Retinose Pigmentar

O que é RP?

Retinose Pigmentar (RP) é o nome dado a um grupo de doenças oculares hereditárias que atingem a retina. RP causa degeneração das células fotorreceptoras da retina. As células fotorreceptoras, ou fotorreceptores, são responsáveis pela captura e processamento da luz e são, portanto, fundamentais para a visão. À medida que estas células se degeneram e morrem, os pacientes observam perda progressiva da visão.

Existem dois tipos de fotorreceptores: os bastonetes e os cones. Os bastonetes estão concentrados na periferia da retina e são úteis na visão periférica e na visão noturna. Os cones estão concentrados na mácula, região central da retina, e nos permite ver detalhes finos e cores. Juntos, bastonetes e cones são as células responsáveis pela conversão de luz em impulso elétrico que são transmitidos para o cérebro, quando então “enxergamos” realmente.


Sintomas


A característica mais comum de todas as formas de Retinose Pigmentar (RP) é a degeneração gradual de bastonetes e cones. A maioria das formas de RP causa inicialmente degeneração de bastonetes. Estas formas de RP são às vezes chamadas de distrofia de bastonetes-cones e geralmente começam com baixa de visão noturna. Cegueira noturna é semelhante à sensação que têm os indivíduos normais quando entram em uma sala escura em um dia ensolarado, ou mesmo em um cinema ou teatro escuros. Ao contrário dos indivíduos normais, os pacientes com RP não podem se adaptar a estes locais de pouca luminosidade ou ao escuro.

À medida que a doença progride, e mais células bastonetes degeneram, os pacientes perdem a visão periférica. Os pacientes com RP apresentam um anel de perda de visão na meia periferia com pequenas ilhas de visão na extrema periferia. Outros pacientes descrevem a sensação de visão tubular, como se eles vissem o mundo através de um tubo. Uma grande parte de pacientes com RP retém algum grau de visão central por toda a vida.

Outra forma de RP, às vezes referida como distrofia de cones-bastonetes, afeta inicialmente a visão central. Os pacientes apresentam inicialmente perda de visão central que não pode ser corrigida com óculos ou lentes de contato. Associado à perda dos cones, inicia a dificuldade na visão de cores. À medida que a doença progride, ocorre a degeneração de bastonetes causando baixa visual noturna e periférica.


Os sintomas de RP são mais freqüentes nas crianças, adolescentes e adultos jovens, com a progressão da doença continuando ao longo da vida do indivíduo. O padrão e o grau de perda visual são variáveis.


Genética da RP


No núcleo de cada célula humana reside um conjunto de genes. Os genes são estruturas fundamentais para a vida. Herdados dos nossos pais, os genes levam traços familiares como cor de olho, cabelo, formato do rosto e doenças hereditárias, como a RP.

Os genes são como programas de computador que contém conjuntos de informações. Cada gene instrui a célula a elaborar uma determinada proteína que tem uma função específica na célula. Nas células retinianas, alguns genes codificam proteínas que permitem as células processarem a luz. Outros genes codificam proteínas que captam nutrientes e eliminam os resíduos formados na célula. Ainda outros genes codificam proteínas que formam a parede celular e outras estruturas celulares.

Às vezes, as informações codificadas pelo gene se tornam alteradas. Estas alterações, conhecidas como mutações, podem trazer benefício, permitindo o indivíduo a se adaptar a seu meio. Entretanto, as mutações também podem interferir na maneira adequada de sintetizar uma proteína. A proteína resultante não pode realizar a sua função na célula, impedindo assim a sobrevivência desta célula e causando uma doença.

As células retinianas estão entre as células mais especializadas no organismo humano e dependem de uma quantidade específica de genes únicos para criar a visão. Uma mutação causadora de doença em qualquer um destes genes pode levar à perda da visão. Até hoje,foram descobertos  mais de 130 genes que podem levar à RP.


A RP pode ser transmitida às gerações sucessivas por vários padrões de herança - autossômica dominante, autossômica recessiva, ligada ao X recessiva, ligada ao X dominante, e herança mitocondrial.

Cada tipo de herança causa um padrão diferente de membros familiares afetados e não afetados. Por exemplo, nas famílias com RP autossômicas recessivas, os pais não afetados podem ter filhos afetados e não afetados. Na RP recessiva, geralmente não existe história familiar prévia de RP, com exceção das famílias consangüíneas. Em famílias com a forma autossômica dominante, um dos pais afetados pode ter filhos tanto afetados, quanto não afetados. Nas famílias com o tipo ligado ao X, apenas os homens são afetados, enquanto as mulheres são portadoras do traço, mas não desenvolvem perda de visão grave.


