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O QUE SE PASSA NO MUNDO DO  FUTEBOL AUSTRALIANO

AFL, 1 de Outubro de 2016, 23:55


A grande força do Footscray Football Club, dos Bulldogs, foi sempre o seu povo. Foi o povo dos Bulldogs quem salvou o clube em 1989, quando a liga já tinha decidido a sua fusão com o Fitzroy e a perda irremediável da sua identidade própria (ver CULTURA). Foi o povo dos Bulldogs que apoiou a equipa durante décadas de insucesso, sem nunca deixar de acreditar que um dia o sol de Melbourne nasceria no Ocidente. E foi o povo dos Bulldogs quem fez seus filhos adoptivos os grandes heróis do Footscray (clube) e de Footscray (terra). Sutton, Whitten, Hawkins, Grant, Liberatore, Murphy.

Durante a semana que mediou entre a “preliminary final” que garantiu que os Bulldogs chegariam ao jogo do título (que lhes fugia desde 1954) pela primeira vez desde 1961 e a própria Grand Final, disputada desta vez no primeiro sábado de Outubro, o povo de Footscray, o povo do Ocidente de Melbourne experimentou todas as emoções. Crença à mistura com incredulidade, euforia temperada com o sentimento de perda e a saudade de quem já não chegaria a ver este 1 de Outubro. Não foram poucos os que andaram a semana toda com a camisola tricolor vestida. Muitos houve que se deslocaram às campas de pais, avós ou irmãos para nelas deixar uma bandeira ou flores azuis, brancas e vermelhas, ou para aí beber uma cerveja em honra dos já partidos.

Neste dia que acabou por ser de sol o povo dos Bulldogs encheu o MCG, à espera de ver o peso de 62 anos dissipar-se como as nuvens que ensombraram a manhã de Melbourne. A crença era inabalável, mas o adversário formidável.

Os Swans acabaram a época regular em primeiro lugar. É certo que na Qualifying Final perderam com os seus rivais do GWS, mas depois derrotaram facilmente os Crows na Semi-Final e destruíram o Geelong numa Preliminary Final que já estava decidida no primeiro quarto. Os campeões que iriam equipar de vermelho e branco eram inúmeros, em todos os sectores do terreno. Franklin, Tippett, McVeigh, Heeney, Hannebery, McGlynn, Grundy.

Já os Dogs tinham-se ficado pelo sétimo lugar, embora a curta distância dos Swans. Só terem chegado à Grand já constituíra um feito inédito. A equipa batera o West Coast fora com bastante facilidade na Elimination Final, mas todos lhe auguraram a derrota certa contra os tricampeões Hawthorn na Semi-Final. Porém, a máquina dourada e castanha gripou após metade do jogo e os Dogs arrancaram para uma vitória concludente no terceiro e no último quartos. Seguia-se no entanto o GWS na Preliminary Final e todos voltaram a vaticinar a derrota – equipa construída com sagacidade e à base de inúmeras concessões no draft, que goza de um tecto salarial mais elevado do que qualquer outra, os Giants são um colectivo feito para uma única coisa: ganhar.

Só que quando o jogo acabou os Dogs tinham mais seis pontos. Macrae, que marcara um golo no resto da época, marcou o que selou a vitória, bem perto do final, e os Bulldogs apuraram-se para a Grand Final. Coisas do desporto.

Os Bulldogs não poderiam no entanto contar com o capitão Robert Murphy, mais recente encarnação da alma do clube, que se lesionara logo na terceira jornada. Cedo se percebeu que só voltaria em 2017. Embora devastado, Murphy não abandonou os companheiros e apenas mudou o seu modo de actuação: em vez de os inspirar dentro de campo, passou a fazê-lo para lá da linha lateral.

Ao começar a Grand Final Swans e Dogs deram o mote para o jogo que estava para vir. Nenhuma das partes dava um passo atrás. Espaço e tempo eram coisas que não havia, mas lentamente os Dogs começaram a ganhar algum ascendente. Só que não marcaram. Marcou sim o Sydney, dois behinds e um golo de Luke Parker, aos 10 minutos, que lhe deram uma vantagem de 8-0. Mais uma vez os Dogs eram chamados a fazer jus ao seu lema: “cede nullis” – nunca ceder. Cordy, que já falhara um golo “feito”, marcou de ângulo apertado. E Dickson, aos 16 minutos, pôs os de Footscray a ganhar 12-8, o resultado com que o primeiro quarto terminou.

20 minutos mais perto de pôr termo a uma espera de 62 anos.

