Sapindaceae‎ > ‎

Allophylus edulis - Chal-chal

Nomes populares

Chal-chal, aperta-goela, baga-de-morcego, chala-chala, chale-chale, cocum, fruta-de-paraó, fruta-de-passarinho, fruta-de-pavão, fruta-de-pavó, fruta-de-pombo(a), murta-branca, murta-vermelha, olho-de-pombo(a), pé-de-galinha, quebra-queixo, vacum, vacunzeiro

Nome científico

Allophylus edulis (A. St-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. ex Warm.

Basionônio

Schmidelia edulis A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.

Sinônimos

Família

Sapindaceae

Tipo

Nativa, não endêmica do Brasil.

Descrição

Arbusto ou árvore de 3 a 10 metros de altura, com tronco reto de 20 a 30 cm de diâmetro, casca fina, pardo-escura com deiscência em placas, possui ramos com lenticelas. Suas folhas são compostas, alternas, trifoliadas, de 8 a 15 cm de comprimento, folíolos oblongo-lanceolados, membranáceos, glabros ou pubescentes próximo à nervura principal. Possuem margem serreada, pecíolo sulcado, ápice agudo-acuminado, medindo de 3 a 5 cm de comprimento. As flores são branco-esverdeadas, pediceladas, de 2 a 5 mm de diâmetro,agrupam-se em inflorescências axilares terminais. Os frutos são drupas ovóides ou globosas, pequenas, vermelhas, lisas e glabras, de até 5 mm de comprimento (MARQUES, 2007, p. 83).

Característica

Floração / frutificação

Setembro a novembro, frutificando de novembro a dezembro.

Dispersão

Zoocórica

Hábitat

Planta semidecídua, esciófita, pioneira e seletiva higrófila, comum no interior de matas primárias situadas em solos úmidos. Ocorre também em capoeiras, capoeirões e matas mais abertas situadas sobre solos rochosos (MARQUES, 2007, p. 83). Ocorre na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e pantanal (SOMMER, 2010).

Distribuição geográfica

Norte (Acre), Nordeste, Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (SOMMER, 2010).

Etimologia

Edulis em latim quer dizer comestível, nome este aplicado a muitas espécies com partes comestíveis.

Propriedades

Fitoquímica

Contém óleo essencial e substancias tanantes. Os constituintes químicos apresentam atividades anti-hepatotóxicas. A composição mineral e protéica dos frutos contém: Cálcio, magnésio, manganês, potássio, fósforo, ferro, sódio, cobre, zinco e boro.

Fitoterapia

A infusão das folhas é utilizada na medicina popular contra problemas hepáticos, febre, hipertensão, disenteria, icterícia, inflamações da garganta e afecções digestivas e intestinais. Externamente o decocto das folhas serve para limpeza de ferimentos.

 Fitoeconomia

A madeira, de cor branca,  é utilizada para lenha e também para confecção de cabos de ferramentas. Os frutos são comestíveis, doces e de sabor agradável, e podem servir de base para o preparo de sucos, licores, polpa congelada e também de bebida vinosa por fermentação, denominada “chicha”, sendo preparado com milho e consumida desde os índios peruanos até Buenos Aires e Sul do Brasil. Apesar da pequena dimensão dos frutos, a frutificação é abundante, e de fácil coleta. Quando bem maduros, a polpa pura pode ser consumida da mesma forma que o açaí-do-Pará, misturada com mel, granola ou outros produtos. KINUPP (2007, p. 362), diz que as sementes, após torradas e salgadas, são também alimentícias, possuindo um sabor delicioso, provindo daí o nome popular de quebra-queixo. É também planta melífera. Espécie indicada para plantio em recuperação de áreas degradadas e matas ciliares, pelo abundante alimento que fornece para a fauna. Possui também valor ornamental para jardins, ruas e praças. As folhas podem ser utilizadas como forragem.

Injúria

Comentários

As sementes não necessitam de quebra de dormência, após o plantio, a germinação ocorre no máximo em 60 dias, possuindo taxa de germinação superior a 70%.

Bibliografia

ALVES, E. O. et al.  Levantamento Etnobotânico e Caracterização de Plantas Medicinais em Fragmentos Florestais de Dourados – MS. Ciênc. Agrotec. Lavras, v. 32, n. 2, p. 651-658, mar./abr., 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cagro/v32n2/48.pdf>.

CERVI, A. C. et al. Espécies Vegetais de Um Remanescente de Floresta de Araucária (Curitiba, Brasil): Estudo preliminar I. Acta Biol. Par., Curitiba, 18(1, 2, 3, 4): 73-114. 1989. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/acta/article/view/789/631>.

