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Fruto do Espírito


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O Fruto do Espírito

 

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 “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” Gal 5:22

 

CHAMADOS PARA DAR FRUTO

 

A questão de dar fruto é vista nas Escrituras como algo essencial, fundamental na vida de um cristão.

Infelizmente nos dias de hoje, muitas pessoas ainda vêem a questão de dar fruto de uma forma opcional. “Poderei ou não dar fruto”. Ou então de uma forma vocacional: “Darei fruto se tiver vocação”; “se não dou fruto é porque não tenho essa chamada.”

São perspectivas erradas e destrutivas. Jesus foi claro quando se referiu ao fruto. Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça…” Jo 15:16. Fomos chamados para dar fruto. Não precisamos dar fruto para sermos chamados. Somos chamados pela Sua graça, independentemente do fruto ou obras que produzamos. Mas o propósito é darmos fruto. A graça que nos elegeu e nos levantou, deve continuar a sua obra, levando-nos a dar fruto.

Jesus foi mesmo radical nesta questão, avisando que quem não desse fruto, seria cortado e lançado fora. Para nada mais serviria senão para ser lançado no fogo (Jo 15:2,6). Esta verdade foi sabiamente ilustrada com o lavrador que corta da videira os ramos que não dão fruto.

 

O FRUTO ESTÁ RELACIONADO COM O QUE SOMOS

 

Porque Jesus foi tão radical quando se referiu ao fruto?

Porque o fruto revela o que somos. Jesus disse também “pelos frutos os conhecereis” Mt 7:16,20. Quando estamos diante de uma árvore que dá laranjas, sabemos que estamos diante de uma laranjeira. Quando estamos diante de uma árvore que dá peras, sabemos que estamos diante de uma pereira; etc.

A ausência de fruto ou de bom fruto indica a nossa inaptidão, em termos de natureza, para o Reino de Deus.

 

O FRUTO ESTÁ RELACIONADO COM ONDE ESTAMOS

 

Jesus ensinou que o problema da falta de fruto, é apenas uma consequência do verdadeiro mal. É a consequência de não estarmos nEle; de não estarmos a desenvolver relacionamento; de Ele não ser o centro. É isso que torna tão grave e punível esta falha. É falhar no mais importante. A questão da centralidade de Jesus. De dar-lhe a primazia. E de procurar a actividade mais fascinante: a intimidade com Aquele que é o Centro.

 

O FRUTO ESTÁ RELACIONADO COM A VIDA

 

Na realidade, ser cortado por falta de fruto não é simplesmente castigo preconceituoso. É simplesmente um acto externo de uma realidade interna. Quando uma vara não dá fruto, é porque não tem vida. Está morta ou a caminho da morte. Assim, não faz sentido ocupar lugar. Prejudica as que querem dar fruto.

É assim na vida. Não há zona neutra. Ou damos, ou tiramos; ou crescemos, ou decrescemos; ou produzimos fruto, ou prejudicamos o fruto.

 

O FRUTO ESTÁ RELACIONADO COM A FIDELIDADE

 

Existe um conceito de que não é necessário muito fruto. Basta sermos puros. O importante é sermos fiéis. O fruto até pode trazer orgulho…

Esta forma de pensar pode parecer muito piedosa, mas nega-lhe a eficácia (2Tm 3:5). E é anti-bíblica. Jesus associou o fruto e a fidelidade de uma forma extrema. Quando Jesus ensinou a parábola dos talentos (Mt 25:14-30), salientou que o mau e infiel servo foi o que não deu fruto, enquanto que os servos bons e fiéis foram os que deram frutos. Pensar em fidelidade sem fruto é religiosidade oca, vazia, ineficaz e enganadora.

 

O FRUTO VEM DO ESPÍRITO

 

Talvez alguns leitores tenham ficado amedrontados, pressionados, ou aterrorizados com a exigência de dar fruto. Confrontando-se com as suas limitações e incapacidades, temem que o seu fruto não seja o suficiente.

Não há razão para tal. Tudo o que Deus pede de nós, Ele opera em nós. Tudo o que Ele manda; dá-nos o poder para cumprir. Que grande Deus! Não nos esmaga com as suas exigências; liberta-nos e equipa-nos para caminhos excelentes.

O fruto do cristão não é descrito como o fruto do esforço ou da santidade. Muitos teimam em vê-lo desta forma. Mas é descrito em Gálatas 5:22 como o fruto do Espírito. Ele não é produzido pela nossa força, boa vontade, experiência, piedade, ou santidade. Ele vem pelo Espírito. É operado não pela forma como fazemos, mas pela forma como nos rendemos ao Espírito para que Ele faça. É consequência da nossa rendição; da forma como nos deixamos trabalhar, moldar, dirigir e usar pelo Espírito.

Por isso o julgamento da falta de fruto não se trata de condenar os fracos ou limitados, mas antes os orgulhosos, os que resistem, os que não se entregam ao Espírito; teimam em viver na carne; na sua vontade; em auto-suficiência. Sua rejeição da presença e da acção do Deus de amor, leva-os à destruição.

A questão de dar fruto, repito, não se prende com a força ou a capacidade. Está ligada à nossa vontade e disponibilidade em deixar que Ele seja o centro, o Primeiro e o Último – Tudo!

 

FRUTO E NÃO FRUTOS

 

Muitos ainda citam o texto de Gálatas 5:22 como “frutos do Espírito”. Leia mais atentamente. Não fala em frutos, mas sim em fruto.

A que se deve este facto? Se fossem frutos, poderíamos pensar: “eu tenho este; tu tens aquele; ele tem aqueloutro”. Seria suficiente termos um. Seria tudo uma questão de dons. “Eu tenho uma inclinação ou um dom mais para este…”; etc.

