Sequência textual

    A sequência textual é uma teoria recomendado para trabalho em sala de aula pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) e que hoje faz parte do cotidiano escolar como o gênero discursivo/textual. Foi pensada por Jean-Michel Adam que conceitua sequência textual como um mecanismo de textualização e um conjunto de proposições psicológicas que se estabilizam como recurso composicional de vários gêneros. O autor baseou-se nas reflexões de gêneros discursivo e enunciado de Bakhtin, protótipo de Rosch, base e tipo de texto de Werlich e superestrutura de Van Dick. Desta forma, são cinco as sequências - narrativa, argumentativa, explicativa, dialogal e descritiva – correspondendo a cinco tipos de relações de sentido memorizadas por meio da assimilação que ocorre na esfera cultural (através da fala, escrita, produção de textos e escuta). São espécies de “guarda-chuvas” agrupadores de características estruturais – formatação textual, escolhas de palavras e frases – e enunciativas/psicológicas – objetivo textual, esfera por onde circula, público-alvo, ideia de lugar, tempo, etc. – que abarcam diferentes gêneros discursivos/textuais em si, os quais apresentam características comuns. É uma categoria maior de análise do texto, que possui, assim como os gêneros, uma certa estabilidade e é maleável assim como nossas situações de interação são.

    Todo texto apresenta características que o enquadra dentro de uma sequência textual, no entanto não há texto que tenha apenas as características de uma das cinco sequências, pois o texto costuma apresentar traços de várias delas dentro de si e alguns textos de uma maneira tal que são considerados híbridos. Não há textos, portanto, puros neste sentido, mas uma sequência pode se tornar predominante, classificando o texto enquanto narrativo, descritivo, etc., com trechos de outras, explicativa, argumentativa, entre outros.

    Aqueles que tiverem interesse em se aprofundar na teoria podem ler o livro “A Linguística Textual”, de Jean-Michel Adam, e também “Gêneros: teorias, métodos, debates”. Ambos estão na bibliografia deste verbete.

 

Referências:

ADAM, M. A linguística textual: introdução à linguística textual dos discursos. São Paulo: Cortez, 2008.

MEURER, J. L.; BONINI, A.; MOTTA-ROTH, D. (orgs.). Gêneros: teorias, métodos, debates. 2. ed. São Paulo: Parábola, 2005.
Comments