IEAD: Jesus versus Fariseus - I

Vergonhosamente, tornou-se comum observar professos cristãos declararem que Jesus foi um impetuoso transgressor do quarto mandamento, tais indivíduos rebaixam o autor e mantenedor do Universo ao nível de pecaminosidade em que encontram-se e, orgulhosamente, apontam esta abominável acusação como "justificativa" para o desprezo que eles próprios mantêm contra o sábado instituído por Deus; utilizam as mesmas calúnias e difamações que os escribas e fariseus criaram para perseguir Jesus(a). E entre os membros da igreja Evangélica Assembleia de Deus, existe também o ardoroso empenho em utilizar as incriminações rabínicas contra Jesus para justificar a rebeldia contra o quarto mandamento da lei de Deus. Contudo, estaria a referida igreja orientando os seus membros a agir desta maneira? O que as obras literárias assembleianas declaram sobre os atritos ocorridos entre Cristo e os fariseus em relação a guarda sabática?

Quarto mandamento, o sétimo dia do Senhor: Jesus transgrediu ou anulou o Sábado?
Lembrando: todas as citações a seguir foram extraídas da literatura oficial da igreja Evangélica Assembleia de Deus.

"A lei moral (como os Dez Mandamentos) é a ordem direta de Deus, exige uma obediência total, pois revela Sua natureza e vontade. Assim, ainda é aplicável em nossos dias. Jesus obedeceu completamente à lei moral."1 "[...] Jesus não cancelou os Dez Mandamentos. Em sua doutrina, Ele deu-lhes um caráter notadamente espiritual e abrangente, valorizando mais o interior do homem, sem desmerecer seu exterior."2

"Infringindo a lei? Nem Jesus nem os discípulos quebraram o princípio do sábado. O que violaram foram as interpretações rabínicas do mandamento do Antigo Testamento, de que 'trabalho' algum deveria ser realizado aos sábados. Para os rabinos, era a colheita, uma das 39 espécies de trabalho no sábado. A insinuação de Jesus é de que a interpretação rígida não está em consonância com a Escritura. Em seguida, acrescenta que os fariseus se esqueceram de um princípio interpretativo chave: a declaração clara de que Deus deseja misericórdia. A insistência no fato de que Jesus cura no sábado estabelece o princípio básico de que não há qualquer conflito entre a lei e o fazer o bem."3

"A controvérsia sobre o sábado. Neste e nos demais Evangelhos o conflito com os líderes religiosos sobre o sábado é acentuado. A contenda diz respeito ao que é permitido fazer neste dia santo. Jesus, ao declarar Sua divina autoridade como o Senhor do sábado, deixa claro que a necessidade do ser humano é mais importante. A ênfase rabínica sobre a observância do cerimonial distorceu a intenção de Deus em conceder à humanidade o sábado como dia de descanso."4

"O Sábado. Segundo o Antigo Testamento, o sétimo dia da semana é destinado ao descanso. Através dos anos, especialistas em legislação do Antigo Testamento discutiram a natureza do 'trabalho' e desenvolveram inúmeras regras que restringem a atividade aos sábados. [...] Os Evangelhos retratam o conflito entre os fariseus e Jesus sobre o sábado. O caso em questão é típico. Jesus cura num sábado. O chefe da sinagoga, escandalizado, conclama o povo a não vir para a cura aos sábados, pois, para isto há seis dias na semana. Cristo rotula essa colocação de hipócrita, pois os chefes rabínicos, bem de vida, estavam autorizados a cuidar de seus animais aos sábados. Seriam os seres humanos menos valiosos para Deus do que um animal? Buscar entender os conceitos bíblico, sem compaixão, é distorcer ou interpretar mal o que diz a Palavra."5

"Pela tradição legalista judaica, havia 39 categorias de atividades proibidas no sábado; a colheita era uma delas. Os doutores da lei foram mais longe, descreveram os diferentes métodos de colher. Um consistia em esfregar os grãos entre as mãos, como os discípulos fizeram neste episódio. A lei dizia que os lavradores não deveriam recolher os frutos nos cantos de seu campo, para que os viajantes e os pobres pudessem se beneficiar desta generosidade (Dt. 23.25). Assim, os discípulos não poderiam ser acusados de roubar as espigas. Também não infringiram o sábado, porque não trabalharam neste dia. Embora pudessem ter violado as regras dos fariseus, não infringiram a lei de Deus. Os fariseus pensavam que seu sistema religioso possuía todas as respostas. Não podiam aceitar Jesus, porque Ele não Se ajustava àquela tradição religiosa."6