Mas não é isso que se trata. É um só fruto com vários componentes. Tal como uma laranja com vários gomos. Desta forma não se trata de ter um, dois, ou três dos seus componentes e darmo-nos por satisfeitos. Deus chamou-nos para produzirmos o fruto do Espírito na sua totalidade.

 

OS COMPONENTES DO FRUTO DO ESPÍRITO

 

(1) Amor

Não é por acaso que vem em primeiro na lista. É a característica mais essencial de Deus. Se caracterizássemos Deus com uma só palavra, esta seria a escolhida.

Amor é a base da vida. Fomos criados em amor e para o amor. É a maior necessidade do homem e é a chave para todas as outras coisas.

Fala-se tanto de amor e experimenta-se tão pouco… As novelas, os filmes, os romances, as revistas centralizam-se à volta dele. Não entanto, não o promovem; distorcem-no. Um amor que usa, que tira, que se envaidece, que se gloria, que busca os seus interesses e prazer. Não é efectivamente amor. Ninguém se engane. Trata-se da lascívia, promovida por um egoísmo bem disfarçado.

Amor é a qualidade de dar e dar-se. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu…” Jo 3:16. É a decisão de sair do centro e sacrificar-se, renunciar, entregar-se a… Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” 1Co 13:7.

 

(2) Gozo

Felicidade é tema bem gasto. É afinal o que as pessoas procuram. Procuram nos carros, nas casas, no dinheiro, no trabalho, no status, na fama, nos prazeres… mas não são felizes. Porque nada disso pode dar felicidade. Essa felicidade é efémera, passa depressa; é circunstancial, depende das circunstâncias. Por isso existem tantas pessoas com carteiras cheias e corações vazios. Muitos amigos para divertimentos vários, mas uma grande solidão. Busca incessante de prazer, mas tanta dor.

Há um estado de felicidade que vai para além de sentimentalismo e circunstâncias. A Bíblia chama-lhe gozo. Uma satisfação profunda que não depende do que temos, fazemos, ou atravessamos (circunstâncias). Vem de um Deus cheio de gozo e bom humor, que nos alegra pela forma como nos ama. Sentimo-nos tão especiais que temos gozo. E nada nem ninguém pode mudar esse facto. “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas; Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.” Hb 3:17,18. Uns vivem para ser felizes; outros vivem porque são felizes. O quanto vale o gozo de Deus!

 

(3) Paz

A ansiedade já foi descrita como a doença do século. Nunca houve tantas facilidades; tantas comodidades. Mas também nunca houve tanta falta de paz. Falta paz no mundo. Falta paz na mente. Falta paz no coração. E as pessoas procuram acabar com os problemas, com as dificuldades, com a guerra, para terem paz.

Quão diferente é a paz que Deus nos dá pelo Seu Espírito. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” Jo 14:27. Não depende das circunstâncias; não depende das pessoas que nos cercam; não depende dos nossos sentimentos. É paz no meio da guerra. “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos…” Sl 23:5. Não é preciso estarmos longe ou sem inimigos. Em Deus, mesmo no meio da luta e na presença do indesejável, Ele prepara uma mesa e descansamos e desfrutamos de paz.

 

(4) Longanimidade

Literalmente significa “ânimo longo”, ou seja, a capacidade de perseverar. A força que não nos deixa desistir, mesmo no meio da maior adversidade. Não desfalecemos. Mantemos o ânimo e a força. Como? Pelo Espírito.

 

(5) Benignidade

É a capacidade de não fazer mal a quem o merece. “Vede que ninguém dê a outrem mal por mal…” 1Ts 5:15a. Está ligada à misericórdia, ao perdão e à benevolência.

 

(6) Bondade

É capacidade de fazer o bem a quem não merece.  “…mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos” 1Ts 5:15b. Está relacionada com actos práticos de ajuda, suprimento de necessidades, manifestação de afecto; etc.

 

(7) Fé

É a capacidade de confiar em Deus no meio da crise; depender dele na escassez de recursos; e ser fiel (algumas traduções têm “fidelidade”), mesmo quando isso parece a opção mais desvantajosa. “Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” Hb 11:27.

 

(8) Mansidão

É a capacidade de manter a calma, a serenidade e não ripostar no meio da perseguição e da injúria. Não é fraqueza, mas pelo contrário, uma manifestação de grande força. O mais fácil é explodir em ira. Ser manso exige muita força interior e a grandeza da humildade. Está ligada à dependência de Deus. “Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a terra” Mt 5:5. São os mansos que são abençoados e não os que “dão murros na mesa”.

 

(9) Temperança

É a capacidade de moderar os seus próprios desejos e reacções (algumas traduções têm “domínio próprio”). É ser sóbrio; ser moderado ou equilibrado. Estende-se a todas as áreas da vida, como o dormir, comer, beber, gritar, paixões, etc. “Mas tu sê sóbrio em tudo…” 2Tm 4:5.

 

CONSUMIDORES OU PRODUTORES

 

Vivemos numa sociedade denominada sociedade de consumo. As pessoas habituam-se a consumir freneticamente; a desenvolver uma postura de “sirvam-me que eu gosto”.

Esta atitude egoísta e destruidora tem chegado à igreja. Os crentes consomem cultos, louvores, pregações, orações, bênçãos, programas…

Deus não nos chamou para vivermos assim. Ele tem um caminho mais excelente. Ele chamou-nos para sermos produtores e não consumidores de fruto.

Faz a tua escolha: vais ser um consumidor ou um produtor?

  

Hugo Pinto, 04.09.2007

Escrito para Revista "Novas de Alegria", Outubro 2007

Colocado em 13.10.2007