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A Polémica de Saramago


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A Polémica de Saramago

 

O Ataque e algumas respostas

 

Instalou-se nova polémica a propósito de mais um livro de José Saramago. O prémio Nobel da Literatura, ao apresentar o novo livro, «Caim» disse que a Bíblia é «um manual de maus costumes e um catálogo de crueldade».

 

As respostas têm sido variadas.

Algumas interessantes e que demonstram o absurdo das críticas de Saramago:

 

«(…) se Saramago se enquadra no grupo daquele que não acredita na existência de Deus (é isso que legitima a liberdade), as minhas perguntas são os seguintes: Como e porquê criticar uma coisa que acredita não existir? Não seria mais fácil criticar os homens (ele incluído) de todas as coisas que acontecem, em vez de apontar o nome de uma coisa em que acredita não existir? Alguém me pode esclarecer? Ou sou eu que não percebo nada?.»

 

«(…) equilíbrio e conhecimento de causa - duas coisas esquecidas pelo próprio Saramago no afã de atacar a fé alheia em defesa da sua própria. Ou alguém ainda duvida que o Socialismo é uma fé fundamentalista?»

 

Outras, porém, ainda mais absurdas do que as afirmações de Saramago. Cito como exemplo o escritor Richard Zimler:

 

«(…) considerei que no fundo não valia a pena dar importância aos comentários de Saramago, pela ingenuidade e infantilidade da interpretação literal que ele (juntamente com os fundamentalistas religiosos) faz das histórias do Antigo Testamento. Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão? O autor desta narrativa do Antigo Testamento está a recorrer a uma linguagem simbólica - tal como poetas muito posteriores, como Shakespeare ou Camões, recorreram à linguagem simbólica para criarem as suas obras-primas. Ou será que algum leitor de Os Lusíadas pensa que os navegadores portugueses depararam com um temível gigante chamado Adamastor nas suas viagens da época das Descobertas? Ou, quando a narrativa bíblica conta que Moisés separou as águas do Mar Vermelho no Livro do Êxodo para que o seu povo pudesse fugir do Egipto, será que alguém com mais de dez anos acredita que ele possa ter murmurado algum abracadabra hebraico e produzido tal milagre? Espero bem que não. O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico - a libertação do povo hebraico -, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica.» (Internet: Artigo “Saramago e a insustentável leveza da ignorância” (27/10/09);  http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=243802; Acessado em 11.11.09.)

 

As respostas de alguns padres católicos foram também nesta linha, afirmando que a Bíblia contém mitos, linguagem figurada e que não deve ser interpretada de uma forma literal.

 

Dois Factos Inquestionáveis

 

Dois factos essenciais e inquestionáveis que a maioria parece estar a esquecer nesta polémica:

 

(1)  O Deus revelado na Bíblia é o Deus que demonstrou o mais sublime amor nunca antes visto em qualquer divindade ou humanidade. Foi o Deus que, em vez de destruir toda a humanidade rebelde e maldosa, fez-se homem, e deu a sua vida por amor, no único acto que pode salvar e restaurar a humanidade das suas misérias.

(2)  A Bíblia continua a ser o livro que mais tem beneficiado a humanidade. Que tem exercido a maior e melhor influência sobre os direitos, a justiça, a educação, as leis e a democracia. Temos memória curta e esquecemos que os homens que mais fizeram pelo bem do mundo não têm os ideais de Saramago, nem de outros semelhantes. Tinham os ideais do Deus da Bíblia. William Wilberforce, que conseguiu a abolição da escravatura na Inglaterra, desencadeando a sua abolição no resto do mundo e Martin Luther King, que conseguiu um passo gigante no fim da segregação racial, são exemplos incontornáveis desse facto. Enquanto uns ganham prémios Nobel falando e criticando, outros fazem algo de relevante e benéfico. Como diz o provérbio “Enquanto os cães ladram a caravana passa”. Uns criticam; outros melhoram o mundo. Sejam ou não reconhecidos, é deles a glória. Chega de uma sociedade que exalta os pensadores que falam de tudo e nada fazem. Os verdadeiros heróis suam e sangram no furor da batalha; conquistam não a teoria das suas ideias, mas vitórias pragmáticas para os outros.

