Prunus myrtifolia - Pessegueiro-bravo

Nomes populares

Pessegueiro-bravo, coração-de-negro, marmelo-bravo, pessegueiro-do-mato, varoveira

Nome científico

Prunus myrtifolia (L.) Urb.

Voucher

306 Schwirkowski (MBM392117)

Sinônimos

Cerasus brasiliensis Cham. & Schul.

Cerasus myrtifolius L.

Cerasus sphaerocarpa Loisel

Laurocerasus myrtifolia Britton

Prunus brasiliensis (Cham. & Schltdl.) Dietrich

Prunus sellowii

Prunus sphaerocarpa Sw.

Prunus subcoriacea (Chod. & Hassl.) Koehne

Família

Rosaceae

Tipo

Nativa, não endêmica do Brasil.

Descrição

Árvore de médio porte, de 10 a 20 m de altura, possui copa baixa, irregular e paucifoliada. O tronco é geralmente tortuoso, com casca externa de coloração castanho-acinzentada e casca interna marrom-avermelhada, oxidando-se rapidamente em contato com o ar. Suas folhas são simples, alterno-dísticas, coriáceas, elípticas até ovadas, pecioladas (até 10 mm), com ápice acuminado, base aguda, margem inteira e ondulada, medem de 6 a 12 cm de comprimento por 2 a 4,5 cm de largura. Pouco discolores, verde-escuras na face adaxial e com duas glândulas arredondadas na base do limbo, visíveis na face abaxial. As flores são pequenas, de cor branca, actinomorfas, diclamídeas, agrupadas em racemos axilares de até 10 cm de comprimento. Os frutos são drupas globosas, glabras, escuras quando maduras e com cerca de 10 mm de diâmetro (MARQUES, 2007, p. 190).

Característica

As folhas possuem um par de glândulas impressas próximo à base inferior, o que torna fácil o seu reconhecimento.

Floração / frutificação

Floresce com maior intensidade de dezembro a fevereiro, e a maturação dos frutos ocorre entre junho e agosto.

Dispersão

Zoocórica

Habitat

Árvore semidecídua, heliófita ou esciófita, indiferente quanto às características físicas do solo. É encontrada com maior freqüência em matas secundárias. Ocorre na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Mista e Densa e na Flroesta Estacional Semidecidual.

Distribuição geográfica

Norte (Pará, Amazonas, Acre), Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Mato Grosso, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul), Sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná) (BIANCHINI, 2010).

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Fitoterapia

Antigamente era utilizada na medicina popular em moléstias pulmonares como asma, tosses e como energético. Na medicina indígena Guarani é utilizada como remédio contra “perna dormente”, resfriados e dores de dentes.

Fitoeconomia

A madeira possui várias aplicações, como: tornearia artística, artesanato, artigos de esporte, cabos de ferramentas, folhas faqueadas decorativas, móveis, lambris, tacos, caibros, instrumentos agrícolas, tábuas para assoalho, e para acabamentos internos. É uma espécie promissora para utilização em reflorestamentos em áreas degradadas. Os frutos, quando maduros, são avidamente procurados e consumidos pela avifauna, seus principais dispersores, principalmente, o Sabiá-laranjeira (Turdus sp.), e o macaco-bugio (Alouatta fusca). Possui potencial ornamental, sendo recomendada para arborização nas margens das rodovias.

“As flores dessa espécie são apícolas. No Estado de São Paulo, ela floresce em agosto, mês de escassez de floradas, sendo suas flores avidamente freqüentadas pelas abelhas, que são atraídas pelo néctar abundante que exsuda do nectário, um espessamento anular laranja-amarelado, situado na superfície da parede do receptáculo com mais ou menos 3 a 4 mm de comprimento, localizado abaixo da inserção dos estames.” (MARQUES, 2007, p. 191).

Injúria

Os frutos e folhas são tóxicos para o gado, pois as cascas, folhas, e, principalmente as sementes, possuem como princípio ativo tóxico um glicosídeo cianogênico que, por hidrólise, libera cianeto, causando como sintomas mais freqüentes em animais: desequilíbrio, cólicas, tremores musculares, taquicardia, olhar vítreo, convulsões e até morte.

Comentários

Bibliografia

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