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Racionalismo e empirismo


 

Racionalistas continentais

Empiristas ingleses

 

- Descartes


- Malebranche


- Spinoza


- Leibniz


- Wolff

 

 

- Francis Bacon


- Hobbes


- Locke


- Berkeley


- Hume

 

Racionalismo Moderno: Descartes, Malebranche, Spinoza, Leibiniz e Wolff

 

- A palavra racionalismo deriva do latim ratio, que significa razão. Aqui, o termo está sendo empregado para designara doutrina que deposita total e exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade. Ou, como recomendou o filósofo racionalista Descartes: nunca nos devemos deixar persuadir senão pela evidênciade nossa razão.

- Os racionalistas afirmam que aexperiência sensorial é uma fonte permanente de erros e confusões sobre acomplexa realidade do mundo. Somente a razão humana, trabalhando com os princípios lógicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro, capaz de ser universalmente aceito. Para o racionalismo,os princípios lógicos seriam inatos na mente do homem.

 

Questões:

1) Você concorda com o racionalismo, ou seja, que a razão humana é perfeitamente confiável? Poderia a razão humana cometer erros? Justifique a sua resposta.

2) Como poderíamos justificar a afirmativa de que a experiência sensorial é uma fonte permanente de erros?

3) O que é mais importante: a razão ou a experiência sensorial?

 

René Descartes (1596 – 1650)

“Encontrei-me tão perdido entre tantas dúvidas e erros que me parecia uqe, ao procurar me instriur, não alcançara outro proveito  que o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância 

Vida

- René Descartes (latinizado Cartesius) nasceu em La Haye em 1596.

- Licenciou-se e, direito pela Universidade de Poiters.

- De 1618 a 1620 se arrolou em vários exércitos que participavam da Guerra dos trinta anos.

- Morreu quando estava na Suécia em 1650 de pneumonia.

Pensamento

- Defende a necessidade de um novo método como início de um novo saber.

- Critica a lógica aristotélica (silogistica) por não remeter a nenhuma heurística.

- Faz críticas ao saber matemático e propõe uma espécie de matemática universal (sem números e sem figuras geométricas). Essa matemática universal seria um modelo para todo o saber.

- A questões levantadas por Descartes vão de encontro ao fundamento do saber.

- As Regras do Método: Descartes quer primeiramente oferecer regras certas e fáceis que, corretamente observadas, levarão ao conhecimento verdadeiro de tudo aquilo que se pode conhecer. No Discurso Sobre o Método, estas regras são quatro:

 

1) A evidência racional: que se alcança mediante um ato intuitivo que se autofundamenta.

2) A análise: uma vez que para a intuição é necessária a simplicidade, que se alcança mediante a decomposição do complexo em partes elementares.

3) A síntese: que deve partir de elementos absolutos ou não dependente de outros, e proceder em direção aos elementos relativos ou dependentes, dando lugar a uma cadeia de nexos coerentes.

4) O controle: efetuado mediante a enumeração completa dos elementos analisados e a revisão das operações sintéticas.

- Estabelecidas as regras metódicas, Descartes passa a aplicá-las aos princípios sobre os quais o saber tradicional se fundamentos. A condição para esta aplicação é não aceitar como verdadeira nenhuma asserção que seja possível ser posta em dúvida.

- Cogito ergo sum (penso, logo existo): É o princípio teórico primeiro da filosofia cartesiana, originado da dúvida radical: “Do próprio fato de duvidar das outras coisas”, diz Descartes, “segue-se de modo mais evidante e certo que eu existo”, porque “se vê trivialmente que para pensar é preciso existir”.

- Res Cogitans e Res Extensa: Para descartes existe apenas dois tipos de substâncias, distintas e irredutiveis uma à outra: A substância pensante (res cogitans) e a substância extensa (res extensa)

- Res Cogitans: é a existência mental do ser humano, ou seja é uma realidade pensante.

- Res extensa: é o mundo material (compreendendo obviamente o corpo humano).       

Pesquisa Extracurricular:

Guerra dos trinta anos

- A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) foi uma série de conflitos religiosos e políticos ocorridos especialmente na Alemanha, nos quais rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados em uma luta européia.

Silogismo

- É um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão

Heurística

- A etimologia da palavra heurística é a mesma que a palavra eureka.