O segundo quarto começou e os Dogs atiraram-se para a frente. Só que a luta continuou a ser de gigantes. Um sinal positivo para os Doggies: Marcus Bontempelli, “The Bont”, começou a aparecer. É um jovem de 20 anos em que o povo dos Bullodgs deposita uma fé inabalável. É um dos “Messias” em que os fiéis viam a redenção do clube. “The Bont” e o treinador Luke Beveridge, que numa só época (2015) levara o clube dos fundos da tabela à fase final, para depois o guiar à Grand Final.

Aos dois minutos Tom Boyd aumentou a vantagem para 8-18, mas os Swans reagiriam de imediato, graças a um behind de Kieren Jack e a um golo de Nick Smith que reduziram a vantagem dos Bulldogs a meio golo. Mas os Bulldogs carregaram ainda mais no acelerador e em dois minutos marcaram treze pontos. Golo de Dickson, uma bola introduzida pelos defesas dos Swans na própria baliza e golo de Picken. Aos sete minutos de jogo o resultado era Sydney, 15 – Bulldogs, 31.

Só que o Sydney é mesmo uma grande equipa e começou então a sua melhor fase.

Mitchell reduziu para 21-31 um minuto depois do golo de Picken. E logo a seguir uma jogada caricata: Rohan agarra a bola que vai pelo ar e todos pensam que conquistou um “mark”. Toda a gente pára para o pontapé livre. Só que o árbitro viu que a bola foi tocada antes de chegar ao homem dos Swans e berra “segue jogo”, “segue jogo”. A princípio ninguém o ouve. Qualquer Bulldog poderia ter placado Rohan. “Segue jogo”, continua o árbitro, e Rohan é o primeiro a compreender o que se passa. Resultado: defesa dos Bulldogs apanhada a dormir e 27-31 no marcador.

Josh Kennedy, filho e neto de lendas do Hawthorn, aparece agora em todo o seu esplendor. Atira-se para a frente, reage mais depressa que os homens dos Bulldogs, e marca golos consecutivos aos 11 e aos 12 minutos. 39-31 para os Swans e de repente um calafrio passa pelos adeptos dos Doggies: será que irá ser tudo em vão?

Nunca ceder.

Tom Boyd foi recrutado no draft pelo GWS. Só que acabou por não se dar bem nos Giants e os Dogs foram buscá-lo. Deram-lhe um salário milionário e cada falhanço seu passou a ser severamente escrutinado pelos adeptos. Sem margem para errar, o jovem Boyd suou para se impor, sempre o primeiro a ser criticado, sempre o último a ser perdoado.

E aos 17 minutos é mesmo Boyd quem marca mais um golo. 39-37 e os Dogs respiram de alívio. Afinal os Swans não vão poder fazer o que querem – mas ainda conseguem reagir de imediato. Bola ao centro e Mitchell volta a marcar.

Só que os Bulldogs já perceberam que estão na Grand Final por mérito próprio e McLean marca, aos 19 minutos, o golo que encerra o segundo quarto. O marcador assinala Sydney, 45 – Bulldogs, 43 e tudo está em aberto.

Sting actua ao intervalo, mas o pensamento dos quase 100.000 espectadores não abandona o jogo. Quem ganhará? Quem fraquejará primeiro? Quem se imporá nos 40 minutos de tempo útil que ainda restam da época de 2016?

Logo no início do terceiro quarto Tippett falha o remate e apenas consegue um ponto. Já Dickson não perdoa e os Bulldogs arrebatam de novo a liderança no marcador: passam a vencer por 46-49.

Uma penalidade de cinquenta metros permite a Macrae rematar a pouca distância da baliza, só que o herói da semana passada apenas logra um behind. Lachie Hunter faz o mesmo (46-51) e os Swans voltam a galvanizar-se.

O assalto à baliza dos Dogs renova-se. Aos 10 minutos os defesas são forçados a introduzir a bola na própria baliza e um minuto depois Kennedy marca o seu terceiro golo. 53-51 para os Swans. Nesta fase da partida Kennedy é claramente o melhor em campo e parace ter tempo e espaço para fazer o que quer.

Mas este foi um jogo de parada e resposta e Clay Smith responde aos 14 minutos. Dogs de novo na frente, 53-57. A velocidade contunua sufocante, a concentração de jogadores em torno da bola também.

Os Dogs lançam-se para o ataque, aos 16 minutos os homens dos Swans voltam a recorrer à introdução da bola na própria baliza e depois seguem-se, para os Bulldogs, behinds consecutivos de Caleb Daniel (53-59), Jake Stringer (53-60) e Tom Boyd (53-61).

