Helena Sthephanowitz

 


 
 

Virtual e precoce
Rudolfo Lago
Correio Braziliense
1/3/2006

Campanha eleitoral já começou em páginas eletrônicas com propaganda de pré-candidatos à Presidência da República. Ex- ministro do TSE diz que prática é ilegal. Tribunal define amanhã limites para uso da internet

De acordo com o calendário preparado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda política para as eleições de outubro começa apenas no dia 6 de julho. Há um meio de comunicação, porém, em que a campanha já está a pleno vapor. Praticamente todos os pré-candidatos à Presidência da República já têm páginas na internet. A maioria está camuflada como páginas ou blogs de “amigos”, mas há também sítios próprios pedindo votos explicitamente para os pretendentes a ocupar a partir do ano que vem o gabinete principal do terceiro andar do Palácio do Planalto.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sai na frente também na internet. Dois espaços defendem a sua candidatura. Um é mais discreto: o blog Amigos do presidente Lula (www.amigosdopresidentelula.blogspot.com), de responsabilidade de Helena Stephanowitz, diz destinar-se a defender o presidente e seu governo dos ataques que passou a receber após o escândalo do mensalão. Ontem, porém, o sítio comemorava. A escola de samba Leandro de Itaquera, de São Paulo, que levou para a avenida um carro com bonecos gigantes dos pré-candidatos do PSDB — o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, José Serra — foi rebaixada para o grupo de acesso. “Uhhh! Tá feia a coisa no ninho tucano. Rejeição até na avenida do samba”, comentava o blog.

Em um texto, o blog critica o fato de “amigos” de José Serra terem criado na internet uma página intitulada Movimento Serra Presidente. Propaganda fora de hora, protestam. Mas traz um link para página igualmente explícita de apoio a mais quatro anos de mandato para Lula. O Blog da Reeleição — Lula 2006 (blogdareeleição.blogspot.com), de responsabilidade de alguém que assina apenas João Carlos, informa se tratar de “mais um espaço independente dedicado à reeleição do presidente Lula”.

O sítio de apoio a Serra é de responsabilidade de um grupo que se intitula Movimento Serra Presidente (www.joseserrapresidente.com.br). Encabeça o grupo o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, tucano que fez parte da equipe responsável pelo Plano Cruzado no governo José Sarney. E é com argumentos econômicos que o grupo defende a candidatura de Serra. Em um manifesto, o grupo lembra que “a conjuntura internacional excepcionalmente benigna dos últimos anos ajuda em muito o país”. Mas lamenta que “esta conjuntura favorável não está sendo aproveitada”. É preciso alguém capaz de mudar essa situação. E esse, apostam os responsáveis pelo sítio, é Serra. “Consideramos que José Serra, pela consistência da sua trajetória, por sua experiência e coerência política, por sua visão aguda dos problemas do país e pelo padrão ético de sua conduta na vida pública, é quem pode e deve desempenhar esse papel”, concluem. Diante dos números desfavoráveis das pesquisas que mostram o avanço de Lula, a página apela para uma pesquisa de um outro instituto, segundo o sítio, “encomendada por uma grande empresa” e “não registrada no TSE”, que daria “rigorosamente empate” entre Lula e Serra no segundo turno.

15 razões
Adversário de Serra na disputa pela vaga de candidato tucano, o governador Geraldo Alckmin também tem a sua página de “amigos”. Ela é mais discreta. Pertence a uma organização não-governamental ou “frente da sociedade civil”, como se apelida, chamada Nova Política (www.novapolitica.org.br). O manifesto da frente é encabeçado pelo economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Silvério Zebral Filho. Diz o grupo Nova Política que “é preciso refundar a política brasileira”, não apenas no âmbito das instituições políticas, mas, “fundamentalmente, no âmbito das práticas e dos valores que as orientam”. É com esse intento que o grupo diz apoiar Geraldo Alckmin. O sítio traz um “armazém de argumentos para escolher Geraldo”, com 15 itens. Um deles: segundo a página, o governador de São Paulo teria “10 vezes mais simpatizantes em comunidades da internet que os demais candidatos de qualquer partido”.

