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31/10/2007


Muitos sonhos, quatro projetos
e um só destino: Madri

 

As professoras Alair Betti Della Coletta (SP), Antonia Lucélia dos Santos Mariano (CE), Gládis Leal dos Santos (SC) e Ingrid Kuchenbecker Broch (RS) estão curtindo um prêmio merecido. Desde o dia 24 de outubro, as vencedoras do I Concurso Internacional EducaRede passeiam pelas ruas de Madri, Toledo e Salamanca e já participaram do IV Congresso EducaRede, realizado na capital espanhola entre os dias 29 e 31 deste mês. O Portal entrevistou as professoras para saber como foi conhecer presencialmente o professor parceiro, de outro país vencedor do Concurso, com quem realiza um projeto colaborativo. Confira a entrevista:


EducaRede
– Como foi o encontro com o professor parceiro aí na Espanha? Os alunos enviaram presentinhos uns aos outros?

Alair – Minha parceira é a Maria, uma professora do Chile. Já havíamos nos dado bem por e-mail. Pessoalmente foi ainda melhor. Ela é uma pessoa maravilhosa e muito colaborativa. Trocamos presentes, tanto nós professoras como nossos alunos, que também se falam por msn. Conhecemos, inclusive, a família de uma aluna chilena pela webcam.

Antonia Lucélia – O nosso grupo começou com os contatos agora. Houve um problema de comunicação.

Gládis – O encontro foi emocionante! Quando estávamos chegando ao hotel, ainda na calçada, havia um grupo de pessoas e uma mulher veio ao nosso encontro perguntando quem era a Gládis. Eu me apresentei e ela chamou o Luis Angel, meu professor parceiro que estava junto ao grupo. Nos abraçamos como velhos amigos. Antes do encontro presencial, nos comunicávamos por e-mail e msn. Estabelecemos de imediato uma parceria muito grande, concordamos nas idéias e nos ajudamos nas dificuldades.

Ingrid – Foi um encontro muito agradável e tranqüilo. Nós já havíamos estabelecido um vínculo virtual. O encontro presencial reforçou a nossa parceria com vistas a desenvolver um projeto colaborativo. Parece que nos conhecemos há muito tempo. Os alunos da Argentina enviaram um cartaz com mensagens positivas e encorajadoras sobre o trabalho colaborativo e a professora parceira me presenteou com um “mimo” feito por ela. Quando voltar ao Brasil, enviarei presentinhos aos nossos parceiros.


EducaRede – Você e seus alunos se comunicam durante a estada em Madri? Se sim, o que eles querem saber e o que você conta para eles?

Alair – A comunicação com meus alunos está sendo feita por e-mail e msn. Eles querem saber o que eu faço, o que estou aprendendo e, principalmente, sobre o projeto. A preocupação maior que eles demonstraram é saber quando o blog será aberto para começarem a postar suas pesquisas já prontas.

Antonia Lucélia – Sim. Os alunos enviam e-mail e querem logo começar o intercâmbio. Também entro em contato com a coordenação pedagógica da escola e com os colegas professores que apóiam o projeto.

Gládis – Sim, eles se comunicam comigo por e-mail e msn. Querem saber sobre tudo: o que está acontecendo por aqui, se já conheci pessoalmente o Prof. Luis e o que estamos combinando. Os alunos estão muito envolvidos com o projeto. Num dia desses, uma aluna me disse que conversou pelo msn com o Prof. Luis Angel. Ela salvou a conversa e me passou depois por não conseguir entender direito o que ele queria, era uma nova atividade do projeto que passei depois a todos por e-mail. Ele sempre se comunica com os meus alunos e eu também converso com os alunos dele.

Ingrid – Sim, eles estão ansiosos. Diariamente enviam e–mails perguntando sobre o blog “Projeto Colaborativo”. Querem saber o que está acontecendo, como é Madri, e compartilham várias idéias. Eles já trocaram fotos e se comunicam com os alunos da Argentina por e–mail e msn. Um dos meus alunos sugeriu a criação de um blog, pois as "chicas" da Argentina gostam muito de ver fotos. Achei a idéia ótima!


EducaRede – O que você mais gostou em Madri até agora? Visitou outras cidades? Quais cidades e o que você mais apreciou?

Alair – Madri é maravilhosa. Esta é minha primeira viagem internacional. Conhecemos também Toledo e Salamanca, ambas cidades com belezas indescritíveis.

Antonia Lucélia – Aqui na Espanha tudo é muito lindo e diferente da nossa realidade. Já passeamos bastante. Conhecemos Toledo e Salamanca. Em Madri, visitamos parques, museus, cafés, restaurantes e praças. Gostei bastante dos gigantescos prédios que a cidade tem, além dos monumentos. Assisti a palestras, apresentações de painéis e prossegui com o projeto mantendo contato com meus alunos pela internet. Produzi muito por aqui e aproveitei tudo para ampliar o meu conhecimento. 

