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Capítulo 24 – A Proposta de Kyros

18 Outubro 2015

Epílogo

A reunião arrastava-se há várias horas, sem fim à vista, e sem a mínima indicação de consenso. Os representantes dos diversos Theos não davam mostras de aceitar grandes cedências. A excepção parecia ser Basilos, sumo-sacerdote de Sy-Trius, que apelava aos seus congéneres, dramaticamente, que se focassem mais na protecção do seu povo, e menos nas questões “de direito divino”.

A suma-sacerdotisa de Keannu estava irredutível. Berrava a plenos pulmões. Ninguém tinha legitimidade para o que quer que fosse. Somente a sua igreja falava pela família Agatarkion. Somente eles representavam o Theo patrono de Porto Mantícora. Tudo o resto era uma simples usurpação de poder, e agora que o poder de Acherbas era conhecido, desafiar o Theo dos mares era convidar à retribuição divina.

Do lado de Tyrian Murex, cujos representantes habitualmente lideravam estas discussões, havia um certo silêncio comprometido. A ausência do sumo-sacerdote, capturado pelos meshiferus, deixara os sacerdotes hesitantes. Além do mais, a razia recente a filhos de Tyrian Murex levantava grandes questões entre os progénitos.

Isoladamente, os representantes de Khloros eram as ovelhas negras do fórum. Qualquer tentativa de diálogo pela sua parte era rapidamente cortada pelos demais, e as restantes igrejas já tinham deixado claro que até estavam dispostas a considerar um governo theocrático, desde que tal excluísse “os rafeiros de olhos verdes”.

Eurymedon irrompeu pelo meio da reunião, atirando com a cabeça cortada de um monstro para os pés dos sacerdotes. A armadura do general estava salpicada de sangue negro. Tal como o seu rosto, o cabelo, as mãos…

- CHEGA! Já perderam demasiado tempo com futilidades. Este bosque está cheio de pessoas assustadas, que não sabem se podem voltar para casa, e vocês entretêm-se a discutir quem tem mais legitimidade, ou menos…

A sacerdotisa de Keannu abriu a boca para retorquir algo, mas o som morreu-lhe nas cordas vocais.

- SILÊNCIO! Sobrevivi a três ataques nos últimos dias por parte de criaturas hediondas enviadas dos confins de Sybaris. Portanto, não estou com a mínima paciência para birras. Se querem falar de legitimidade, então a minha é irrefutável. A menos que algum de vocês a queira contestar…

Dizendo isto, Eurymedon deu alguns passos em frente, desembainhando a espada e esmagando a cabeça da criatura debaixo das botas.

Nenhum dos presentes se mostrou disposto a contestar.


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