Projetos em Andamento

Critérios de Escolha de Parceiras entre Mulheres de Orientação Homossexual em Idade Reprodutiva



A seleção sexual ocorre quando características físicas de grupos sofrem mudanças em função de escolhas específicas por parceiros em detrimento de outras, e nas disputas pelo acasalamento. Nesse caso, os individuos que investem mais na prole são mais seletivos enquanto aqueles que investem poucos são menos seletivos. Tal processo pode favorecer habilidades para encontrar parceiros, possibilitar a utilização de caracteristicas ambientais para atraí-los, e o surgimento de estruturas físicas que podem servir para repelir competidores ou atrair parceiros. As mulhere, como maiores investidoras na prole, parecem escolher seus parceiros com base em caracteristicas indicativas de aquisição de recursos para a prole e a atenção ao relacionamento amoroso. Possivelmente a constituição de um padrão de escolha de parceiros não foi a única consequência da necessidade de extremo cuidado com a prole. A teoria da evolução do prazer teria contribuido com a formação de vínculos entre os casais e gerado subprodutos, como maior sensibilidade ao toque, o que em determinada condições ambientais e experiências pessoais pode proporcionar maior ou menor possibilidade de relacionamentos com pessoas do mesmo sexo. Este estudo propõe a investigação de critérios de escolha de parceiras com mulheres de 18 a 40 anos, em período reprodutivo e de orientação homossexual. Este trabalho se justifica na medida em que auxilia à compreensão de processos atuais da sexualidade humana e que foram importantes para a sobrevivência dessa espécie. Espera-se que os resultados encontrado para essas mulheres sejam os mesmo verificados na literatura com mulheres heterossexuais, já que ambos os grupos de mulheres são expressões de um passado evolutivo, no qual a escolhas por parceiros investidores foi necessária. Além da hipótese de que a  homossexualidade como subproduto da evolução do prazer não teria ou teria pouca influência biológica que justificasse uma mudança radical nos padrões de escolha.

Autoras: Vivianni Veloso, Regina Brito, Aline Menezes, Mauro Silva Júnior, Manuela Beltrão, Alda Henriques, Gabrilela Ribeiro, Keila Rebelo, Marilu Cruz

Redes de Suporte Social


Redes sociais podem ser definidas como um conjunto de laços diádicos, todos do mesmo tipo, entre uma série de pessoas. Tais laços podem ser de parentesco, afiliativos, amorosos ou cognitivos. Alguns estudiosos tentam estimar as redes sociais através do suporte social (emocional e material) dispensado pelos membros da rede entre si. Estes estudos têm chegado a resultados interessantes, como por exemplo, a diferença na composição de redes de homens e mulheres, para alguns desses autores, as mulheres apresentam mais parentes nas suas redes, enquanto homens se relacionam mais com amigos e colegas de trabalho. Apesar da modernidade ter modificado a forma como nos relacionamos devido ao uso de tecnologia, como o uso de telefones, emails, avião etc, o padrão de relacionamento das pessoas pode ter se mantido inalterado durante esse processo de industrialização. De acordo com Psicologia Evolucionista (PE), enquanto seres humanos evoluímos em pequenos grupos familiares, com os quais tínhamos fortes laços emocionais, e passávamos a maior parte do tempo em atividades cotidianas e que freqüentemente investíamos em alianças com outros grupos aparentados ou não, padrão este que perduraria até hoje. A partir de réplica parcial de um estudo realizado na França, investigamos quem seriam os membros da Rede de Suporte Social de 212 pessoas na faixa etária de 18 a 76 anos de idade, moradores da cidade de Belém, PA. Esperávamos, de acordo com a Psicologia Evolucionista, que as Redes de Suporte Social fossem compostas especialmente por pessoas significativas (parentes e amigos). As pessoas responderam a quatro perguntas abertas referentes a situações nas quais poderiam contar com ajuda emocional ou material de outras pessoas (“Pais”, “Outros Parentes”, “Parceiros amorosos”, “Amigos” e “Outras Pessoas”). Obteve-se que homens e mulheres discutiriam decisões de trabalho principalmente com “Parceiros amorosos”. Precisando de conselhos importantes, homens e mulheres responderam que recorriam aos “Pais”. Quando indagados se pediriam dinheiro a alguém, homens e mulheres disseram que pediriam aos em primeiro lugar aos “Pais”. A categoria “Pais” foi uma das mais citadas em todas as respostas por ambos os sexos. Este estudo aponta que mulheres e homens resolvem problemas de forma semelhante, recorrendo, principalmente, aos “Pais” e “Parentes” ou “Amigos” quando precisam de suporte emocional e material

