SAÚDE DO IDOSO

 
 
 
 
 
 
 
 
 O Brasil possui atualmente cerca de 13 milhões de idosos, que correspondem a 8,3% do total da população. Apesar disso, ainda é escasso o conhecimento sobre suas características e das demandas de saúde decorrentes do seu perfil epidemiológico,Considerando o aumento da população idosa no mundo, em especial a dos países em desenvolvimento, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1989) e outros estudiosos do tema recomendam o desenvolvimento de estudos e pesquisas que subsidiem a tomada de decisão e dirijam as ações e prioridades no nível das políticas públicas relativas à terceira idade. Dentre estas recomendações, pode-se ressaltar a necessidade de se realizar análises multidimensionais visando o estabelecimento de um diagnóstico e de indicadores básicos acerca da população idosa, tais como: a) idade, sexo, nível educacional e condições socioeconômicas; b) a descrição dos problemas e necessidades que afetam a população-alvo, com especial ênfase naqueles que influenciam o estado de saúde e o bem-estar geral; c) a busca de dados de morbidade/incapacidade.  
 
 
 Saúde do Idoso

São diretrizes importantes para a atenção integral à saúde do idoso:

1) promoção do envelhecimento ativo e saudável;

2) manutenção e reabilitação da capacidade funcional;

3) apoio ao desenvolvimento de cuidados informais.

O envelhecimento ativo e saudável consiste na busca pela qualidade de vida por meio da alimentação adequada e balanceada, prática regular de exercícios físicos, convivência social estimulante, busca de atividades prazerosas e/ou que atenuem o estresse, redução dos danos decorrentes do consumo de álcool e tabaco e diminuição significativa da auto-medicação. Um idoso saudável tem sua autonomia preservada, tanto a independência física, como a psíquica.

É importante qualificar os serviços de Saúde para trabalhar com aspectos específicos da saúde da pessoa idosa (como a identificação de situações de vulnerabilidade social, a realização de diagnóstico precoce de processos demenciais, a avaliação da capacidade funcional etc). É necessário garantir acesso a instrumentos diagnósticos adequados, a medicação e a reabilitação funcional da população idosa, prevenir a perda de capacidade funcional ou reduzir os efeitos negativos de eventos que a ocasionem. 

Cabe, portanto, à gestão municipal da saúde desenvolver ações que objetivem a construção de uma atenção integral à saúde dos idosos em seu território. É fundamental organizar as equipes de Saúde da Família e atenção básica, incluindo a população idosa em suas ações (por exemplo: atividades de grupo, promoção da saúde, hipertensão arterial e diabetes mellitus, sexualidade, DST/aids). Seus profissionais devem estar sensibilizados e capacitados a identificar e atender às necessidades de Saúde dessa população.
 
 Violências e acidentes

Dados de 2007, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde revelam que as quedas e os acidentes de trânsito foram as principais causas de atendimentos notificadas em serviços de urgência e emergência durante o inquérito Viva. Elas representam 61% e 14% , respectivamente de uma amostra com 3.209 atendimentos de idosos vitimas de violências e acidentes.


“Esses percentuais são considerados altos e revelam apenas a ponta do iceberg, pois ainda há subnotificações. Os dados revelam apenas os casos graves, que chegam aos hospitais de urgência e as lesões leves e moderadas, muitas vezes não chegam ao pronto socorro”, comenta a coordenadora da área técnica de Vigilância e Prevenção de Violência e Acidentes, Marta Silva, do Ministério da Saúde.

Hoje os casos de violência doméstica, sexual, auto-provocadas e outras violências cometidas contra pessoas idosas são obrigatoriamente notificados pelo Vigilância de Violências e Acidentes (Viva). Uma rede formada pelos serviços municipais, informa às secretarias estaduais de saúde, que por sua vez notificam o Ministério da Saúde sobre os casos.


A partir das notificações, o Ministério da Saúde, compila as estatísticas e constrói ações de prevenção e promoção da saúde. Por exemplo, no trânsito, os acidentes com idosos acontecem principalmente com pedestres (36%), bicicletas (16%), automóvel (15%) e motocicleta (14%).