E é com 53-61 para os Dogs que se chega ao final do terceiro quarto.

Uma vantagem insignificante.

Só que de repente parece haver mais espaço na defesa dos Swans. E os jogadores com a camisola tricolor do Ocidente de Melbourne parecem estar a começar a chegar sempre em primeiro lugar às disputas de bola. O último quarto da época encarregar-se-ia de deixar claro se esses sinais de declínio dos de Sydney seriam ou não para levar a sério. A verdade é que no terceiro quarto a equipa apenas marcara 8 pontos, contra 18 dos Bulldogs.

O primeiro ponto da última parte do jogo pertence aos Swans. E a seguir, aos, 6 minutos, Lance Franklin marca finalmente o golo que lhe permitiu chegar ao quinto lugar (em igualdade de circunstâncias) na lista de melhores marcadores em fases finais.

O resultado não podia estar mais no fio da navalha. 60 para o Sydney, 61 para os Dogs.

A Franklin responde Stringer com o seu primero golo da tarde. Mas a Stringer responde Hewett – aos 9 minutos, o resultado é 66-67 a favor dos Bulldogs. Falta meia parte para o fim do jogo.

Mas é precisamente nesta fase que se percebe que os Swans não têm mesmo capacidade para continuar a lutar de igual para igual com os Dogs. Os sinais de alarme do terceiro quarto, em especial os relativos à capacidade física e Franklin e Hannebery, tornam-se cada vez mais evidentes e mais sérios. A capacidade de reacção do Sydney foi-se.

Aos 12 minutos marca Picken. Os Dogs apertam o cerco, mas os Swans vão-se defendendo. Aos 13 minutos há um behind. Aos 14 há outro e depois, no mesmo minuto, volta a aparecer o mal-amado Tom Boyd. Golo! 66-81 para os Dogs e a taça de campeão começa a deixar de ser uma miragem para os de Footscray.

Aos 15 minutos McGlynn não remata como deveria tê-lo feito e apenas averba um ponto à conta dos Swans. Um minuto depois Tom Boyd também pontua.

O jogo aproxima-se do fim. Os Dogs vencem por quinze pontos, mas a reacção ainda é possível. Os adeptos estão de pé, no MCG e em Whitten Oval, a histórica casa dos Bulldogs, em Barkly Street, West Footscray, Victoria, na qual foi instalado um ecrã gigante e na qual as bancadas e o relvado acolhem os fiéis.

Liam Picken volta a aparecer. Faltam 2 minutos e 13 segundos. Mais um golo. 67-88. A vitória já não pode escapar. O milagre torna-se realidade.

Há lágrimas nas bancadas, mas são de alegria. “Gentleman” Jack Schultz, velha glória dos Bulldogs, melhor jogador da liga em 1960 e membro da equipa que disputou a Grand Final de 1961, prepara-se para entregar a taça ao capitão Easton Wood.

A espera chegou ao fim.

Há ainda tempo para um behind. Para que a pontuação final dos Dogs seja 89.

89. O ano em que o povo dos Bulldogs salvou o seu clube. Porque não podia deixar de ser assim.

São entregues medalhas. Aos jogadores, ao treinador. Beveridge discursa, louva os adversários, agradece aos patrocinadores, aos jogadores, à equipa técnica, a todo o clube. Aos adeptos.

Beveridge acaba de discursar e tira a sua medalha de campeão. Chama Bob Murphy. Diz-lhe que ninguém a merece mais do que ele, pendura-a no pescoço do capitão que se lesionou à terceira jornada e que, pelas regras da liga, não tem direito a tal recompensa.

Beveridge manda que Murphy fique. Que erga a taça em conjunto com Wood, que o substitiu como capitão.

É contra as regras. Tal como é contra as regras que um jogador que não alinhou na Grand Final seja presenteado com uma medalha de vencedor.

Mas Beveridge, ali, é mais do que ele próprio. Beveridge representa o povo, cujo espírito soube compreender e absorver em meros dois anos. E, no Footscray Football Club, nos Bulldogs, o povo é tudo.

