Encontro de Danças Circulares Sagradas

Encontro de Danças Circulares Sagradas (Por Estela Gomes)


Ao iniciar um encontro pelo caminhar passo, passo, vira para o centro e balança, balança vamos entrando em sintonia e harmonia com o espaço onde nós estamos e o grupo a que pertencemos. Caminhar no sentido da roda nos conecta de maneira muito simples aos passos que estamos dando em nossas vidas, nos voltarmos para o centro para balançar nos relembra nossa conexão com tudo e todos, com a fonte, com a essência da vida, com a qualidade do equilíbrio, com o sagrado.

Entramos num lugar de centramento, vida e ritmo. Um lugar sagrado onde o tempo vibra em “kairós”, o tempo que não se conta em horas, minutos nem segundos, mas sim em sensações, percepções, emoções, pensamentos, insights. Adentramos um espaço de amor, harmonia e beleza. Adentramos o espaço do círculo. Círculo onde todos estão equidistantes do centro, círculo onde todos tem a aprender e a ensinar.

De mãos dadas com nossos vizinhos percebemos o tempo da música e nos conectamos com o tempo da sensação, da emoção, da alegria, da alma, do encontro com o outro para o trabalho conjunto.

Observamos nossos vizinhos, companheiros de jornada que seguirão conosco ao menos neste momento que é tudo o que temos.

Neste lugar sagrado de energia e vida nos conectamos com o centro, fonte de luz, amor e poder, fogueira que reúne a força da vida, fogo que aquece nosso ser essencial e transforma o que não nos serve mais, o grande sol central, a grande árvore da vida, união de tudo e todos...

Quem chega a primeira vez na roda é acolhido e pode se sentir parte integrante do todo. Harmonização sem palavras, pela força dos passos, pela escuta da música, pelo apoio das mãos dadas, pela linguagem do corpo que busca se expressar em harmonia e movimento.

À medida em que as danças vão se apresentando vamos adentrando o espaço da beleza, da simplicidade, do ritmo, da fluidez, do desafio, do aprendizado, da troca, da experiência, da complexidade, da diversidade, da alegria, do riso, do encantamento, da meditação, do silêncio.

Encontrando a facilidade na dança e nos movimentos nos soltamos na alegria da expressão livre e fluida. Experimentando a dificuldade e o desafio buscamos a atenção plena e a realização do movimento sugerido. Aprendemos muito com os desafios, outras formas de realizar, novas sensações ao experenciar, diversos caminhos a percorrer, diferentes ritmos para adentrar, tantos gestos a expressar.

A roda flui, formas diversas desenhadas no espaço, círculos, espirais, tranças, linhas, ondas, triângulos, pontos, redes. Vistas do nosso lugar - beleza e indagações, às vezes formas não compreendidas; vistas do alto - harmonia e fluxo da vida, perfeição do momento presente do "grande desenho da vida”.

O grupo pulsa unido, meu próprio movimento em sintonia com o movimento do outro, aceitação e colaboração nas mãos dadas, integração nos passos inspirados na sabedoria dos povos, tradição e contemporaneidade a bailar em nós e nós a revistar o antigo e o novo no aqui e agora, presença no presente.

Entrega na dança...nós dançando as danças e as danças dançando em nós...amor pela vida, pelo movimento que flui, pelos gestos que se expressam e recontam nossas próprias histórias. Identificação com os símbolos dançados e representados, reflexão sobre nossas vidas e relacionamentos pessoais, visita à nossa missão e serviço à toda comunidade de vida.

Encerramento, momento de finalizar o gesto e aquietar o corpo, perceber o que ocorre...pensamentos, sentimentos, sensações, silêncio... Unir-se dentro e fora de si mesmo, o outro, o grupo, o círculo, o centro, tudo de dentro e tudo de fora...conexão com o divino, o sagrado divino em nós e em tudo ao redor. Sensação de plenitude e sentimento de gratidão.

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