- Denomina-se 'heurística' à capacidade de um sistema fazer inovações e desenvolver técnicas de forma imediata e positivas para um determinado fim. A capacidade heurística é uma característica dos humanos, cujo ponto de vista pode ser descrito como a arte de descobrir e inventar ou resolver problemas mediante a criatividade e o pensamento lateral ou pensamento divergente.

Análise

- Exame de cada parte de um todo, tendo em vista conhecer sua natureza, suas proporções, suas funções, suas relações, etc.: análise de um mecanismo; análise de dados referentes a um grupo social.

Síntese

- Obtenção de um todo, a partir dos seus componentes elementos primordiais

 

Ocasionalismo (Malebranche, Spinoza e Leibniz)

 

- Questão motivadora: é possível algo imaterial mover algo material? E algo material mover algo imaterial?

- O Cartesianismo teve sucesso notável sobretudo na Holanda e na França. Houve um grupo de pensadores que aprofundou seus aspectos metafísicos e gnosiológicos, radicalizando em particular o dualismo existente entre pensamento e extensão, e propondo o “recurso a Deus” como única solução do problema da recíproca relação das duas substâncias: a vontade e o pensamento humano não agem diretamente sobre os corpos, mas são “ocasiões” a fim de que Deus intervenha para produzir as respectivas idéias.

- Essa teoria, denominada “Ocasionalismo”, foi preparada por L. De la Forge, G. de Cordemoy (1620-1684), J. Clauberg (1622-1665), mas foi formulada por A. Geulincx (1624-1669) e teve a mais acurada elaboração sobretudo graças a Malebranche (1638-1715), que soube impô-la à atençao de todos.

Spinoza

- Espinosa defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo e do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que esse "Deus sive Natura" ("Deus ou Natureza") era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão e o pensamento eram dois.

- Espinosa acreditava profundamente no determinismo, que propunha que absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade.

- A filosofia de Espinosa tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estoicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar a emoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior. A distinção crucial era, para ele, entre as emoções activas e passivas, sendo as primeiras aquelas que são compreendidas racionalmente e as outras as que não o são.

Leibniz

- Liberdade x Determinação: Leibniz admitia uma série de causas eficientes a determinar o agir humano dentro da cadeia causal do mundo natural. Essa série de causas eficientes dizem respeito ao corpo e seus atos. Contudo, paralela a essa série de causas eficientes, há uma segunda série, a das causas finais. As causas finais poderiam ser consideradas como uma infinidade de pequenas inclinações e disposições da alma, presentes e passadas, que conduzem o agir presente. Há, como em Nietzsche, uma infinidade imensurável de motivos para explicar um desejo singular. Nesse sentido, todas as escolhas feitas tornam-se determinantes da ação. Cai por terra a noção de arbitraridade ou de ação isolada do contexto. Parece também cair por terra a noção de ação livre, mas não é o que ocorre. Leibniz acredita na ação livre, se ela for ao mesmo tempo 'contingente, espontânea e refletida'.

- A Contingência: A contingência opõe-se à noção de necessidade, não à de determinação. A ação é sempre contingente, porque seu oposto é sempre possível.

- A Espontaneidade: A ação é espontânea, quando o princípio de determinação está no agente, não no exterior deste. Toda ação é espontânea e tudo o que o indivíduo faz depende, em última instância, dele próprio.

- A Reflexão: Qualquer animal pode agir de forma contingente e espontânea. O que diferencia o animal humano dos demais é a capacidade de reflexão que, quando operada, caracteriza uma ação como livre. Os homens têm a capacidade de pensar a ação e saber por que agem.

O Empirismo Moderno: Bacon, Hobbes, Locke, Berkley e Hume

 

Fonte: apostila virtual de filosofia. Cristina G. Machado deOliveira

- O termo empirismo tem sua origem no grego empeiria, que significa “experiência” sensorial.

- De um modo geral, o empirismo defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato,paladar, olfato). Em outras palavras, ditas por Locke: nada vem à mente sem ter passado pelos sentidos.

Francis Bacon (1561 – 1623)

- O fundador do método indutivo moderno e um píoneiro na tentativa de sistematização lógica do processo científico.

Thomas Hobbes (1588 – 1679)

Fonte: História da Filosofia, vol. 4. Reale, G. e Antiseri, D.

