ESPECIAL BRETT KIRK




Nos passados dias 24 e 25 de Março de 2011 tivemos os prazer de ter em Lisboa o Brett Kirk, ex-capitão dos Sydney Swans, pelos quais venceu o título da AFL em 2005, e actual "Embaixador da Taça Internacional de Futebol Australiano", que se disputará em Melbourne e Sydney no próximo Verão.
Trata-se de uma verdadeira lenda da AFL, de uma pessoa que disputou 241 jogos nessa duríssima liga, incluindo 200 partidas consecutivas, um feito que exige qualidades quase sobre-humanas, que fez parte da equipa ideal da AFL (All-Australians) e que chegou a ser eleito "Melhor Capitão" e "Jogador mais Corajoso" pelos seus pares.
Ter privado com Brett Kirk, mesmo que apenas por dois dias, foi uma experiência inesquecível, pois trata-se, como se diz na Austrália, de um verdadeiro campeão -a true champ. Ofereceu-nos palavras de ânimo e incentivo, transmitiu-nos alguma da sua experiência e, sobretudo, acreditou no nosso projecto para o futebol australiano em Portugal. É um grande senhor.
Houve oportunidade de trocar impressões com ele sobre vários aspectos da sua carreira. Aqui fica o resumo das suas palavras:
- Sobre ter vencido prémios atribuídos com o voto dos próprios jogadores da liga (Melhor Capitão e Jogador mais Corajoso): foi uma honra saber tinha conquistado o respeito dos meus colegas e dos meus adversários;
- Sobre o seu primeiro jogo na Liga, em 1999, contra o North Melbourne, então uma das equipas mais fortes e que venceu o campeonato nesse ano: estava nervoso, mas mais do que isso tinha a consciência de que estava a concretizar um sonho; cresci como adepto dos Swans e sempre quisera jogar nessa equipa;
- Sobre jogar contra as melhores equipas (por exemplo, o Geelong): não podes começar a pensar sobre contra quem é que estás a jogar; se o fizeres, já perdeste o jogo;
- Sobre a expansão da AFL para fora da Austrália: a TV e a Internet são as chaves para a expansão do jogo para fora da Austrália; a AFL deveria pensar em promover jogos no estrangeiro, incluindo jogos de campeonato;
- Sobre o futebol australiano em Nova Gales do Sul (estado de que Brett Kirk é natural e no qual o râguebi de 13 é o desporto mais popular): os  Swans já fazem parte de Sydney, mas poderá demorar um pouco até que os Giants [a segunda equipa de Sydney, que se estreará na liga em 2012] consigam reunir adeptos;
- Sobre a sua relação futura com a modalidade: gosto do que estou a fazer pela AFL de momento;
- Sobre os árbitros: nunca me interessou quem eram os árbitros, só queria que fizessem bem o seu trabalho;
- Sobre o título do Sydney em 2005 (o primeiro do clube em 72 anos): vimos senhoras idosas, com 70, 80 anos, que nos vieram dizer que tinham visto os Swans ganhar em 1933 e que já não acreditavam que voltariam a vê-lo novamente antes de morrer; no dia a seguir ao jogo fomos comemorar num estádio em Melbourne e aquilo estava cheio; o título fez muito para reconciliar os antigos adeptos do South Melbourne [até 1982, ano em que se mudaram para Sydney, os Swans estavam sedeados no sul de Melbourne] com a equipa; o Bob Skilton [a maior lenda do South Melbourne, vencedor de 3 Medalhas Brownlow, atribuídas ao "Melhor e Mais Correcto" jogador da Liga] tem sido um dos apoiantes mais entusiástico dos Swans;
- Sobre o que sentiu quando foi campeão: estava bastante perto do Leo Barrie quando a bola veio e ele conquistou o seu mark [referência à jogada que decidiu a Grand Final de 2005, o mark defensivo do jogador dos Swans Leo Barrie, conquistado a segundos do final do jogo e que garantiu a preservação da vantagem de 4 pontos da equipa de Sydney]; a sirene [que anunciou o final do jogo] soou dois segundos depois, senti uma mistura de euforia e alívio, tratava-se da maior conquista possível num desporto colectivo; porém, o sentimento passa depressa, pois uma semana depois já estás a pensar na próxima época, mas podes sempre recordá-lo mais tarde;
- Sobre o futebol australiano fora da Austrália: gostei do entusiasmo que vi até agora, o futebol australiano está a começar a ser jogado em sítios como a Islândia ou Andorra;
- Sobre o futebol australiano em Portugal: na Dinamarca o futebol australiano começou com um homem a publicar um anúncio num jornal a convidar quem quisesse a juntar-se a ele num parque público e a dar uns toques; apareceram duas pessoas e foi assim que nasceu a liga dinamarquesa; pode acontecer o mesmo em Portugal, desde que haja gente com paixão pela modalidade;
- Sobre o que o futebol australiano pode fazer: o "footy" pode servir para juntar pessoas de proveniências diferentes; não podemos pensar apenas em promover o jogo, talmbém temos que nos preocupar em ajudar os outros;
- Sobre o futebol australiano: é um jogo de inteligência; nunca fui tão grande quanto os outros jogadores, tive sempre que usar a minha inteligência e jogar com o coração;
- Sobre a jornada inaugural da AFL [o Brett Kirk chegou a Portugal no dia 24 de Março mais ou menos ao mesmo tempo em que começava em Melbourne o Carlton - Richmond, o primeiro jogo da época 2011]: o primeiro jogo deve estar a começar agora [5 minutos após o terem ido buscar ao aeroporto]; estou contente por estar outra vez a ver jogos [no estúdio do Eurosport, durante a transmissão do Geelong - St Kilda], por estar a tomar a minha dose de futebol;
- Sobre o jogo Geelong - St Kilda game: a equipa do Geelong está junta há tanto tempo que consegue sempre "inventar" qualquer coisa.
Dia 25 Brett Kirk participou na transmissão do jogo Geelong - St Kilda no Eurosport2, tendo brindado os outros comentadores e todos os telespectadores com os seus profundos conhecimentos de futebol australiano. Comentar o jogo ao seu lado foi um enorme prazer e uma verdadeira lição.
 
 
Brett Kirk (à esquerda) nos estúdios do Eurosport, com Nuno Santos (à direita) e David Valente (ao centro), os comentadores de serviço no dia 25 de Março (transmissão do jogo Geelong - St Kilda, da 1ªjornada da AFL, época 2011)
 
A caminho do aeroporto de Lisboa, Brett Kirk ainda teve tempo para se encontrar com o presidente da Associação Cultural e Desportiva Novos Diamantes, parceira dos Lisbon Dockers e dedicada ao apoio de crianças e jovens de bairros desfavorecidos da zona de Lisboa, à qual prometeu o seu apoio.
Obrigado por tudo, Brett!
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