Dor Crônica
Reabilitação do Lesado Medular

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Informação sobre Dor Crônica

Quando a dor não vai embora

 

Índice

  • O que é dor? 
  • Como classificar a dor? 
  • Dor - Um novo campo na Medicina
  • Guias para o Paciente
  • Mitos e Fatos sobre o tratamento da Dor Crônica
  • O que vem a seguir? 

 

 

O que é dor?

Largamente aceita é a definição dada pela "International Association for the Study of Pain" (IASP) que diz: "Dor é uma experiência emocional e sensitiva desagradável associada a uma lesão real ou potencial de um tecido ou descrita em termos de haver tido uma lesão. Dor é um sofrimento e é familiar a todas as pessoas, ainda que seja complexa e subjetiva e não possa ser facilmente descrita ou tratada".

Como classificar a dor? 

Existem dois tipos de dor: aguda e crônica. A dor aguda é descrita como sendo temporária e que ocorre com frequência como resultado de uma lesão do corpo. Geralmente a dor aguda desaparece quando a lesão é curada ou a causa da lesão é eliminada, como na dor do pós operatório ou nas contrações do trabalho de parto. A dor crônica pode ser dividida em três classes: 1) a dor crônica de origem não maligna é como a dor lombar e a artrite reumatóide; 2) a dor crônica intermitente é como a dor de cabeça provocada pela enxaqueca e (3) a dor crônica maligna é uma dor que está associada ao cancer e a SIDA. Este tipo de dor causa sofrimento severo tanto físico quanto psicológico. 

Dor - Um Novo Campo na Medicina

O estudo da dor ou algilogia é um novo campo. No passado os profissionais não estavam bem preparados para a identificação apropriada da dor, avaliação e condutas da mesma. De um modo geral tem havido uma falta de entendimento  no processo da dor e da depressão respiratória causada pelo uso de opiáceos, preocupações excessivas quanto a dependência do uso de opiáceos (que agora sabemos não ser da maneira como se pensava antigamente)  e no conhecimento referente à farmacologia e aos mecanismos de ação de outras drogas e métodos de tratamento. Diminuir a dor aleatóriamente tem sido mais frequente do que buscar uma possível  causa e cura para a mesma e com isto muitas dores permanecem mal reconhecidas ou mal tratadas. 

A falta de tratamento é uma parte do problema e a falha da terapêutica outra. Os médicos possuem poucas armas contra a dor e cada arma ainda possue suas desvantagens. O acetoaminofen e outros remédios que não necessitam de receituário para a compra são ineficazes na maior parte das vezes para a maior parte das condições crônicas. Os opiáceos como a morfina resolvem por um pequeno período de tempo mas, os pacientes que desenvolvem resistência a eles requerem doses cada vez mais elevadas para manterem os mesmos efeitos. Quanto mais aumentamos as doses de opiáceos mais aparecem os efeitos colaterais como sedação, constipação, náuseas e vomitos. Como resultado muitos pacientes deixam o tratamento ou apelam para obter conforto às suas dores às custas de seus próprios esforços.

Felizmente um número de alternativas vem surgindo no horizonte e os médicos acreditam que estas novas drogas e metodologias serão mais seguras e efetivas do que as atuais terapêuticas.

Guias Para os Pacientes

Uma acurada avaliação da dor e do envolvimento do paciente será necessária para caminharmos da observação para um tratamento de sucesso. Aqui estão algumas direções para os pacientes. 
  • Converse com o seu médico ou assistente de saúde sobre a sua dor. Diga-lhes quanta dor você está sentindo, onde você está sentindo e com que ela se parece. Lembre-se de que a dor é o que você diz que é; não existem maneiras certas ou erradas de sentir uma dor. 
  • Trabalhe juntamente com o seu médico ou assistente de saúde para resolver a sua dor. Deixe-os saber o que te traz alívio e também se o tratamento está sendo adequado ou não. Tenha a certeza de dizer a eles se a dor muda de acordo com os horários do dia. 
  • Converse com o doutor ou seu assistente de saúde sobre as suas preocupações em torno da medicação que você está tomando. Eles podem te ajudar a entender melhor o tratamento da sua dor. 
  • Tome suas medicações regurlamente como foi prescrito pelo seu médico. Isto ajudará a colocar a sua dor sobre controle. Não deixe de tomar nenhuma dosagem da medicação. Pergunte ao seu médico quando e como tomar uma medicação extra se a sua dor piorar. 
  • Se você experimentar efeitos colaterias diga entre em contato com o seu médico ou assistente de saúde. Existem medicações que podem ser prescritas para rebater os efeitos colaterias ou então poderá ser prescrita uma nova medicação. 
  • Mitos e Fatos sobre Dor Crônica 

