Dependências e Malefícios
Por Gil Dias

 Podem as pessoas realmente ficar viciadas em computadores? Esta matéria é um pouco complexa e discutível, mas é um facto de que não é difícil encontrar relatos de pessoas cujos comportamentos ficarem muito alterados devido as estas máquinas Gastam tanto tempo em frente do ecrã que acabam por desenvolver problemas a nível da sua saúde, situação financeira, relacionamentos pessoais, entre outros.

O vício por computadores é partilhado por pessoas jovens ou mais idosas, tímidas ou mais extrovertidas. No entanto, pessoas que tenham dificuldade em relacionar-se cara a cara com os outros têm uma maior tendência a tornarem-se dependentes desta forma de comunicação electrónica, pois no mundo da Internet, aos utilizadores é permitido mudar a sua aparência e identidade.

        Por seu lado, as crianças também se estão a tornar cada vez mais viciadas pelos vídeojogos, espalhando o sedentarismo e uma grande falta de interelacionamento demasiado precoce.

Muito tempo gasto num computador leva as pessoas a fazerem sacrifícios em outras áreas da sua vida, nomeadamente em relação a amigos, trabalhos de casa, actividade física, apenas para citar alguns exemplos. Nas crianças, o vício pode ser particularmente perigoso, pois existem ameaças reais ao seu crescimento e a maneira de ver mundo que nos rodeia, sendo provável que acabem por continuar com este tipo de comportamentos na idade adulta.

Os viciados em computadores tendem a perder a noção de tempo que permanecem em frente à secretária. Nos casos mais extremos, poderão mesmo deixar passar actividades fundamentais como uma alimentação adequada, dormir um número razoável de horas, ir para a escola os locais de trabalho, tratar da sua higiene pessoal ou mesmo negligenciar o cuidado dos seus próprios filhos ou outros familiares em situação de dependência em relação a si.

Várias empresas já reconheceram a ameaça destes vícios para a produtividade do empregado e baniram todos os jogos dos computadores das suas instalações, negando muitas vezes aos seus empregados o acesso à Internet ou numa alternativa mais moderada, bloqueando alguns sites.

Infelizmente, o vício por computadores ainda não é levado muito a sério pela maioria da população, sendo ‘os viciados’ apontados como aqueles que são peritos informáticos. Isto, claro, dificulta a disponibilização recursos para a cura deste malefício.

Mas os problemas vêm a seguir de muitas formas, como por exemplo o desemprego, as faltas na escola entre muitas coisas.

 

Sintomas e Consequências:

 

Para crianças:

 

- A maior parte do tempo livre é no computador a jogar;

- Adormecem em sítios inapropriados e em períodos de suposta actividade;

- Não cumprem tarefas nem horários;

- Mentem sobre o uso do computador ou de jogos;

- Optam por jogar em vez de estar com os amigos;

- Abandonam grupos sociais;

- Irritam-se quando não estão em frente do computador.

 

Para adultos:

 

- O uso do computador ou videojogos é caracterizado por intensas sensações muitas vezes opostas e contraditórias, como o prazer e a culpa;

- A obsessão e preocupação em relação ao computador e videojogos (sobretudo em relação aos mundos virtuais em que estão inseridos), mesmo quando não estão on-line;

- Demasiadas horas a jogar videojogos ou no computador contribuem seriamente para conflitos familiares e sociais;

- Sofrem sentimentos de raiva ou depressão quando não estão num computador;

- Podem contrair grandes contas de telefone ou de crédito para serviços on-line;

- Não conseguem controlar esta actividade;

- A vida de fantasia on-line substitui a vida com o companheiro.

 

Sintomas físicos que apontam para vícios:

 

- Perturbações no sono;

- Dores lombares e de pescoço;

- Olhos secos;

- Alimentação irregular ou incorrecta;

- Negligência da higiene pessoal.

 

Para um viciado por computadores ou videojogos, o mundo on-line substitui a sua vida real. Com o aumento do acesso à pornografia na Internet e nos jogos, este mundo de fantasia pode ser altamente sexual. O primeiro passo para a cura é o reconhecimento pessoal do sintoma, para além da ajuda profissional.