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Cissus verticillata - Uva-do-mato

Nomes populares

Uva-do-mato, anil-trepador, diabetil, cipó-anil, cipó-pucá, cortina-japonesa, insulina, insulina-vegetal, parreira-brava, quebra-barreira, tinta-de-gentio, uva-brava, uva-do-mato, uvinha-do-mato

Nome científico

Cissus verticillata (L.) Nicolson & C. E. Jarvis

Basionônio

Viscum verticillatum L.

Sinônimos

Cissus sicyoides L.

Cissus verticillatum (L.) Nicolson & C. E. Jarvis

Vitis sicyoides L.

Família

Vitaceae

Tipo

Nativa, não endêmica do Brasil.

Descrição

Trepadeira herbácea, estendendo-se através de gavinhas, atingindo até 10 m de comprimento. Caule carnoso, com abundante látex aquoso, cilíndrico quando jovem, aplainado quando maduro, atingindo até 5 cm de diâmetro, com nós inchados. Folhas alternas, coriáceas, ovadas, 5-12 x 3,8-6,5 cm, ápice agudo ou arredondado, base cordiforme, margens revolutas, denticuladas; face adaxial verde, lustrosa; face abaxial verde, opaca, com venação proeminente; pecíolos 2-5 cm compr., sulcados; estípulas 2,5-3,5 mm compr. auriculadas; gavinhas opostas às folhas, simples ou bifurcadas, com até 25 cm compr. torcidas em forma de espiral. Inflorescências em cimeiras compostas opostas às folhas; pedicelos ca. 3 mm compr., verde-amarelados ou avermelhados. Cálice verde-amarelado ou rosa, oblongo-lanceolado, 2-2,5 mm compr. decíduo; disco anular, amarelo, 0,5-0,8 mm altura. Fruto globoso, carnoso, 0,7-1 cm diâm., lustroso, violeta-escuro ou negro, com uma ou duas sementes inclusas.

“Muitas espécies de Cissus (C. erosa, C. trifoliata, e C. verticillata) são afetadas pelos fungos parasitas Mycosyrinx cissi (Poiret) G. Beck, o que faz com que as inflorescências desenvolvam-se de forma monstruosa, produzindo numerosas ramificações estéreis. Estas inflorescências deformadas assemelham-se a plantas parasitadas das famílias Loranthaceae ou Viscaceae. Por esta razão, o nome C. verticillata foi restabelecido ao já conhecido nome de C. sicyoides. Acontece que esta espécie foi descrita primeiramente por Linnaeus, que baseou-se nestas inflorescências deformadas, sob o nome de Viscum verticillatum. Este basionômio, no entanto, tem prioridade sobre Cissus sicyoides, uma vez que é mais antigo, e, por isso, tem substituído Cissus sicyoides. (ACEVEDO-RODRÍGUEZ, 2005, p. 401).

Característica

Possui como características as gavinhas opostas às folhas, estípulas na base do pecíolo geralmente decíduas, margem foliar com apículos provindos das nervuras secundárias ou terciárias e ápice acuminado.

Floração / frutificação

Dispersão

Zoocórica

Hábitat

Ocorre geralmente em clareiras e bordas de mata, nos biomas da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, sendo que neste bioma ocorre em todas as formações florestais.

Distribuição geográfica

Norte (Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Tocantins, Acre, Rondônia), Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe), Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (LOMBARDI, 2010).

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Flavonóides: canferol 3-alfa-ramínosideo e quercitina 3-alfa-ramínosideo.

Fitoterapia

Na medicina caseira, possui aplicações medicinais, sendo recomendada para problemas respiratórios, hepáticos, renais, e de ovários e para a epilepsia. As folhas amassadas servem para furúnculos, enquanto que as folhas aquecidas são utilizadas em abcessos e gânglios inflamados. Possui ainda propriedade sudorífica, hipotensora, preventiva de derrame, antiinflamatória, anti-reumática, estomáquica e anti-hemorroidária. Na medicina caseira, é chamada popularmente de insulina, devido às supostas qualidades antidiabéticas, no entanto, testes em animais de laboratório “sugerem que o extrato desta planta aumenta o grau de intolerância à glicose, sugerindo um efeito diabetogênico, e não antidiabético, como acredita a população usuária desta planta” (BELTRAME, 2001).

Fitoeconomia

Planta ocasionalmente utilizada como ornamental. Os caules fornecem água potável. Os frutos são comestíveis in natura, tendo um aroma forte, principalmente quando as sementes são mastigadas, a exemplo de algumas variedades de uvas; ou podem ser utilizados para o fabrico de geléias, licores ou vinho. Também existem citações na literatura sobre o consumo humano dos tubérculos desta espécie nos tempos antigos, sendo, no entanto, necessárias 3 a 4 fervuras dos tubérculos para extrair os princípios tóxicos e amargos dos mesmos.

Injúria

Comentários

É necessária a quebra de dormência das sementes para que ocorra a germinação, para isso basta fazer uma incisão na semente com algum objeto pontiagudo, desta forma, a taxa de germinação ultrapassa os 75%.

Bibliografia

ACEVEDO-RODRÍGUEZ, P. Vines and Climbing Plants of Puerto Rico and the Virgin Islands. Smithsonian Institution. Contributions from the United States National Herbarium. Volume 51: 1-483. 2005. Disponível em: <http://botany.si.edu/antilles/PRFlora/vines.html>.

BELTRAME, F. L. et al. Estudo Fitoquímico e Avaliação do Potencial Antidiabético do Cissus sicyoides L. (Vitaceae). Quím. Nova, vol. 24, n. 6, 783-785. 2001. Disponível em: <http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/2001/vol24n6/13.pdf>.

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Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. 2.v. 830 p. il. Disponível em: <http://www.jbrj.gov.br/publica/livros_pdf/plantas_fungos_vol2.pdf>.

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