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Africa
 (Kampala - Livingstone)

Ida:  Londres - Kampala, 15-16 Nov 2008

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 Volta:  Lusaka - Londres - Porto, 23-24 Dez 2008

Entre a indecisão de voltar ao Sudeste Asiático - voar para Bangkok, atravessar o norte do Laos, entrar em Yun Nan (China), em Kun Ming tratar de arranjar um visto para a Birmânia , e ir à Birmânia - ou ir para a África central/oriental, ganhou África ... Afinal África é o continente que desperta paixões, não é?

Mas fica aquele amargo na boca de não voltar a travessar a beleza do norte do Laos, de não poder exercitar um bocado o meu 中文 (我要一瓶冷啤酒), e principalmente de não ir à Birmânia. 

Mas agora é África que vem aí ... como escreve o Bruno: "AfriCaminha" :) . No domingo às 8h da manhã, depois de 8.5h de vôo, aterro em em Entebbe (a uns 30 Km de Kampala), na margem do lago Vitória, onde nasce o Rio Nilo (o Nilo Branco, pra ser exacto), ainda no hemisfério Norte, no Uganda. Depois, em príncipio, será sempre para sul, cruzando o equador, indo, ou não, ao Ruanda, atravessando a parte ocidental da Tanzânia, entrando na Zâmbia (há ainda a possibilidade de ir ao Malawi, mas penso que não vai dar tempo) e seguindo até Lusaka e talvez ir às cataratas Vitória (se sobrar tempo).

No Google Maps a distância em linha recta Kampala-Lusaka são apenas 1800 Km, que depois na realidade se devem transformar no dobro, o que em autocarros e estradas de lá deve dar um belo número de salavancos. Mas agora só quero é aterrar no Uganda.

***  vou tentar actualizar isto com alguma frequência, 1 ou 2 vezes por semana  ***

 

1a Semana

Aterrei em Entebbe no domingo dia 16, e paguei la o visto para o Uganda (50 USD) sem qualquer problema, para alem de uma boa meia hora na fila. Pelo ritmo das pessoas, tem-se logo a sensacao de estar em Africa.

Apanhei uma especie de taxi para Kampala, e tou no Backpackers hostel, a uns 4 Km do centro, um paraiso comparado com alguma confusao que existe no centro da cidade. E' uma cidade sem nada de muito interessante para ver, ou visitar, mas o ritmo de vida, principalmente ao fim da tarde, e' engracado. A vida que a cidade tem faz com que qualquer cidade europeia pareca uma granda seca.

Ah ... e os parques de taxis, ha dois ... algo de extraordinario. Acho que so mesmo visto. Os taxis chamam-se "matatus" e sao carrinhas (forgoes) que levam 14 passageiros, ou os que la couberem, e "caber" quer dizer isso mesmo. E cada em cada um dos parques deve haver umas mil destas matatus sempre a chegarem e a sairem quando estiverem cheias. 

 

                                       (Parque de taxis)                                (rua para o centro)

Video: Parque de Taxis

Em Kampala tive dois nomes novos: "Mzungo" (branco), como chamam a todos os mzungos (hello mzungo, how are you?); e "Antonio". Havia um gajo croata no meu hostel que nao se conseguia lembrar do meu nome, e como, segundo ele, todos os portugueses que tinha conhecido se chamavam Antonio, chamou-me sempre Antonio.

                                         (rua de Kampala)                            (estacao de autocarros) 

Uma coisa que nao fazia ideia e' o fascinio que tem pelo Obama. Acho que o comum dos Ugandeses pensa que o Obama vai despejar rios de dinheiro em Africa, e sentem orgulho em que o "presidente do mundo" seja de origem africana. Tenho a certeza que houve lavagem cerebral por parte da comunicacao social, e a quem tem pouca educacao e' facil lavar o cerebro ... so nao percebo o interesse de incutir isto na populacao. E como pensam que todos os mzungos sao americanos (tb nao sei porque), as vezes na rua dizem-nos "Obama", como que partilhando algo de comum.