Autores: Regina Brito e Mauro Silva Júnior
 

CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS NOS SISTEMAS DE CRENÇAS E PRÁTICAS PARENTAIS: Comparação de duas amostras amazônicas

A psicologia do desenvolvimento evolucionista sugere a existência de continuidade entre ambiente e determinantes biológicos do comportamento de forma que as condições de sobrevivência estão diretamente relacionadas com as estratégias reprodutivas dos indivíduos. Dado o pressuposto de continuidade biocultural, a estruturação das crenças e práticas de criação de filhos, embora mostre um claro componente cultural, deve acompanhar as condições ecológicas prevalentes, especialmente em sociedades estáveis, presente nos sistemas comportamentais. No entanto, embora venha sendo estudada, a tentativa de agregar etnoteorias e a organização do cuidado às crianças não leva em consideração o contexto, ou seja, as condições ecológicas. que, por sua vez, condicionam esses fenômenos, não levando em conta os fatores biológicos relacionados ao investimento parental como um meio de maximizar o sucesso reprodutivo tanto dos pais quanto dos filhos. É recente a produção científica que busca formular e testar hipóteses relativas ao problema, além de poucos levarem em consideração o aspecto cultural na busca de associação entre propensões biológicas e condições ecológicas. Por representar uma nova perspectiva de estudo, justifica-se a realização de pesquisas que, abordem práticas e crenças como um resultado dinâmico da interligação entre sistemas culturais e variáveis bioecológicas. O presente projeto objetiva explicitar um modelo interacionista de investimento e cuidados parentais, caracterizando valores, crenças e práticas de criação de filhos que são, por um lado, compartilhados, e por outro, que distinguem grupos urbanos e não-urbanos, analisados à luz das condições ecológicas presentes, assim, buscar-se-á identificar convergências e divergências nos sistemas de crenças e práticas parentais em duas amostras amazônicas Serão investigadas 100 mães de crianças de 0 a 6 anos, selecionadas por acessibilidade, divididas em dois grupos (urbano e não urbano). Serão utilizados para a coleta de dados e aplicados individualmente a todas as participantes, os seguintes instrumentos: 1) Questionário sobre dados socioeconômicos, apoio social e estruturação do cuidado, 2) Inventário de metas de socialização, 3) Inventário de práticas parentais, 4) Inventário de comparação de metas de socialização, 5) Inventário de Alocentrismo familiar (os quatro últimos reunidos em um conjunto denominado “Etnoteorias parentais”). Os dados serão analisados visando caracterizar os diferentes grupos, buscando-se associações entre as várias condições presentes de vida, padrões culturais característicos dos grupos e os sistemas de crenças e práticas de criação de filhos.

Autores: Manuela Beltrão; Regina Brito; Alda Henriques

Relação entre gênero e orientação sexual

Estudo da relação entre gênero e orientação sexual a partir da perspectiva interacionista da Psicologia Evolucionista e da análise de diferentes elementos da sexualidade humana. Procurou-se discutir a literatura existente sobre os conceitos de gênero e de orientação sexual, com base nos quatro porquês da Etologia. Propõe-se a existência de múltiplas origens para a orientação sexual, sendo uma destas relacionada aos padrões típicos de gênero e à identidade de gênero, os quais levariam à identificação com indivíduos do mesmo sexo ou do sexo oposto e, conseqüentemente, à atração pelo grupo diferente daquele com o qual se desenvolveu a identificação.

Palavras-chave: orientação sexual; gênero; identidade; Psicologia Evolucionista. 


Autores: Aline Beckmann Menezes; Regina Célia Souza Brito; Alda Loureiro Henriques.

DIFERENÇAS DE GÊNERO EM INTERAÇÕES SOCIAIS LIVRES ENTRE CRIANÇAS NO CONTEXTO ESCOLAR.

