Drimys brasiliensis - Casca-de-anta

Nomes populares

Casca-de-anta, cataia, pau-pra-tudo, canela-amarga, capororoca-picante, melambo

Nome científico

Drimys brasiliensis Miers

Voucher

462 Schwirkowski (MBM)

Sinônimos

Drimys angustifolia Miers

Drimys granadensis var. axilaris A. St.-Hil

Drimys ledifolia Eichler

Drimys montana (A. St.-Hil.) Miers

Drimys retorta Miers

Drimys winteri fo. angustifolia (Miers) Eichler

Drimys winteri fo. revoluta Eichler

Família

Winteraceae

Tipo

Nativa, não endêmica do Brasil.

Descrição

Árvore de 4 a 8 m de altura, de copa globosa, densa e perenifólia. Folhas simples, alternas, glabras, espatuladas, discolores, verde-escuras na parte superior e verde-esbranquiçado na inferior. As flores são brancas e dispostas em umbelas terminais, com 2 a 5 flores. Os frutos são bagas subglobosas, com 2 a 5 sementes negras (MARQUES, 2007, p. 113).

Característica

Possui grande variação de tamanho, em função do lugar da ocorrência, aumentado de tamanho do norte para o sul do país.

Floração / frutificação

Floresce de junho a outubro e de dezembro a março, e frutifica de outubro a março.

Dispersão

Zoocórica

Habitat

Planta perenifólia, heliófila, seletiva higrófita. Apresenta, Prefere lugares úmidos bem como terrenos altos e secos. Ocorre na Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Mista e Floresta Ombrófila Densa.

Distribuição geográfica

Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Distrito Federal), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (MELLO-SILVA, 2010).

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Produz um produto bioquímico chamado “drimanial”, que possui ação efetiva no combate à enxaqueca causada pelo glutamato monosódico, além apresentar poucos efeitos colaterais.

Fitoterapia

O chá da casca é um poderoso estimulante contra desgaste físico e mental, também para retenção, escassez de urina e nas disenterias, além de atuar contra a prisão de ventre e diarréias. O uso mais comum, no entanto, é no tratamento das hemorróidas, em banhos ou clisteres. As cascas e folhas são também recomendadas como aromáticas, febrífugas, tônicas, e para combater as congestões cerebrais, paralisias, blenorragias, erisipelas, afecções das vias urinárias, vermes, inapetência e febre. Antigamente era muito utilizada contra o escorbuto, como estimulante, estomáquico, e nas dispepsias, cólicas, boca amarga, gastralgia e insônia.

Fitoeconomia

Possui boas características para uso ornamental em arborização urbana. No Estado do Paraná, a casca desta espécie é tradicionalmente adicionada à cachaça, sendo chamada de cachaça de cataia ou licor de cataia. Pode ser utilizada como condimento para carnes. A casca após seca pode ser moída e o pó utilizado como sucedâneo da pimenta-do-reino. A madeira é de boa qualidade e era utilizada em obras internas, em caixilhos e em caixotaria.

Injúria

Comentários

Produz anualmente grande quantidade de sementes. Espécie presente na Farmacopéia Brasileira, primeira edição (1926). Na língua Guarani é chamada de yraro.

Bibliografia

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