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Perguntas frequentes

O que é o Escotismo?

O Escotismo é um movimento educacional para jovens - daí também o outro nome pelo qual é conhecido Movimento Escoteiro - com a colaboração de adultos. Como educação não formal o Escotismo complementa a escola e a família, através de actividades que, muitas vezes, não são realizadas nestes dois ambientes. Escotismo estimula o jovem a conhecer a sua necessidade de explorar, descobrir, querer saber.

Os escoteiros descobrem o mundo que está além da sala de aula e aprendem, entre diversas outras habilidades, a ouvir os outros para aprender e passar o seu conhecimento ao próximo. Assim o Escotismo é EDUCAÇÃO PARA A VIDA.

 

Qual é o propósito do Escotismo?

Através da recreação, o Escotismo pretende e alcança o objectivo de ajudar os jovens a desenvolver fisicamente, intelectualmente, socialmente e espiritualmente.

 

Os Escoteiros são militares?

Não há nenhum vínculo entre o Escotismo e qualquer força armada. O Movimento escoteiro não é uma nenhuma força paramilitar nem pré militar, não preparamos os jovens para seguir carreira militar.

 

Quem pode participar?

Escotismo é aberto a todos, sem discriminação de raça, credo, origem, condição social, física. Todos podem ser escoteiros.

 

Quem pode participar?

Escotismo é aberto a todos, sem discriminação de raça, credo, origem, condição social, física. Todos podem ser escoteiros.

 

As raparigas também podem participar?

Sim, as raparigas também participam. O Escotismo ensina aos rapazes e raparigas a cooperarem no desenvolvimento das tarefas e conhecimento mútuo.

 

E os adultos?

O escotismo é mais voltado para os jovens, mas os adultos são imprescindíveis na aplicação do programa escotista, estes também beneficiam à medida que têm uma hipótese de voluntariamente ajudarem crianças e jovens. Na actividade voluntária os adultos adquirem valiosos conhecimentos, passam por novas experiências que, certamente, aumentam muito o desenvolvimento pessoal de cada um.

 

Há algum método?

O método escoteiro pode ser resumido nos seguintes pontos:

·         COMPROMISSO PESSOAL

Através de um código simples de viver: a Promessa e a Lei do Escoteiro.

·         APRENDENDO FAZENDO

Participação activa e na prática.

·         VIDA EM EQUIPA

Em pequenos grupos desenvolve-se a liderança, habilidades para trabalhar em grupo e responsabilidade individual.

·         ACTIVIDADES PROGRESSIVAS DIFERENTES

Actividades progressivas baseado nos interesses dos jovens.

·         ACTIVIDADES EM CONTACTO COM A NATUREZA

Um ambiente de aprendizagem rico onde a simplicidade, criatividade e descoberta promovem um conjunto de aventura e desafio.

·         DESENVOLVIMENTO PESSOAL

Dá-se ênfase ao ponto de vista de cada jovem, confiando-se nas potencialidades de cada um em particular.

·         APOIO DE ADULTOS

O Escotismo é um Movimento para Jovens, é verdade, mas só funciona com o apoio de adultos empenhados e com formação adequada.

É necessário pertencer a alguma religião específica?

Não o escotismo não está vinculado a nenhuma religião ou crença específica.

 

Os Escoteiros envolvem-se com a comunidade?

Os escoteiros participam atendendo necessidades reais. Os escoteiros são envolvidos em um número vasto de assuntos que enfrentam as comunidades onde eles vivem.

 

Quem paga as despesas do escotismo?

Infelizmente são os próprios escoteiros que pagam. No nosso grupo todos os elementos têm de pagar uma quota. No caso de haver um acampamento, cada escoteiro paga uma quantia estipulada pelos chefes de grupo, que visa cobrir todas as despesas da actividade. Quanto ao material individual, uniforme, botas, canivete, etc, cada elemento é responsável pela sua aquisição. O material de uso colectivo é da responsabilidade do Grupo e comprado com o dinheiro da quota.