Alguns pré-candidatos, no entanto, já dispensam os “amigos” e patrocinam espaços próprios na rede de computadores. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que disputarão a prévia para a escolha do candidato a presidente pelo PMDB, estão nesse grupo. A princípio, as páginas destinam-se à disputa interna peemedebista. Em Germano Rigotto Presidente (www.germanorigotto.com.br), há um noticiário da pré-campanha do governador gaúcho e um perfil, que assim define Rigotto: “Ética e competência a serviço do Brasil”.

Garotinho tem página semelhante (www.anthonygarotinho.com.br). Há um perfil e uma cronologia da vida do ex-governador fluminense. Além de dados sobre a família Matheus de Oliveira, “uma família grande e de hábitos simples”. E é ainda possível baixar integralmente um jornal chamado Chama. A manchete da última edição, do dia 22 de fevereiro, diz o seguinte: “Reeleição de Lula levaria Brasil ao fundo do poço”.

Os pré-candidatos do PPS, Roberto Freire, e do PDT, Cristovam Buarque, têm blogs próprios na internet. O de Freire pode ser acessado a partir do próprio sítio do PPS (www.pps.org.br). Em uma de suas últimas mensagens, Freire diz que PT e PSDB protagonizam “uma disputa entre iguais”. O perfil de Freire garante que ele tem “história, ética e decência para mudar o Brasil”. Cristovam tem uma página pessoal e um blog. Mas não é tão explícito quanto à sua intenção eleitoral. Nos espaços, discute projetos e idéias do senador para o país.

Ilegalidade
Se for repetida a regra da última eleição, a maioria das páginas de pré-candidatos a presidente na Internet será considerada ilegal. A regra para o pleito de 2002 foi estabelecida pelo ex-ministro do TSE Fernando Neves. “Pela legislação passada, qualquer candidato, como qualquer cidadão, pode ter uma página pessoal na rede de computadores. Mas, se pedir explicitamente votos nesse endereço, estará fazendo propaganda política, o que, legalmente, só pode acontecer a partir do dia 6 de julho”, diz o ex-ministro.

O TSE tem marcada para amanhã uma reunião em que deverá ser definida a regra de uso da rede de computadores na eleição deste ano, mas Fernando Neves acredita que ela não será muito diferente do que valeu há quatro anos. No caso de propaganda explícita, pedindo votos para candidatos, a proibição é a mesma, seja a página própria seja de “amigos”. “Se eu colocar uma faixa na minha casa pedindo votos para alguém, mesmo que essa pessoa não saiba, eu estarei cometendo uma ilegalidade.

O mesmo acontece no caso da internet. Aquele que aparece como responsável pela página é que será responsabilizado pela ilegalidade. Se ficar comprovado que o candidato é também de alguma forma responsável, são responsabilizados os dois”, explica Neves.
 

Rede para caçar votos

Páginas eletrônicas de pré-candidatos

OFICIAIS

Anthony Garotinho
A página www.anthonygarotinho.com.br traz entrevistas e notícias sobre a sua pré-candidatura

Germano Rigotto
O endereço wwww.germanorigotto.com.br tem declarações de peemedebistas apoiando o governador

Roberto Freire
O Blog do Freire pode ser acessado pela página do PPS (www.pps.org.br) ou no www.presidenterobertofreire.pps.org.br

Cristovam Buarque
Tem o sítio www.cristovam.com.br e um blog acessado pelo site. Não são claramente espaço de propaganda de sua pré-candidatura

Heloisa Helena
Tem apenas uma página como senadora, que não está completa nem atualizada. Pode ser acessada pelo endereço www.senado.gov.br


DE “AMIGOS”

Lula
Dois endereços tratam diretamente de promover a reeleição do presidente: o blog www.blogdareeleicao.blogspot.com e www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com

José Serra
A página que defende a candidatura do prefeito de São Paulo é www.joseserrapresidente.com.br

Geraldo Alckmin
O sítio www.novapolitica.org.br traz notícias da campanha do tucano. Acessando-se www.alckmin.com.br cai-se em uma página que tem apenas uma faixa verde e amarela e a foto do governador