    Mito:
    A dor é uma parte da minha doença e eu devo telerá-la. Ainda que seja inconfortável ela não é prejudicial. 
    Fato:
    A dor coloca tensão sobre o corpo e rouba a energia que ele precisa para combater a doença. A dor interfere no apetite, no sono e atrapalha as atividades. Mantém você na cama quando o melhor seria estar se locomovendo e pode tirar uma importante ferramenta do seu sistema imunológico. A dor crônica pode alterar as células nervosas na medula causando hipersensibilidade para um mesmo estímulo. A dor é uma séria condição e deve ser tratada. 

    Mito:
    Bons paciente não se queixam de suas dores. 
    Fato:
    Controlar a sua dor é impotante para o seu bem estar. Seu médico necessita saber se você está sentindo dor, se a sua dor está piorando ou se a medicação que você está tomando não está funcionando. O trabalho do seu médico é ajudar a descobrir um alívio para a sua dor. 

    Mito:
    Uma dor nova ou que aumenta de intensidade quer dizer que a minha doença está progredindo. 
    Fato:
    Aumento da dor ou mesmo diminuição do intervalo da dor pode significar que você está se tornando intolerante à medicação. Neste caso o seu médico pode aumentar a dose da medicação que você está tomando ou prescrever uma outra diferente. Sempre comunique ao seu médico uma dor nova, diferente ou que tenha mudado de intensidade.  

    Mito:
    Falar a respeito da minha dor irá tirar a atenção do meu médico da minha doença de base.
    Fato:
    É um direito seu ter a sua dor aliviada e seu médico precisa trabalhar juntamente com você  para realizar um bom programa de tratamento para a sua dor. Faça o tempo da sua consulta ser mais produtivo escrevendo todas as perguntas que você gostaria de ter esclarecidas sobre a sua doença e sua dor. 

    Mito:
    Os médicos tem uma tendência a prescrever opiáceos demais e eu devo evitá-los pois temo ficar presa ou dependentes deles.
    Fato:
    Os médicos tendem a prescrever remédios que aliviam a dor. Estudos tem revelado que a chance de ficar dependentes de uma medicação que alivia a dor é baixa. Caso você esteja tomando uma medicação de forma regular haverá grandes chances de você requerer quantidades cada vez menores para o alívio de sua dor. 

    Mito:
    Se eu tomar as medicações eu vou ficar passando mal por causa dos efeitos colaterais.
    Fato:
    Quando uma medicação apresenta efeitos colaterais eles podem ser controlados por outras medicações ou intervenções adicionais. É importante falar com o seu médico a respeito de qualquer efeito colateral que você possa estar experimentando. 

    Mito:
    Eu devo esperar até não aguentar mais para poder pedir por um remédio.  
    Fato:
    A dor de pouca intensidade é mais fácil de ser controlada do que a dor de grande intensidade. Os médicos descobriram que é mais fácil tratar uma dor quando ela está no início ou então mais fraca e, por isso, muitos estão prescrevendo uma medicação para ser tomada durante o dia. A medicação tomada de uma forma regular previne de surgir uma dor e cria menos efeitos colaterais. 

    Mito:
    Se eu tomar muita medicação ela não vai fazer efeito quando eu realmente precisar dela.
    Fato:
    As medicações para dor não param de fazer efeito. Algumas vezes, quando você desenvolver resistência por uma droga ou a sua dor aumentar, o seu corpo vai necessitar de doses maiores de uma medicação mais forte (como a morfina por exemplo). Entretanto, não existe limite de dose máxima para os opiáceos e a capacidade que eles tem de aliviar uma dor não vai cessar com o uso. Alguns pacientes podem não ser capazes de lidar com os efeitos colaterais de doses muito altas de medicações mas, novas opções para  analgesia estão a caminho
    .  

    O que vem a seguir? 

    Com a diminuição dos velhos temores e um melhor entendimento sobre o processo da dor nós veremos em breve uma dramática mudança no campo do manuseio da dor. Tanto novas medicações quanto novas técnicas estão aparecendo no horizonte trazendo novas esperança para aqueles que são acometidos da dor crônica.  

     

    Dra. Flavia Fernandes, M.D.

     

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