Vídeojogos
Por Paulo Costa

Uma consola de videojogos é um computador interactivo de entretenimento que manipula o sinal de vídeo de um aparelho de imagem (uma televisão, monitor, etc.) para mostrar o jogo. O termo “consola de videojogos” é usado para distinguir as máquinas desenhadas apenas para jogar videojogos de outras, com mais funcionalidades, tal como um PC.

 

História

 

1ª Geração – “Televisão Interactiva”

Apesar dos primeiros jogos de computador terem aparecido nos anos 50, estes apenas recorriam a vectores e não a vídeo, sendo que só em 1972 a Magnavox lançou equipamento com esta funcionalidade. Chamava-se Magnavox Odyssey e era a primeira consola de jogos de vídeo, inventada por Ralph H. Baer, criador do conceito de televisão interactiva quando apenas procurava construir uma simples televisão.

A Odyssey teve um sucesso moderado entre os consumidores. Só com o lançamento de Pong, pela Atari, os videojogos se tornaram populares. O público começou a tomar mais atenção a esta indústria em crescimento, e pouco tempo depois, por volta do Outono de 1975, a Magnavox, devido à popularidade de Pong, cancelou a Odyssey e lançou uma consola que corria este programa, a Odyssey 100.
        A segunda versão desta consola, a
Odyssey 200
, foi lançada simultaneamente com a 100, permitindo disputas entre 4 jogadores, tendo para além disso um outro jogo, o Smash.

 

 

 

 

 

2ª Geração – As primeiras consolas 8-bit

 

Por volta da segunda metade dos anos 70, os cartuchos começavam a substituir as consolas que traziam os jogos incorporados, alargando assim as possibilidades em relação a uma única consola. Começavam também a surgir as primeiras consolas com CPU’s, tendo sido a Fairchild VES a primeira do mundo a ter um CPU como base e que necessitava da introdução de cartuchos para correr o código de um jogo.

Esta consola foi lançada em Agosto de 1976 pela Fairchild Semiconductor, a mesma companhia que desempenhou um papel importante no desenvolvimento dos computadores. Em 1977, a Atari lançou a sua própria consola com um CPU de base, a Video Computer System (VCS), mais tarde chamada de Atari 2600. Durante os meses de férias, assistiu-se ao lançamento de nove jogos para esta consola e rapidamente tornar-se-ia de longe a mais popular. Um ano depois, a Magnavox também partia nesta aventura, lançando a Odyssey 2, nos EUA e no Canadá. A Philips Electronics lança uma cópia desta, mas com o nome de Philips G7000 e dirigindo-se para o mercado europeu. Contudo, estas consolas nunca atingiram a popularidade da Atari, vendendo apenas alguns milhões em 5 anos (1983). Em 1979, é criada a Activision por um grupo de programadores decepcionados provenientes da Atari, sendo quase uma empresa com características de mercenária, já que criava jogos para outras empresas que depois os lançavam.

A próxima consola a ser lançada seria a Intellvision pela Matel em 1980, uma consola que, ainda antes da era dos 16-bit, já possuía uma capacidade de processamento de 10-bit. Era a primeira com poder para causar uma séria ameaça ao domínio da Atari, muito devido à elevada publicidade que a rodeou. Contudo, a Atari possuía a maioria dos direitos dos jogos de arcade e das suas conversões para as consolas e sem dúvida que foi uma vantagem determinante para o seu velho hardware que ainda circulava no mercado, que apresentava piores qualidades gráficas do que as novas consolas. Conclusão, a Atari conseguiu vender mais unidades que a Intellvision, ainda auxiliada pela diferença de preço entre os produtos.

Estas diferenças de preço iriam influenciar todas as “guerras de consolas” que ainda estavam para vir. Em 1982, surgem três novas consolas, a Arcadia 2001 da Emerson, a Vectrex, e a ColecoVision. Todas estas primeiras consolas foram influenciadas pelas conversões de jogos arcade, com destaque para a Atari 2600 e a sua capacidade de correr os famosos jogos Space Invaders e o Donkey Kong da Nintendo.

No final de 1982, enormes quantidades de consolas, jogos sobrevalorizados e mal concebidos começaram a aparecer e a entupir as lojas. Em parte por causa desta abundância de produtos no mercado, a indústria dos vídeo jogos sofreu um crash que marcou o rumo dos acontecimentos.