Os tipos de violência contra idosos, mais comuns notificados pela vigilância são: 92% física e 20% psicológica. Dentre o perfil dos agressores em 34% das vezes é um familiar. A rede Viva articula-se com 255 Núcleos de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde (NPVPS), sendo 216 secretarias municipais de saúde, 21 secretarias estaduais , 16 instituições acadêmica e 2 ONGs. A idéia é fazer ações de prevenção, com bases nas estatísticas geradas.
 
Dados da População Idosa

Veja abaixo as principais pesquisas sobre a Pessoa Idosa

Pesquisa do IBGE que descreve o Perfil dos Idosos Responsáveis por Domicílio no Brasil.

Pesquisa do SESC que descreve o Perfil Sócio-demográfico dos Idosos Brasileiros.

Pesquisa do SESC que descreve Percepção da 3ª Idade e Auto-imagem do Idoso.

Pesquisa do SESC que descreve as demandas setoriais (saúde, acessibilidade, educação, formação, informação, aposentadoria, tempo livre, lazer e atividade física).

Pesquisa do SESC que descreve o Estatuto do idoso, direitos e violações.

Pesquisa do SESC que descreve as Relações Familiares e Laços Familiares, Instituições de Longa Permanência para Idosos e Percepções da Morte.

O Brasil será um país velho em 2050, quando a população terá 63 milhões de idosos. Se em 1980 eram 10 idosos para cada 100 jovens, em 2050 serão 172 idosos para cada 100 jovens. Isto porque a esperança de vida ao nascer saiu de 43,3 anos, na década de 1950, para 72,5 anos em 2007 (sexo feminino).
Se os idosos vivem mais, a quantidade de crianças diminuirá no Brasil do futuro. Hoje a média de filhos por mulher em idade fértil está em 1,9 filhos e em 2030 essa taxa será negativa de -0,05.

Com o aumento da expectativa de vida e a queda do crescimento vegetativo, a pirâmide populacional se inverterá, devida a baixa capacidade de renovação. Os dados foram apresentadas na manhã de quinta-feira, 4 de março, pelo Coordenador Técnico do Censo Demográfico, Joilson de Souza, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – BA, durante o Encontro Nacional de Coordenadores de Saúde do Idoso.

“O desequilíbrio entre a quantidade de idosos e a proporção de crianças é preocupante”, alertou Souza.
Hoje, a maior proporção de idosos está principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraíba.

 
Alimentação

- Faça pelos menos três refeições e dois lanches por dia. Não pule as refeições.
- Inclua diariamente seis porções de cereais (arroz, milho, trigo, tubérculos – batata, raízes, mandioca, aipim - e massas) nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma natural.
- Coma pelo menos três porções de legumes, verduras e três porções ou mais de frutas.
- Coma feijão com arroz todos os dias ou pelo menos cinco vezes por semana.
- Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes (boi, aves, peixes ou ovos). Retirar a gordura aparente das carnes e pele das aves na preparação dos alimentos.
- Consuma no máximo uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina.
 
 
 
 
- Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e guloseimas, coma-os no máximo duas vezes por semana.
- Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa.
- Beba pelo menos dois litros de água por dia (6 a 8 copos). Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições.
- Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo.

SexualidadeE na hora do sexo também é importante se prevenir das Doenças Sexualmente Transmissíveis com o preservativo.
Em 2008, a Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids teve como público-alvo a população heterossexual com mais de 50 anos de idade. A escolha desse público ocorreu por conta da incidência de aids praticamente ter dobrado nessa população nos últimos dez anos (de 7,5% em 1996 para 15,7% em 2006).
Dados de um estudo revelam que as pessoas acima de 50 anos de idade têm uma vida sexualmente ativa, 73,1% fez sexo no último ano e apenas 22,3% usaram preservativo na última relação, ao contrário da população de 15 a 24 anos, onde 57,3% usaram na última relação. A Campanha Clube dos Enta, que tem como slogan “Sexo não tem idade. Proteção também não”, trata de assuntos ligados à relação sexual, como o uso do preservativo, além de oferecer dicas para melhorar o sexo depois dos 50.