"Quando Jesus afirmou ser 'Senhor até do sábado', referia-se a Sua autoridade para revogar as tradições e os regulamentos estabelecidos pelos fariseus, porque, sendo Ele Deus, havia instituído o sábado. O Criador é sempre maior do que a criação. De acordo com a tradição religiosa, ninguém poderia ser curado no sábado. Os lideres religiosos argumentavam que ministrar cura era praticar a medicina, e pessoa alguma poderia exercer a sua profissão no sábado. Para eles, era mais importante proteger suas leis do que livrar alguém do sofrimento."7

"[...] Jesus não demonstrou qualquer conivência com a desobediência aos mandamentos de Deus; apenas enfatizou o discernimento e a compaixão na aplicação das leis. Os Dez Mandamentos exigiam que o sábado fosse um dia santificado ao Senhor (Êx. 20.8-11). Mas os fariseus, de acordo com sua interpretação da lei, criaram uma longa lista de atividades que não poderiam ser praticadas nesse dia, e as pessoas foram forçadas a 'descansar'. Eles se prenderam à letra da lei.
Jesus sempre enfatizou o significado e a finalidade dos mandamentos. Mas os fariseus haviam perdido o verdadeiro sentido da lei de Deus e estavam, com todo o rigor, exigindo que ela fosse cumprida de acordo com a interpretação que eles julgavam ser correta. A verdadeira finalidade do sábado era proporcionar às pessoas tempo para descansar e adorar a Deus, por isso os sacerdotes tinham permissão de oferecer sacrifícios e conduzir os cultos de adoração, porque seu trabalho no sábado tinha a finalidade de servir e adorar a Deus."8

"Os fariseus tentaram montar uma armadilha para Jesus. Apontaram um homem com a mão mirrada e perguntaram ao Mestre se era legal curar no sábado. De acordo com os fariseus, as pessoas não podiam receber ajuda nesse dia, a não ser que a vida delas estivesse em perigo. Jesus havia curado muitas pessoas no sábado, nenhuma delas em situação de emergência. Se Ele tivesse esperado até o dia seguinte, teria Se submetido à autoridade dos fariseus e demonstrado que a interpretação deles da lei era correta.
Os fariseus alegavam que, ao curar as pessoas no sábado, Jesus teria contrariado as leis divinas, por esta razão diziam que o poder dEle não vinha de Deus. Mas Jesus provou que a interpretação e aplicação da lei pelos fariseus era desprezível, pois Deus ama as pessoas, não as regras. A melhor maneira de oferecer conforto a alguém é quando ela está precisando de auxílio. Os fariseus colocavam suas regras acima das necessidades humanas. Estavam tão preocupados por Jesus ter desrespeitado uma dessas normas, que pouco se interessavam pela mão deformada daquele homem. [...] Os fariseus tramaram a morte de Jesus porque se sentiram ultrajados. Jesus lhes havia rejeitado a autoridade (Lc 6.11) e exposto o injusto comportamento perante toda a multidão reunida na sinagoga."9

"Jesus usou o exemplo de Davi (1 Sm 21.1-6) para mostrar como eram ridículas as acusações dos fariseus. Deus não instituiu o sábado em Seu próprio benefício, mas em prol do homem. [...] Para os fariseus, as leis relativas ao sábado haviam se tornado mais importantes do que o próprio repouso nesse dia. Tanto Davi como Jesus entenderam que a finalidade da lei de Deus era incentivar o amor por Ele e pelos semelhantes. Ao aplicarmos as leis, devemos ter a certeza de entender sua finalidade e sentido, a fim de não chegarmos a conclusões perniciosas e impróprias."10

"Os fariseus acrescentaram centenas de regulamentos mesquinhos às santas leis de Deus, e tentaram forçar as pessoas a seguir essas regras. Afirmavam conhecer a vontade de Deus relacionada a cada detalhe da vida. Hoje, ainda existe lideres religiosos que acrescentam normas à Palavra de Deus, causando muita confusão entre os crentes. É idolatria afirmar que tal interpretação é tão importante quanto a própria Palavra de Deus."11

"[...] O Senhor Jesus achou a guarda do sábado no seu tempo complicada com inovações rabínicas (Mt 12.2) e outras regras humanas, desconhecidas na lei divina, e, por isso, os chefes religiosos do seu tempo julgaram-nO destruidor do sábado."12 "O zelo dos fariseus não era pela lei de Deus, mas das suas próprias tradições. Tinham tornado o dia de descanso em um dia cheio de preceitos e exigências absurdas. Jesus deliberadamente pisou-as, e estabeleceu o princípio de que 'é lícito fazer bem no sábado'."13