Pelo que me contaram, a corrupcao e' a forma de vida do governo no Uganda. 

Apos 3 dias em Kampala, decidi ir para o parque  natural Queen Elizabeth ver alguma natureza e bicharada. Apanhei um autocarro na 4a de manha para Kasese, no oeste do Uganda, e perto do parque. O autocarro era pra sair as 8h30 mas so saiu as 10h, e chegou a Kasese (ruas nao pavimentadas e muita poeira) por volta das 16h ou 17h. Depois apanhei uma matatu para Katunguru, na entrada do parque, e algures cruzei o equador sem me ter apercebido. Nao sei se havia algum marco na estrada ou qq coisa do genero, eu nao vi nada, mas aquela ideia que eu tinha de por um pe de cada lado da linha e, agora tou no hemisferio norte, agora no hemisferio sul, ficou por concretizar :( . Da entrada do parque tive de pagar a um gajo pra me levar pra dentro do parque, porque nao ha transportes publicos para os parques (todos os turistas andam em tours organizados ou em transporte proprio).

 

                       (lago Edward, do outro lado e' o Congo)                      (bicharada)   

No dia seguinte fui fazer uma caminhada de manha, com um guarda do parque, e a tarde um passeio de barco pra ver hipopotamos. Acho que vi centenas de hipopotamos, parecem porcos grandes :) e estao quase todos dentro de agua, vi 2 elefantes e milhares de passaros, incluindo pelicanos. Eu sei que era bonito ter aqui umas fotos, mas com a velocidade da net, pra ja as fotos vao ter de ficar para vossa imaginacao ... Bem, ja deu para por algumas :)

                                              (bicharada)                                            (canal)

(bicharada) 

No dia seguinte, depois de um dos condutores de um grupo de alemaes e austriacos me ter dado a dica, apanhei boleia com eles pra Katunguru, fora do parque. Daqui queria ir para outro parque, Bwindi. Primeiro apanhei um "taxi" (um carro que vai quando estiver cheio, 8 pessoas normalmente), depois paramos, esperamos uma boa hora e meia que chegasse uma matatu, e fomos de matatu para Kihihi (le-se algo parecido com "Chijiji"). Uns 80 ou 90 Km, boa parte deles dentro do parque, sempre por estradas de terra, quase so rectas, mas feitas a 110 Km/h. Foi a experiencia mais parecida que tive com ser copiloto do Carlos Sainz ... eu ia a frente (neste tipo de transportes, dizem-me sempre pra ir a frente, o que nao e' muito justo, mas impossivel de recusar quando se olha para a lata de sardinhas atras), mas entre mim e o "Sainz" ia uma senhora dos seus 100Kg e atras umas 12 pessoas.

 Quando chegamos Ishasha, uma terra antes de Kihihi, comecou a entra gente pra dentro da matatu, o condutor a resmungar com eles, e a gente a entrar ate que ja nao dava pra fechar as portas. Quando partimos, deviamos ir umas 25 pessoas dentro da matatu. De Kihihi pra Bwindi fui de pickup (eu sempre a frente) com mercadoria e gente atras. Como a pickup ia parando pra deixar e carregar gente e mercadoria, demoramos umas 4h a fazer 40 Km.

Bwindi e' o parque que tem a maior populacao de gorilas de montanha -filme Gorilas na Bruma- do mundo (so existem no Uganda, Ruanda e RD Congo). Mas como o passe pra ver os grilas custa 500 USD, fiquei-me por uma caminhada na floresta ate ao topo da montanha, com uma vista expectacular. Em Bwindi so existem dois alojamentos com precos acessiveis (eu pagai 13 dolars por noite), os outros tem precos entre 300 e 700 USD por noite (nao, nao introduzi zeros a mais por engano).