1) Vida

- Thomas Hobbes nasceu em Malmesbury, em 1588.

- Aprendeu cedo o grego e o latim, e muito de seus escritos (suas obras-primas) foram redigidos em língua latina.

- Aos quinze anos traduziu do grego para o latim a obra Medéia de Eurípedes em versos.

- Completou seus estudos superiores em Oxford, a pertir de 1608 tornou-se preceptor.

- Fez várias viagens ao continente (1610, 1629 e 1634).

- Durante a ditadura de Cronwell, viveu em Paris onde foi preceptor do futuro rei Carlos II.

- Morreu em 1679.

2) Principais obras

- De Cive (1642)

- De corpore (1655)

- De Homine (1658)

- Leviatã (1651 em inglês, 1670 em latim)

3) Pensamento: A concepção hobbesiana da filosofia e sua divisão

- Contrário a Aristóteles e à filosofia escolástica e, ao invés, aberto ás influências do método euclidiano, do racionalismo cartesiano, do utilitarismo de Bacon e sobretudo da física de Galileu, Thomas Hobbes mostrou a necessidade de fundar uma nova ciência do estado, “filosofia civil”, exatamente sobre o modelo metodológico Galileano, distinguindo claramente entre filosofia e religião e Escrituras.

- Filosofia: É a ciência por excelência, entendida como ciência das conseqüências, cujos objetos são os corpos, suas causas e suas propriedades. A filosofia deve ser distinguida do conhecimento dos fatos e se divide em: filosofia natural, que considera as conseqüências dos acidentes dos corpos naturais, e filosofia política, que se ocupa dos aciodentes dos corpos políticos.

- Tudo aquilo que não é corpóreo (Deus, a fé, a revelação, a história) é excluído da filosofia.

- Para Hobbes existem três tipos de corpos:

            i) Naturais inanimados (ex: as pedras)

            ii) Naturais animados (ex: os animais, os seres humanos)

            iii) Artificiais (ex: os estados, os países)            

- Os campos da filosofia, portanto, devem tratar:

            i) Do corpo em geral

            ii) Do ser humano

            iii) Do cidadão


- Esquema:                                                                

 

Corpos naturais (filosofia da natureza)

- Corpos físicos

- Corpo humano

Filosofia = ciência dos corpos

 

 

 

Corpo artificial ou estado (filosofia civil e política)

 



- Hobbes faz preceder o trato dos corpos por uma lógica que retoma a tradição do nominalismo da filosofia inglesa tardio-escolástica.

- O posicionamento filosófico de Hobbes é o corporeísmo mecanicista.

4) O Leviatã

- Para Hobbes, na base da sociedade e do Estado há dois pressupostos:

            i) O bem relativo originário, isto é, a vida e sua conservação (“egoismo”)

            ii) A justiça, que é uma convenção estabelecida pelos seres humanos e cognoscível de modo perfeito e a priori (“convencionalismo”).

- Nesse sentido, a concepção política de Hobbes constitui a inversão mais radical da clássica posição aristotélica, segundo a qual o ser humano é uma “animal político”; Hobbes considera ao contrário o ser humano como um átomo de egoísmo, razão pela nínguem está ligado a outra pessoa por consenso espontânteo (mas por interesse próprio).

- A condição em que todos os seres humanos naturalmente se encontram é para Hobbes a da guerra de todos contra todos (homo homini lupus: “o homem é lobo do homem”). Isto acontece pois todos tem direito a tudo no estado de natureza (ou seja, todos podem praticar violência contra todos).

- O ser humano pode sair do estado natural de guerra fazendo apelo a dois elementos fundamentais:

            i) “O Instinto” de evitar a guerra contínua e de providenciar aquilo que é necessário para a subsistência;

            ii) “A Razão”, no sentido do instrumento apto a satisfazer os intintos.

- No Leviatã Hobbes elenca 19 leis naturais, das quais as mais importantes são as três primeiras:

            i) Procurar a paz e alcançá-la, defendendo-se com todos os meios possíveis;

            ii) Renunciar ao direito sobre tudo, quando também os outros renunciam;

            iii) Respeitar os pactos estipúlados, isto é, ser justo.

- Para constituir a sociedade é preciso que o estado se personifique em uma única pessoa (ou assembleia) e um poder que obrigue o respeito a esta pessoa.

