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Ensaios


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(...) À noção de cultura como espécie de “manto liso”, sem vestígio algum de rugosidade, um rasgo, uma brecha, uma quebra, um atrito, coagulado, embrutecido, “homogéneo”, de “hábitos petrificados”, apologista (involuntariamente?) de misticismos e irracionalismos e ávido por uma domesticação de todo o “estranho” (e aqui podemos propor um paralelismo com a critica incisiva de Barthes à antiga critica (ao verosímil) patente no texto “Critica e Verdade”), contrapõe, a autora dos textos, a experimentação, movimento anti-institucional, não-mimético, indomesticável, ou produções que constituam de tal forma um desafio, por uma certa ilegibilidade, necessariamente contrária a uma outra ilegibilidade que a autora associa a uma facilidade excessiva, que exijam, para serem lidas, uma predisposição outra; que sacudam sentimentos, emoções, valores; façam questionar; possibilitem um “sim”. (...)  66k v. 12 06/06/2008, 06:51 Filipa Soares
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(...) Em socorro do homem que já não sabe dançar, que já não conhece o segredo dos gestos, e que já não tem nem a coragem nem a ciência da expressão directa pelos movimentos.Contudo, graças a vós, reservas imóveis de arrebatamento sentimentais, reservas de paixões comuns sem dúvida a todos os civilizados da nossa Idade, quero crê-lo, podem compreender-me, - sou compreendido. Concentrai, distendei os vossos poderes, - e que à leitura a eloquência imprima tantas perturbações e desejos, movimentos nascentes, impulsos, quantos o microfone mais sensível ao ouvido do ouvinte. Um aparelho, mas profundamente sensível.Divina necessidade da imperfeição, divina presença do imperfeito, do vício e da morte nos escritos, tragam-me também o vosso socorro.(...)   73k v. 12 18/07/2008, 07:09 Filipa Soares
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(...) No comunicar com o outro, ou melhor, num momento de conversação, o silêncio de ser entendido não como promessa de abismo, de vazio, mas um leve sopro entra palavras, uma pausa, somente.Os curtos silêncios repetem a trajectória das virgulas e dos pontos finais, exclamam ou interrogam. São, de facto, equivalentes orais da pontuação.Por eles circula o sentido; é permitida a troca de olhares, emoções; ponderam-se assuntos ou materializa-se neles o eco da recepção dos mesmos; acontece uma leve inflexão da voz que pode, imediatamente, dar lugar a outra.É criada a respiração da troca. A conversa flui até que o último curto silêncio dê voz ao ponto final parágrafo.Já um longo silêncio traduz o encravar do discurso e dá-se,inevitavelmente, um confronto irrecusável com a intimidade do outro e se este confronto, entre duas pessoas íntimas, não traduz qualquer incómodo, noutra qualquer situação ele desenha um muro impossível de transpor.(...)   85k v. 13 18/07/2008, 07:10 Filipa Soares
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