 

Como se escreve Escoteiro, com "U" ou com "O"?

A Associação dos Escoteiros de Portugal escreve com "O" porque prefere esta grafia.

Os adeptos do método educativo, concebido por Baden-Powell, conhecido na Grã-Bretanha por Scouting, têm sido designados em Portugal por scouts, escoteiros, adueiros, escutas e escuteiros (cremos ser esta a ordem cronológica do seu aparecimento).

 

Quando este movimento em terras lusitanas não fora ainda além da insipiência, à falta de melhor, servimo-nos do termo scout, solução aceitável, visto que, em muitos países, que não falam a língua inglesa, ainda é hoje o termo usado.

 

Todavia, em Portugal, os responsáveis do nosso movimento, honra lhes seja, não se contentaram com a simples adopção do vocábulo estrangeiro, como é prova o testemunho irrecusável e insuspeito do comandante Álvaro de Melo Machado, pioneiro do escotismo em terras de Portugal e seu dirigente desde as primeiras horas. Procuraram, procuraram e surgiu-lhes a palavra ajustada. Não era qualquer neologismo, mas vocábulo antigo e de fortes tradições: escoteiro. A Língua Portuguesa é, sem sombra de dúvidas, realmente rica. Até neste caso ofereceu a palavra ideal, quase exacta, em que ocorrem mesmo as três letras radicais do scout inglês: SCOT, e com um significado muito ajustado ao do termo inglês. Que melhor solução foi encontrada noutro idioma?

 

Que quer dizer escoteiro? Dizem os dicionários: "o que não leva mochila ou alforje; que viaja ligeiro; que viaja, pagando escote (aquilo que compete a cada um numa despesa comum) pelo caminho para comida e dormida; explorador."

 

O vocábulo teve pronta e geral aceitação. Pois não. Tinha mesmo caído do céu! Logo, em 1913, surge no próprio nome da associação: Associação dos Escoteiros de Portugal, que então se formou. Durante mais de duas décadas, tanto escoteiro como escotismo singraram. Foram usados tanto em Portugal, como nas antigas colónias e passaram ao Brasil, onde se radicaram facilmente. No nosso país, homens de elevada categoria intelectual, como o Dr. Sá Oliveira, pedagogo e professor de Latim, e o Dr. João de Barros, também emérito pedagogo, celebrados dirigentes da nossa Associação escotista, carinhosamente utilizaram a grafia das duas palavras com o, a qual nunca lhes mereceu o menor reparo.

 

Até que, em 1924, se produziu uma dissidência no movimento. Alguns dirigentes escotistas, receosos de reprováveis tendências materialistas que talvez estivessem ocorrendo na AEP, meteram ombros à criação de nova associação, reservada a elementos da confissão católico - romana, isto a contra - gosto dos propósitos ecuménicos de Baden-Powell e até da própria AEP, visto que, dalguma maneira, se ergueu uma barreira que, embora ténue, veio impedir uma franca e desinibida confraternização com tantos valorosos irmãos escoteiros que militam na outra Associação.

 

Ciosos dos objectivos de total cisão, esses dirigentes repudiaram a palavra escoteiro e retrocederam para o barbarismo scout. É o que se chama trocar ouro por plaqué. Corpo Nacional de Scouts, se chamou a novel associação.

 

É claro que esta diferenciação, este afastamento da agremiação escotista original, repugnava, como é evidente, aos ideais de fraternidade - dos mais caros - do movimento de Baden-Powell (um escoteiro é irmão de todos os outros escoteiros, segundo reza a lei da esmagadora maioria das associações escotistas espalhadas pelos quatros cantos do mundo).