 

O Crash dos Vídeo jogos

 

Este crash levou à quase destruição total da indústria e resultou na falência de muitas companhias produtoras, principalmente norte-americanas. O crash trouxe um fim abrupto à segunda geração de jogos e consolas de vídeo. A inundação do mercado por jogos mal concebidos estava a dar uma péssima reputação à indústria, destacando-se pela negativa alguns jogos da Atari nomedamente o E.T. The Extra-Terrestrial e uma falhada nova versão de Pac-man. A Atari começava a ter perdas financeiras enormes, muito auxiliadas pelo eco que este desastre estava a ter nos media, em particular, a história de que Atari enterrou milhões de cópias de E.T. The Extra-Terrestrial algures no deserto do Nevada. Finalmente, o declínio natural da velha Atari 2600 foi amplificado com o aparecimento dos primeiros jogos de computador.

Este crash durou dois anos e durante este intervalo, muitos analistas de negócios expressaram as suas dúvidas em relação à viabilidade das consolas de vídeo a longo prazo. No entanto, todas as nuvens negras que se abateram foram afastadas com inesperado aparecimento do monumental êxito da Nintendo Entertainment System (NES), lançada na América do Norte em 1985.

 

3ª Geração – A segunda metade das 8-bit

 

Esta geração começou com o lançamento, por parte dos japoneses, da Famicon (mais tarde conhecida de NES na América do Norte e na Europa). Para muitos, esta é considerada a primeira era “moderna” de jogos em consolas e, para muitos países, foram as primeiras consolas que conseguiram vender volumes consideráveis. Apesar da geração anterior ainda usar processadores de 8-bit, foi no fim desta geração que as consolas deixaram de ser primeiramente rotuladas pelo número de bits.

A Famicon ( Family Computer ) tornou-se muito popular no Japão e acabou por varrer com o resto da concorrência. A Famicon americana, a Nintendo Entertainment System, dominou o mercado de jogos na América do Norte, muito devido aos acordos de licenças restritos entre produtoras. Mas apesar da NES ter dominado o mercado norte-americano, a Sega Master System, da Sega, dominava o mercado no Brasil e na Europa e ao qual a NES nunca conseguiu suplantar.

A Atari 7800 teve também uma vida com bastante sucesso e a Sharp X68000 começou a sua corrida no Japão em 1987. Na parte final da terceira geração, a Nintendo introduziu o Gameboy, o qual avassalou praticamente sozinho o mercado das consolas portáteis durante 15 anos. A terceira geração também viu o surgimento dos RPG’s (role-playing games) nas consolas. A edição e censura de videojogos era frequentemente usada para localizar jogos japoneses na América do Norte. Durante esta era, muitos dos franchises mais famosos de todos os tempos foram fundados, como Super Mario Bros, Final Fantasy, The Legend of Zelda, Dragon Quest, Metroid, Megaman, Metal Gear, Castlevania, Phantasy Star e Bomberman.

 

4ª Geração – A Era 16-bit

 

A quarta geração de vídeo jogos para consolas começou a 30 de Outubro de 1987 com o lançamento por parte companhia japonesa Nippon Electric Company (NEC) do PC Engine (conhecido como TurboGrafx-16 na América do Norte). O PC Engine teve bastante sucesso no Japão, muito devido à possibilidade de leitura dos inovadores CD-ROM, algo a que os norte-americanos ainda não tinham acesso na sua versão da consola. A NEC lança mais tarde um acrescentamento de CD, em 1990, para a TurboGrafx-16. Por volta de 1992, tinha lançado a combinação da TurboGrafx-16 e o sistema CD-ROM já incorporado, conhecida como Turbo Duo. A plataforma foi bem recebida inicialmente, especialmente nos grandes mercados, mas não conseguiu vingar nos pequenos circuitos das áreas metropolitanas onde não tinham tantos representantes. A TurboGrafx-16 e a Turbo Duo eram concluídas nas suas versões finais do ano de 1994, mas a NEC rapidamente lançou uma nova consola, a 32-bit PC-FX no mesmo ano para o Japão. Ainda foi planeado o lançamento de uma versão para a América do Norte, mas o mercado já estava inundado de outras plataformas, incluindo a mais poderosa 3DO e a Atari Jaguar, sendo acordado o seu cancelamento.

        Contudo, a NEC, apesar de ter sido a primeira a lançar uma consola da quarta geração, era dominada pela rivalidade entre as consolas da Nintendo e da Sega, a Super Nintendo Entertainment System e a Sega Mega Drive (com o nome oficial de Sega Genesis). A Nintendo conseguiu capitalizar o sucesso na terceira geração e ganhou uma dominante percentagem do mercado na quarta geração. A Sega também foi bem sucedida nesta geração, criando um novo franchise, Sonic the Hedgehog, o qual consegui competir ferozmente com a série de jogos de Mario da Nintendo, afirmando que o Sonic era uma escolha mais “fixe” que Mario.

