Provérbios e Provérbios Populares do Brasil
 
A árvore se conhece pelos frutos
Ogni erba si conosce per lo seme. 
By its fruit each plant is known

A atividade é a mãe da prosperidade

A boa vontade faz do longe perto
Where there is a will, there is a way

A maior vingança é o desprezo.
Injurium remedium est oblivio.
The best remedy for wrongs is to forget them

Acaba-se a amizade, quando começa a familiaridade
Too much familiarity breeds contempt

Botar as mangas/manguinhas de fora. Bras. Agir revelando qualidades ou denunciando intenções que, em geral, anteriormente se ocultavam; cometer, em determinadas ocasiões, faltas, erros, deixando entrever as más inclinações; querer aparecer; expandir-se; denunciar-se. (1)

Botar a viola no saco. Ser forçado a calar-se, por imposição ou por não ter condições para continuar com a discussão; calar-se, vencido ou acovardado; acatar uma decisão. (1)

Deus, quando fez o dinheiro redondo, foi pra ele rodar.
Money is round so it must circulate.

Dar ouvidos a. Dar crédito ao que se diz; acreditar no que é dito; acolher uma opinião ou um conselho; tomar ou levar em consideração; prestar; dar atenção a; atender a; escutar; observar. (1)

Falar difícil. Empregar palavras pomposas e pouco habituais, com terminologia rebuscada; expressar-se em linguagem acadêmica, empolada, pernóstica; exprimir-se em estilo empolado, pretensioso. (1)

Falar em alhos e responder em/com bugalhos. Diz-se quando alguém não compreende ou não quer compreender o que se lhe diz, e responde outra coisa; não responder a propósito; dar resposta sem relação com a pergunta. - "Bugalho" é a noz-de-galha, fruto redondo e liso dos carvalhos. (1)

Falar grego. Comunicar-se de modo incompreensível, enrascado, indecifrável; não se fazer entender; falar ou expressar-se de modo ininteligível. (1)

Falar grosso. 1. Mostrar-se duro, destemido com outrem; não se atemorizar; falar alto, com entorno e com destemor; gritar falar autoritariamente, com razão; ter autoridade, voz ativa. 2. Agir com coragem, desassombro; banar o valente. (1)

Falar pelos cotovelos. Diz-se de pessoa muito faladora, que nunca está calada; falar demais, demasiadamente, continuamente; falar além da conta; falar em excesso e com desembaraço; ter verbosidade; ser ou mostrar-se muito tagarela. (1)

Falar português claro. Dizer as coisas como elas são, de forma contundente, com toda a franqueza, sem rodeios; falar claramente, sem subterfúgios. (1)

Fazer a caveira de alguém. Bras. Denunciar uma falta; intrigar; difamar; destruir; difamar alguém; prejudicar alguém nos seus interesses; indispor alguém com outrem; tornar alguém malvisto; falar mal de alguém; promover discórdia; fazer má referência de alguém, aproveitando-se da sua ausência; fazer ou dizer coisas que tornem alguém malvisto por outrem; desejar um mal a alguém; cometer ação nociva a alguém: "Ela é muito invejosa e fez a caveira do colega para que o chefe não desse a ele o prêmio de melhor funcionário". (1)

Fazer gato e sapato/gato-sapato de. 1. Fazer de (alguém) joguete; maltratar; exercer absoluto domínio sobre outrem; fazer o que se quer de uma pessoa; subjugar uma pessoa a ponto de conseguir que ela faça tudo o que se deseja. 2. Fazer de alguém objeto de mofa; tratar (alguém) com desprezo; troçar; ridicularizar. 3. Ludibriar; aproveitar-se de alguém; enganar a alguém grosseiramente. (1)

Fazer justiça por suas (próprias) mãos. Vingar-se pessoalmente de mal cuja punição caberia à justiça; tirar desforço; vingar-se diretamente. (1)

Fazer lambança. Lus. ant. Preparar um prato à custa do esforço alheio (sentido primitivo). - "Lambança" designa coisa que se pode lamber ou comer. No Brasil, a palavra adquiriu sentido de "desordem, confusão". Depois, assume a acepção de "trapaça no jogo". Por fim, é usado para caracterizar os pescadores furtivos que invadem os currais de pescas alheias, a fim de se apoderarem dos peixes neles retidos por diligência de terceiros. (1)