FONTE: Eurosport 2



AFL, 3 de Outubro de 2015, 15:10

Pergunte-se à generalidade dos adeptos que indique as suas Grand Finals preferidas e, aparte as que tenham sido ganhas pelo próprio clube, o normal é que sejam mencionadas aquelas em que a diferença pontual foi reduzida. Os empates de 1948, 1977 e 2010, as vitórias por um ponto de diferença, a começar pela que foi alcançada pelo St Kilda em 1966 ou pela que o West Coast conquistou quarenta anos mais tarde, os jogos decididos por um golo ou menos de um golo, como por exemplo os de 1989 ou 2005, ou ainda aquelas Grand Finals em que o resultado esteve em dúvida praticamente até final do jogo, como em 1970, 2002 ou 2009. Ninguém, ou quase ninguém, indicaria uma partida decidida por 46 pontos e cujo vencedor já se adivinhava a meio do encontro.
Porém, a Grand Final que hoje se disputou em Melbourne sob sol escaldante e que o Hawthorn venceu por 107 a 61, arrecadando o terceiro título consecutivo e o décimo-terceiro da sua história, entra necessariamente para a lista das grandes Grand Finals, não só pelo histórico tricampeonato (em 119 anos apenas se registaram um tetracampeonato e quatro tricampeonatos), mas também pelo modo como uns Hawks verdadeiramente imperiais bateram o West Coast sem qualquer contestação.
Na verdade, o que faltou em emoção acabou por sobrar em grandeza, em classe, em espírito de equipa.
O West Coast até entrou melhor e marcou o primeiro golo, por Shuey, quanto havia um minuto e vinte de jogo, golo que na altura punha o resultado em 7-0 para os Eagles. Porém, os Hawks só precisaram de 20 segundos para reagir. Darling cedeu irreflectidamente uma penalidade e cinquenta metros ao tirar a bola das mãos de Brian Lake, que conseguira um mark, e aquela acabou por ir parar direitinha às mãos de Rioli, que não se fez rogado e marcou o primeiro golo da partida.
A partir daí estabeleceu-se um padrão que não mais iria ser quebrado. Hawks eficazes no remate e capazes de encontrar quase sempre um companheiro desmarcado e em boas condições de receber a bola, Eagles com muita dificuldade em descobrir linhas de passe no meio da muralha castanha e dourada e incapazes de marcar golos.
Quando o primeiro quarto acabou os Eagles até tinham mais "scoring shots" (remates de que resultaram pontos) do que o Hawthorn. Porém, dos seis que acumularam naquele período apenas um foi um golo, precisamente o que fora apontado por Shuey nos instantes iniciais. De resto, cinco behinds e falhanços de todas as formas e feitios.
Os Hawks tinham "apenas" cinco scoring shots, mas todos eles golos. Dois de Rioli (que ainda rematara uma bola completamente ao lado da baliza), um de McEvoy, outro de Birchall (a punir a indecisão da defesa dos Eagles, que não aliviou quando o devia ter feito) e ainda outro de Bradley Hill. 5.0(30) - 1.5(11) e os Eagles começavam a ficar sob pressão.
Começado o segundo quarto, pedia-se aos Eagles que se lançassem ao ataque e que pontuassem rapidamente. Diga-se em sua defesa que tentaram. Mas não conseguiram. O primeiro golo do segundo quarto seria mesmo dos Hawks e, por sinal, o melhor da partida. Puopolo foi atrás de uma bola que a defesa do West Coast deu por perdida, entregou-a ao capitão Hodge e este, sem tomar balanço e encostado à linha lateral, marcou um verdadeiro golo "à Eddie Betts", um remate impressionante em que a bola curvou de modo perfeito para passar entre os postes centrais.
E depois do golo de Hodge veio o golo de Gunston, aos cinco minutos do segundo quarto, Gunston que foi chamado aos convocados para substituir Hartung, naquela que foi a única alteração, em qualquer das equipas, relativamente aos jogadores que tinham disputado as preliminary finals na semana passada. Dois minutos depois Gunston voltou a marcar, fixando, na altura, o resultado em 49-12. Os sinais de alarme há muito que soavam para os Eagles, mas estes revelavam-se impotentes para travar os Hawks.
