Mimosa scabrella - Bracatinga

Nomes populares

Bracatinga, bracaatinga, bracatinga-comum, bracatinga-vermelha, anizeiro, mandengo

Nome científico

Mimosa scabrella Benth.

Voucher

954 Schwirkowski (MBM)

Sinônimos

Mimosa bracaatinga Hoehne

Mimosa bracaatinga Hoehne var. aspericarpa Hoehne

Mimosa scabrella Benth. var. aspericarpa (Hoehne) Burkart.

Mimosa sórdida Benth.

Família

Fabaceae-Mimosoideae

Tipo

Nativa, endêmica do Brasil.

Descrição

Árvore inerme, com até 20 m de altura. Tronco curto, de coloração ferrugínea. Folhas bipinadas com até 14 pares de pinas opostas, com 2-7 cm de comprimento, dotadas de pecíolo engrossado e um par de estipelas na base. Folíolos 15-31 pares por pina, densamente tomentosos. Caracteriza-se por ser semidecídua, heliófita, pioneira e bastante indiferente às condições do solo. Capítulos axilares ou laterais, pedunculados, de 1-3 por nó; flores amarelas e pequenas, dispostas em racemos curtos com folhas basais e com a raque dos racemos; na maioria dos casos, continuando o seu crescimento vegetativo mesmo após a floração. Floresce durante todo o ano. Fruto lomento oblongo-linear, achatado e mucronado, com 2 a 4 sementes no interior (CITADINI-ZANETTE, 1992, p. 37).

Característica

Floração / frutificação

Abril a setembro, com frutos de novembro a março.

Dispersão

Habitat

Árvore característica e exclusiva da Mata de Araucária, mas ocorrendo também em outras formações vegetais. É encontrada em matas secundárias, em capões mais abertos, na "zona de matinha nebular", e em menor proporção na zona da mata pluvial da encosta atlântica.

Distribuição geográfica

Sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro), Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) (DUTRA, 2010).

Etimologia

O nome comum "bracatinga" tem origem indígena. Etimologia, conforme Hoehne: aba = árvore ou mata; ra = peras ou plumas; caa = árvore ou mata; tinga = branco; ou seja, "árvore ou mata de muitas plumas brancas'', do guarani "abaracaatinga".

Propriedades

Fitoquímica

De produtos bioquímicos, as sementes fornecem galactomanana e o trigalactosil pinitol, e açúcares, possuindo usos potenciais na indústria de alimentos, fármacos, cosméticos e explosivos.

Fitoterapia

Os índios dos Estados do Paraná e Santa Catarina utilizavam a casca do caule para combater coceiras.

Fitoeconomia

Espécie florestal de rápido crescimento. Sua madeira, além de fornecer laminados, é também utilizada para celulose, carvão e lenha.

Sua folhagem, legumes e sementes podem ser utilizados na alimentação do gado. É planta apícola, porém o mel produzido de seu pólen não é bem aceito no mercado. É muito empregada na revegetação e recuperação de áreas degradadas, por depositar muita matéria orgânica no solo, e auxiliando também na fixação do nitrogênio. Também é recomendada para plantio como quebra-vento arbóreo.

Injúria

Comentários

Após a quebra de dormência das sementes com fervura, a emergência das sementes ocorre entre 20 a 30 dias após o plantio.

Bibliografia

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DUTRA, V.F., Morim, M.P. 2010. Mimosa in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB100978).

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