A Sega até criou anúncios claramente provocatórios, com a frase “Genesis does what Nintendon’t” (“A Genesis faz o que a Nintendo não faz”), e o grito “SEGA!”. Muitas outras companhias relançaram consolas nesta geração, mas, com a excepção da Neo Geo, nenhuma delas teve grande sucesso. No entanto, outras companhias aperceberam-se da maturação dos videojogos e começaram a planear lançar as suas próprias consolas num futuro próximo. Nesta geração, também surgiram mais franchises que se tornaram muito populares. Entre eles estão Star Fox, Kirby, Secret of Mana, Sonic The Hedgehog e Mortal Kombat.

 

5ª Geração – Era 32-bit / 64-bit

 

 

Esta geração começou em 1993 e acabou em 2002. É referida como a era 32-bit / 64-bit pois as consolas anteriores à Nintendo 64 eram 32-bit. As consolas mais predominantes foram a Sega Saturn (1994), a Sony Playstation (1994) e a Nintendo 64. No entanto, das três, a que definiu esta época foi a Playstation. A 3DO, a Amiga CD-32 e a Atari Jaguar também eram desta era, mas as suas vendas eram pobres e falharam em criar um grande impacto no mercado. Também nesta geração, a Nintendo decidiu melhorar as versões do Gameboy, com o Gameboy Color e o Gameboy Light (apenas disponível no Japão).

A quinta geração também foi marcada pelo crescimento do 3D (3 dimensões) nos videojogos, algo inovador, pois durante os anteriores 30 anos de história, era tudo a 2D.

A Nintendo preparava-se para lançar mais uma consola, a Nintendo 64 (N64) em 1996, decidindo que deveria ter jogos em cartuchos, como os seus predecessores, em vez de CDs. Publicamente, a Nintendo defendia esta sua decisão dizendo que o uso de cartuchos diminuía o tempo de carregamento dos jogos. Contudo, também dava o beneficio da dúvida à Nintendo de cobrar licenças mais caras, uma vez que a produção de cartuchos era bem mais caro que a de CDs. Muitas companhias que fabricavam jogos para terceiros viram esta atitude como um acto de maior lucro, ficando relutantes em lançar jogos para a N64. A decisão da Nintendo de usar cartuchos também tinha desenvolvido uma pequena guerra entre os jogadores para decidirem se o uso de cartuchos seria o mais adequado ou não.

A “guerra dos media” desencadeou-se devido a declarações de altos executivos da companhia e às publicações numa revista da Nintendo de um vaivém (cartucho) ao lado de um caracol (CD), a desafiar os consumidores a dizer “qual é o melhor”. Apesar de todos estes movimentos por parte da Nintendo, praticamente todas as plataformas desta geração decidiram seguir com o formato de CD-ROM e portanto, muitas produtoras começaram a abraçar a Playstation da Sony, lançada em 1994, mais barata para o desenvolvimento de jogos. Também se recorreu ao apelo para o facto de os CDs serem mais flexíveis e mais baratos, fazendo com que o consumidor paga-se menos.

Esta geração em particular marca um ponto de viragem para os produtos ópticos de armazenamento. Os jogos cresceram em complexidade de conteúdo, som, gráficos, e o CD provou ser mais que credível de fornecer espaço suficiente para os dados extra. O cartucho contudo, foi levado a expandir-se para além dos seus limites de armazenamento. Alguns franchises tornaram-se mais famosos ou começaram a notar-se: The Legend of Zelda com The Legend of Zelda: Ocarina of Time, Metal Gear com Metal Gear Solid e Super Mario com Super Mario Smash Bros.

 

6ª Geração – Era 128-bits

 

A sexta geração marca as consolas e os videojogos do virar do século, pois começou em 1998, como o lançamento da Dremcast da Sega, e terminou em 2006, com lançamento da Playstation 3 e da Nintendo Wii. As consolas que mais marcaram esta geração foram a Dremcast, a Playstation 2, a Xbox da Microsoft e a GameCube da Nintendo.

A Dremcast, sendo a primeira da sexta geração, trazia muitas inovações, incluindo jogar através da Internet (a Internet tinha começado a tornar-se popular, tal como o aparecimento dos jogos com vertente multiplayer), através de um modem incorporado e um browser. No início, esta foi bem sucedida, com jogos muito apelativos e a quebrar recordes de vendas. Para além disso, fez recuperar a reputação da Sega, após os falhanços com a Sega Saturn, a Sega 32X e a Sega Mega-CD. No entanto, a Dremcast tornou-se mal sucedida nos últimos anos da sua existência, devido a múltiplos factores. A Playstation 2 (PS2), muito publicitada e lançada pouco tempo depois, retirou as atenções à Dremcast e as suas vendas caíram um ano depois. Mais, por ter cancelado a Saturn rapidamente, devido ao pouco desempenho, deixou os produtores e os consumidores cépticos, a esperaram para ver qual ficaria no topo, a Dremcast ou a PS2.
        Para além disso, a decisão da Sega de usar GD-ROM como meio de armazenamento, (apesar de ter publicitado como CD-ROM) poupou custos, mas não funcionava tão bem comparativamente com o recentemente desenvolvido DVD por parte da PS2. Mais tarde, com anunciação da Xbox e da GameCube no final de 2000, a consola da Sega já estava ultrapassada.

