Erythrina falcata - Corticeira-da-serra

Nomes populares

Corticeira-da-serra, bico-de-papagaio, bituqueira, canivete, ceibo, corticeira, corticeira-do-mato, corticeira-do-seco, feijão-bravo, mulungu, sanandu, sananduí, sapatinho-de-judeu, sarnão, simandu, sinandu, sinhanduva, suína, suínã-do-mato

Nome científico

Erythrina falcata Benth.

Voucher

647 Schwirkowski (MBM)

Sinônimos

Corallodendron falcatum (Benth.) Kuntze

Erythrina crista-galli var. inermis Speg.

Erythrina martii Colla.

Família

Fabaceae

Tipo

Nativa, não endêmica do Brasil.

Descrição

Árvore caducifólia, de 10 a 30 m de altura, e com tronco de 30 a 90 cm de diâmetro. O tronco é reto, com seção cilíndrica, geralmente munido de nódulos e de acúleos. A casca pode chegar a 20 mm de espessura; tem cor castanho amarela, com ritidoma finamente fissurado e descamação pulverulenta. As folhas são compostas, trifolioladas, alternas com até 15 cm de comprimento e 8 cm de largura; com pecíolo de 5 a 16 cm de comprimento. As flores são vermelho-alaranjadas, de 3 a 5 cm de comprimento, em numerosos cachos pendentes da extremidade dos ramos em inflorescência racemosa axilar, terminal ou lateral, com 10 a 30 cm de comprimento, com flores nunca totalmente abertas, em grupos de três, tornando-se inconfundível na primavera. O fruto é um legume indeiscente, achatado, estipitado, não septado internamente, de coloração pardo-escura, com 10 a 20 cm de comprimento por 2 a 3 cm de largura, com 3 a 15 sementes. As sementes são reniformes, achatadas, com hilo curto e oblongo, de coloração castanho-escura, com estrias rajadas, de 1 a 1,5cm de comprimento. (MARQUES, 2007, p. 118).

Característica

Floração / frutificação

Maio a novembro, frutificando de setembro a dezembro.

Dispersão

Habitat

Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Ombrófila Densa e Floresta Estacional Semidecidual. Ocorre em floresta clímax ou vegetação secundária. Espécie decídua, heliófita ou esciófita. Seletiva higrófila, característica de várzeas aluviais, bem úmidas, e início de encostas. É encontrada tanto no interior da floresta como em formações abertas e secundárias, como capoeiras e capoeirões.

Distribuição geográfica

Nordeste (Maranhão), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul), Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (LIMA, 2010).

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Na casca é encontrado o alcalóide hiporifina, do grupo curate, utilizada pelos índios como droga sedativa para entorpecer peixes. (MARQUES, 2007, p. 119).

A composição mineral das flores mostrou que possui componentes como cálcio, magnésio, manganês, chumbo, ferro, sódio, potássio, cobre, zinco, enxofre e boro.

Fitoterapia

Na medicina popular, é usada como calmante de tosses, bochechos contra infecções bucais, doenças do fígado, hepatite, dores musculares, insônia, hipertensão arterial, sinusite, reumatismo, como cicatrizante em feridas cancerosas, menopausa, depurativo, ferimentos e úlceras e no rejuvenescimento da pele. Tribos indígenas do Paraná e Santa Catarina utilizam-na no tratamento de dores de dente, primeiro banho do bebê (como prevenção à hipotermia), dores na bexiga e hemorróidas.

Fitoeconomia

Como ornamental, possui um belo efeito durante a floração, porém este recurso não tem sido aproveitado, e poderia ser utilizada para a arborização de praças e canteiros centrais. As rolhas, extraídas da casca, apresentam propriedades elétricas e caloríficas. Para uso ecológico, é interessante o seu plantio em áreas fluviais degradadas. Suas flores são visitadas por periquitos e papagaios que sugam seu néctar. A madeira, de cor laranja, pode ser aproveitada para laminados e calçados, os índios Guarani utilizam-se de sua madeira para a fabricação de artesanato. As sementes também são utilizadas em artesanato. As pétalas das flores são comestíveis cozidas ou refogadas e temperadas com pimenta, sal, alho, cebola, etc., resultando em um prato delicioso. KINUPP (2007) cita que “por seu sabor, consistência e coloração agradáveis poderão ter um grande potencial mercadológico no mercado de flores comestíveis que está em franca expansão”.

Injúria

Comentários

Um Kg de sementes possui em torno de 1.550 unidades. Na língua Guarani é chamada de kurupika’y.

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