 

Quedas em idosos


As quedas e suas conseqüências para as pessoas idosas no Brasil têm assumido dimensão de epidemia. Os custos para a pessoa idosa que cai e faz uma fratura são incalculáveis. E o pior, atinge toda a família na medida em que a pessoa idosa que fratura um osso acaba hospitalizada e frequentemente é submetida a tratamento cirúrgico. Os custos para o sistema de saúde também são altos.

A cada ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem gastos crescentes com tratamentos de fraturas em pessoas idosas. Em 2009, foram R$ 57,61 milhões com internações (até outubro) e R$ 24,77 milhões com medicamentos para tratamento da osteoporose. Em 2006, foram R$ 49 milhões e R$ 20 milhões respectivamente. Para promover a saúde do grupo populacional o Ministério da Saúde chamou as secretarias estaduais e municipais de saúde a realizarem esforços conjuntos para redução das taxas de internação por fratura do fêmur na população idosa.
A quantidade de internações aumenta a cada ano e as mulheres são as mais atingidas. Entre as mulheres foram 20.778 mil internações em 2009 e entre eles 10.020 mil (dados até outubro). Por causa da osteoporose, elas ficam mais vulneráveis às fraturas. Os homens caem, mas não fraturam tanto quanto as mulheres. Em 2001, esses números eram bem menores, 15 mil internações do sexo feminino e 7 mil do sexo masculino.

 A queda em idosos pode causar sérios prejuízos à qualidade de vida desse grupo populacional, podendo acarretar em imobilidade, dependência dos familiares, sem falar no índice de mortalidade pós-cirúrgico.
Nos casos mais graves, pode levar até a morte. Considerando todo o país, somente em 2005, foram 1.304 óbitos por fraturas de fêmur. E em 2009 esse número subiu para 1.478.

Com o intuito de reduzir esses valores e promover a saúde na terceira idade, o Ministério criou um comitê assessor instituído para prevenção e melhora da atenção (portaria nº. 3.213, de 20 de dezembro de 2007). O comitê assessor é formado por técnicos do Ministério da Saúde e representantes da Confederação das Entidades Brasileiras de Osteoporose e Osteometabolismo. Esse grupo promove oficinas para debater estratégias de prevenção de quedas e de osteoporose e os cuidados necessários para aquelas pessoas que caem e fraturam.

CAUSAS - A queda em pessoas idosas está associada à dificuldade de visão, auditiva, uso inadequado de medicamentos, dificuldade de equilíbrio, perda progressiva de força nos membros inferiores, osteoporose, dentre outras situações clínicas que culminam para maior probabilidade de uma pessoa idosa cair.
 
Por questões de segurança, todo idoso deve avisar ao seu médico se caiu nos últimos seis meses. Isto porque é comum a pessoa cair uma primeira vez e não ter maiores conseqüências além do susto. Mas na próxima vez pode ser que o susto se transforme em pesadelo. A queda pode ser notificada através da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e, assim, a equipe de saúde da família, por exemplo, assume as medidas necessárias para que outra queda não ocorra.

No Brasil, estima-se que exista uma população de 19 milhões de idosos.

  Links úteis

Universidades com cursos na área de envelhecimento

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pontíficie Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Pontíficie Universidade Católica de São Paulo PUCSP   
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal de Minas Gerais UFMG   
Universidade Federal Fluminense
Universidade de São Paulo
Hospital Pró-Cardíaco Pró-Cadíaco   
Universidade Federal do Ceará
Escola de Saúde Pública do Ceará   
Centro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento    
Universidade Luterana do Brasil
Universidade Católica de Brasília

  Legislação

Constituição Federal 1988 (Saúde - artigos 196 a 200)


Lei 8080/90- Regulamenta o SUS 


Lei 8142/90 - Participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde - SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde 


Lei 8842/94 - Política Nacional do Idoso


Lei 10741/03 - Estatuto do Idoso


Lei 10.048/00 e Lei 10.098/00 (promulga) Decreto nº 5296/04 (regulamenta) - Dá prioridade de atendimento à pessoas que especifica e estabelece normas gerais de critérios básicos para a promoção da acessibilidade


Lei 399/06 - Pacto pela Saúde 2006 Consolidação do SUS e suas Diretrizes Operacionais


Portaria 2.528/06 - Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa

Portaria 2.529/06 - Institui a Internação Domiciliar no âmbito do SUS.