(Bwindi, Floresta Impenetravel)

 

 2a Semana

No domingo as 06h30 da manha apanhei uma boda-boda (mota, tipo zundap) pra Kihihi, tinha de estar la cedo pra apanhar o autocarro. Em Kihihi, uma "cidade" em que o centimetro quadrado pavimentado mais proximo deve estar a 50 Km, consegui levantar dinheiro com o meu cartao. Fui de autocarro ate Ntungamo, e depois de matatu para sul ate Kabale (agora ja sei onde os gajos da Sereia da Gelfa se foram inspirar para o nome actual ... ou ja tera mudado outra vez?).

(Kihihi - Ntungamo) 

Os Ugandeses sao gente muito simpatica, e gostam muito de conversar. Mas como o facto de ser Portugues leva quase sempre ao futebol, em Ntungamo, enquanto esperava pela matatu, tive uma conversa de umas 2h com um gajo, sobre Ronaldo, Bosingwa e Mourinho ... ufff.  Disse quase sempre, porque para minha grande admiracao, quando digo que sou portugues, o segundo nome a vir a baila, obviamente a seguir ao Ronaldo, e' o ... Vasco da Gama. Interessante que no Uganda estudem o Vasco da Gama. Na Europa nunca ninguem me falou de Vasco da Gama nenhum. Mas interessante tambem e' que nao saibam muito bem o que o Vasco da Gama tenha feito, nem em que continente fica Portugal.

De Ntungamo para Kabale (a cidade mais alta do Uganda, a 2000 m) a paisagem muda radicalmete de quase savana para paisagem verde de montanha. E Kabale e' uma cidade mais ou menos agradavel, com muito menos po' que outras cidades mais baixas, com gente a andar de bicicleta.

Na 2a feira de amanha apanhei um carro (8 pessoas, mas eu sempre a frente) ate a fronteira com o Ruanda, paguei o visto (o guarda do Ruanda, nao pareceu muito contente em passar-me o visto) e um gajo Holandes que vive em Kibali ofereceu-me boleia. Este gajo vive no Ruanda ha 3 anos e e' economista e conselheiro da UE para o Ruanda e, como tem tambem um hotel no Uganda, passa esta fronteira todos os fins de semana. Foi bastante interessante falar com ele durante a viagem e ficar a saber algumas coisas sobre este pais celebre pela mais horrenda das razoes.

O Ruanda e' conhecido por "Les Pays des Milles Collines" e a "Suica de Africa". A paisagem entre a fronteira e Kigali, onde estou agora, e' sempre de montanha e sempre verde. Kigali e' uma cidade organizada, supostamente a mais segura de Africa e, aparte ser sempre a subir e a descer, e' uma cidade agradavel. E, se nao se soubesse, nao se conseguiria imaginar o que se passou aqui ha 14 anos ... mas como uma pessoa sabe, e' impossivel olhar as pessoas e nao pensar nisso (talvez por eu estar aqui so ha 3 dias).

                                               (Kigali)                                     (Metallic fan club, Kigali)

Ontem fui ver o Memorial do genocidio aqui em Kigali. A mim pareceu-me uma historia um bocado mal contada. Por um lado poe culpas nos Belgas (que colonizaram o Ruanda depois da Alemanha ser derrotada na 1a guerra mundial) pela devisao Tutsis/Hutus, culpa que certamente tiveram (em 1932 estaveleceram o BI baseado em: quem tem mais de 10 vacas e' Tutsi, quem tem menos e' Hutu), mas que nao e' so deles, pois a divisao ja existia. Por outro lado parece que o genocidio nao teve a dimensao que realmente teve ... Mas talvez, dado o que se passou, seja a historia que eles consigam contar.