 

Entendendo o Antigo Testamento

 

Tanta ignorância sobre o Velho Testamento e a sua mensagem! A sua interpretação não é nem literalmente pessoal (o caso de Saramago), nem romancista subjectiva (o caso de Richard Zimler e tantos padres que falam em mitologia). A mensagem é simples: um Deus cheio de amor, mas que não tolera o pecado, o mal. Afinal de contas, o verdadeiro amor vai além do romantismo hedonista, que hoje prolifera, que não é, nada mais nada menos, que egoísmo disfarçado. O verdadeiro amor não consegue ver a outra pessoa a fazer mal e a receber mal.

O Antigo Testamento não contraria o Novo, mas serve-lhe de base ou de preparação. O Antigo Testamento revela um homem que tem uma natureza para o mal e um Deus que o ama, mas que não pode aceitar o mal. Um Deus que, por causa da sua justiça, tem que dar a justa retribuição a todo o mal. (Quando criminosos escapam à justiça, o povo fica indignado, porque esta verdade está gravada na nossa consciência).

O Antigo Testamento revela que a punição do pecado é a morte. É por isso que alguns povos pelas suas loucuras e abominações foram destruídos. Alguns chamam-lhe crueldade, mas nem sabem o que esses povos faziam: entre algumas das suas loucuras e aberrações, lançavam os seus filhos no fogo em sacrifício aos seus deuses. Estavam a influenciar e afectar negativamente todos à sua volta. Certamente que quando um cirurgião amputa uma perna que tem cancro para não chegar a todo o corpo, não é visto como um criminoso. O seu acto não foi um acto cruel. Foi necessário para salvar o resto do corpo. Os actos de juízo divinos sobre esses povos eram dessa natureza.

 

Depois de o Antigo Testamento revelar que a punição do pecado era a morte, o Novo Testamento revela como Deus entrou no mundo como homem, na pessoa de Jesus Cristo, para pagar Ele mesmo a penalidade do mal da humanidade. Quando Jesus foi crucificado, não foi contra a sua vontade, foi o cumprimento da sua missão. Ele pagou o preço, que era a morte. O significado da morte de Jesus pode ser compreendido à luz do Antigo Testamento.

Agora, por causa e através da sua morte, todo o homem pode experimentar vida. Não apenas a vida existencial, mas vida em abundância (vida cheia de amor, alegria, paz e esperança no presente) e vida eterna (vida que não termina com nenhuma adversidade, nem com a morte).

Como podemos ter a certeza disto? Porque Jesus Cristo ressuscitou dos mortos ao terceiro dia e está vivo, fazendo as mesmas coisas que lemos nos Evangelhos que Ele fazia.

 

Podem não acreditar nisso; podem desprezar isso; podem lutar contra isso. Mas há uma coisa que ninguém pode fazer, pelo menos com legitimidade, bom senso, ou sabedoria: é usar qualquer texto que seja da Bíblia (Antigo ou Novo Testamento) para pôr em causa o Deus de amor que lá é revelado.

 

O Deus da Bíblia: O Deus de Amor

 

A grande questão não é porque é que Deus puniu com morte alguns povos e pessoas no Antigo Testamento. A grande questão é: Como é que Deus não destruiu toda a humanidade que se rebelou contra Ele e ainda sacrificou o Seu Filho para nos salvar?

O facto de Ele permitir que as pessoas possam aceitar ou rejeitar o seu amor; o factor de Ele possibilitar que pessoas se levantem e ponham em causa a Sua Palavra e a Sua Pessoa, não é prova da sua não existência ou indiferença. Ele não está interessado em defender-se ou em salvar-se (afinal, Ele não precisa). O seu interesse é salvar todos os que o aceitam. É mais uma prova clara do seu grande amor.

 

Bíblia: Indestrutível + Irrefutável + Inigualável = Palavra de Deus

 

De qualquer forma os cristãos não precisam ter medo ou apreensão em relação a qualquer ataque à Bíblia. Isso até é bom. Traz para a praça pública, para a discussão, para a reflexão e estudo o Livro que tanto querem destruir. Faz lembrar os tempos em que procuravam destrui-lo queimando-o massivamente. Mas quanto mais ardia nas fogueiras, mais incendiava o coração de homens e mulheres. A Bíblia é, sem dúvida, o livro mais perseguido de sempre, mas ao mesmo tempo, o inigualável best-seller.

 

Mas a indestrutibilidade da Bíblia, a sua coerência e a sua mensagem sublime (acima de qualquer especulação ou invenção humanas), são provas claras e inquestionáveis que ela é o que afirma ser: proveniente de Deus, revelação de Deus, Palavra de Deus.

 

Hugo Pinto, 11.11.09

 Colocado em 11.11.09