História da Internet
Por Gil Dias e Joel Rodrigues

A Internet revolucionou o mundo dos computadores e das comunicações como nenhuma outra invenção terá sido capaz até agora. A invenção do telégrafo, do telefone, do rádio e do computador prepararam o terreno para esta nova e revolucionaria forma de comunicação, um mecanismo, simultaneamente, de tratamento de informação e divulgação mundial, um meio para uma colaboração e interacção activas entre pessoas, independentemente das suas localizações geográficas. 

Antes da Internet

Entre os anos 50s e 60s, antes do aparecimento do trabalho em rede generalizadas que terá conduziu à criação da Internet, a maioria de redes de comunicação eram restringidas a comunicações entre as estações englobadas dentro da sua rede. Algumas tinham ligações entre elas, mas estas ligações eram frequentemente limitadas ou construídas especificamente para um único uso. A evolução deu-se com base no método central ao qual recorriam os computadores mainframe, permitindo simplesmente que os seus terminais fossem conectados através de cabos. Este método foi usado nos anos 50s pelo Projecto RAND para ajudar diversos investigadores, nomeadamente Herbert Simon, quando colaborava através do continente com outros investigadores em Sullivan, Illinois, em trabalhos relativos especialmente com a inteligência artificial.

O Início da Internet

A Internet apareceu em consequência das necessidades militares durante a Guerra Fria. Na década de 60, quando as duas grandes potências, os EUA e a URSS, exerciam um enorme controlo e influência, qualquer mecanismo ou inovação serviria como um troféu para mostrar ao inimigo. Torna-se também indispensável mencionar o facto de que as duas potências sabiam da importância de meios de comunicação eficientes.
        Nesta perspectiva, o governo dos Estados Unidos temia um ataque às suas bases militares por parte da URSS. Acontece que em caso de um ataque, informações importantes e secretas poderiam ser perdidas para o lado contrário. Consequentemente, foi idealizado um modelo de troca e partilha de informação que permitisse a não acumulação das mesmas. Assim, em caso de ataque ao Pentágono, as informações armazenadas ali seriam irremediavelmente perdidas. Portanto, era preciso, criar uma rede, a ARPANET, criada pela ARPA (Advanced Research Projects Agency). O ataque inimigo nunca aconteceu, mas o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabia era que tinha acabado de dar o pontapé de saída para o maior fenómeno mediático do século. O único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.

ARPANET

        Promovido a chefe do processamento de informação da DARPA, uma agência governamental, Robert Taylor pretendia tornar real um sistema em rede que se espalhasse pelos quatro cantos do mundo. Trazendo Larry Roberts do MIT, Taylor inicia um projecto arrojado. A primeira ligação da ARPANET foi estabelecida entre a Universidade da Califórnia, Los Angels, e o Instituto de Pesquisa de Stanford, por volta das 22h 30 de 29 de Outubro, 1969. A 5 de Dezembro de 1969, uma rede com 4 ligações foi conectada adicionando a Universidade do Utah e a Universidade da Califórnia. Com tanto entusiasmo, a ARPANET cresceu rapidamente. Em 1981, o número dos anfitriões tinha aumentado até 213, com um anfitrião novo adicionado aproximadamente a cada vinte dias.
        A ARPANET transformou-se no núcleo técnico que por sua vez daria origem à Internet. Esta rede funcionava através de um sistema conhecido por encadeamento de pacotes de informação, ou por outras palavras, um esquema de transmissão de dados em rede no qual as informações são divididas em pequenos conjuntos, que por sua vez contém excertos dos dados, o endereço do destinatário e informações necessárias que permitem a remontagem da mensagem original.

Desenvolvimento da ARPA

Em inícios da década de 70, a tensão entre URSS e EUA tinha diminuído, o que levou ao fim da Guerra Fria. Não havendo em perspectiva próxima a iminência de um ataque, o governo dos EUA permitiu o acesso da ARPANET a técnicos que pudessem desenvolver este novo sistema de trabalho em rede. Consequentemente, as Universidades também tiveram acesso a este sistema de partilha, contribuindo em muito para o seu aperfeiçoamento. Foi nesta altura, após a disponibilidade de um acesso livre à ARPANET, que surgiu a Internet.