Minuto e meio depois do segundo de Gunston foi Isaac Smith quem fez o gosto ao pé - com um placar de 55-12 temia-se que o jogo ficasse decidido logo no segundo quarto. Porém, foi no final deste período que os Eagles finalmente encontraram alguma pontaria e marcaram dois golos, por intermédio de Josh Hill e de Elliot Yeo, pelo que acabaria por se chegar a meio da partida com o resultado de 9.3(57)-3.8(26) a favor do Hawthorn. Uma vantagem sólida, mas não intransponível.
Os Hawks estavam claramente a dominar. Na defesa, Gibson, Lake e Frawley não deixavam jogar os Eagles. Gibson e Lake limpavam tudo à sua frente e Frawley estava a anular completamente Josh Kennedy, o melhor marcador da fase regular. A famosa "defesa à zona" ou "teia" dos Eagles, por seu turno, não estava a resultar. Homens rápidos como Gunston, Rioli, Burgoyne ou Puopolo encontravam todo o espaço que queriam construir as jogadas de ataque. Era preciso reagir rapidamente.
Começado o terceiro quarto, os Eagles voltaram a marcar os primeiros sete pontos, incluindo um golo de Darling. O resultado estava então em 57-33 para os Hawks, quatro golos de distância e a recuperação ainda era possível. Schoenmakers, finalmente de regresso a uma Grand Final após ter sido preterido em 2013 e 2014, conseguiu marcar mais um para os Hawks no nono minuto, ms desta feita os Eagles reagiram de imediato, por Hutchings. 64-39 para os Hawks, os Eagles tinham marcado quatro dos últimos cinco golos e ainda podiam pensar numa vitória... que porém estava prestes a fugir-lhes a título definitivo.
Com golos aos 12 e aos 14 minutos Gunston abanou os Eagles. Smith e Suckling (o substitute), aos 15 e aos 18, deram a machadada fianl. O West Coast não marcou nenhum ponto na segunda metade do terceiro quarto e no final deste já perdia por 14.5(89) a 5.9(39).
O quarto quarto seria um anticlímax, exclusivamente para cumprir calendário. Os Hawks não faltaram ao seu encontro com a história. Clarkson conquistou o seu quarto título como treinador, sendo que desde Norm Smith, que venceu seis ao comando do Melbourne entre 1955 e 1964, que nenhum treinador consegue quebrar a barreira dos quatro títulos. Clarkson, que já pode reclamar o estatuto de imortal, pode tornar-se o primeiro a ir mais além desse número e a juntar-se aos gigantes do passado, como Smith e Jock McHale.
No quarto quarto Roughead e Isaac Smith marcaram os primeiros dois golos para o Hawthorn (Roughead desta feita trabalhou muito, mas apenas conseguiu um golo e de certa maneira "roubado" a Rioli, ao conquistar um mark quando a bola, rematada pelo irreprimível número 33 dos Hawks, estava prestes a cruzar a linha de golo). Com o placar em 101-40 o Hawthorn descansou e permitiu um golo a LeCras e dois a McGovern. O jogo terminou com o resultado final de Hawthorn 16.11(107) - West Coast 8.14(61), mas na verdade e como dissemos, a vitória dos Hawks já estava assegurada muito antes da sirene final.
Tal como em 1991, os Hawks derrotaram o West Coast numa Grand Final e isolaram-se no quarto lugar da classificação dos clubes com mais títulos: apenas Collingwood (15), Carlton (16) e Essendo (também 16) ainda contam com mais troféus que os Hawks. Para trás ficaram o Melbourne (12, o último dos quais em 1964) e Richmond (10, o último do quais em 1980).
E porque é que esta Grand Final é digna de registo? Porque marca o ponto mais alto da carreira destes Hawks demolidores, a quem agora ninguém pode negar o estatuto de melhor equipa da última geração. Derrotado pelo próprio West Coast na primeira semana da fase final, o Hawthorn chegou à Grand Final pelo caminho mais árduo: duas deslocações à Austrália Ocidental, uma vitória colossal sobre o Adelaide e uma vitória fora sobre o vencedor da fase regular, o Fremantle, acabaram por ser o aperitivo para a demolição do West Coast.
Quem viu, teve o privilégio de ver uma equipa que entrou para a história.
E o melhor em campo, vencedor da medalha Norm Smith, foi Cyril Rioli, um daqueles jogadores de quem se costuma dizer que justifica o preço do bilhete só por si. Um prémio justo para um dos grandes atletas e artistas da AFL. Tal como o título foi uma recompensa merecidíssima para a melhor equipa da actualidade. E quando assim é, nada a dizer.

