Referências Bibliograficas

▪ A educação na comunidade primitiva


Onde?



Acredita-se que as primeiras civilizações humanas tenham se desenvolvido na Mesopotâmia — nome grego que significa entre rios.
   Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos.

Inserida na área do Crescente Fértil - de Lua crescente, exatamente por ela ter o formato de uma Lua crescente e de ter um solo fértil -, uma região do Oriente Médio excelente para a agricultura, exatamente num local onde a maior parte das terras vizinhas era muito árida para qualquer cultivo, a Mesopotâmia tem duas regiões geográficas distintas: ao Norte a Alta Mesopotâmia ou Assíria, uma região bastante montanhosa, desértica, desolada, com escassas pastagens, e ao Sul a Baixa Mesopotâmia ou Caldéia, muito fértil em função do regime dos rios, que nascem nas montanhas da Armênia e desaguam separadamente no Golfo Pérsico.

 

Esse período era caracterizado por indivíduos  livres, com direitos iguais e a mínima divisão do trabalho assegurava a não existência da submissão de gênero ou idade. Como não havia desenvolvimento das técnicas de produção e uma grande submissão aos recursos naturais, a produção era apenas para subsistência e não havia a acumulação de bens. O interesse coletivo sempre se impunha sobre os interesses individuais.

As crianças, como já foi dito anteriormente, tinham a sua função na comunidade e não lhes era dado nenhum tratamento inferior. Sua educação não estava confiada a ninguém em especial e sim à vigilância difusa do ambiente de maneira insensível e através da espontânea assimilação do meio que as moldava de acordo com os padrões exigidos pelo grupo.

Se a criança precisasse aprender a nadar, ela nadava; se quisesse aprender a pescar, ela pescava. Ou seja, o ensino se dava para a vida e através da vida ou pela simples imitação das gerações anteriores.

Essa educação primitiva e todo o modelo social no qual está inserida deixam de existir no momento em que a sociedade começa a ser dividida em classes e quando surge a propriedade privada.

A dicotomia entre as forças mentais e as forças físicas resulta em uma existência de indivíduos livres do trabalho material, embora isso não seja o suficiente para definir uma divisão de classes sociais.


  

De fato, a princípio, o trabalho mental (ou seja: o trabalho ligado à religião, a organização da comunidade ou o saber científico necessário para acompanhar a cheia dos rios e a fertilização do solo) era considerado tão útil quanto o trabalho físico e não havia uma submissão do segundo em relação ao primeiro.

            A escassa produção invariavelmente resultava em guerras entre as comunidades, mas a dependência dos recursos naturais era tão grande que era comum exterminarem todos os membros das comunidades dominadas por não haver como mantê-los vivos com os recursos adquiridos.

            Com o advento da propriedade privada em detrimento do bem coletivo e a produção de excedentes (conseguida através do avanço das técnicas de produção), surge o conceito de “fortuna”. A partir daí, os prisioneiros de guerra passam a ser desejados como escravos, o trabalho braçal se submete à quem não precisa executá-lo, a mulher se submete ao homem, os homens se submetem aos deuses, as crianças se submetem aos adultos.


            A educação, portanto, passa a ser diferenciada de acordo com os interesses antagônicos e a criança passa a sofrer castigos e reprimendas para assimilar de maneira forçada o que lhes ensinavam.

            Em suma, a existência de classes traz consigo a exigência de uma pedagogia capaz de mantê-la.

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