Lei 11433/06 - Dia Nacional do Idoso 


Protocolo de Tratamento Osteoporose


Protocolo de Tratamento Parkinson


Protocolo de Tratamento Alzheimer
 

  Publicações

  Formação de Cuidadores

O Ministério da Saúde lançou em outubro de 2008 no Rio de Janeiro, o Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos a ser oferecido em 36 Escolas Técnicas do Sistema Único de Saúde em todo o país. O projeto, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, tem como intuito proporcionar um olhar integral sobre o indivíduo, qualificando a atenção prestada às pessoas idosas. Até 2011, a meta é formar 65 mil cuidadores.

Uma política de fomento será implementada para que as escolas técnicas se articulem, principalmente, com as instituições filantrópicas e esses cuidadores possam ter na escola uma capacitação adequada. A partir disto, melhorar a atenção prestada a esses idosos, muitos com dependência e em situações delicadas.

A capacitação vai preparar os cuidadores para a identificação de riscos à saúde, como no momento da administração de medicamentos, riscos de acidente doméstico, diagnóstico de dificuldades e promoção da inserção social do idoso. O programa, com uma carga horária de 160 horas, é aberto a todos os interessados, maiores de 18 anos com ensino fundamental completo. Um projeto-piloto desenvolvido em 2008 já formou 300 cuidadores, em seis escolas técnicas, nas cinco regiões do país.

 
INCLUSÃO - Segundo a área técnica, é necessário avaliar a capacidade que o indivíduo tem de interagir socialmente para estabelecer ações de promoção à saúde e de prevenção de doenças e agravos.

O fato de uma pessoa acima de 70 anos deixar de sair de casa deve ser encarado como um sinal de alerta. Nesses casos, é importante que se tenha uma posição pró-ativa de buscar a causa, que pode ser devido a incontinência urinária, por exemplo. Com a investigação das causas, é possível evitar um conjunto de agravos à saúde.

 
O ministério tem uma política de atenção à saúde do idoso desde 1999. Em 2006, foi publicada a atualização dessas diretrizes, em que foi priorizada a atenção diferenciada aos grupos de acamados, que vivem em instituições de longa permanência ou com doença incapacitantes, como Alzheimer.

Em junho 2008, foi lançado o Guia do Cuidador do Idoso. O manual traz noções práticas para profissionais e leigos. Foram impressos 30 mil exemplares distribuídos em todo o país, em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, em todas as coordenações estaduais de saúde do idoso, escolas técnicas em saúde do SUS e ONGs.

 

Acesse o Guia do Cuidador!
Guia Prático do Cuidador

 
 



 Vacinação contra a gripe

A ação tem como objetivo reduzir os óbitos e as internações causadas pela gripe e suas conseqüências. “É uma medida de prevenção muito importante. É prática, simples, de fácil realização e com grande impacto para a saúde da população, evitando pneumonia, internação e outras complicações”, afirma o Ministro José Gomes Temporão.

A 11ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso teve o slogan “Deixe a gripe na saudade” e imunizou 80% da população com 60 anos ou mais - o que representa 15.542.469 de pessoas. A vacina esteve disponível em aproximadamente 65 mil postos de vacinação de todo o país. Foram investidos R$ 162 milhões para compra de 21 milhões de doses da vacina e montagem da infra-estrutura da Campanha.

Temporão lembra que mesmo quem tomou a vacina no ano passado deve procurar o posto de saúde. “Tem que tomar todo ano, por que a cada ano há uma mudança no padrão dos vírus que circula no país. Então, a vacina desse ano é diferente do ano passado, tem que tomar (a dose)”.

