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O Deus do Natal


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O Deus do Natal

Por Philip Yancey

 

Se Jesus veio para revelar-nos Deus, então o que aprendemos acerca de Deus no primeiro Natal? 

 

 

 

 

 

1. Deus Humilde

 

Antes de Jesus, quase nenhum escritor pagão utilizou a palavra “humilde” como elogio. Mas os acontecimentos do Natal apontam inevitavelmente para o que parece um paradoxo: um Deus Humilde.

O Deus que veio à terra não veio:

    > Num redemoinho arrasador

    > Nem num fogo devorador

Ele veio num óvulo, um simples óvulo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula dentro de uma irrequieta jovem.

 

Os judeus ao estudarem as profecias messiânicas esperavam a manifestação de uma grande glória, uma glória arrebatadora, convincente e irresistível.

O Messias que se apresentou, entretanto, usava um tipo diferente de glória: a glória da humildade.

 

Que “Deus é grande” é algo intuitivo, ponto assente e comum a todas as religiões. Que “Deus é pequeno”, essa é a verdade que Jesus ensinou ao homem.

 

O Deus que trovejava, que podia movimentar exércitos e impérios como peões num tabuleiro de xadrez, esse Deus apareceu na Palestina como um bébé que não podia falar, nem comer alimento sólido, nem controlar a bexiga, que dependia de uma jovem para receber abrigo, alimento e amor.

 

Os reis e os poderosos da terra andam pomposamente pelo mundo: com guarda-costas, uma infinidade de assistentes, uma multidão de repórteres, fanáticos e curiosos por toda a sua volta, roupas caras e rebuscadas, penteados sumptuosos, jóias reluzentes, etc. (ex.: uma rápida visita da rainha de Inglaterra a um país estrangeiro pode facilmente custar vinte milhões de dólares).

 

Em humilde contraste, a visita de Deus à terra aconteceu num abrigo para animais, sem assessores presentes e sem lugar para deitar o rei recém nascido, além de uma manjedoura. De facto, o acontecimento que dividiu a história e até mesmo os nossos calendários em duas partes, talvez tenha tido mais testemunhas animais do que humanas.

 

A quem foi anunciado este Natal e quem o presenciou?

R: Serviçais analfabetos que vigiavam rebanhos alheios, “Joãos-ninguém” que não deixaram seus nomes registados. Os pastores tinham uma reputação tão baixa que os judeus decentes faziam deles um só pacote junto com os gentios, restringindo-os aos pátios externos do templo.

Foram estes que Deus escolheu para estarem consigo no primeiro Natal.

 

Fp 2:5-8; Mt 11:28,29

 

2. Deus Acessível

 

Àqueles de nós que estamos habituados a um tipo de oração informal ou particular, talvez nos passe despercebida a mudança que Jesus operou no modo pelo qual os seres humanos se aproximam de Deus.

 

Os religiosos fazem todo o tipo de liturgia, de sacrifícios e posições religiosas. Na maior parte das tradições religiosas, o medo é a primeira emoção de alguém que se aproxima de Deus.

Na religião não há adoração sem medo. E os judeus não eram diferentes. Tinham medo da presença de Deus, de uma proximidade maior (pessoas do A. T. que tiveram encontros com Deus, sempre se atemorizaram e pensaram que íam morrer – V. Jz 6:22, 23; 13:22; etc.).

Manusear a Arca da Aliança era morte certa. Se alguém entrasse no Lugar Santíssimo nunca sairia vivo de lá.

 

Para as pessoas que criaram um lugar Santo, separado para Deus no templo e encolhiam-se de medo de pronunciar ou soletrar o nome dEle, Ele fez uma surpresa, aparecendo como um bébé na manjedoura.

 

Em Jesus, Deus encontrou um meio de se relacionar com os seres humanos que não passava pelo medo.

Era necessário transpor o imenso abismo entre Deus e a humanidade. Jesus em carne foi a resposta: Deus com os homens.

 

3. Deus Sofredor

 

A história do Natal ensina-nos que, embora o mundo possa inclinar-se para os ricos e poderosos, Deus está inclinado para os que sofrem, para os oprimidos.

Vejamos de perto a natureza “sofredora” da encarnação:

 

Uma mãe solteira, sem lar, foi forçada a procurar abrigo enquanto viajava, para obedecer às pesadas exigências tributárias de um governo colonialista. Vivia em uma terra que se recuperava da violência das guerras civis e ainda estava tumultuada.

 

O nascimento de Jesus acontece em meio de muitas lágrimas: longe da sua terra, longe dos seus parentes, sem o tradicional coro da vila celebrando o nascimento de um judeu, fora do conforto da casa, no lugar dos animais. Sem festa, sem parteiras, sem felicitações, sem visitas...

 

Seus primeiros anos são passados como refugiado, na África. Certamente foram anos angustiantes, estrangeiros em terra estranha, escondendo-se do próprio governo.

 

Seu sofrimento começou com a primeira noite na terra e não acabou senão na última (V. cânticos do servo sofredor em Isaías, “homem de dores e experimentado no sofrimento”; Hb 5:8).

 

4. Deus Corajoso

 

Foi preciso coragem para Deus deixar de lado o poder e a glória e assumir um lugar entre os seres humanos.

Foi preciso coragem para arriscar a descida a um planeta conhecido por sua violência, a um povo conhecido por rejeitar os seus profetas. Que coisa mais temerária Deus poderia ter feito?

 

Por toda a Sua vida, Jesus teve que ser extremamente corajoso. Ele enfrentou oposição, incompreensão e zombaria ininterruptamente. Seus vizinhos perguntavam: “De onde veio a este a sabedoria e esses poderes miraculosos? Não é esse o filho do carpinteiro? E não se chama Maria sua mãe e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?”.

Outros zombavam: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”.

Sua própria família queria prendê-lo, acreditando que estivesse louco.

As autoridades religiosas procuravam matá-lo.

Quanto aos “carneirinhos” da plebe, num momento tentavam coroá-Lo rei à força, no momento seguinte julgavam-no “possuído por um demónio” e “fora de si”, chegando mais tarde a gritar a plenos pulmões: “crucifica-O”.

 

Philip Yancey

 

Que a vinda de Jesus não mude apenas a história, mas mude efectiva e radicalmente a nossa vida. Essa mudança possa dar-se no tipo de relacionamento que temos com Ele, mas também nas relações humanas.

Colocado em 22.12.2007