Maytenus ilicifolia - Espinheira-santa

Nomes populares

Espinheira-santa, cancerosa, cancorosa, cancrosa, espinho-de-deus, sombra-de-touro

Nome científico

Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek

Voucher

242 Schwirkowski (MBM)

Sinônimos

Maytenus muelleri Schwacke

Maytenus officinalis Mabb.

Família

Celastraceae

Tipo

Nativa, endêmica do Brasil.

Descrição

Planta subarbórea, de pequeno porte (1,5 a 3,0m), perene, multicaule, formando touceiras densas com perfilhos oriundos das raízes. Raízes fortes e numerosas, avermelhadas, externamente e amareladas internamente. Caule muito ramificado, verde-acinzentado, lenhoso, ereto, ramificado, apresentando estrias longitudinais que a diferenciam das outras espécies do gênero. As folhas são inteiras, simples, alternas, simples, persistentes, lanceoladas, oblongas, peninérveas, curto-pecioladas, coriáceas, verde-escuras e brilhantes na face ventral e verde-claras e foscas na dorsal, glabras, margens com vários pares de dentes espinhosos e ápice agudo. O número de espinhos dos bordos foliares é sempre ímpar (5, 7 ou 9), raramente com os bordos lisos. Flores muito pequenas, amarelas ou branco-esverdeadas, agrupadas 3 a 20 em inflorescência tipo fascículo, nas axilas das folhas, hermafroditas, diclamídeas, pentâmeras, sésseis, actinomorfas, amarelo-esverdeadas. Fruto tipo cápsula, seco, ovóide, bivalva, inicialmente amarelo-esverdeado passando a alaranjado e depois a vermelho. Semente elipsóide, avermelhada, coberta por um arilo branco, pouco espesso, em número de 1 a 2 por fruto (PLANTAS MEDICINAIS, 2001).

Característica

Geralmente é confundida com a espécie Maytenus aquifolia, mas distingue-se desta por ter os ramos angulosos e com estrias longitudinais.

Floração / frutificação

Floresce normalmente julho a outubro. Frutifica de setembro a dezembro.

Dispersão

Zoocórica

Habitat

É planta perenifólia e heliófita, geralmente ocorrendo onde os solos são bem drenados, argilosos e ricos em matéria orgânica. Ocorre no Cerrado e Mata Atlântica, na Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista.

Distribuição geográfica

É encontrada no Paraguai, Bolívia, Argentina, Chile, Uruguai e Brasil, nos Estados de São Paulo a Santa Catarina.

Etimologia

Propriedades

Fitoquímica

Contém carotenóides, taninos, terpenos, flavonóides e mucilagens.

Fitoterapia

Na medicina popular, é usada como anti-séptica em feridas e úlceras. Entre suas propriedades medicinais, é indicada também para problemas do aparelho digestivo, principalmente contra a hiperacidez, no combate à doenças do trato urinário, flatulência, dor ciática, câncer de pele, amenorréia, febres, dismenorréia, úlceras, gastrite, acnes, herpes, diarréia, e lavagens de ferimentos e ulcerações, pois possui propriedades cicatrizantes e antiinflamatórias, para isso, é usado o decocto das folhas. Também é utilizada como anti-séptica, emenagoga, dispéptica, analgésica, adstringente, febrífuga, laxativa, desinfetante e tônica.

Fitoeconomia

Possui qualidades ornamentais, e, apesar do lento crescimento, pode ser utilizada na arborização urbana. As folhas são usadas para falsificar a erva-mate. Produz abundante quantidade de sementes, que são disseminados pela avifauna.

Injúria

Comentários

Encontra-se desde 1995 na lista das espécies ameaçadas de extinção no Estado do Paraná. Esta espécie encontra-se com a população extremamente reduzida, devido provavelmente à extração irregular para a produção de chás utilizados na medicina popular. É uma das 71 plantas medicinais listadas pelo Ministério da Saúde como de interesse do SUS.

