Opinião- Artigos

          

A Rampa da Escola e o Almirante
Luís Vasco Goucha
 
Quando resolveram transformar Caxarias numa terra como as outras, houve o cuidado de colocar placas onomásticas em todas as ruas. Estas placas não incomodaram a leitura das pessoas e tive a impressão de que muitas nem por elas deram. Talvez tenham visto os trabalhadores autárquicos em cima de escadotes, com as carrinhas, com as colunas de cimento para as fixarem ao chão, como só contacto a minha terra durante as estiagens nunca vejo ao vivo estes trabalhos de progresso. De facto que altera uma placa a vida das pessoas que diariamente atravessa e utiliza a rua? Nada. Uma rua com ou sem nome é uma rua.

Da Escola da Nossa Saudade

Daniel Lousada

 

O tempo da escola e o tempo do mundo social estão agora difusos, para prejuízo deste. Talvez, tudo isto, seja o início de uma outra escola de que não percebemos ainda os contornos. Mas sendo início, à partida, não aponta nada de bom: à primeira vista, mais parece tempo da escola a tomar de assalto o tempo todo, do que hipotética transformação da escola: a socie­dade que Ivan Illich rejeita nunca foi tão real! Pode ser, ainda, que este­jamos no limiar de uma sociedade aprendente, que aprende numa espécie de “cidade educadora”, o que, aparentemente, não terá mal nenhum se esta cidade for encontro e percurso, e não extensão da uma escola que, de repente, desata a querer ensi­nar tudo a toda a gente.

Mas não é só no tempo da criança, que o aluno é, que a escola mexe; o tempo da pessoa, que o professor é também, tem saído, ultimamente, muito mal tratado.


 
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