Pelo que ja li, o Ruanda e' o pais, ou um dos paises, Africanos com menos corrupcao, o governo actual e' serio, e parece que as coisas, lentamente, estao a andar para a frente. Esta confianca leva a que a ajuda exterior aumente. Mas Kigali e' caro, as coisas sao mais caras que em Portugal. As explicacoes sao a comunidade estranjeira ca' e o facto de tudo ser importado e os portos mais proximos, Mombassa e Dar-es-Salaam, ficarem a quase dois mil quilometros.

Estava a pensar ir ao parque nacional dos vulcoes (tambem ha gorilas a 500USD), mas tal como no Uganda, sem transporte proprio e' complicado ir para os parques, e um so dia a visitar o parque iria implicar um dia de viagem pra ir e outro pra voltar (apesar do parque estar a 100Km de Kigali), e entre visita ao parque e alojamento la, uns cento e tal euros. Por isso acho que vou directo para a Tanzania, e o plano de atravessar a parte oeste da Tanzania acho que vai ir por agua abaixo. Os transportes publicos nesta parte da Tanzania sao practicamente enexistentes, a unica hipotese seria ir de barco desde Kigoma atraves do lago Tanganyka ate a Zambia, mas este barco so faz a viagem uma vez por semana. Assim, e como tou um bocado farto de po, acho que vou mudar de plano e vou para a costa da Tanzania e a Zanzibar.

O problema e' que o Ruanda e' muito longe do mar, o autocarro (um por semana) de Kigali para Dar-es-Salaam leva qq coisa com 36h. Ha a hipotese de ir pelo Uganda e Kenia, que apesar de ser mais longe, parece ser mais rapida, mas isso implicaria vistos (e $$$) e voltar pra tras. Por isso tou a ver a hipotese de fazer a viagem por etapas, mas os meios de transportes nao sao muitos. Ha um comboio de Mwanza, na Tanzania na margem sul do lago Vitoria, que da para ir pra Dar-es-Salaam, mas acho que so parte de Mwanza as 5as e domingos.

Na quinta de manha apanhei uma matatu para a fronteira com a Tanzania, umas 4 horas. Passada a fronteira e pago o visto apanhei um carro para Benako, 4 pessoas a frente, quatro atras. Mal saimos comecou a chover, e o carro, ja com os seus anitos de vida, nao tinha limpa parabrisas. Nao sei bem como, mas o gajo la continuou a conduzir. De Benako ainda deu para apanhar outra matatu para Kahama, a cidade tanzaniana mais perto do Ruanda, e chegamos la por volta das 6 da tarde. Muito bonita a paisagem neste canto da Tanzania ... muito verde.

(fronteira Ruanda-Tanzania) 

Ao chegar a Kahama disseram-me que o comboio ja nao vai ate Mwanza. Por isso a hipotese seria ir para Tabora e apanhar la o comboio. Passei a noite em Kahama, uma cidade que, do pouco que vi, nao tem ruas pavimentadas, e as 5h30 da manha apanhei o autocarro para Tabora. Bem, umas 7 horas por estrada de terra, com solavancos e mais solavancos, num autocarro cheio de gente.

 

(Supersonic Bus, Kahama-Tabora) 

Sempre ha comboios de Tabora para Dar es Salaam, mas o proximo era na segunda de manha (cheguei a Tavora na sexta), por isso decidi nao esperar, e apanhar o autocarro para Dodoma na manha seguinte. Assim, no sabado as 6 da manha (isto de andar de autocarro exige levantar cedo) la fui. Mais umas 7 horas por estrada de terra, mas esta bem pior que a do dia anterior. Havia alturas em que os solavancos faziam, literalmente, uma pessoa saltar do banco ... ia tudo agarrado ao banco da frente para tentar amparar a queda. E houve mais ou menos uma hora que ainda tive de levar um puto ao colo. Pelo que percebi, os putos nao pagam, e como nao pagam nao tem direito a assento, vao ao colo de quem paga ... e como a mae ja ia cheia de sacos, veio para o meu colo.

