Inteligência Artificial
Por Gil Dias e Joel Rodrigues

A inteligência artificial é um ramo da informática cujo objectivo é estudar os processos do pensamento e criar máquinas inteligentes. Por outro lado, também pretende tornar os computadores mais úteis, usando-os para investigar símbolos, processos não algorítmicos e representação simbólica do conhecimento, para posteriormente serem usados em máquinas inteligentes. Mas, porque razão se pretenderá ter computadores com esta capacidade cognitiva? A principal razão terá certamente a ver com a necessidade de resolver problemas cada vez mais complexos, utilizando técnicas de IA, uma vez que a programação convencional é incapaz de resolver estes mesmos problemas.
        Em muitos países, a IA trouxe maior segurança, tecnologia avançada e oportunidades comerciais que colocam estes países numa boa posição competitiva dentro do mercado económico.

        Também em outras áreas, incluindo governamentais, conseguir o conhecimento para lidar com problemas reais e complexos é considerada crucial para o sucesso e a IA é o meio para obter tais resultados. A IA ainda não é capaz de resolver todos os problemas passíveis de programação, mas pode certamente resolver problemas uma grande parte deles, problemas que o ser humano apenas com vastos cálculos e precisão os conseguia resolver, necessitando de vários horas ou até dias, algo que a IA consegue resolver por vezes em poucos segundos ou minutos. Para se entender esta parte, respondamos então à seguinte questão…

 

O que é um sistema inteligente?

Um sistema inteligente é todos e quaisquer sistemas cuja tarefa se destina a simular a inteligência humana, como por exemplo, jogar um jogo de damas ou de xadrez e que tenham uma maneira de jogar semelhante ao dos grandes mestres. O sistema Bell, da AT & T Bell Laboratories, é o exemplo de um sistema inteligente, pois apresenta-se como um verdadeiro mestre de xadrez. Um outro exemplo clássico, em termos de IA, foi desenvolvido pelo cientista de computadores Allan Turing.
        Este criou o denominado “Turing’s Test”, o qual envolvia duas pessoas, um computador, uma sala dividida em duas partes e um sistema de comunicação através do qual as pessoas podiam comunicar pelos computadores. Um dos participantes colocava perguntas, tentando depois identificar com “quem” estava a comunicar através das repostas, ou do computador, ou do outro ser humano. Se o computador fosse suficientemente bom para enganar a pessoa interrogadora, então Allan Turing concluiria que o computador de facto “pensava”. Contudo, de todos os testes que foram feitos, nunca houve ninguém que tivesse afirmado que o computador o tivesse influenciado, tendo assim o computador falhado no teste, pois mostrou-se sempre incapaz de lidar com pequenos factores que normalmente se prendiam com duplo sentido de muitas palavras. Assim podemos concluir que qualquer programa que assente em técnicas de IA, onde é preciso uma rápida compreensão e interpretação de informação, tais como os sentidos e até o “senso comum”, nunca conseguirá, actualmente, resultados semelhantes àqueles que um ser humano obteria.
 

Os computadores têm um grande futuro à sua frente, cada vez mais são necessários para as tarefas do dia-a-dia e, quem sabe, qualquer dia poderão a vir a comunicar de forma inteligente connosco, utilizando conhecimentos profundos ou particulares, quase podendo afirmar-se que poderíamos ter o nosso próprio amigo electrónico. Mas, por agora, a IA está mais implementada para os sistemas periciais: sistemas que utilizam “linguagem natural”, robôs, sistemas sensitivos e programação automática.

 

 


Os antecedentes da Inteligência Artificial


          É difícil dizer em que momento nasceu a IA, pois nasceu com a capacidade de armazenamento de software e armazenamento de memória. No entanto, pode-se chamar de “pai” da IA o senhor A. M. Turing de que se falou anteriormente, pois “inventou” o programa armazenado em memória, leia-se Inteligência Artificial.     

     

Contudo, o início do conceito de IA nasceu por volta de 1960 quando John McCarthy criou o LISP, a primeira linguagem de “trabalho” para a IA. A própria terminologia, ou seja, as palavras Artificial Intelligence são atribuídas a Marvin Minsky, investigador do MIT, que as escreveu pela primeira vez em 1961. Em 1964, surge outro marco na indústria, o programa ELIZA, que se tornou famoso e é uma referência obrigatória para qualquer pessoa ligada à IA. Este programa foi criado por Joseph Weizenbaum e pretendia simular um psicanalista. Mais tarde nos anos 70, os computadores desenvolveram-se, o que permitiu à IA dar um grande salto, uma vez que os computadores poderiam estabelecer os parâmetros base de velocidade de processamento de dados e complexidade de algoritmos, da qual a IA dependia. No fim desta década, surgiram os primeiros sistemas periciais, sendo um dos primeiros o MYCIN, desenvolvido na Universidade de Stanford nos EUA, como método auxiliar de diagnóstico médico. Em França é criado o PROLOG em 1972, uma nova linguagem de programação que, a par com o LISP, tornar-se-ia uma das linguagens de eleição para programação de IA nos anos 80, respectivamente na Europa, no Japão e nos EUA.