FONTE: Eurosport, página da AFL


AFL, 26 de Julho de 2015, 22:06

O 400º jogo de Brent Harvey sempre seria uma ocasião muito especial, não só pela marca em si, mas também pelo homem que a alcançou. Harvey não corresponde nem de perto nem de longe ao "padrão" do jogador de futebol australiano, normalmente mais alto e mais robusto. Isso mesmo foi confessado pelo seu antigo colega Wayne Carey, para alguns o melhor jogador da história da modalidade.
Em artigo que subscreveu no jornal "The Age", Carey relatou que quando viu Harvey entrar pela primeira vez no balneário considerou que o então novato não singraria na AFL, pois era o mais baixo e o mais leve de todos os recrutas do North Melbourne nesse já longínquo ano de 1996, em que Brent "Boomer" Harvey só jogou uma vez (conseguiu fazer um único passe, à mão) e os 'Roos venceram o campeonato pela terceira vez. Nas dezanove épocas que se seguiram, só em três é que Harvey não alinhou pelo menos 20 vezes pelos azuis e brancos...
Em 1999 já Brent Harvey era titular indiscutível e teve direito a alinhar na Grand Final, que o North Melbourne viria a vencer, conquistando o seu quarto e até hoje último título.
No sábado Harvey entrou em campo pela 400ª vez e cotou-se novamente entre os melhores. Completou 27 passes, mais do que qualquer um dos seus colegas, marcou dois golos e, sobretudo, provou que ainda é capaz de jogar futebol australiano ao mais alto nível e de ser indispensável na manobra da sua equipa, que venceu o Carlton por 110-38, permitindo a Harvey manter incólume o registo 100% vitorioso nos seus "milestone games": os Kangaroos venceram sempre quando jogou pela 1ª, 50ª, 100ª, 150ª, 200ª, 250ª, 300ª, 350ª e, agora, 400ª vez.
Pergunta-se se o North Melbourne estará disposto a renovar o seu contrato, o que lhe permitiria pensar em alcançar o recorde absoluto de jogos pertencente a Michael Tuck (426).
Com base no jogo de sábado, perguntamos nós, o que é que Harvey ainda precisa de fazer para justificar o lugar nos Kangaroos em 2016?

FONTES: site do jornal "The Age", Eurosport


AFL, 18 de Julho de 2015, 22:39

Quando amanhã Port Adelaide Power e Adelaide Crows entrarem em campo escrever-se-á mais um capítulo da história de uma das grandes rivalidades do futebol australiano, que opõe e une dois clubes que defendem na AFL as cores de um estado onde os campeonatos organizados remontam a 1877.
A Austrália do Sul é e sempre foi um estado em que o futebol australiano é rei. As grandes dinastias (Cornes, Ebert, Williams...), os nomes imortais (Oatey, Robran, Cahill, Blight, Platten, Kernahan, Ricciuto, Treadrea...), os que foram buscar a glória noutros estados (O'Loughlin, Pavlich...), os clubes centenários (Port Adelaide, North Adelaide, South Adelaide, Sturt, Norwood, West Adelaide...), todos atestam a tradição e os méritos do footy da "South Australia".
Porém, quando amanhã Port e Crows entrarem em campo estará em causa mais do que o simples desporto, pois ambos os clubes irão prestar a sua homenagem ao falecido Phil Walsh, que foi treinador adjunto do Port durante dez anos, incluindo o do título de 2004, e que era treinador do Adelaide quando tragicamente faleceu.
O que se prevê para amanhã é um dia à parte, no qual jogadores, equipas técnicas e adeptos terão que lidar com emoções desconhecidas, despertadas por um crime inexplicável e que nós choca a todos por ir contra o que pensamos ser elementos essenciais da natureza humana. Que um filho mate o seu pai, assim, sem motivo algum, é algo que nunca conseguiremos compreender.
Durante o funeral de Walsh o seu filho não foi esquecido, mas falou-se dele com misericórdia e humanidade que nos parecem quase impossíveis, mas que de facto testemunhámos.
Por isso, talvez este acabe por ser o jogo da época. Mais importante que a própria Grand Final.
Força Crows,
Força Port.





AFL, 3 de Julho de 2015, 21:40

Para tristeza e mesmo horror de todo o mundo do futebol australiano, foi hoje conhecida a morte do técnico do Adelaide, Phil Walsh, ao que tudo indica às mãos do próprio filho, Cy.
A esposa de Walsh, Meredith, foi ferida no mesmo incidente, mas está fora de perigo. Cy Walsh encontra-se detido e será sujeito a avaliação psiquiátrica.
A AFL reagiu com rapidez a notícias tão trágicas e declarou que o jogo Adelaide - Geelong que deveria disputar-se amanhã será cancelado e os pontos repartidos pelas duas equipas.
Quanto ao cerimonial que normalmente antecede os jogos da liga e se segue aos mesmos, foi cancelado. Não haverá música quando os jogadores entrarem em campo, nem bandeiras gigantes para eles atravessarem, nem será tocado o hino do clube vencedor após a partida.
Depois do jogo de hoje entre Collingwood e Hawthorn, vencido pelos segundos, os jogadores de ambas as equipas dirigiram-se ao centro do terreno e homenagearam silenciosamente a memória de Walsh.

