Processo Histórico da Avaliação

GED0611


Para abordarmos esse tema na contemporaneidade, é necessário fazermos uma viagem no processo histórico educacional, descobrindo o ponto inicial e/ou surgimento da avaliação para que tenhamos clareza e compreensão do porque o processo avaliativo
“aterroriza” os indivíduos quando avaliados.

Ao estudarmos o bloco temático 2, podemos verificar o surgimento das tendências pedagógicas dos séculos passados num processo de cristalização da sociedade burguesa.
A pedagogia jesuítica nas normas para orientação dos estudos das escolas nas classes inferiores ou superiores definiam com rigidez os procedimentos a seremlevados em conta no ensino eficiente preferenciando provas e exames.

A pedagogia Comeniana desenvolveu-se insistindo na atenção especial que deve dar a educação como centro de interesse da ação do professor, mas não abstrai também do uso dos exames como meio de estimular os alunos ao trabalho intelectual da aprendizagem. Ele dizia que o aluno não deixaria de se preparar para os exames finais do curso superior se soubesse que o exame
para colocação de grau seria “pra valer”. Segundo ele, o medo é um excelente fator para manter a atenção dos alunos, então, os mesmos aprenderiam facilmente, sem fadiga e em menos tempo.
Estamos mergulhados nos processos econômicos, sociais e políticos sob a hegemonia da pedagogia tradicional da sociedade burguesa que insurgiu e enraizou-se traduzindo a sua essência. 

Com o passar do tempo, a sociedade burguesa melhorou seus
mecanismos de controle destacando a seletividade escolar e seus processos de formação das personalidades dos educandos. O medo e o fetiche são mecanismos indispensáveis numa sociedade que opera nos subterfúgios.

Ao longo da história de educação moderna e de nossa prática educativa, a avaliação da aprendizagem escolar por meio de exames e provas foi se tornando um  fetiche ganhando foros de independência da relação professor-aluno.

As provas e os exames são realizados conforme o sistema de ensino e o interesse do professor. Muitas vezes, não considerando o que foi ensinado como se nada tivesse a ver com a aprendizagem.
O medo é um fator importante no processo de controle social, pois gera a dependência, modos permanentes e petrificação de ações.

No Brasil a avaliação da aprendizagem está a serviço de uma pedagogia dominante que serve a um modelo social dominante, podendo ser identificado como social liberal conservador, originado da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminou na Revolução Francesa. As pedagogias hegemônicas, que se definiram historicamente nos períodos subseqüentes à Revolução, estiveram e ainda estão a serviço desse modelo social. 

Concomitantemente, a avaliação educacional em geral e a
aprendizagem em específico, contextualizada dentro dessas pedagogias estão instrumentalizadas pelo mesmo entendimento teórico prático da sociedade.

A prática da avaliação escolar, dentro do modelo liberal conservador, obrigatoriamente será autoritária, exigindo controle dos indivíduos, seja pela utilização de coações explícitas
ou por diversas modalidades de propaganda ideológica.
Enquanto a avaliação permanecer atrelada a uma pedagogia ultrapassada, a desistência ao estudo permanecerá e o aluno, o cidadão, o povo brasileiro continuará escravo de uma elite intelectual, voltada para os valores da matéria e ditadura, fruto de uma democracia opressora.