Os Conceitos Iniciais da Internet


        A ARPANET original cresceu e tornou-se no que hoje em dia conhecemos como a Internet. A criação desta rede global baseou-se na ideia de que haveria múltiplas redes independentes todas interligadas, começando com a ARPANET como rede pioneira de trocas de pacotes de informação mas rapidamente incluindo redes de satélites, de rádio, entre outras. A Internet como conhecemos hoje incorpora uma ideia-chave: rede de arquitectura aberta
.
        Até aquele período, havia apenas um único método para agregar redes: a tradicional troca de circuitos onde estas se interligavam a nível do circuito, passando bits individuais por um circuito montando entre duas diferentes localidades. As condições específicas de conexão entre redes eram outra possibilidade. Enquanto havia outras formas limitadas de interligar redes, todas requeriam que uma fosse complementar da outra, ao invés de actuarem como companheiras na disponibilização do serviço entre locais geográficos diferentes. Numa rede de arquitectura aberta, as redes individuais podem ser separadamente desenhadas e desenvolvidas, sendo que cada uma pode ter sua interface própria que por sua vez pode ser visualizada pelos utilizadores. Cada rede pode ser desenhada de acordo com o ambiente e as necessidades dos seus potenciais utilizadores, não havendo restrições em relação aos tipos de redes que possam ser incluídas numa determinada área geográfica, apesar de as condições disponíveis poderem não levar a instalações de redes rentáveis.

        A ideia de redes de arquitectura aberta foi introduzida pela primeira vez por Bob Kahn, um outro engenheiro da DARPA, em 1972, nomeando o seu programa de "Internetting". A partir daí, Kahn decidiu desenvolver uma nova versão do protocolo de rede que iria satisfazer as necessidades de um ambiente de redes de arquitectura aberta. Este protocolo iria eventualmente ser chamado de Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP).

        Para que as ideias defendidas e aplicadas por Kahn se tornassem viáveis e passíveis de uma utilização por milhares de milhões de utilizadores, recorreu-se a quatro linhas orientadoras do projecto:

  • Cada rede distinta deveria ser independente e as mudanças internas não deveriam ser obrigatória para fazer estabelecer uma conexão à Internet, nem deveriam condicionar a mesma;
  • Se um pacote não chegasse ao destino final, ele seria retransmitido da fonte;
  • Caixas pretas seriam usadas para ligar as redes. Mais tarde elas seriam chamadas gateways e routers. Os gateways não retêm informações sobre os fluxos de pacotes difundidos, assegurando que eles se mantinham simples, evitando adaptações complicadas e recuperações de erros;
  • Não haveria controlo global a nível operacional.
 
        No entanto, outros itens também foram tidos em conta para o desenvolvimento e expansão desta gigantesca rede que estava em curso de viabilização:
  • Recurso a algoritmos para prevenir a perda de pacotes de comunicação, capacitando-os de serem retransmitidos de volta para fonte;
  • Provimento de "pipelining" entre servidores, ou seja, junção de vários pedaços de informação e pedidos num só, para que os múltiplos pacotes possam ser endereçados da fonte ao destino conforme a necessidade e rapidez dos servidores intervenientes;
  • Funções de gateway (porta de entrada) para encaminhar os pacotes apropriadamente. Este passo incluiria cabeçalhos de IP para endereçamento de informação, interfaces dirigidas, quebra de pacotes em pedaços menores (caso necessário), entre outras funções;
  • Interfaces compatíveis com vários sistemas operacionais;
  • Eficiência da implementação e performance entre as redes.

World Wide Web (www)

Por meados dos anos 80s, houve um grande interesse na ampliação da rede e novas pesquisas foram realizadas. Em 1989, a contribuição do cientista Sir Tim Berners-Lee do CERN, Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) muda definitivamente a face da Internet, que ate à altura se restringia a uma rede fechada e com uma interface bastante diferente da que conhecemos actualmente. Tim Barners-Lee foi o responsável pela criação da World Wide Web, um sistema que inicialmente interligava outros sistemas de pesquisas científicas e académicas, conectando diversas Universidades de diferentes países. A partir de 1990, esta rede colectiva ganha uma maior divulgação e interesse por parte da opinião pública.
        Em 1994, a NCSA é lançada para a Web, o primeiro navegador X Windows Mosaic 1.0 que foi o responsável pela popularização da Internet e que desta forma, a fazia sair do meio académico para fazer parte do quotidiano da comunidade em geral.
     O que é de notar é que o interesse mundial, seguido do interesse comercial o qual, evidentemente, se aproveitava do potencial financeiro e rentável desta inovação, proporcionou a expansão e a popularização da Internet nos fins da década de 90.
      Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam ligadas à rede. Segundo a Internet World Estatistics, em Junho de 2007 este número anda na ordem de 1 bilião e 234 milhões de utilizadores diários.