FONTES: The Age, CNN, BBC


TAC Cup, 2 de Maio de 2015, 11:30

O jogo da TAC Cup (competição das camadas jovens) entre os clubes de Victoria Oakleigh Chargers e North Ballarat Rebels, que os segundos venceram por 80-52, fez história por ter sido o primeiro a ser arbitrado por uma equipa de arbitragem integralmente feminina, composta por Lucinda Lopes, Eleni Glouftsis e Libby Toovey (árbitros de campo), Shanessy Adams, Bronte Annand e Greta Miller (fiscais de linha) e Kate Griffiths e Kirsty Lord (árbitros de baliza).
Numa modalidade em que a participação feminina sempre foi muito significativa, quer ao nível das adeptas, quer das funcionárias de clubes e ligas, quer mesmo de dirigentes, atingiu-se mais um marco importante. Até hoje apenas três mulheres, Katrina Pressley, Chelsea Roffey e Rosie O'Dea, todas árbitros de baliza, conseguiram chegar à VFL/AFL, sendo que Roffey chegou a participar numa Grand Final. Agora, ficamos à espera de saber quando é que teremos direito a uma árbitro de campo.
E como se não bastasse, uma destas pioneiras, Lucinda Lopes, é de origem portuguesa (e maltesa), pelo que, após muito procurar, conseguimos encontrar o primeiro membro da comunidade luso-australiana a marcar presença no futebol australiano na pátria deste!

FONTES: páginas do jornal The Age e da Fox Sports


AFL, 1 de Maio de 2015, 17:00

Os recordes são feitos para ser batidos. É uma frase feita do desporto, que não deixa de ser verdadeira. 
Mick Malthouse orientou hoje uma equipa da AFL pela 715º, batendo assim o recorde estabelecido por Jock McHale, que treinou o Collingwood entre 1912 e 1949, equipa que levou a conquistar sete títulos e à qual era de tal modo dedicado que, segundo reza a lenda, faleceu na sequência das emoções da Grand Final de 1953, na qual os Magpies quebraram um jejum de títulos de 17 anos.
Os 66 anos que passaram entre o termo da carreira de McHale e o 715º jogo de Malthouse trouxeram inúmeras mudanças à liga. O nome mudou de VFL para AFL, foram admitidos clubes de quatro outro estados, os jogadores e equipas técnicas profissionalizaram-se integralmente, os velhos campos suburbanos foram trocados por estádios moderníssimos, a cobertura televisiva ditou o final da velha fórmula dos seis jogos ao sábado... 
Porém, a paixão permanece, pelo que, por estas horas, Malthouse estará seguramente mais preocupado em encontrar um modo de dar a volta à época do Carlton, que perdeu 120 a 45 com o Collingwood, do que em celebrar o recorde admirável que conquistou. Os verdadeiros homens do futebol são assim.

FONTES: site da AFL, site australianfootball.com (ex- full points footy), site do jornal The Age, Wikipedia 


AFL, 19 de Agosto de 2014, 21:46


É mesmo uma época brutal! Senão, vejamos:

1. Está por definir quem serão os dois primeiros, que jogarão em casa na primeira semana da fase final e que, mesmo perdendo esse jogo, não ficarão eliminados, sendo que se o ganharem têm direito a uma semana de folga. O Sydney e o Geelong tem 64 pontos e Hawthorn tem 60. Porém, para a semana há um Hawthorn - Geelong e se os Hawks ganharem passam para a frente dos Cats, pois a "percentage" dos primeiros é de 138,5% (marcam 138,5 pontos por cada 100 que sofrem) e a dos segundos é de 112,8% - recordo que cada vitória vale quatro pontos.

2. Está por definir quem completará o lote dos quatro primeiros, ou seja, quem será o último clube que terá direito à tal combinação das vantagens de poder perder na primeira semana ou, ganhando, de ter uma semana de folga (sendo certo que o 3º e o 4º jogarão fora na jornada inaugural da fase final contra o 2º e o 1º, respectivamente). Quanto a esta luta, será entre o Fremantle, que é quarto com 56 pontos, e o Port Adelaide, que é quinto com 52.