Fazer noves fora. Esquecer; apagar; passar o espanador por sobre o assunto. (1)

Fazer número. 1. Fazer ação de corpo presente; participar passivamente, sem função; figurar sem real utilidade, somente para aumentar a assistência; figurar sem autoridade, não ter valor pessoal; servir apenas para aumentar a quantidade, o número, por não ter valor pessoal, merecimento próprio. 2. Desp. Servir somente para que o time jogue completo, por ter sofrido contusão na partida e não poder mais ser substituído. (1)

Fazer ouvido de mercador. Fingir que não ouve; fingir não escutar o que lhe estão dizendo; fingir que não percebeu as razões alheias; fazer-se de desentendido; não fazer caso do que se lhe diz; não dar atenção. Sin.: fazer ouvidos moucos. (1)

Fazer parede. 1. Obstruir; dificultar; fazer combinação em comum; oferecer resistência; combinar não comparecer ao trabalho (operários), à aula (estudantes); unir-se a alguém para alcançar um objetivo; fazer greve. 2. Desp. Pôr-se à frente do adversário para dificultar-lhe a ação. 3. Bras., NE. Perseguir uma rês, emparelhando o seu cavalo com ela, para que outro perseguidor a derrube. (1)

Fazer (um) pé-de-meia. Enriquecer; fazer fortuna; juntar muito dinheiro; conseguir juntar um pecúlio; acumular bens; guardar dinheiro. (1)

Fazer pouco de. 1. Desprezar; humilhar; depreciar; apoucar; menosprezar; desdenhar; ridicularizar; não dar importância. 2. Zombar; maldizer; troçar; mangar; avacalhar; mofar; escarnecer de. (1)

Ficar com a parte de/do leão. 1. Tirar o melhor quinhão, a maior e melhor parte; ficar com tudo; escolher para si a melhor parte. 2. Despojar os sócios por meio de recursos ilícitos e intimidações. - Nasce a expressão de uma fábula clássica (da vitela, da cabra e da ovelha em sociedade com o leão), de que há versões em Esopo e Fedro e que foi renovada por La Fontaine. (1)

Ficar com a/uma pulga atrás da orelha. Desconfiar; ficar cismado, desconfiado, muito apreensivo. (1)

Ficar em palpos de aranha. Ficar em situação difícil, com grande preocupação, sem saída; estar em dificuldades, em situação embaraçosa. (1)

Galinha cega, de vez em quando, acha um grão

Ganha fama e deita-te na cama
Get a good name and go to sleep

Ir com muita sede ao pote. Mostrar-se muito sôfrego, imprudente, pouco ponderado; cometer um excesso, querer desforrar-se de uma só vez de uma longa privação, agir com imprudência ou precipitação; atacar. "Cuidado! Não vá com muita sede ao pote". - Emprega-se, geralmente, em tom de advertência. (1)

Ir de/pela/por água abaixo. Fig. Diz-se do negócio que não se realiza ou que tem demasiado prejuízo; dar prejuízo sobre prejuízo; não realizar-se; malograr-se; arruinar-se; falhar; fracassar; gorar; ter um fim desastroso; dar tudo errado. (1)

Meter o nariz em. Intrometer-se impertinentemente no que não lhe respeita, no que não lhe diz respeito; imiscuir-se em assuntos de terceiros; interferir ou intrometer-se; ser metediço; querer saber tudo; procurar saber o que não deve; ser abelhudo. Sin.: meter o nariz onde não deve. (1)

Molhar a palavra. Diz-se quando o orador bebe no intervalo do discurso; tomar alguma bebida alcoólica; beber vinho ou outra bebida alcoólica; pedir licença e tomar uma no meio da conversa. (1)

Mover céus e terra - Fazer o possível e o impossível, desenvolver o máximo esforço para conseguir determinado objetivo. 

Na casa do Gonçalo, a galinha canta de galo. Gançalo é sinônimo de marido passivo e sem vontade, que se submete a todos os caprichos de uma esposa dominadora e autoritária. É ela quem manda e desmanda, agindo como se fosse cabeça do casal. Isto é, "o galo".

