Sexualidade e Fertilidade em Mulheres após a Lesão Medular
Reabilitação do Lesado Medular

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MULHERES

 

Introdução

Lesão Medular afeta cerca de 200.000 pessoas nos Estados Unidos mas, somente 20% delas são mulheres. Sendo as mulheres menos afetadas do que os homens, existem também menos estudos publicados na área da sexualidade e fertilidade para as mulheres. Outra causa para justificar este fato é o de que a mulher permanece fértil e capaz de levar uma gravidez a termo, dando-se assim menos atenção aos seus problemas nesta área.

 

Sexualidade

Recentemente, entretanto, as pesquisas sobre a função sexual nas mulheres com lesão medular tem aumentado. Charlifue e colaboradores estudaram 231 mulheres com lesão medular e descobriram que 50% delas relataram-se aptas a terem orgasmo usando estimulação genital ou estimulação genital e dos seios associadas. Algumas mulheres relataram orgasmo com estimulação acima do nível da lesão. Os autores não dizem quantas mulheres com lesão completa relataram ter tido orgasmo mas, do total do grupo estudado, 72% com tetraplegia e 77% com paraplegia descreveram suas lesões como sendo completa. Num grupo de 25 mulheres com lesão medular, Sipski e Alexander descobriram que 44% relataram aptidão para alcançar orgasmo, sem correlação entre o fato da lesão ser completa e o orgasmo. Entretanto, o número de casos estudados ainda é pequeno.

Apenas alguns poucos laboratórios estudam o orgasmo na mulher com lesão medular. Sipski e col. usaram instrumentos para estudar a resposta psicológica em 25 mulheres com lesão completa ou incompleta durante estimulação sexual com parceiros ou sozinhas. 52% do grupo inteiro, atigiram o orgasmo, e 36% com lesão completa estavam aptas a atingirem o orgasmo.

É digno notar que a média de tempo necessário para atingir o orgasmo é mais longo para aquelas com lesão medular (cerca de 30 minutos) do que para o grupo de controle que não possuía lesão (cerca de 15 minutos). A maior parte das mulheres com lesão, estimularam-se a si mesmas na região vaginal e clitóris da mesma forma que as mulheres sem lesão. Algumas usaram um vibrador. Este estudo é importante porque retira o mito de que as mulheres com lesão completa de medula não são capazes de alcançarem o orgasmo com estimulação genital.

As mulheres com lesão, que alcançam orgasmo, não precisam usar aparelhos de medidas para saber quando isto acontece. Estudos revelam a presença de diferentes tipos de sensação sexual tais como prazer intenso seguido de relaxamanto intenso. Algumas mulheres experimentam um formigamento nas pernas ou um aumento do tonus muscular seguida por relaxamento. As descrições dadas pelas mulheres com lesão são muito parecidas com as dadas pelas mulheres sem lesão.

Atividade sexual pode produzir sinais e sintomas de disrreflexia autonomica, uma condição clínica onde ocorre aumento da pressão arterial, dor de cabeça, número de batimentos cardíacos anormal, suor profuso e que pode ocorrer em pessoas que apresentam lesões a nível ou acima de T6. Embora possa haver um aumento da pressão arterial com a atividade sexual, níveis perigosos não foram encontrados por Sipski e col. em seus estudos.

Porque o sexo é ligado a psicologia, um estado mental, relaxar e aproveitar toda a sensação de prazer que o momento pode oferecer é o que direciona para a presença do orgasmo ou ao intenso prazer sexual. Participar da experiência como um "corpo inteiro", independente de qualquer perca ou qualquer outras distração externas, ajuda a produzir uma satisfação interior que pode levar ao orgasmo sexual. Respostas hormonais e autonômicas são muito mais importantes para a atividade sexual do que nervos que controlam as pernas ou braços.

Ainda que o orgasmo seja uma sensação de prazer intenso, a satisfação sexual em si não requer o orgasmo. O prazer advindo do sexo pode vir de muitas formas e maneiras diferentes e a experiência de novas táticas associada a boa comunicação entre os parceiros são as chaves para uma vida sexual satisfatória.

 

Fertilidade

A menstruação geralmente cessa imediatamente após uma lesão medular mas, retorna dentro de 1-12 meses. Portanto, o controle pré natal é necessário após a lesão medular, para uma mulher sexualmente ativa e que não deseja engravidar.

No passado, gravidez e parto eram considerados perigosos para uma mulher com lesão medular. Hoje em dia, no entanto, com uma boa assistência, um excelente resultado pode ser esperado tanto para a mãe quanto para o bebe. Complicações médicas incluem um aumento para a infecção urinária, úlceras de pressão (escaras) e espasciticade. Para minimizar o risco de infecção urinária as mulheres devem evitar o uso de cateterização permanente da bexiga sempre que possível.

A complicação potencialmente mais séria da gravidez e do parto em uma mulher com lesão medular é a disrreflexia autonômica. Esta é uma condição que pode ocorrer quando os nervos simpáticos são disparados por estímulos noxial abaixo do nível da lesão e pode ser tratado pela remoção desses estímulos noxiais e com o uso de medicação antihipertensiva. Problemas sérios podem acontecer se o médico falhar em reconhecer esta condição quando ela ocorrer.

Outro problema potencial é o desenvolvimento de uma doença trombo-embólica na qual os vasos sanguíneos ficam bloqueados por coágulos. Este perigo é aumentado pelo fato de haver um estado de hipercoagulabilidade na corrente sanguínea durante a gravidez e mesmo a própria imobilidade promovida pela lesão medular. Mais ainda, este risco é exarcebado pelo ganho de peso durante a gravidez. No entanto, poucos casos de trombose venosa profunda ou embolismo pulmonar (bloqueio de uma vaso sanguíneo no pulmão) tem sido relatados.

Com as lesões torácicas altas e as cervicais merecem uma atenção especial na área da função respiratória que pode estar prejudicada com o aumento do peso da gravidez e do trabalho de parto, requerendo um suporte ventilatório para a paciente. O risco de parto prematuro pode aumentar discretamente. A maneira do parto pode ser determinada preliminarmente por indicação do obstetra que acompanha a gestante. A indicação para parto cesáreo atinge os mesmo índices do que para mulheres que não tem lesão medular.

 

Dra. Flavia Fernandes, MD

 

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