Autonomia da Ação

Conta uma lenda japonesa que o famoso guerreiro do antigo Japão, Kussunoki Massashige, celebérrimo pela sua inteligência e pelos seus lances geniais de estratégia, já na sua infância vivia no meio dos guerreiros. Uma vez, no castelo do seu pai, observava os guerreiros que, reunidos ao redor de um enorme sino de bronze suspenso por uma armação de grossas madeiras, estavam apostando quem deles conseguiria pôr em movimento o sino, que pesava toneladas. Mas nenhum deles, nem mesmo os mais hercúleos, conseguia mover o sino por um milímetro sequer, por mais ímpeto e violência que empregasse. O menino assistia a tudo isso com muito interesse. De repente, oferece-se para mover o sino, e lhes pergunta se pode usar todo o tempo de que necessita para tal empreendimento. Meio zombeteiros, meio admirados, mas achando graça, os guerreiros desafiam-no a realizar o seu propósito. O menino cola todo o seu corpo ao sino e, sem pressa, sem ânsia, suavemente, mas com toda a possibilidade de seu pequenino corpo, empenha-se corpo a corpo, ele todo e inteiro, a empurrar o sino com o seu exíguo e finito corpo até onde pode e solta, empurra e solta, como que sondando o tempo do sino, cordialmente, sempre de novo e sempre novo; como que recebendo e dando parte do sino e parte de si, numa simbiose, num intercâmbio amigo, por horas a fio. E pouco a pouco, de início imperceptivelmente, mas depois visivelmente, o enorme sino começa a balançar. (Harada, 2006, p. 311-312).

Harada, H. Coisas, Velhas e Novas: à margem da espiritualidade franciscana. Bragança Paulista-SP: Editora Universitária São Francisco & IFAN, 2006.


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