Dodoma e', desde 1973 ou 74, formalmente a capital da Tanzania, mas de capital nao tem nada. E' uma cidade pequenissima no meio de uma zona um bocado desertica, e pelo que li, de vez em quando os politicos decidem mudar para la o parlamento, mas acabam sempre por voltar para Dar es-alaam.

3a Semana

No domingo de manha apanhei outro autocarro para Dar es Salaam, umas 8 horas, desta vez por estradas de alcatrao :) ,

 

(Dododma - Dar es Salaam) 

e na segunda o ferry para Stone Town, a antiga capital do sultanato de Zanzibar. Passei 2 dias em Stone Town, uma mistura de culturas arabe e africana, com turistas e gajos chatos a venderem de tudo. E por chatos, quero dizer mesmo chatos. E' a tal questao de o turista ter muito mais dinheiro que eles, e se nao for o turismo eles nao tem outra forma de vida.

Stone Town e' uma cidade engracada, com um labirinto de ruelas que desafiam qualquer conceito de geometria e por onde dificilmente passam motos. Obviamente uma pessoa depois de ter andado 50 metros ja esta perdida, mas como esta parte antiga da cidade e' pequena, acaba-se sempre por ir ter a marginal ou a estrada que separa da parte "nova", ou entao perguntando as pessoas locais (sempre muito prestaveis).

 

                                      (vista da House of Wonders)               (rua de Stone Town) 

Na quarta fui de dala-dala (especie de forgunete de caixa aberta com bancos) para Nungwi, no norte da ilha. E quando pensava que ja nao cabia mais ninguem, ainda entraram mais umas 10 pessoas ... realmente a nocao de espaco e' algo muito relativo. A ilha e' muito verde, com coqueiros e bananeiras,  e aquele ambiente e ritmo de paraiso tropical. E Nungwi e' um paraiso dentro do paraiso (se calhar estou a exagerar um bocadinho), uma praia de areia branca de coral, agua azul turquesa e pescadores com os tradicionais barcos dhows. Disse que tava a exagerar por 3 razoes: 1) das 9 da manha as 4 da tarde tava muito calor para tar na praia; 2) Existem se calhar demasiado hoteis com construcao a entrar pela agua adentro; 3) Gajos chatos, outra vez.

(Nungwi) 

Mas e' realmente um emorme contraste os empreendimentos que existem para turistas, junto a praia, e a aldeia com ruas de terra, practicamente sem luz a noite, e casas com condicoes aparentemente bastante basicas.

No sabado voltei para Stone Town, e no domingo para Dar es Salaam.

4a Semana

 Tou agora em Dar es Salaam ( دار السلام‎  - Casa da Paz), e hoje, segunda e' um feriado muculmano (termina a peregrinacao a Meca, pelo que entendi), e a cidade esta bastante parada. Amanha tambem e' feriado, e' o dia da independencia.

       (Dar es Salaam)       

Mas Dar es Salaam parece ser uma cidade mais ou menos calma, e sem nada de interessante para ver ou fazer. Esta manha fui comprar o bilhete de comboio para o Tazara train, que liga Dar es Salaam a Kapri Mposhi, na Zambia, uns 200 Km antes de Lusaka ... sao 2 dias de viagem e, pelo que li, as vezes o comboio atrasa-se e demora 3. Mas acho que passa por paisagens espectaculares. Vamos la ver ... vou amanha as 4 da tarde.

Cheguei hoje (sexta) de manha a Lusaca. Tinha saido de Dar es Salaam na terca a tarde, foram 61h de comboio, incluindo 12h em que o comboio esteve parado por avaria. Foi uma viagem agradavel, vim em 1a classe, num compartimento com beliches para 4 pessoas, e a comida era razoavel, se bem que pouco variada. Mas a 1a classe nao e' nenhum luxo, alias o comboio e a linha estao um bocado degradados, mas ha quem faca esta viagem em 3a classe, 61h sempre em lugar sentado. 