"Por seu turno, os fariseus não só aceitavam integralmente as Escrituras, como também as tradições orais dos rabinos. Diziam que as tradições originavam-se da Palavra de Deus. Eles estavam continuamente brigando e discutindo com os saduceus, por acharem ter alcançado uma posição superior à de qualquer outra classe. Orgulhosos e intolerantes, agradeciam a Deus por não serem como os demais.
[...] Jesus foi ao templo de Jerusalém e, contemplando-o em toda a sua beleza, ousou contradizer grande parte dos ensinamentos dos rabinos. Falara com tanta segurança que ofendeu os sacerdotes. De fato, deixara-os tão zangados que todas as sinagogas foram instruídas para que não O recebessem em suas reuniões. Os sacerdotes e rabinos tentaram desesperadamente apanhá-Lo em alguma contradição com respeito ao sábado a fim de condená-Lo à morte."14

Outras referências teológicas utilizadas pela IEAD
Pastor e teólogo Harold Joseph Brokke
"É possível que alguém imagine que a transgressão desse quarto mandamento é menos grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade, porém, é que quem se dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração a inclinação de transgredir um ou mais dos outros mandamentos [...] Por que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo! Segue-se aqui o mesmo princípio de não furtar, porque não é justo."15
Pastor, teólogo e escritor Myer Pearlman(b)
"O Grande Arquiteto do Universo completou em seis dias Sua obra da criação, e descansou no sétimo dia. [...] No sétimo dia Ele descansou, dando ao homem um exemplo, trabalhando seis dias e descansando no sétimo."16 "Mas Ele lhes disse: 'Meu Pai trabalha até agora, e Eu também'. Noutras palavras, Deus trabalha no sábado, sustentando o Universo, comunicando vida, abençoando os homens, respondendo as orações."17
Considerações finais
Os Evangelhos não apresentam qualquer indício de que Jesus foi negligente à observância sabática instituída no sétimo dia da semana (Gênesis 2:1-3), firmemente consolidada no quarto mandamento da lei de Deus (Êxodo 20:8-11). A própria igreja Evangélica Assembleia de Deus demonstra esta verdade bíblica em seus materiais literários, apesar de ser uma instituição que tem o domingo como dia de guarda. Então, quais seriam os motivos que conduzem alguns membros desta igreja a agir contra Jesus, condenando-O como transgressor do quarto mandamento e, consequentemente, classificando-O como pecador?18


Vídeo relacionado: O Sétimo Dia - Programa 03
b. Foi editor de revistas destinadas aos professores das escolas dominicais e docente de pastores pentecostais como o norte-americano Pr. Nels Lawrence Olson, que atuou como orador do programa de rádio A Voz das Assembleias de Deus.
1. Bíblia de Estudos Aplicação Pessoal. (2004). Rio de Janeiro: CPAD, p. 1224; (comentários sobre Mateus 5:17-20).
2. Lições Bíblicas: Jovens e Adultos, Rio de Janeiro: CPAD, 3.º trimestre de 2002, lição 02 (A ética cristã e os Dez Mandamentos).
3. RICHARDS, L. O. (2006). Guia do Leitor da Bíblia, 5.ª ed., Rio de Janeiro: CPAD, p. 614; (comentários sobre Mateus 12:2-9).
4. Ibidem, p. 657; (comentários sobre Lucas 6:1-11).
5. Ibidem, p. 664; (comentários sobre Lucas 13:10).
6. Bíblia de Estudos Aplicação Pessoal. (2004). Rio de Janeiro: CPAD, p. 1357; (comentários sobre Lucas 6:1-2).
7. Ibidem, p. 1358; (comentários sobre Lucas 6:5-7).
8. Ibidem, p. 1242; (comentários sobre Mateus 12:4-5).
9. Ibidem, p. 1242; (comentários sobre Mateus 12:10-14).
10. Ibidem, p. 1293; (comentários sobre Marcos 2:25-28).
11. Ibidem, p. 1306; (comentários sobre Marcos 7:8-9).
12. MCNAIR, S. E. (2008). Pequeno Dicionário Bíblico, Rio de Janeiro: CPAD, verbete: "Sábado"; (conforme a ortografia e a nomenclatura adotadas na Bíblia de Estudo Pentecostal, edição de 1995).
13. MCNAIR, S. E. (1983). A Bíblia Explicada, 4.ª ed., Rio de Janeiro: CPAD, p. 355.
14. BALL, C. F. (2000). A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo, 3.ª ed., Rio de Janeiro: CPAD, p. 15, 25.
15. BROKKE, H. J. (2002). Prosperidade pela Obediência, Belo Horizonte: Editora Betânia, p. 58-59.
16. PEARLMAN, M. (2006). Através da Bíblia: Livros por Livros, São Paulo: Editora Vida, p. 14-15.
17. PEARLMAN, M. (1976). Ouro Para Te Enriquecer, p. 59; (comentários sobre João 5:17).
18. I João 3:4; Romanos 4:15; Romanos 7:7 cf. Tiago 2:8-13; I João 2:1-7 cf. João 15:10.

Outros estudos:
Ċ
IEAD04.pdf
(121k)
IASD On-line,
29 de jan de 2014 14:32