- O pacto social é feito pelos suditos entre si, enquanto o soberano permanece fora do pacto e é o único depositário dos direitos dos súditos.

- O poder do soberano (ou assembléia) deve ser indiviso e absoluto.

- Hobbes toma, para representar a figura do estado civil, o Leviatã, um montro da Bíblia, mas emprega também a expressão “Deus mortal”, ao qual devemos paz e a defesa de noswsa vida: O Estado absolutista é, portanto, metade monstro e metade deus mortal.

 

Textos: Hobbes política (temas/política); Apostila.  


 

John Locke (1632 – 1704)



Fontes: Apostila virtual

            História da filosofia. Reale, G. e Antiseri, D. Vol 4.

Pensamento: Teoria do Conhecimento

- O filósofo empirista John Locke afirmava que, ao nascermos, nossa mente é como um papel em branco, completamente desprovida de idéias. De onde provém, então, o vasto conjunto de idéias que existe na mente humana? A isso, Locke responde com uma só palavra: da experiência, que resulta da observação dos dados sensoriais. Todo nosso conhecimento está nela fundado.Empregada tanto nos objetos sensíveis externos como nas operações internas de nossas mentes, que são por nós percebidas e refletidas, nossa observação supre nossos entendimentos com todos os materiais do pensamento.

- Assim, toda idéia é uma cópia de alguma impressão. Essa cópia possui diferentes graus de fidelidade. Para ele toda arealidade deve reduzir-se às relações com que se unem entre si as impressões e as idéias.

- Experiência: Indica propriamente a observação “tanto dos objetos externos sensíveis, como das operações internas de nosso espírito que percebemos e sobre as quais refletimos”. A experiência “é tudo aquilo que fornece a nosso intelecto todos os materiais do pensar”. A experiência interna e externa são para Locke as duas únicas fontes do conhecimento, das quais “emergem todas as idéias que temos ou que podemos ter”. 

- A experiência pode ser de dois tipos:

            i) Externa: Da qual derivam as idéias simples de sensação (extensão, figura, movimento, etc.)

            ii) Interna: Da qual derivam as idéias simples de reflexão (prazer, dor, etc.)

 

- Locke chama de qualidade o poder que as coisas possuem de produzir as idéias em nós, e distingue as qualidades da seguinte maneira:

           

            i) Qualidades primárias e reais dos corpos: (extensão, número, movimento, etc.)

            ii) Qualidades secundárias: (cores, sabores, etc.)

 

- A mente tem o poder de operar tanto conbinando as idéias entre si e formando assim idéias complexas, como separando algumas idéias de outras para formar idéias gerais.

 

- O conhecimento consiste na percepção da conexão e do acordo, ou do desacordo e do contraste, entre nossas idéias. Esse tipo de acordo ou de desacordo pode ser percebido em três modos diferentes:

 

i) Por intuição: Evidência imediata. Este modo de conhecimento é o mais direto e certo (com ele captamos a nossa existência).

ii) Por demonstração: Por meio da intervenção de outras idéias concatenadas logicamente.

iii) Por sensação: O modo menos evidente e certo, é o que se refere à existência das coisas externas.

 


 

David Hume (1711 – 1776)



Pensamento: Teoria do Conhecimento

- Hume que recorreu a um princípio de que se servirá largamente em todas as suas análises: o hábito (ou costume)(ler textoInvestigação sobre o Entendimento Humano, conceito de hábito, p. 145 -Hume),pois quando descobrimos uma certa semelhança entre idéias que por outros aspectos são diferentes, empregamos um único nome para indicar. Forma-se assim em nós o hábito de considerar unidas de alguma maneira entre si as idéias designadas por um único nome; assim o próprio nome suscitará em nós não uma só daquelas idéias, nem todas, mas o hábito que temos de considerá-las juntas e, por conseguinte, uma ou outra, segundo a ocasião.

- Dessa maneira, ele é um empirista, no sentido que a percepção repetida e habitual de uma determinada impressão ou fato nos leva a elaborar idéias sobre os fenômenos naturais, através de generalizações indutivas.

- As conclusões indutivas são percepções repetidas que nos chegam da experiência sensorial, saltamos para uma conclusão geral, da qual não temos experiência sensorial.

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