 

Mas o termo scout era, pelo menos, incómodo, face à vernaculidade de escoteiro. Assim, tentou-se fabricar um substituto e, à falta de melhor, surgiu escuta. Isto em meados da década de 30. Gera-se então um problema artificialmente criado: Como aos escutas não assentava bem a palavra escotismo, vá de se transmudar num neologismo — escutismo - a palavra que o povo consagrou e continua a consagrar. Logo, apressados, apareceram filólogos a proclamar que, dado scout ter origem no arcaísmo francês escouter, do latim auscultare, donde provém o escutar português, a grafia escutismo seria preferível a escotismo, para o que se alhearam de um argumento de extrema importância em questões desta natureza: a consagração de escoteiro e escotismo pelo uso, isto ao longo de mais de vinte anos! Enfim, filólogos muito cientes dos problemas das metamorfoses linguísticas, é certo, mas ignorantes, por completo, da história do nosso movimento e dos ponderosos e poderosos argumentos que aconselharam a escolha de escoteiro e escotismo. Em socorro da inovação, veio ainda o Acordo Ortográfico Luso - Brasileiro de 1945, que perfilhou esta singular solução: em Portugal, passava a escrever-se escuteiro e escutismo enquanto no Brasil continuava a grafar-se escoteiro e escotismo! Pois se os Brasileiros até pronunciam escóteiro ou escôteiro. Aqui, escotismo ficaria reservado para denominar as teorias de John Duns Scoutus ou de Johannes Scoutus Erigena, doutrinas que não são hoje mais do que despojos, sepultados em livros. Só que...

 

Só que, no caso do movimento escotista, o vocábulo escuta não foi uma escolha feliz. E por vários motivos.

 

Em primeiro lugar, porque escuta não traduz capazmente o inglês scout. Disso se aperceberam os Espanhóis, os Italianos e os Franceses, que não recorreram as palavras que naturalmente existem nos seus idiomas correspondentes ao inglês scout, antes se decidiram respectivamente por explorador, esploratore e éclaireur para denominarem os membros do movimento escotista dos seus países. Escuta, em português, envolve uma ideia eminentemente de imobilidade: o que está a escuta, o que espia, lugar onde se escuta, o meio de se escutar. Ao passo que o inglês scout traz um vincado carácter de deambulação: soldado, navio ou avião enviado a espiar as forças ou movimentos do inimigo; pessoa enviada a sondar o valor de um desportista; explorador. Isto é, missões fracamente activas em oposição a escuta que é eminentemente passivo. Estamos mesmo em crer que, se fosse esta acepção do termo inglês, Baden-Powell nunca teria escolhido Scouting para denominar as suas actividade, até mesmo as anteriores à criação do escotismo, sabido como é, que a ideai do movimento lhe era profundamente cara.

 

Em segundo lugar, porque a palavra escuta nunca se popularizou. O povo português desconhece-a com essa acepção, não obstante ela ter surgido há quase meio século. Até mesmo os membros do próprio Corpo Nacional de Escutas não lhe são fiéis. Talvez não seja ousadia afirmar que o termo escuta há muito teria sido esquecido e enterrado, por impróprio e impopular se não persistisse na denominação da associação. Que mais não seja, porque até tem um sentido de certo modo pejorativo. Presentemente, trata-se de um ónus desnecessário. A juventude escotista, porque tem escoteiro, não entende a existência de escuta.

 

Em suma: nós, membros da Associação dos Escoteiros de Portugal, e os nossos irmãos brasileiros somos, e continuaremos a ser, genuinamente Escoteiros. E praticamos o Escotismo. Visto que não podemos praticar escutismo. Nem podemos nem queremos, nem precisamos. E estamos em boa companhia, como a do distinto filósofo Prof. José Pedro Machado, que se pronunciou favoravelmente quanto a escoteiro e escotismo para nos designar e ao nosso movimento.

 

Dirão alguns: mas não "joga” bem escutas a praticarem o escotismo. Talvez tenham razão. Não temos nada com isso, porém. É problema que apenas diz respeito aos que engendraram escutismo e escuta. Que sejam, pois, eles a resolverem-no. Se o quiserem, claro.

 

Retirado do jornal "Sempre Pronto" n.º 434 - 31/12/1981