O Ensino Superior

Breve descrição da evolução e aspectos relativos ao Ensino Superior Português

            O ensino superior português tem sofrido constantes mutações, resultantes da alteraçãos das políticas que o envolvem, sendo que o crescimento acelerado e o processo de massificação do ensino superior não reflectem a maturidade do mesmo, pois ainda se verifica um atraso estrutural relativamente aos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), de facto a população portuguesa apresenta um défice de qualificação quando comparada aos referidos países. Alguns dos problemas com que as instituições de ensino superior (IES) enfrentam, relacionam-se com o acréscimo do número de candidatos, o decréscimo da concorrência, as restrições financeiras e o desajustamento entre a oferta de formação superior e a procura dessa formação no mercado de trabalho.

         Note-se que contudo, o nosso sistema de ensino superior passou de cerca de 30.000 estudantes nos anos 60 para aproximadamente 400.000 em 2001, o que afirma um crescimento rápido da população estudantil, comparativamente a outros países europeus para o mesmo período, (sendo que o aumento do número de alunos se deve principalmente ao desenvolvimento do ensino superior não universitário).

         Apesar disso, o sistema de ensino superior português encontra-se num estado de não-reformulação, e embora seja procurada alguma autonomia, faltam os incentivos adequados para o desenvolvimento próspero e urgente que o sistema necessita.

         Alguns peritos internacionais têm-se deslocado todos os anos a Portugal para realizarem avaliações consecutivas acerca do nosso sistema de ensino superior, os quais reconhecem a excelência de algumas universidades em muitas áreas, mas também apontam as principais deficiências do sistema. Em Dezembro de 2006 uma equipa internacional nomeada pela  Divisão da Eduacação da OCDE apresentou as principais falhas e apontou os avanços mais significativos registados nas últimas décadas em Portugal, assinalando em especial o aumento do número de inscrições no ensino superior e de douturamentos atribuídos. De seguida apresentamos estas duas vertentes (nota: também se baseiam na obra de José Ferreira Gomes, Análise das fraquezas e ameaças ao sistema de ensino):

         - Pontos fracos/debilidades do sistema de ensino superior português:

a) Falta de mobilidade do corpo docente dentro das instituições: Esta situação constitui uma barreira para a difusão de novas formas de abordagem dos problemas de ensino e de investigação científica, tal como refere a Comissão Europeia, a qual deve ser alterada, de modo a melhorar o aproveitamento dos investimentos na qualificação dos recursos humanos, a promover uma “fertilização cruzada” através da troca de conhecimento e acelerar a internacionalização do Sistema.

b) Falta de apostas na investigação nas instituições: De acordo com Paulo Ferreira (autor de um artigo publicado em 20004), para que as universidades públicas atinjam o topo internacional e possam competir com as melhores do mundo, é necessário investir fortemente na investigação, o que acarreta grandes despesas para o Estado. Assim o autor propõe que as universidades portuguesas deveriam seguir a política americana de distinção entre “universidades dedicadas à investigação” e “universidades dedicadas quase exclusivamente ao ensino”.

c)   Falta de equidade no acesso ao ensino superior:

- Diferenças entre ensino público e ensino privado: as dicotomias entre as instituições de ensino privado e as instituições de ensino público são bastante claras, basta verificar que nos rankings, os estabelecimentos privados ocupam os lugares cimeiros, o que contudo não é sinónimo de maior qualidade de ensino. É importante dar lugar ao ensino superior privado, mas para diminuir o fosso entre pobres e ricos, no que diz respeito à educação, é necessário que o Estado garanta a igualdade de oportunidades, relativamente às IES públicas, (pois constata-se que Portugal a probabilidade de um aluno de elevado estrato social aceder ao ensino superior é cerca de dez vezes superior à probabilidade de acesso de um aluno proveniente de famílias de baixos rendimentos).

- Diferenças entre o ensino universitário e politécnico: uma das directivas do Processo de Bolonha aponta para uma uniformização dos cursos, pelo que actualmente faria mais sentido haver um sistema único de ensino superior (que incluísse universidades e politécnicos). De facto, embora o ensino politécnico englobe cursos mais vocacionados para o mercado de trabalho, enquanto que as universidades apostam mais na promoção da investigação e do saber, na grande maioria dos casos as únicas diferenças existentes entre estes dois tipos de estabelecimentos são a duração dos cursos e a qualificação do corpo docente.

d)  Pouca transparência na designação dos cursos: Uma vez que as instituições travam uma verdadeira luta, na esperança de “angariar” um maior número de alunos, tem-se assistido à proliferação de novas licenciaturas, a maioria das quais é difícil de distinguir de outras licenciaturas pré-existentes, o que põe em causa a transparência do sistema. Na tentativa de aliciar os alunos, as designações atribuídas a determinados cursos são bastante apelativas, mas quando verificam o conteúdos, os candidatos constatam que estas não passam de diferentes designações para o mesmo tipo de formação ou que não correspondem às suas expectativas. Assim, torna-se urgente realizar um esforço no sentido harmonizar as denominações de cada curso, de modo a que existisse um consenso entre as diferentes ISP, atribuindo a mesma designação ao que for igual e distinguindo o que for diferente.