Passado dois anos, assistiu-se ao cancelamento da produção da Dremcast, virando-se para o desenvolvimento de jogos. A PS2 teve o maior impacto devido à grande reputação da sua predecessora e ter a vantagem de poder ler filmes em DVD, tal como CDs de música, e correr jogos da PS1. Além destes factores, a Sony conseguiu a licença de títulos chave, como Final Fantasy X, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty (indiscutivelmente, o título mais esperado desta geração), Grand Theft Auto 3 (o primeiro jogo a criar grande controvérsia na indústria devido ao tema recorrente de violência, sexo e drogas) e Kingdom Hearts. A Xbox viveu na sombra da PS2, apesar de ter tido bastante sucesso com Halo e a sua sequela, Halo 2, um dos maiores franchises da consola e cujo protagonista é a mascote “não oficial” da Xbox.
        A Gamecube não foi bem sucedida, muito devido ao poder da PS2 e da Xbox e também porque em vez de apostar em grandes títulos, divulgou muito a sua conectividade com o Gameboy Advance. Resultado, a Gamecube não teve tantas vendas como a sua predecessora, a N64.

A grande vitoriosa desta era foi a Playstation 2, tendo sido vendidas 127 milhões de unidades até 2007, sagrando-se a consola mais vendida de todos os tempos. A grande derrotada foi a Dremcast, cuja produção foi parada em 2001. Ainda hoje a Playstation 2 continua a ter fortes vendas, devido à grande biblioteca de software que possui.

 

7ª Geração – A Nova Geração

 

A sétima geração começou a 21 de Novembro de 2004 com o lançamento da Nintendo DS e continua até hoje.

A Xbox 360 da Microsoft, lançada a 22 de Novembro de 2005 ganhou rapidamente uma grande porção do mercado, em grande parte devido ao Xbox Live, um sistema de jogo online. Para além disso, ainda é de registar o facto de ter sido lançada um ano antes das suas principais rivais. As vendas na Europa e na América do Norte continuam fortes, mesmo após o lançamento da Nintendo Wii e da Playstation 3. Como o seu predecessor, teve uma recepção muda no Japão, atribuída a falta de conteúdo de interesse para os jogadores japoneses. Contudo, o cedo lançamento da consola trouxe problemas técnicos numa porção de unidades. Consumidores tiveram de reparar as suas consolas e até substitui-las várias vezes. Perante esta situação, a Microsoft decidiu que os consumidores poderiam reparar as consolas gratuitamente ou reembolsá-los, colocando uma garantia de três anos nas consolas.

A consola teve altas vendas até ao lançamento da Wii, que fez desce-las em cerca de 60%. Apesar disso, o altamente antecipado Halo 3 fez subir as vendas durante um tempo. A Playstation 3 (PS3) foi lançada a 11 de Novembro de 2006, um ano depois da rival Xbox 360. O sistema da consola depende de uma tecnologia recente, como um microprocessador Cell e o formato Blu-ray, o que causou alguns problemas na manufactura. Apesar destes problemas, a PS3 já adquiriu licenças de jogos muito aguardados, como Gran Turismo 5, God of War 3, Grand Theft Auto 4, Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, Final Fantasy XII e Tekken 6. Para além dos grandes jogos, é considerada ser a consola mais poderosa do mercado, tem acesso à Internet, corre jogos da PS e PS2 e ainda tem um disco rígido de vários gigabytes, o que permite instalar os jogos na consola sem ter de recorrer ao disco ou cartões exteriores de memória. Porém a Nintendo Wii tem a vantagem do mercado, devido ao elevado preço da PS3, falta de unidades em stock e uma biblioteca de software muito pequena.

A Nintendo lançou a Nintendo Wii a 19 de Novembro de 2006, apontada para um público mais vasto, devido às funcionalidades inovadoras do comando, que funciona através de sensores de posição. Por agora, a estratégia tem funcionado e tem tido uma ligeira vantagem nas vendas mundiais me relação à Xbox 360, não só devido à jogabilidade inovadora, mas também pelos títulos à muito aclamados e consagrados, caso de Mario, The Legendo of Zelda e Pokémon. Apesar das grandes vendas, os consumidores queixam-se de a Nintendo apostar muito em jogos que usam as funcionalidades do comando e não desenvolver muitos títulos com gráficos de alta qualidade.

Por isso, é esperar para ver qual a consola que se sagrará campeã em mais uma guerra nos mundo das videojogos.