É importante lembrar que como a RP é uma doença hereditária, outros membros da família podem ser potencialmente afetados. Se um membro da família é diagnosticado com uma degeneração retiniana hereditária, é aconselhável que outros membros da família se submetam à avaliação oftalmológica.


Doenças correlatas


Outras doenças dividem alguns dos sintomas observados na RP. Algumas destas condições são complicadas por outros sintomas além da perda da visão. A mais comum delas é a Síndrome de Usher, que causa baixa de visão e audição simultaneamente. Outras síndromes raras são: Síndrome de Bardet-Biedl (Laurence-Moon), Doença de Best, Coroideremia, Atrofia Girata, Amaurose Congênita de Leber, e Doença de Stargardt.


RP e as doenças correlatas são raras e de difícil diagnóstico correto. Somente o especialista pode distinguir adequadamente as características destas doenças. Sendo assim, é importante que os indivíduos com sintomas suspeitos sejam avaliados por especialista em doenças degenerativas da retina.


Fatores de Risco


Fator ambiental:


- Luz solar:

Estudos recentes sugerem que em algumas formas de RP, a exposição prolongada e sem proteção adequada à luz solar pode acelerar a perda visual. Sendo assim, aconselha-se aos pacientes o uso de óculos de sol e viseiras quando em ambientes externos.


- Gravidez:

Algumas mulheres relatam progressão rápida da doença durante a gravidez. Entretanto, não existem estudos clínicos sobre o efeito da gravidez na RP.


- Fator genético:

A RP é uma doença genética, causada por genes que são expressos nas células da retina. As mutações genéticas são programadas e podem ser herdadas dos pais (mutações hereditárias) ou aparecerem durante a gestação (neomutações). A RP não é causada por lesões, infecções ou exposição a quaisquer substâncias tóxicas.

A RP está associada aos seguintes padrões de herança: autossômica dominante, autossômica recessiva, ligada ao X recessiva, ligada ao X dominante, e mitocondrial.

Nas formas autossômicas dominantes da RP, a pessoa afetada tem um gene com a mutação causadora da doença pareado com um gene sadio, normal. Quando a pessoa afetada tem uma criança com um parceiro normal, não afetado, existe uma chance de 50% de que a pessoa afetada passe o gene defeituoso para cada criança do casal. O parceiro não afetado vai sempre passar genes normais. Nas doenças dominantes, a criança que não tem o gene responsável pela doença não desenvolve a doença e não tem o risco de transmiti-la aos seus descendentes.

Nas formas autossômicas recessivas da RP, os pais não afetados, são chamados de portadores e têm um gene com a mutação causadora da doença pareado com um gene normal. Cada um dos seus filhos tem 25% de chance (ou 1 em 4) de herdar os dois genes doentes necessários para desenvolver a doença. Os portadores não são afetados, pois cada um tem apenas uma cópia do gene doente.

Nas formas ligadas ao X recessivas, o gene causador da doença está localizado no cromossoma X. As mulheres tem dois cromossomas X e podem levar o gene doente em um destes cromossomas. Como elas tem uma versão normal do gene do outro cromossomo, as doenças ligadas ao X tipicamente não afetam as mulheres. Às vezes, entretanto, quando mulheres portadoras são examinadas, a retina mostra sinais menores da doença.

Os homens tem apenas um cromossoma X pareado com um cromossoma Y e estão assim geneticamente suceptíveis às doenças ligadas ao X. Os homens não podem ser portadores das doenças ligadas ao X. Os homens afetados por doenças ligadas ao X sempre transmitem o gene do cromossoma X à suas filhas, que se tornam portadoras. Os homens afetados nunca transmitem as doenças ligadas ao X aos seus filhos, pois os pais transmitem o cromossoma Y aos seus filhos homens.


Portadoras do sexo feminino tem 50% de chance (ou 1 chance em 2) de passar o gene das doenças ligadas ao X a suas filhas, que se tornam portadoras e tem, por sua vez, 50% de chance de passar o gene aos seus filhos, que poderão então ser afetados pela doença.


É importante lembrar que como a RP é uma doença hereditária, comumente afeta outros membros da família. Se alguém na sua família é diagnosticado com uma degeneração retiniana, é recomendável que todos do membros da família sejam examinados por um oftalmologista.


Tratamento


Até o presente, não existe cura para a RP. Entretanto, as pesquisas estão sendo intensamente desenvolvidas para a descoberta da causa, prevenção e tratamento da RP.

Muitos genes que causam a RP já foram identificados. Hoje, é possível determinar, em algumas famílias com RP (ligada ao X, autossômica dominante, autossômica recessiva, e mitocondrial, realizar o teste genético), se uma pessoa da família apresenta um dos genes da RP, a partir do sangue ou outras células.


LEIA MAIS:

http://inret.com.br/noticias/view/retinose-pigmentar.html

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