(12h de paragem)                                 (em andamento)

Como disse, foi uma viagem agradavel, em que deu para sentir a imensidao de Africa ... quilometros e quilometros sem ver civilizacao (para alem do comboio, obviamente), e nalguns sitios quilometros e quilometros de extensao ate ao horizonte. Acho que ao terceiro dia, uma pessoa ja se comeca a sentir parte do comboio, e quando chega a altura de sair ate parece estranho ter de abandonar o comboio. 

Passei o fim de semana em Lusaca, uma cidade muito mais ocidental do que eu estava a espera. Avenidas e estradas largas, bons carros, gente bem vestida e muitos mzungos ... acho que vi mais brancos em Lusaca do que tinha visto nas 4 semanas anteriores (mas se calhar porque fui aos sitios onde eles andam). E' realmente impossivel aperceber-se que 65% da populacao da Zambia vive com menos de 1 dolar por dia. Mas Lusaca, tal como, acho eu, todas as cidades Africanas, nao tem nada de especial para ver ou fazer, para alem de alguns mercados a venderem produtos made-in-China. No entanto, consegue ser uma cidade agradavel.

(rua do centro de Lusaca)                   (Soweto market, Lusaca)

4a Semana

Na segunda apanhei um autocarro para Livingstone, no sul da Zambia. Foram 8 horas de viagem num autocarro novinho em folha, era a sua viagem inaugural. Para alem deste previlegio, ainda tivemos direito a uma t-shirt. O autocarro era made-in-China (parece que a maioria sao made-in-Brazil, nao fazia ideia) e quando chegamos a Livingstone, um dos vidros do autocarro novinho em folha ja tinha saido do sitio. Talvez a exigencia das estradas Africanas nao combine muito bem com veiculos made-in-China.

Livingstone deve o seu nome ao explorador David Livingstone, presumivelmente o primeiro mzungo a ter visto as cataratas Vitoria, e fica a meia duzia de quilometros do mitico rio Zambeze, das cataratas Vitoria (uma das 7 maravilhas da natureza) e do Zimbabwe, e a uns 50 ou 60 Km do Botswana e da Namibia. Livingstone e' uma cidade moderna e muito voltada para o turismo, ha muitos hoteis de luxo, e muitas actividades ludicas (safaris, bungi-jumping, rafring, voos de helicopetero, saltos de para-quedas, etc, etc, etc).

 ( a foto de cima não é minha, mas dá uma visão excelente das cataratas )

(Vitoria Falls)

Na terca fui ver as cataratas. Apesar de esta nao ser a altura do ano em que ha mais agua, sao algo de espectacular ... o rio Zambeze a cair numa garganta. Na quinta fui andar de canoa a montante das cataratas, vi hipopotamos, crocodilos e uma girafa. E na sexta fui fazer rafting, comecando no chamado Boiling Pot, a uns 200m a jusante das cataratas. O rio Zambeze e', pelo que li, uns dos poucos rios comercialmente "raftaveis" de classe 5 no mundo, e um dia inteiro consiste em 24 rapidos (ha um rapido que e' de classe 6, que passamos a pe'), com nomes como Stairway to Heaven, Devil's Toilet Bowl, Washing Machine, Terminator , ... foi espantastacular. Para alem dos rapidos, a paisagem e' magnifica, o rio corre numa garganta com uns 60m de profundidade, e ha um contraste entre o negro das pedras e o verde da vegetacao em cima.

 

                                     (danca em Livingstone)                                 (Duncan)

 E Livingstone foi o fim da viagem. Voltei para Lusaca e amanha tenho o aviao para Londres. Mas o que me apetecia era continuar para sul ... Botswana e Namibia.

E devo admitir que ao principio houve alturas em que me apeteceu que chegasse depressa o dia de voltar para casa. Talvez Africa seja como a coca-cola, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Ha muitas coisas que chateiam: transportes, eneficiencia das coisas em geral; mas a cor, a vida, as pessoas sobrepoe-se a isso.

 

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