e) A baixa qualidade no ensino superior e em ciência e tecnologia: em Portugal, os níveis  de insucesso em todo o sistema de ensino superior são realmente preocupantes, atingindo valores ainda mais elevados nos sectores politécnico e privado. A OCDE salienta a necessidade de aumentar a exposição das universidades a ambientes de crescente competitividade, designadamente em relação ao desempenho científico e pedagógico, (nomeadamente, é necessário criar nas IES maior e melhor especialização em determinadas áreas científicas).

g) Outras falhas relativamente às instituições de ensino superior: as IES apresentam numerosas deficiências, nomeadamente em relação aos mecanismos de prestação de contas, à duplicação do número de cursos e programas de estudo com baixa atractividade para os alunos, à insuficiente cooperação entre instituições, de modo a facultar uma maior mobilidade de estudantes, à desadequação de alguns programas de ensino e qualificações ao mercado de trabalho, e ao facto de as instituições não divulgarem informação pormenorizada acerca da empregabilidade de determinados cursos, ou no caso de o fazerem, esta nem sempre ser um reflexo da realidade.

Apesar dos aspectos apresentados em cima, é de salientar que embora dada a inexistência de dados que o comprovem o ensino superior português está ao nível de alguns dos melhores sistemas de ensino da União Europeia. O facto de existir um movimento considerável de jovens a viver no estrangeiro e que escolhem o nosso país para realizar a sua licenciatura, ou facto de Portugal ser um dos países mais procurados por alunos estrangeiros no âmbito do processo de Erasmus, constituem subtis evidências da qualidade do ensino superior português.
 
 

Organização do Ensino Superior Português

O ensino superior em Portugal organiza-se em dois subsistemas com objectivos diferentes:

  • O de ensino universitário:

- Ministrado em universidades ou em escolas superiores universitárias não integradas;

- Confere os graus de licenciado1, mestre2 e doutor3;

- Orientado por uma constante perspectiva de promoção de investigação e de criação do saber, visa assegurar uma sólida preparação científica e cultural e proporcionar uma formação técnica que habilite para o exercício de actividades profissionais e culturais e fomente o desenvolvimento das capacidades de concepção, de inovação e de análise crítica.

  • O de ensino politécnico:

- Ministrado em institutos politécnicos ou em escolas superiores politécnicas não integradas;

- Confere os graus de licenciado1 e de mestre2

- Orientado por uma constante perspectiva de investigação aplicada e de desenvolvimento, dirigido à compreensão e solução de problemas concretos, visa proporcionar uma sólida formação cultural e técnica de nível superior, desenvolver a capacidade de inovação e de análise crítica e ministrar conhecimentos científicos de índole teórica e prática e as suas aplicações com vista ao exercício de actividades profissionais.

 

 

1 A licenciatura:

O grau de licenciado é o grau académico conferido na sequência da conclusão de um 1.º ciclo de estudos superiores (universitários ou politécnicos), com 6 semestres de duração (180 ECTS) podendo ter, em determinados casos, 7 ou 8 semestres de duração (210 ou 240 ECTS).

 

2 O mestrado:

O grau de Mestrado é o grau académico conferido na sequência da conclusão de um 2.º ciclo de estudos superiores, com uma duração de 2 ou 3 anos. Os cursos de mestrados, assim como os de doutoramento, são formados exclusivamente por professores doutores. O aluno propõe um projecto de pesquisa para ser aceite num determinado programa do seu interesse. No final do processo, esta tese desenvolvida é alvo de uma avaliação, na qual o candidato ao título de Mestre deverá apresentar seu trabalho a um grupo de examinadores que o julgará avaliando a sua capacidade de desenvolver um trabalho autónomo, seguindo as regras da pesquisa e de desenvolver um trabalho de destaque no campo escolhido.

 

3 O douturamento:

Doutoramento é um grau académico concedido por uma instituição de ensino superior universitário, que pode ser uma universidade ou um centro universitário. Neste grau académico espera-se que o aluno adquira capacidade de trabalho independente e criativo.

 

 

A actualidade e o futuro do Ensino Superior Português:

Em Março de 2008, uma nova equipa de peritos nomeada pela OCDE, deslocou-se a Portugal no sentido de averiguar se o programa apresentado estava a ser adaptado e bem sucedido. De facto, esta equipa reconheceu os progressos obtidos com a implementação desta reforma no ensino superior português, mas salvaguardou ainda a necessidade de melhorar algumas políticas, as quais o Governo se compromete a efectuar, nomeadamente:

- reforçar o “topo” do sistema;

- promover a melhoria das capacidades científica e técnica de algumas instituições, e de igual modo, aumentar a sua capacidade de gestão e o seu envolvimento na sociedade;

- promover a participação das IES em redes internacionais, ao qual já se tem verificado, através do estabelecimento de parcerias com instituições de referência mundial, nomeadamente com a Universidade do Texas e com o Massachusetts Institute of Technology, ambas nos E.U.A..