O método mais fácil de propagação e através do plantio de sementes, testes de alporquia ou estaquia não deram bons resultados. Na maioria dos frutos encontra-se apenas uma semente, com longevidade pequena e o crescimento da planta é lento. As sementes mantém alta capacidade de germinação por 60 dias.

Bibliografia

Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil, volume 1 / [organização Rafaela Campostrini Forzza... et al.]. -

Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. 2.v. 875 p. il. Disponível em: <http://www.jbrj.gov.br/publica/livros_pdf/plantas_fungos_vol1.pdf>.

CERVI, A. C. et al. Espécies Vegetais de Um Remanescente de Floresta de Araucária (Curitiba, Brasil): Estudo preliminar I. Acta Biol. Par., Curitiba, 18(1, 2, 3, 4): 73-114. 1989. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/acta/article/view/789/631>.

DI STASI, L. C.; HIRUMA-LIMA, C. A. Plantas Medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. Editora UNESP. 2. ed. São Paulo, 2002. 592P. il. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/up000036.pdf>.

FLORA ARBÓREA e Arborescente do Rio Grande do Sul, Brasil. Organizado por Marcos Sobral e João André Jarenkow. RiMa: Novo Ambiente. São Carlos, 2006. 349p. il.

FRANCO, L. L. As Sensacionais 50 plantas Medicinais. 5ª ed. Editora de Livros e Revistas "O Naturalista". Curitiba, 1998. 248 p. il.

KOCH, V. Estudo Etnobotânico das Plantas Medicinais na Cultura Ítalo-brasileira no Rio Grande do Sul – Um Modelo Para o Cultivo Comercial na Agricultura Familiar. Tese de mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2000. 152p. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/1814>.

LOMBARDI, J.A., Groppo, M. 2010. Celastraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB006762).

LOPES, S. B.; GONÇALVES, L. Elementos Para Aplicação Prática das Árvores Nativas do Sul do Brasil na Conservação da Biodiversidade. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul, 2006. 18p. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/jardimbotanico/downloads/paper_tabela_aplicacao_arvores_rs.pdf>.

MENTZ, L. A.; LUTZEMBERGER, L. C.; SCHENKEL, E. P. Da Flora Medicinal do Rio Grande do Sul: Notas Sobre a Obra de D’ÁVILA (1910). Caderno de Farmácia, v. 13, n. 1, p.25-48, 1997. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/farmacia/cadfar/v13n1/pdf/CdF_v13_n1_p25_48_1997.pdf>.

NOELLI, F. S. Múltiplos Usos de Espécies Vegetais Pela Farmacologia Guarani Através de Informações Históricas; Universidade Estadual de Feira de Santana; Diálogos, DHI/UEM, 02: 177-199, Bahia, 1998. Disponível em: <http://www.dhi.uem.br/publicacoesdhi/dialogos/volume01/Revista%20Dialogos/DI%C1LOGOS10.doc>.

PLANTAS DA FLORESTA ATLÂNTICA. Editores Renato Stehmann et al. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2009. 515p. Disponível em: <http://www.jbrj.gov.br/publica/livros_pdf/plantas_floresta_atlantica.zip>.

PLANTAS MEDICINAIS. CD-ROM, versão 1.0. PROMED – Projeto de Plantas Medicinais. EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. Coordenação: Antônio Amaury Silva Junior. Itajaí, Santa Catarina. 2001.

SCHULTZ, A. R. Botânica Sistemática. 3ª ed. Editora Globo. Porto Alegre, 1963. 428p. il. v. 2.

ZUCHIWSCHI, E. Florestas Nativas na Agricultura Familiar de Anchieta, Oeste de Santa Catarina: Conhecimentos, Usos e Importância; UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2008. 193p. il. Disponível em: <http://www.tede.ufsc.br/tedesimplificado/tde_arquivos/44/TDE-2008-06-17T142512Z-287/Publico/dissertacao_Elaine.pdf>.