DIAS, J. L. Z.; A Tradição Taquara e Sua Ligação Com o Índio Kaigang. UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo, RS, 2004. 65p. Disponível em: <http://www.anchietano.unisinos.br/publicacoes/textos/dias2004/quarto.pdf>.

KINUPP, V. F. Plantas Alimentícias Não-Convencionais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Tese de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2007. 590p. il. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/12870>.

KINUPP, V. F.; BARROS, I. B. I. de; Teores de Proteína e Minerais de Espécies Nativas, Potenciais Hortaliças e Frutas. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 28(4): 846-857, out.-dez. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cta/v28n4/a13v28n4.pdf>.

LEONHARDT, C. et al. Armazenamento de Sementes de Chal-chal (Allophylus edulis (St.-Hil) Radlk.) – Sapindaceae. Jardim Botânico de Porto Alegre / Fundação Zoobotânica do RGS. 2001. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/jardimbotanico/pesquisa/pdf/(02)Allophylus_edulis_CBSem_2003.pdf>.

LEONHARDT, C. et al. Morfologia e Desenvolvimento de Plântulas de 29 Espécies Arbóreas Nativas da Área da Bacia Hidrográfica do Guaíba, Rio Grande do Sul, Brasil. IHERÍNGIA, Sér. Bot., Porto Alegre, v. 63, n. 1, p. 5-14, jan.-jun. 2008. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/publicacoes/iheringia-botanica/Ih63-1-p005-014.pdf>.

LINDENMAIER, D. de S. Etnobotânica em Comunidades Indígenas Guaranis no Rio Grande do Sul. Universidade de Santa Cruz do Sul. Rio Grande do Sul, 2008. 44p. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/19857491/MONOGRAFIADiogo-Lindenmaier>.

LOPES, S. B.; GONÇALVES, L. Elementos Para Aplicação Prática das Árvores Nativas do Sul do Brasil na Conservação da Biodiversidade. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul, 2006. 18p. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/jardimbotanico/downloads/paper_tabela_aplicacao_arvores_rs.pdf>.

MARQUES, T. P. Subsídios à Recuperação de Formações Florestais Ripárias da Floresta Ombrófila Mista do Estado do Paraná, a Partir do Uso Espécies Fontes de Produtos Florestais Não-madeiráveis. Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2007. 244p. Disponível em: <http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/14027/1/disserta%C3%A7%C3%A3o%20Themis%20Piazzetta%20Marques%20PDF.pdf>.

RODRIGUES, W. F. et al. Espécies Arbóreas da Serra do Tapes: Um Resgate Etnobotânico. EMBRAPA Clima Temperado. Pelotas, 2007. 68p. il. Disponível em: <http://www.cpact.embrapa.br/publicacoes/download/documentos/documento_190.pdf>.

SCHULTZ, A. R. Botânica Sistemática. 3ª ed. Editora Globo. Porto Alegre, 1963. 428p. il. v. 2.

SOMMER, G.V., Ferrucci, M.S., Acevedo-Rodríguez, P. 2010. Allophylus in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB020873).

WIELEWICK, A. P. et al. Proposta de Padrões de Germinação e Teor de Água para Sementes de Algumas Espécies Florestais Presentes na Região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Sementes, vol 28, nº 3, p.191-197, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbs/v28n3/27.pdf>.

ZUCHIWSCHI, E. Florestas Nativas na Agricultura Familiar de Anchieta, Oeste de Santa Catarina: Conhecimentos, Usos e Importância; UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2008. 193p. il. Disponível em: <http://www.tede.ufsc.br/tedesimplificado/tde_arquivos/44/TDE-2008-06-17T142512Z-287/Publico/dissertacao_Elaine.pdf>.

ZUCHIWSCHI, E.; FANTINI, A. C.; ALVES, A. C.; PERONI, N. Limitações ao Uso de Espécies Florestais Nativas Pode Contribuir Com a Erosão do Conhecimento Ecológico Tradicional e Local de Agricultores Familiares. Acta bot. Bras. 24(1): 270-282. 2010. Disponível em: <http://www.botanica.org.br/acta/ojs/index.php/acta/article/view/971>.

 

 

 

Allophylus edulis http://sites.google.com/site/florasbs/home  São Bento do Sul - Santa Catarina

Allophylus edulis http://sites.google.com/site/florasbs/home  São Bento do Sul - Santa Catarina













Comments