em obediência ao mandamento", ocorreu após a morte de Jesus, nas primeiras horas da nova aliança. As mulheres que conviveram e aprenderam diretamente com Ele, dentre elas a Sua mãe, observaram o sábado conforme o quarto mandamento (verso 56). E estes acontecimentos foram relatados por Lucas, 33 anos depois, e sem nenhuma palavra de advertência contra a observância sabática mencionada; não existe nenhuma orientação sobre o sábado ter sido findado com o sacrifício de Jesus, ou, substituído por outro dia semanal. E, curiosamente, a IEAD não expõem estes fatos em suas obras literárias. Observa-se claramente que, em suas publicações, comentários sobre a observância do sábado descrita em Lucas 23:56 são fortemente evitados.

Outro relato sobre a observância do sábado, exigida pelo quarto mandamento da lei de Deus, presente no Novo Testamento: "No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali." (Atos 16:13 NVI). Os discípulos de Jesus (Paulo, Silas, Timóteo e Lucas) encontravam-se na cidade de Filipos, onde não havia um local adequado para realizar um culto a Deus. Então saíram dela à procura de um local ideal para estudar as Escrituras, louvar e orar. E foram informados da existência de um lugar na orla do rio Gangites onde poderiam realizar a almejada reunião sabática, então deslocaram-se ao seu encontro. Lídia, uma das mulheres que se encontrava nesse lugar, após ouvir o evangelho foi batizada (Atos 16:14-15). Estas coisas ocorreram em 53 d.C., aproximadamente 20 anos após a crucifixão de Jesus. E assim como ocorre com Lucas 23:56, as obras literárias oficiais da IEAD, sobretudo aquelas que aventuram-se a tratar das questões relacionadas ao sábado, evitam a todo custo qualquer comentário sobre os eventos registrados em Atos 16:13.

Mas, independente disso, os Evangelhos afirmam e a própria IEAD admite que Jesus observou e ensinou a maneira correta de guardar o sábado(i), e nunca à sua extinção. Seus discípulos após a cruz do Calvário continuaram a respeitar o quarto mandamento do Decálogo.5 Não existe um único verso no Novo Testamento indicando que o quarto mandamento da lei de Deus foi abolido.6 No entanto, prevalece entre os assembleianos, os mitos dominguistas e anomianistas que visam eliminar a importância que o sábado representa para Deus e Seu povo.

Considerações finais
Deixemos que uma referência teológica assembleiana, o pastor e escritor pentecostal Harold Joseph Brokke, finalize este estudo:
"É possível que alguém imagine que a transgressão desse quarto mandamento é menos grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade, porém, é que, quem se dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração a inclinação para transgredir um ou mais dos outros mandamentos [...] Por que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo! Segue-se aqui o mesmo princípio de não furtar, porque não é justo."7

b. Cercados por diversas fábulas que afrontam o sábado de Deus, alguns assembleianos negam até mesmo que a Bíblia nomeie, o sétimo dia, de sábado; atitude que contrapõe várias referências bíblicas, entre elas: Êxodo 16:26; Êxodo 20:10-11; Êxodo 31:15; Deuteronômio 5:14; Mateus 28:1; Marcos 15:42; Lucas 23:54-53. E a própria IEAD através da obra, "A Bíblia Através dos Séculos" (capítulo 7, Cronologia Bíblica), contraria tais indivíduos ao trazer o seguinte esclarecimento: "Os dias da semana entre os hebreus não tinham nomes e sim números, exceto o sexto que se chamava parasceue (Lc 23.54), e o sétimo que se chamava sábado (em heb. 'shab-bath', cessação, descanso)".
d. De forma análoga chegará o dia em que os desobedientes e jactanciosos procuração a Deus e não acharão (Isaías 55:6; Amós 8:12 cf. Lucas 13:28).
g. Por exemplo: Levítico 18:6-24; Levítico 19:28; Deuteronômio 18:10-12; Deuteronômio 22:5.
h. Essa fuga ocorreu 40 anos após a ressurreição de Jesus, época em que Jerusalém foi invadida pelo general romano Tito.
1. CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 22, p. 153.
2. Ibidem, p. 153.
3. Lições Bíblicas: Jovens e Adultos, Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 3.º trimestre de 2002, lição 02 (A ética cristã e os Dez Mandamentos).
4. Bíblia de Estudo Pentecostal. (2002). Rio de Janeiro, RJ: CPAD, comentários sobre Mateus 5:17; Too in: Lições Bíblicas: Jovens e Adultos, Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 3.º trimestre de 2002, lição 02 (A ética cristã e os Dez Mandamentos).
5. Atos 13:42-44; Atos 16:11-13; Atos 17:1-3; Atos 18:1-4; Atos 18:11.
6. Mateus 5:17-19; Lucas 16:17 cf. Malaquias 3:6, Tiago 2:10-12; Apocalipse 14:12.
7. BROKKE, H. J. (2002). Prosperidade pela Obediência, Belo Horizonte, MG: Editora Betânia, p. 58-59.

Outros estudos:
Ċ
IEAD07.pdf
(114k)
IASD On-line,
22 de fev de 2014 12:36