Pesquisa em Ciência do Fogo


Por George Cajaty Barbosa Braga

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10º SENABOM - 2008

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  Grupo de Pesquisa em Ciência do Fogo do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal

  Building and Fire Research Laboratory - NIST/EUA

  Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF)

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Existem muitas maneiras do fogo interferir na vida das pessoas. Para citar algumas, há as perdas humanas, as perdas materiais e os altos custos para proteção e combate ao incêndio. A história sugere duas estratégias complementares e correlacionadas de se combater os incêndios. Uma é o conhecimento e a compreensão por parte do público dos riscos de incêndio e o que fazer a respeito. A outra estratégia, precursora da primeira, é desenvolver o conhecimento científico na área de engenharia de segurança contra incêndio. Segue uma lista do que constituem os fardos de incêndio (Snell, 2000):

• Perda de vidas e ferimentos sérios (população e bombeiros).
• Perda de propriedades.
- Residencial, comercial, industrial, estruturas governamentais.
- Agricultura, natureza.
• Perda da funcionalidade.
- Perda direta de negócios.
- Perda indireta de negócios.
- Ameaça ao público.
• Custo da proteção contra incêndio (prédios, proprietários, ocupantes, cidadão em geral).
- Seguro e conformidade com os códigos (legislação).
- Batalhões de bombeiros, equipamentos e pessoal.
• Limitações da produtividade.
- Repressão nas inovações dos produtos.
- Barreiras para o comércio internacional.
• Limitações no Meio-ambiente.
- Regulamentação nos materiais.
- Poluição durante ou após um incêndio.
- Teste de sistemas e treinamento dos bombeiros.
• Segurança.
- Incêndio criminoso.
- Terrorismo.
- Degradação de missões militares.

A proteção contra incêndio não é barata. Hoje, em muitos países, ela é um múltiplo dos custos diretos das perdas de propriedades devido a um incêndio (por exemplo, os custos inerentes da proteção contra incêndio é cerca de cinco vezes a perda devido ao incêndio). Além disso, o modo pelo qual a regulamentação contra incêndio é implementada na sociedade pode ter sérias implicações no tempo de construção, ou tempo necessário para se obter a aprovação/aceitação de um produto ou tecnologia novos. Existe um significativo intercâmbio entre o fogo e o meio-ambiente. Por exemplo, os problemas no meio-ambiente surgem em como o fogo pode ser extinto e as tecnologias usadas para retardar a propagação da chama. Similarmente, o fogo freqüentemente vai de encontro à segurança. Sendo assim, podemos pensar em fardos adicionais devido aos incêndios.

Os fatores acima citados mostram a necessidade de se fazer pesquisas em Ciência do Fogo. As inovações obtidas por meio da pesquisa podem ser implementadas com o objetivo de reduzir os custos diretos e indiretos de um incêndio, melhorar a competitividade internacional e facilitar a reforma das regulamentações.


Uma rápida olhada no atual estado da pesquisa em ciência do fogo no mundo mostra, claramente, que a engenharia de segurança contra incêndio não é mais apenas um sonho, mas uma realidade emergente.

Um grande número de dificuldades ainda permanece pendente. Primeiramente, a ciência do fogo está longe de estar completamente desenvolvida. Por exemplo, muitos aspectos importantes da decomposição de polímeros, queima e espalhamento das chamas ainda precisam ser entendidos (Snell, idem). A falta de medidas cientificamente adequadas de incêndios reais ainda permanece como um problema crítico. Similarmente, embora já exista um sistema de registro de incêndios computadorizado em vários países, o conhecimento e dados necessários para predizer com confiabilidade o risco de um incêndio ainda não existe. Os esforços na pesquisa de incêndio no mundo são escassos quando comparado à grandeza do desafio e, além disso, muitos deles são duplicados, mal coordenados ou direcionados para uma mútua aceitação das necessidades ou prioridades. Internacionalmente, os métodos de testes do fogo variam consideravelmente. Os Corpos de Bombeiros são, em geral, muito mal equipados para fins de pesquisa. E, finalmente, existem muitos esforços em pesquisa e testes de materiais que são independentes e freqüentemente duplicados.

Cada um desses problemas apresentados anteriormente são problemas que possuem dimensão internacional. Além disso, todos eles têm um importante componente de pesquisa. Mas, infelizmente, até 2003 não existe ainda no Brasil um projeto, quer seja independente, quer seja em cooperação com outros grupos de pesquisa, que procure atacar qualquer um dos problemas acima.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, procurando aumentar o conhecimento sobre a ciência do fogo, e mais precisamente sobre o comportamento do fogo, em 2004 criou um grupo de pesquisa para buscar, aprimorar e aplicar esses conhecimentos na prevenção, combate e investigação de incêndio. Atualmente o grupo vem atuando com foco na melhoria dos conhecimentos das técnicas e táticas de combate a incêndio, incluindo a utilização de mini-simuladores, simuladores em escala real e simulação computacional de incêndio, para familiarizar os bombeiros com os comportamentos extremos do fogo. A simulação computacional de incêndio é também uma ferramenta poderosa na compreensão da dinâmica do incêndio, com aplicações imediatas na adequação da normas técnica vigentes, e na investigação de incêndios, quando nos é permitido testar hipóteses de uma maneira rigorosa.

Atualmente, faz parte do grupo de pesquisa do CBMDF:

  • Cap QOBM/Compl. George
    • Doutor em física - UnB/2001
  • Cap QOBM/Compl. Ricardo Duarte
    • Mestre em engenharia elétrica - UnB/1995 e perito de incêndio
  • Cap QOBM/Compl. Fábio
    • Mestre em engenharia mecânica - UnB/1999 e perito de incêndio
  • Cap QOBM/Comb. Helen
    • Perita de incêndio
  • Ten QOBM/Compl. Maria Luiza
    • Mestre em engenharia florestal - UnB/2007 e perita de incêndio
  • Ten QOBM/Comb. André
    • Mestrando em Física
  • Ten QOBM/Comb. Marina
    • Especialista em combate a incêndio