Não há regra sem exceção. Esse aforismo é invocado pelos que pretendem, através das exceções, isentar-se de deveres ou obrigações incômodas. Não exprime, entretanto, a realidade. Há regras aritméticas que não comportam exceções. Por exemplo: 2 e 2 são sempre e invariavelemnte quatro.

Não ter papas na língua. É o mesmo que falar franco ou ser desbocado. A origem dessa locução é castelhana. Dizia-se, a princípio: "No tiene pepitas en la lengua". Pepitas ou papitas, diminutivo de papas. O que acontece é que "papas" são batatas, em castelhano, donde a locução significar: "Não ter batatas na boca", ou ter a boca desimpedida.

Ninguém é profeta em sua terra. Provérbio semelhante a "Santo de casa não obra milagre". É desmentido, porém, pelos fatos. Nostradamus, por exemplo, foi profeta muito bem cotado em sua terra. 

O hábito faz o monge. Significa que o homem demonstra o que é pela maneira de vestir-se.

Pegar o touro à unha. Enfrentar frontalmente uma dificuldade; começar um trabalho pelo mais difícil. A expressão vem das touradas e é corrente em vários idiomas. Em espanhol: tomar el toro por los cuernos. (1)

Perder o latim. Gastar tempo explicando a alguém uma coisa que esta pessoa não percebeu; perder os sacrifícios feitos por alguém; falar em vão; tentar convencer alguém, sem êxito; diz-se de esforço inútil, de tempo improfícuo, de assunto malogrado, sem resultado; fazer algo em vão; ficar falando inutilmente, perdendo tempo; não tirar proveito do que diz ou faz. Variação: gastar o latim. (1)

Pescar em/nas águas turvas. Tirar partido de situação confusa ou agitada; colher vantagens de situação agitada ou confusa; aproveitar-se da confusão para servir os seus interesses; prevalecer-se de momentos sombrios da vida de uma nação ou de uma instituição para especular e tirar proveitos exagerados, para si e para os seus, ou para um partido político ou grupo de interessados; tirar proveito das desordens, das confusões; aproveitar certos incidentes em interesse próprio. (1)

Pintar o sete. 1. Praticar travessuras, diabruras, desregramentos. 2. Divertir-se à grande; pandegar; exceder-se. 3. Fazer coisas extraordinárias, fora do comum. 4. Maltratar. (1)

Pisar em ovos. Conduzir-se com cautela, diplomacia, habilidade, por tratar-se de situação delicada e/ou constrangedora; ser cauteloso ou diplomático; agir com muito cuidado. (1)

Queixar-se ao bispo. Não ter para quem apelar; queixar-se a quem não dá ouvidos; diz-se de queixa inútil. (1)

Remar contra a maré. Trabalhar em vão, contra forças opostas, a fim de conseguir alguma coisa, ou vencer; fazer um esforço muito grande; fazer um grande esforço para obter pouco ou nenhum benefício; fazer alguma coisa em vão; lutar contra óbices dificílimos, ou contra forças poderosas e obstinadas; lutar por uma coisa ou assunto que a opinião de muitos pretende levar a efeito; realizar esforços inúteis por constante adversidade; lutar em vão contra forças opostas e maiores; opor-se inutilmente; ir contra a opinião da maioria. (1)

Ter bicho-carpinteiro. Fam. Não poder estar quieto; não parar em lugar nenhum; não ter sossego; não conseguir ficar sentado num banco, numa cadeira, como se estivesse interiormente roído pelo coleóptero do gênero Xylotrogus, conhecido vulgarmente por este nome; diz-se das crianças que nunca estão quietas, parecendo mordidas por algum inseto. - O bicho-carpinteiro, na linguagem popular, é o escaravelho. (1) 

Ter bola de cristal. Ser adivinho; adivinhar; poder prever o futuro; fazer previsões; saber o que vai acontecer: "Tenho bola de cristal, sei o que está se passando à minha volta"; "Não tenho bola de cristal, mas acho que o ministro vai perder o emprego". (1)

(1) SILVEIRA, João Gomes da. Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa: Riqueza Idiomática das Frases Verbais: uma Hiperoficina de Gírias e outros Modismos Luso-Brasileiros. São Paulo: Martins Fontes, 2010.




Comments