Letras CD

CD "TRAMAS DA GEOGRAFIA

Letras e músicas: Luiz Carlos Flávio

 

01- Geografia(toda geo é política)

Toda história da Humanidade

foi história de aceso embate

entre homens,  grupos, tribos

que dividiram classes e Estados.

Assim se fizeram as geografias,

a nossa história e ideologias.

 

A geografia é a arte de fazer a guerra

que faz mover toda a vida inteira sobre a terra.

A geografia também é geopolítica

que invade tudo e que divide

os nossos mundos: derruba muros

e reconstrói outros muros,

mapeia almas, idéias, espaços,

loteia as nossas vidas.


Toda a história foi testemunha

que o homem é luta pelo poder,

é guerra aberta ou velada,

com armas brutas ou ideologias.

Assim se fizeram as geografias,

a nossa história e ideologias.

 


 

02- Tramas territoriais

São diversas as razões, várias interpretações

que tocam a vida humana,

que indagam as suas verdades,

as forças que forjam  as suas formações,

divisões, obras, trabalhos, inventos

que traçam os seus destinos,

lutas, intentos.

 

São tantas indagações e buscas de alternativas

que expliquem nossas produções

e façam o novo porvir.

É grande a nossa tarefa de compreender

as forças complexas

ou mesmo as mais banais

incrustadas no espaço humano,

em suas tramas territoriais.

 

03- Sapiência

Eh, cientista, eh, jornalista,

geógrafos e professores do saber,

a sapiência mandou avisar vocês

da invalidez da impertinência, da sensatez da irreverência

diante das coisas herméticas, diante das verdades cosméticas.

Do perigo da estrada curta que encurta os universos

em  caixas de verdades pequenas, em pacotes de saber.

 

Eh, cientista, eh, jornalista,

geógrafos e professores do saber,

a sapiência mandou avisar vocês

que a verdade é construção formatada a muitas mãos

que pensam, sentem o  que há de ser

para além das  coisas já ditas, para além das coisas já vistas.              

 

Eh, cientista, eh, jornalista,

geógrafos e  professores do saber,

a sapiência mandou avisar vocês

que ela mora nas coisas não ditas,

que ela mora nas coisas escondidas.

 

04- Falas da cidade

As pedras da cidade falam,

os prédios da cidade falam.

As pontes e fontes, os morros e rios,    

cada um tem suas mensagens,

no silêncio  falam sim!       

 

As bocas da cidade falam,

os becos da cidade falam.

As praças e preços,

limites e desafios, 

cada um tem suas mensagens, 

no silêncio  falam sim!   

 

As frentes da cidade falam,

as frestas da cidade falam,

as festas funerais, os muros e quintais,  

cada um tem suas mensagens, no silêncio falam sim!

 

Tem que ouvir a cidade, ler suas falas

escondidas nas paisagens,

pensamentos e sentidos da cidade.

                                                                         


 








05- Se a máquina domina o homem

Se a máquina domina o homem,

onde tinha coração agora é só engrenagem,

onde tinha comunhão agora é competitividade

 

Se a máquina domina o homem,

onde a terra era de todos agora é cerca na paisagem,

onde a cidade era de todos agora o privando é que invade,

agora, só pagando há passagem.

 

Se a máquina domina o homem,

onde a natureza tinha vida agora toda vida é montagem,

agora é museu de saudade,  agora o deserto é a imagem...



06- Homem-terra

Oh, homem, olha a esfera!

Você é o globo da terra,

mas você é o “lobo”

dos homens, plantas, águas, animais, atmosfera.

Oh, homem, você  tem que cuidar mais da terra,

deixar de ser fera, deixar  de ser guerra!... 

A vida cobra a sua parte, pra quê destruir sua terra

e sonhar com a vida em marte?...

Oh, não se mate assim...

Enquanto você perde energias em guerras,

descuida da vida e se perde a terra.

 

07 - Fitos e frutos

Eu vi uma velha plantando uma árvore

afagando a plantinha, o semblante a sorrir.

Eu vi muitos meninos festejando os seus frutos

a provar de seus galhos a se divertir

Eu vi, eu vi,  eu vi, eu vi sim.

 

Eu vi sua saia frondosa se tornando sombra

e as redes armadas pra gente dormir.

Eu vi a raízes se cravarem bem fundo

e no seio da terra de seiva se servirem.

Eu vi, eu vi,  eu vi, eu vi sim.

 

Eu vi os namorados provando as delícias,

sedentos do orvalho das folhas a cair.

Eu vi a passarada fazendo algazarra,

tecendo seus ninhos, cantando o porvir

Eu vi, eu vi,  eu vi, eu vi sim.

 

Eu vi suas folhas exalando ar puro,

renovando as brisas pra gente sentir.

Eu vi tanta água escorrer pelo tronco,

infiltrando no solo e banhando os rios.

Eu vi, eu vi,  eu vi, eu vi sim.

 

Mas vi com tristeza um gesto infame

de filhos que enterram a velha e seu rito,

cortando a árvore e matando o ciclo,

deixando seus filhos sem fitos e frutos.             

 

08- Bandeira dos sem-terra

A bandeira dos sem-terra 

é diferente da bandeira nacional, 

que diz que o progresso é para todos,

mas é só para a classe maioral.

 

A bandeira dos sem-terra mostra o trabalhador

e o vermelho que dá seu sangue e suor.

A bandeira nacional  mostra  apenas   algumas

“estrelas” que dominam a terra, o trabalho e o capital...

 

Demos vivas à bandeira 

daqueles que lutam por um Brasil menos desigual.

Demos vivas à bandeira

daqueles que lutam por justiça social...

 

09- Forças efêmeras

O muro caiu, a fronteira se abriu,

ninguém acreditou no inesperado!

O prédio caiu, o avião explodiu,

Apenas sobrou angústia e medo!

Ninguém acreditava

na queda brutal das torres irmãs.

Ninguém imaginava

que os trens de Madri virassem sucata. 

Ninguém nunca esperava

que as ondas do mar tragassem a terra.

Ninguém jamais pensava

que as forças “eternas” fossem tão efêmeras!

 

10- Elos

A vida é caminhar  num fio de navalha.

É um novelo de linhas a vida,

de malhas da lida sofrida,

de falhas na lente à frente da gente.

A vida é buscar estradas no poente,

tecer pontes e elos pra vida,

içar ecos pra lida perdida,

aos egos doentes, dormentes, da gente.

A vida é construir elos entre as gentes. 

11- Alvoradas

As alvoradas chegam sempre de mansinho

e nem mandam avisar. 

Elas chegam sorrateiras provocando as fileiras 

a olhar os horizontes, mesmo  aqueles bem ao longe. 

Elas invadem as calçadas e as cercas,

mesmo as farpadas,  e transgridem   seu olhar.

Elas espantam todos medos,

desocultam os segredos escondidos sem pudor.

Só não gostam de ser  duras,  de  impor suas  fissuras, 

deixam a gente à  vontade 

pra abraçar a liberdade ou mirar outro querer:

de até mesmo desfazer do nascer das alvoradas...

 

 

 


 

 

 

 

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