3. O North Melbourne, sexto, com 48 pontos, está praticamente seguro na fase final, mas depois dele há seis clubes que se degladiarão pelos dois últimos lugares de acesso ao playoff:

7. Essendon, 44 pontos, na próxima semana jogam com o Gold Coast;
8. Adelaide, 40 pontos, na próxima semana jogam com o Nth. Melbourne;
9. Richmond, 40 pontos, na próxima semana jogam com o St. Kilda;
10. Collingwood, 40 pontos, na próxima semana jogam com o GWS;
11. Gold Coast, 40 pontos, na próxima semana jogam com o Essendon;
12. West Coast, 36 pontos, na próxima semana jogam com o Melbourne.
Para além disso, se o Richmond ganhar ao St. Kilda na semana que vem conseguirá a oitava vitória consecutiva, algo que não logra fazer desde 1980, ano em que conquistou o seu último título.

4. A batalha para escapar ao último lugar continua ao rubro, apesar do GWS ter dado um passo na direcção certa com a vitória esmagadora sobre o Melbourne na última jornada. Quanto a este combate, as posições são as seguintes:

16. GWS, 74,8%, 20 pontos
17. Melbourne, 69,5%, 16 pontos
18. St Kilda, 61,3%, 16 pontos.


Enfim, neste momento em que apenas restam duas jornadas da época regular só há quatro clubes, North Melbourne (6º), Carlton (13º), Bulldogs (14º) e Brisbane (15º), que apenas estão a cumprir calendário. Fantástico!


FONTE: site da AFL, site do jornal The Age


AFL, 1 de Junho de 2014, 05:51

 

A 11ª jornada é a "Indigenous Round", a jornada que comemora os futebolistas indígenas (aborígenes e ilhéus do Estreito de Torres) e tudo o que fizeram ao longo das décadas pelo futebol australiano.

Numa jornada que já viu o Port Adelaide bater o Melbourne em Alice Springs, um dos centros do futebol aborígene, situado no coração da Austrália, a influência dos jogadores oriundos dos povos autóctones já se fez sentir, por exemplo, num Sydney - Geelong de resultado atípico (pois os Swans bateram os Cats 148-38), em que a dupla Goodes - Franklin teve contribuição decisiva.

Desde Sir Doug Nicholls à jovem promessa Kennedy-Harris foram muitos os aborígenes que se destacaram no futebol australiano, jogadores como Graham "Polly" Farmer, Phil e Jim Krakouer, Eddie Betts, Peter e Shaun Burgoyne, Barry Cable, Lance Franklin, Jeff Garlett, Leroy Lewis e Neville Jetta, David Kantilla, Michael Long, Andrew McLeod, Byron Pickett, Cyril, Dean e Maurice Rioli, Mathew Stokes, etc., etc., etc.

Nesta semana todos eles são homenageados e os dezoito clubes envergarão camisas especiais com motivos aborígenes, que podem ver aqui - INDIGENOUS ROUND JUMPERS (SITE DA AFL)

 

FONTE: site da AFL

 

AFL, 3 de Maio de 2014, 07:18


Após seis jornadas de competição, a edição de 2014 da AFL está a manter as expectativas criadas na pré-época. Ao final de seis jornadas já não há equipas sem vitórias (a última foram os Brisbane Lions), nem sem derrotas (a última foram os Geelong Cats).

Os campeões Hawthorn Hawks mantêm-se fortíssimos, mesmo sem o avançado-centro Lance Franklin, que se transferiu para os Swans, mas perderam (mais uma vez!) com os Cats, que por sua vez ganharam todos os jogos, excepto contra o Port Adelaide, que está a revelar-se a maior surpresa da temporada. A equipa de Wingard, Gray, Schulz, Wines e Westhoff partilha o primeiro lugar com Hawks e Cats (todos com cinco vitórias e uma derrota) e já há quem a considere um verdadeiro candidato ao título.

Outro candidato será o Collingwood, que parece finalmente estar a reencontrar-se e a interiorizar as estratégias de Nathan Buckley. Os "Pies" têm estado a jogar muito bem e apresentam-se cada vez mais fortes. Para mais, contam com o jovem Elliott, que, jogo após jogo, tem conquistado o seu espaço no plantel alvinegro e tem rubricado exibições cada vez mais inacreditáveis.

Já o Carlton está atolado em problemas. A equipa perdeu os quatro primeiros jogos, para depois bater Bulldogs e Eagles, mas não tem jogado o suficiente para calar os críticos.

Também o Fremantle está pior do que no ano passado, tendo perdido metade dos primeiros seis jogos. A equipa parece não ter recuperado do choque da derrota na Grand Final e ainda não conseguiu alcançar os patamares exibicionais de 2013.


FONTE: Eurosport 2