A vacina é um dos meios de prevenir a gripe e suas complicações, além de apresentar um impacto na diminuição das internações hospitalares e da mortalidade evitável. Entre a população de 60 anos e mais, estudos demonstram que a vacinação pode reduzir de 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade global. “Com a vacina, nós temos um impacto muito grande na qualidade de vida das pessoas e na redução das complicações da gripe, como pneumonia, sinusite, problemas respiratórios”, destacou.

CENÁRIO – Desde o início da imunização, em 1999, tem sido constatada uma redução importante de casos de influenza entre os idosos, principalmente para as regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Até 2007, a meta mínima para cobertura vacinal estabelecida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) era de 70% da população alvo. Em 2008, foi ampliada para 80%.

O que se observa ao longo dos 10 anos, desde a implantação da vacinação contra gripe, é a capacidade do país em mobilizar a população. Em todos os anos, as coberturas vacinais superaram a meta estimada. Em 2008, mais de 14 milhões de idosos foram imunizados, o que representa uma cobertura de 87% da população, superando a meta estabelecida, que era de 80%.

SUS facilita venda de medicamentos para idosos


A partir de agora, eles não precisam mais ir pessoalmente às farmácias com selo do Ministério da Saúde para comprar remédios. Parentes e amigos podem levar uma procuração

A partir de agora, os idosos não precisam mais sair de casa para ter acesso aos medicamentos oferecidos pelo Programa Farmácia Popular do Brasil. Em vez de ir pessoalmente às unidades de venda, quem tem 60 anos ou mais pode assinar uma procuração para que qualquer pessoa compre os remédios, em seu nome, nas 8.428 farmácias particulares com o selo Aqui tem Farmácia Popular. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (17).

Antes, menores de dezesseis anos e pessoas com deficiência mental já podiam enviar representantes para comprar os medicamentos. O diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento, observa que a ampliação do benefício segue os princípios do Estatuto do Idoso, ao contribuir com a garantia do direito à saúde. “Há idosos que, muitas vezes, têm dificuldade para se locomover. Ao facilitar o acesso aos medicamentos, humanizamos o atendimento no SUS. Qualquer parente ou amigo poderá ir às unidades”, afirma o diretor.

Para comprar os remédios no lugar do idoso, a pessoa deverá levar, além da procuração reconhecida em cartório, a receita médica (de unidade de saúde pública ou privada), os documentos de identidade e CPF próprios e os do paciente. As prescrições médicas têm validade de 120 dias a partir da emissão - com exceção dos contraceptivos, cuja validade é de 12 meses.

PROGRAMA – Criado em 2004, o Programa Farmácia Popular do Brasil amplia o acesso da população aos medicamentos essenciais por meio da redução de custo desses remédios. A rede Farmácia Popular vende 107 itens, além do preservativo masculino, para as doenças mais comuns na população brasileira, como hipertensão e diabetes. Outro foco é a venda de anticoncepcionais. Os medicamentos dessa rede são destinados principalmente às pessoas que não têm condições financeiras de pagar pelo produto e, por isso, muitas vezes interrompem o tratamento.

O Programa funciona por meio das Unidades Próprias (em parceria com estados e municípios) e do Sistema de Co-Pagamento, lançado em 2006 e desenvolvido com drogarias privadas. Nas Unidades Próprias, a população tem acesso aos remédios pelo preço de custo, o que representa uma redução de até 90% no valor em comparação com farmácias e drogarias particulares.

No Sistema de Co-Pagamento, o governo paga uma parte do valor dos medicamentos e o cidadão paga o restante. O valor pago pelo Ministério da Saúde é fixo e, por isso, a população pode pagar menos para alguns remédios do que para outros, de acordo com a marca e o preço cobrado pela farmácia. Mas, em geral, o cidadão também tem desconto de até 90% nessas unidades, reconhecidas pela marca Aqui tem Farmácia Popular.

