▪ A educação do homem antigo - Roma


1. Onde?


Durante o ápice do Império, Roma dominou quase todo o mundo Antigo conhecido. De fato, o mar mediterrâneo se tornou uma imensa lagoa romana.  



2.1 Roma monárquica

    Antes dessa soberania romana clássica, a divisão do trabalho não era muito acentuada, a colaboração  diminuía as distâncias sociais e até uma espécie de familiaridade atenuava a hierarquia. A educação do filho do proprietário de terra era dada ao lado do pai, ajudando-o, ouvindo-o e acompanhando-o nas tarefas do dia-a-dia. 
    Os melhores postos no exército eram oferecidos aos donos de terra e a vida do romano antes do império se resumia a agricultura, guerra e política. Sua instrução era pouca e oferecida por um escravo letrado, mas não possuía grande importância em sua vida.
    Para a Roma monárquica, o homem bem formado era aquele cuja educação permitia atender e aumentar aos interesses da sua própria classe a defendê-las do "populacho amotinado".

2.2 Roma Imperial
        
    Com as guerras contra Cártago, no entanto, a estrutura social romana mudou vertiginosamente. Segundo Aníbal Ponce: "Se nos meados do século V a.C., só existia um escravo para cada 16 homens livres, depois da segunda Guerra Púnica, o número de escravos já era o dobro do de homens livres."
    Foi às expensas do trabalho alheio que Roma assegurou às suas classes dirigentes o "ócio com dignidade". Tantos escravos também propiciavam uma enorme divisão do trabalho e uma produção muito maior.  Aparece, então, o desprezo pelo trabalho como uma ocupação própria de escravos, uma concepção muito diferente da Roma monárquica cujo nobre senhor de terra era o responsável por fazê-la produzir.
    Mas como manter um número tão grande de escravos? Obviamente pelo terror. Além de trabalharem acorrentados e estarem sempre severamente vigiados, os escravos mais robustos ou rebeldes eram educados como gladiadores, de maneira que atendesse à um tríplice interesse romano: o de distrair-se, defender-se e propagar a ideologia das classes dominantes.
    Da mesma forma que na Grécia, a ascensão de uma classe comerciante foi assistida com desprezo pela nobreza, mas dava os seus gritos de exigência por uma nova educação.

3. A nova educação
  
    3.1 Os ludigimaster

    As primeiras escolas primárias eram um acordo entre as famílias que não podiam contratar um professor particular para ensinar os seus filhos e então pagavam a um artesão como qualquer outro - o ludigimaster, ou professor primário - para instruí-los.

    Assim como qualquer outro ofício que oferecesse um salário (que era uma prova de servidão), o professor era profundamente desprezado. Mesmo que fossem homens livres, a condição de assalariado conferia uma eterna inferioridade aos ludigimaster.

3.2 Os grammaticus

    Com a expansão da guerra e do comércio, o contato com outros povos tornou necessária uma instrução além da primária já mencionada.
    "O grammaticus levou de casa em casa a instrução enciclopédica necessária para a política, para os negócios e para as disputas nos tribunais. Desde a dicção esmerada até um rápido bosqueio filosófico, o essencial da cultura era ensinado pelos gramáticos - críticos capazes que, de certo modo, formavam a opinião pública" (Ponce, Aníbal. "Educação e luta de classes",  pg. 69, tradução de: José Severo de Camargo Pereira, 6ª ed, São Paulo: Editora Cortez, 1986, Coleção Educação contemporânea)
    
3.3 Os Retores

    Aos enriquecidos já não bastava uma cultura geral, era necessária uma cultura mais especializada que levasse aos altos cargos oficiais, exigência que foi atendida pelos retores.
    "O retor não se esquecia de um só detalhe: tinha algo de poeta e de ator, de advogado e de músico, de janota e de professor de boas maneiras. Previa os gestos mais insignificantes e os discutia à fundo. Sabia, por exemplo, até que altura devia-se levantar o braço no exódio e como estender a mão durante a argumentação."  (Ponce, Aníbal. "Educação e luta de classes",  pg. 69, tradução de: José Severo de Camargo Pereira, 6ª ed, São Paulo: Editora Cortez, 1986, Coleção Educação contemporânea) 
    Uma vez que a formação de simples oradores já não era mais suficiente, os retores ensinavam aos seus ricos alunos tudo quanto poderia ser essencial para a burocracia do Império.

    O ensino prático se compunha de três graus:
- tesis: o primeiro que tratava de questões gerais que não tinha qualquer interesse especial.
- causas: possuía um marcado caráter forense, era um pequeno ensaio dos processos judiciais
- controvérsia: correspondia a algo como política, teatro e arte de governar. Os alunos discutiam sobre temas caprichosos, que refletiam mais ou menos bem assuntos reais.

4. A Educação à serviço do Império

    Quanto mais crescia a burocracia do Império, mais se acentuava a concorrência entre os professores que preparavam os candidatos para os cargos oficiais. O ensino passou a ser uma verdadeira indústria que dependia da prosperidade das cidades.
    Não é de se espantar, portanto, que o Estado abra os seus olhos para essa atividade. Teodósio e Valentino foram até o limite extremo, estabelecendo o monopólio estatal sobre o ensino.
    Os funcionários públicos se formavam nas escolas e que era com essa finalidade e não por outro motivo que o Estado se preocupava em ensinar.
    Dessa maneira, enquanto eram estudantes o imperador vigiava os seus atos, controlava suas opiniões e prestava atenção aos seus menores gestos. Os assuntos ensinados, estavam, além disso, fortemente impregnados de patriotismo e celebravam a todo momento a glória do Imperador.
    O corpo de professores se torna um regimento que defende, como o militar, os interesses do Estado e que caminha com ele ao mesmo passo.
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