As mudanças levadas a cabo pelo Processo de Bolonha têm contribuído para ampliar a ligação de Portugal ao exterior, dado o seu objectivo de uniformitarizar o ensino em todos os países que assinaram este tratado, e em conjunto com o processo Erasmus, constituem uma peça fundamental para atrair novos públicos ao sistema de ensino superior português. Espera-se que estes modelos possibilitem a construção de uma Europa sem fronteiras, centro de excelência ao nível da educação, formação e investigação científica e tecnológica.

 
  
 
Algumas razões para optar pelo Ensino Público Português:

- As entidades empregadoras na sua maioria preferem licenciados em instituições públicas, (embora haja algumas excepções, como é o caso dos licenciados da Universidade Católica);

- O ensino público é financiado pelo Estado, pelo que há uma maior garantia de qualidade, uma vez que as instituições públicas estão sujeitas a um maior controlo do respeito dos padrões de qualidade;

- Estudar nas instituições públicas é menos dispendioso.

 

 

O Ensino Superior na Europa e no Mundo

A reforma do Ensino superior com a criação do Espaço Europeu de Ensino Superior demonstra que a Europa está apta para fazer concorrência aos E.U.A. De facto, há quem argumente que a criação deste espaço vem sobretudo responder à necessidade da Europa oferecer uma alternativa ao sistema educacional dos E.U.A., para onde se deslocam cada vez mais estudantes do mundo inteiro, apostando assim numa maior qualidade de ensino e competitividade. (Nota: as estatísticas apontam que cerca de metade dos estudantes que tiram o seu doutoramento nos E.U.A., permanecem neste país após a sua concretização).

         Contudo, de acordo com Lesley Wilson, Secretaria-geral da Associação Europeia de Universidades, as reformas criadas com o tratado de Bolonha, com o intuito de criar uma área comum para o ensino superior na Europa até 2010 ainda estão muito aquém das expectativas, e ainda há muito por fazer para melhorar a mobilidade dos alunos e investigadores na Europa. Resta-nos aguardar até 2010, para verificar se de facto a Europa alcançou os níveis de qualidade no ensino que se propôs atingir.

 
    Top 5 das Universidades Europeias
 Posição no ranking  Estabelecimento  Posição no ranking mundial  País  Posição no ranking nacional
 1  Universidade de Cambridge

 4

 Reino Unido

 1

 2  Universidade de Oxford

 10

 Reino Unido

 2

 3  Universidade Coll London

 22

 Reino Unido

 3

 4  Swiss Fed Inst Tech - Zurich

 24

 Suíça

 1

 5  Imperial Coll London

 27

 Reino Unido

 4

http://www.arwu.org/rank2008/ARWU2008_TopEuro(EN).htm
 
 Top 5 das Universidades Mundiais
 

Posição em 2008

Posição em 2007

Instituição

País

1

1

Universidade de Harvard

USA

2

2

Universidade de Yale

USA

3

2

Universidade de Cambridge

UK

4

2

Universidade de Oxford

UK

5

7

Instituto de Tecnologia da Califórnia

USA

 
Top das Universidades Portuguesas
 

Posição mundial

Posição nacional

Instituição

271

1

Universidade do Porto

300

2

Universidade do Minho

374

3

Universidade Técnica de Lisboa

378

4

Universidade de Coimbra

479

5

Universidade de Lisboa

 

 

Artigos relacionados com os tópicos em cima apresentados:

 
      - Prestígio de Politécnico e Universidade, será diferente?

Quando se fala em Universidades e Politécnicos, geralmente são levantadas muitas questões como: “Qual o mais prestigiante?”, “Será que a escolha entre um deles me irá afectar posteriormente para entrar no mercado de trabalho”?. Pois bem, tudo depende do futuro profissional que se deseje seguir: o ensino politécnico é muito mais directo e objectivo, é onde se aprende mais a parte prática de determinada profissão; enquanto que o ensino universitário está mais envolvido em investigações científicas e daí, talvez, o facto de ser mais prestigiado pelo senso comum. Isto significa que, caso o aluno queira obter conhecimentos mais direccionados para o ingresso no mercado de trabalho, então o mais indicado será um Politécnico, contudo, se quiser enveredar num curso mais baseado na área da investigações científica, uma Universidade será a opção mais acertada.

No entanto, com o processo de Bolonha em vigor, já não é possível afirmar de forma tão concreta o supracitado: o tão aclamado ambiente prático dos politécnicos esbateu-se e foi adicionada mais teoria; na Universidade, a teoria tornou-se mais prática. Deste modo, a conclusão que podemos extrair é que, neste momento, os cursos das Universidades e dos Politécnicos apresentam um elevado grau de semelhança.

 

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