Existe, atualmente, na literatura diversas pesquisas investigando as diferenças de gênero, especialmente no contexto de brincadeiras. Contudo, a maior parte dos estudos é descritivo, havendo pouco debate sobre o determina tais diferenças entre o brincar masculino e o feminino. Para a Psicologia Evolucionista as influências culturais emergem sobre uma pré-disposição que foi selecionada na espécie, de modo a favorecer o desenvolvimento de habilidades e características que possam vir a ser importantes para a sobrevivência da prole (como cuidado parental, caça, proteção etc.). Desta forma, este estudo teve como objetivo investigar se as diferenças de gênero encontradas através da observação direta seriam compatíveis com a previsão teórica. Participaram desta pesquisa um grupo de 76 alunos pertencentes às classes das primeira e segunda séries do ensino fundamental, com idades entre seis e sete anos de uma escola particular de Belém, Pará. A pesquisa foi conduzida no próprio ambiente escolar. As observações foram realizadas em situações de interação livre de rotina dos participantes (recreio), mais especificamente no parquinho. Após as devidas aprovações do Comitê de Ética, da direção da escola e dos pais, iniciou-se a pesquisa. Na fase de observação e registro, houve, primeiramente, uma seqüência de três sessões de registro cursivo, de aproximadamente 30 minutos de duração. Em seguida foram realizadas quatro sessões de aproximadamente 30 minutos de duração cada, sendo registrados, simultaneamente com cinco câmeras filmadoras, diferentes loci de interação. As sessões foram analisadas sendo contabilizada a freqüência de cada categoria comportamental e os pares com que tais comportamentos ocorriam (podendo ser sozinho, com meninas, com meninos ou com grupos mistos). Pode-se observar que as diferenças previstas foram encontradas na maioria dos casos, sendo necessária a subdivisão das categorias de acordo com as topografias específicas. A separação dos grupos segundo o sexo pode refletir estas preferências e é um fator relevante para o desenvolvimento da identidade sexual e da socialização de crianças. Esta análise possibilita ampliar a compreensão sobre a origem das diferenças de gênero bem como pode contribuir com a reflexão sobre o papel da escola e da família na construção da identidade sexual na infância.

Palavras-chave: gênero; brincadeira; psicologia evolucionista; identidade sexual.


Autores: Aline Beckmann de Castro Menezes; Regina Souza Brito (Orientadora); Eline Freire Monteiro; Marina Cunha Santos; Renata Almeida Figueira; Tatiana Frazão Bentes (Graduandas voluntárias)
 

REDES SOCIAIS

Este projeto está voltado para a interface entre linguagem e formação de grupos sociais, a partir de uma ótica evolucionista. Segundo essa abordagem, a linguagem teve em nosso passado evolutivo uma função coesiva na manutenção dos grupos humanos pré-históricos. Recentemente essa proposta teórica (a Hipótese do Cérebro Social – Dunbar, 1993) vem sendo testada buscando possíveis relações entre o surgimento da linguagem e a formação de grupos sociais cada vez maiores em hominídeos antigos e modernos. Segundo ela, a linguagem substituiu, em seres humanos, o sistema de catação social (social grooming) comum entre os grandes símios. Dados de outras espécies primatas, e inclusive algumas ordens de mamíferos, indicam que a catação está limitada pelo tamanho do neocórtex das espécies, sendo função da variação do volume deste. Em última instância é o tamanho de neocórtex que determina o tamanho das redes sociais criadas pelos indivíduos no bando ou grupo, por meio da catação social. Essas redes são compostas pelas pessoas que mantêm uma relação próxima com um indivíduo tomado como referência. A previsão é que humanos formem redes sociais em torno de 150 indivíduos. Esse número tem sido encontrado sistematicamente em diversos estudos e parecer ser função de algumas variáveis como tempo e possibilidades físicas de contato, além do neocórtex humano. Este projeto investiga quais dessas variáveis atuam na formação das redes sociais humanas, em especial de estudantes universitários, como o tamanho das redes, freqüência e tempo despendido em interações interpessoais. Além disso, estão sendo investigadas como a proximidade emocional entre as pessoas, grau de parentesco e distância física interferem no tamanho, freqüência e tempo despendido em interações. Estudos nessa área podem fornecer meios de se compreender as organizações e culturas humanas.

Autores: Mauro Silva Junior; Regina Brito, Thais Oliveira


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