Gládis – Madri é uma cidade belíssima! O que mais me encanta é a magnífica arquitetura do local. Aproveitei o final de semana para ir até Portugal e conhecer pessoalmente a Profa. Emília Miranda, com quem já desenvolvo projetos colaborativos desde 2005, além de outro professor que ela me apresentou via msn e que também se tornou um grande parceiro. A cidade do Porto é maravilhosa. Conheci outros lugares que apreciei muito em Portugal, mas o melhor de tudo foi encontrar pessoalmente esses dois queridos amigos virtuais.

Ingrid – Visitamos vários lugares turísticos de Madrid: museus, praças etc. A arquitetura da cidade é muito bonita. Fomos a Salamanca, uma cidade universitária, com todo grupo de professores. Gostei muito deste passeio.


EducaRede – Você acredita que é possível trabalhar em cooperação e/ou colaboração com outros professores em meio virtual? Que recomendações daria a outro professor que tem interesse em participar de uma atividade como essa? Que postura deve ter esse professor em relação ao seu colega?

Alair – Acredito, com certeza. No caso do trabalho colaborativo com outro país, o que dificulta é o idioma, mas nada que não possa ser resolvido. Quanto à minha experiência, está sendo maravilhosa. O que tenho a dizer a outros professores que o façam sem medo, pois é uma vivência ímpar.

Antonia Lucélia – Esta é uma experiência interessante e certamente o ambiente virtual irá proporcionar uma interação maior para o intercâmbio. Conhecer outra nação é um desafio que às vezes exige tolerância, paciência e interesse de ambas as partes. Eu espero que o nosso grupo desperte o interesse em valorizar a cultura e os valores das nações irmanadas. Temos que estar dispostos a abrir portas e romper barreiras.

Gládis – Além dos professores citados anteriormente, eu já desenvolvi projetos colaborativos com professores de diversos Estados do Brasil e também com professores de outras escolas de Joinville, minha cidade. Um projeto colaborativo pode ser iniciado na própria escola, entre turmas diferentes. O professor que trabalha em duas escolas também pode aproveitar e trabalhar com as turmas. Não é necessário começar com projetos internacionais. O importante é estar aberto para aprender, saber que não temos todas as respostas e que elas também podem vir dos alunos e de outro professor. Temos que ter humildade e saber dividir. Aceitar a opinião do outro é muito importante, é um exercício de cidadania que enriquece a todos.

Ingrid – Sim, é possível trabalhar dessa forma. Acredito que o professor que participa de um projeto colaborativo em um ambiente virtual deve ser flexível e estar disposto a aprender com o outro. Isto significa tentar compreender outros pontos de vista e muitas vezes abrir mão do seu, para a construção coletiva de algo que sirva para todos. Conhecer a cultura do outro como uma outra maneira de enxergar o mundo, e não como algo bom ou ruim, mas apenas diferente, é muito importante. Acredito que é uma oportunidade muito grande de construir conhecimento em todos os sentidos.


EducaRede – Qual a importância de participar de uma atividade como essa, conhecendo outro país e sua cultura, tendo contato com professores de outras nacionalidades, ainda que você não domine o idioma espanhol?

Alair – É ótimo conhecer pessoas de outros países com os mesmos objetivos que os nossos. Como diz minha amiga Maria: "és mui belo, mui rico". 

Antonia Lucélia – Tudo o que vivi ficará registrado no meu coração e mente. O idioma é uma barreira para a comunicação. No entanto, despertou-me o interesse em aprender uma segunda língua. Na minha bagagem estou levando livros, encartes e cartões para treinar a leitura e me comunicar melhor com o meu parceiro de projeto e com todos os alunos.

Gládis – É sempre muito bom conhecer pessoalmente as pessoas com quem trabalhamos virtualmente, esta é uma das coisas boas da internet. Esta viagem nos oportunizou isto, além de poder conhecer outra cultura. Quanto ao idioma, as dificuldades são as mesmas tanto para nós brasileiros quanto para nossos professores parceiros, mas ganhamos em conhecimento quando os dois lados colaboram.

Ingrid – Penso que a língua pode causar um desequilíbrio, o que considero algo muito positivo, pois desacomoda. E são estas situações que nos ajudam a crescer. Pessoalmente, estou compreendendo e me fazendo compreender. Troco e–mails com professores de outras nacionalidades para futuros trabalhos colaborativos.

fonte:http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais_resultado&ds_plv_chave=&id_assunto=0&x=16&y=6