Ocotea odorifera - Canela-sassafrás

Nomes populares

Canela-sasafrás, canela-funcho, canela-parda, canelinha-cheirosa, casca-preciosa, inhuíba-funcho, louro-cheiroso, sassafrás, sassafrás-amarelo, sassafrás-brasileiro, sassafrás-preto, sassafrás-rajado, sassafrinho, sucupira

Nome científico

Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer

Basionônio

Laurus odorífera Vell.

Sinônimos

Ocotea pretiosa (Nees.) Mez

Família

Lauraceae

Tipo

Nativa, endêmica do Brasil.

Descrição

Árvores de 7 a 18 m alt., monóicas, ramos angulosos, amarronzados, estriados, glabrescentes; gemas apicais 0,4 - 1,0 cm compr., coriáceas, glabras, enegrecidas em material seco. Folhas aparentemente verticiladas no ápice de ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos; pecíolo enegrecido, canaliculado; lâmina cartácea a cartáceo-coriácea, oboval a elíptica, 13,0 - 24,0 x 3,6 - 5,5 cm, base aguda, margem plana, ápice agudo ou acuminado; face adaxial e abaxial glabra, sem pontoado enegrecido; padrão de nervação broquidódromo, nervuras secundárias 6 - 9 pares alternos, ângulo de divergência 45° - 60°, nervuras intersecundárias compostas, reticulado denso; domácias ausentes. Sinflorescência terminal corimbiforme de tirsóides, tirsóides, 3,5 - 7,5 cm compr. Flores monoclinas, tépalas lanceoladas ou ovadas, 2,5 - 3,5 mm compr., glabras; hipanto glabro. Estames das séries I e II com filetes 0,02 -0,04 cm compr., mais delgados que as anteras, antera sub-orbicular ou ovóide, 0,1 - 0,13 cm compr., ápice obtuso a agudo, papilosa, introrsa; estames da série III com filetes 0,02 - 0,04 cm compr., pilosos, par de glândula na base, antera retangular ou orbicular, 0,075 - 0,1 cm compr., ápice truncado, papilosa; série IV estaminodial ausente, quando presente, estaminódios liguliformes. Ovário elipsóide, 0,11 cm compr., glabro, estilete espesso, estígma capitado. Fruto elíptico 1,5 - 2,0 cm compr., 1,0 - 1,3 cm diâm., envolvido parcialmente (ca.de 1/3) por cúpula hemisférica, 1,0 - 1,4 cm comp., 1,3 - 1,2 cm diâm., verruculosa, crassa; pedicelo frutífero espesso. (QUINET, 2002, p. 37).

Característica

As folhas glabras subverticiladas para o ápice dos ramos são a principal característica dessa espécie. (BROTTO, 2010, p. 61).

Espécie muito próxima de O. indecora, da qual se diferencia pelo fruto de cúpula verruculosa, folhas lanceoladas, geralmente maiores, com 13,0 - 24,0 x 3,6 - 5,5 cm e gemas apicais robustas, enquanto O. indecora apresenta fruto de cúpula lisa, folhas menores, com 5,6 - 10,9 cm x 2,0 - 4,6 cm e gemais apicais mais delgadas, áureo-seríceas. (QUINET, 2002, p. 37).

Caracteriza-se por gemas apicais enegrecidas (em material seco), com até 1cm de comprimento. Folhas verticiladas no ápice de ramos floríferos e alternas em ramos vegetativos e frutos elípticos, envolvidos parcialmente por cúpulas hemisféricas, verruculosas. (QUINET, 2006, p. 21).

Floração / frutificação

Fevereiro, outubro e dezembro, frutificando em maio e dezembro.

Dispersão

Zoocórica

Hábitat

Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Densa e Floresta Estacional Semidecidual. Espécie clímax, esciófita, seletiva higrófita, heliófita.

Distribuição geográfica

Norte (Pará), Nordeste (Pernambuco, Bahia), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (QUINET, 2010).

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Fitoterapia

Possui aplicações na medicina popular.

Fitoeconomia

Espécie de alto valor econômico, pois dela se extrai o óleo-de-sassafrás, usado principalmente no isolamento do safrol e sua conversão em heliotropina (piperonal). Substâncias derivadas do safrol, como piperonal e ácido-piperonílico, são usadas, respectivamente, em perfumaria e como sinergéticos em inseticidas; e, ainda, em muitas preparações técnicas, sabões, desinfetantes e desodorizantes. (BARBOSA, 2009, p. 110).

Pelo seu grande porte, é indicada na arborização urbana apenas para canteiros centrais em praças, onde exista local adequado a seu tamanho.

Injúria

Comentários

Meus agradecimentos a Jean Fábio Bianconcini, por ceder as fotos desta espécie.

Devido à exploração de sua madeira para a obtenção do safrol, encontra-se atualmente na lista da flora ameaçada de extinção. Para a obtenção de sementes para plantio, os frutos devem ser colhidos quando passarem da cor verde para violáceo, necessitam de escarificação para quebra de dormência.

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