Outras informações
Atendimento à imprensa

(61) 3315 35 80
jornalismo@saude.gov.br

BIBLIOGRAFIA :

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=153

 

ENFERMAGEM EM SAÚDE DO IDOSO

Daniella de Paula Moidano

O envelhecimento como um processo irreversível a que todos estamos sujeitos deve ser melhor compreendido principalmente numa época, em que nosso país arca com um crescente número da população de idosos, e que junto a isto possui uma sociedade despreparada praticamente em todas as suas esferas para lidar com esta realidade (RAMOS, 1995).
O Brasil vem passando atualmente por uma grande mudança no seu perfil demográfico com um incremento intensivo do número tanto absoluto como relativo de idosos. Este quadro se deve a uma crescente queda de fecundidade, ocorrida concomitantemente com o aumento da expectativa de vida. (VERAS, 1994 ).

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que, segundo RAMOS (1995), em 2025 o Brasil terá a sexta população de idosos do globo. Esta realidade acarretará um grande problema social, uma vez que esta população vive, em sua maioria, em situação financeira precária, o que levará a uma cadeia de problemas com repercussões sobre a qualidade da assistência a saúde agravando as deficiências atuais nesta área.

É necessário que a sociedade considere e aceite o idoso como pessoa, porém sem desconhecer suas necessidades distintas, que devem ser atendidas. Pois o que geralmente se observa é a visão do idoso apenas como alguém improdutivo e doente a espera da morte. Este conceito deve mudar pois, conforme previsões, teremos em 2025 uma população de 15% de idosos, o que corresponderá a aproximadamente 33.882 pessoas com mais de 60 anos (VERAS, 1994) .

A população idosa forma uma faixa etária mais sujeita a problemas de saúde, com isso pode-se esperar um aumento intenso de enfermidades crônicas todas elas com baixa letalidade e alto grau de incapacitação produzindo, assim, onerosos gastos numa área já tão carente de recursos (VERAS, 1994).

Diante destes fatos fica claro a necessidade de uma maior atenção a esta população em franca expansão, e desassistida. É de elevada urgência que se iniciem programas que voltem sua atenção a estes idosos, que tem diversas vezes suas necessidades e problemas pouco conhecidos tanto pelo público em geral quanto pelos profissionais de saúde.

Na formação do pessoal de enfermagem deve-se investir amplamente no preparo para a assistência aos idosos, já que são geralmente portadores de diversos distúrbios psico-sócio-econômicos, constituindo-se clientes mais complexos, que exigem do enfermeiro mais tempo para a prestação dos cuidados. Os idosos costumam ser portadores de múltiplas enfermidades, tendo uma média de aproximadamente 3,7 diagnósticos por idoso ( MONTEIRO, 1989).

A Enfermagem Gerontológica, conforme Guntyer e Estes ( apud PEREZ, 1993 ) abrange os conhecimentos específicos de enfermagem acrescidos daqueles relacionados ao processo do envelhecimento, sendo o campo da Enfermagem que se especializa na assistência ao idoso. A equipe de enfermagem deve zelar para que o idoso consiga aumentar os hábitos saudáveis, diminuir e compensar as limitações inerentes da idade, confortar-se com a angústia e debilidade da velhice, incluindo o processo de morte.

Deve ainda a enfermeira atuar estimulando o autocuidado, atuando na prevenção e não-complicação das doenças inevitáveis, individualizando o cuidado a partir do princípio de que cada idoso vai apresentar um grau diferente de dependência, diferindo assim a maneira de assistência. Considerando os fatos relatados, mostra-se necessária e urgente a divulgação e discussão das diferenças que o aumento da população idosa acarretará na sociedade como um todo, principalmente na área da saúde, salientando-se o novo papel dos idosos em nossa sociedade, para que tanto os profissinais quanto a população em geral possam atender de maneira satisfatória novas demandas.

É nossa proposta desenvolver dentro do Departamento de Enfermagem do Hospital Virtual Brasileiro a sub-especialidade de Enfermagem em Saúde do Idoso que conterá informações destinadas a profissionais de enfermagem, especialistas ou não, e pessoas leigas usuárias da Internet.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MONTEIRO, M.E., CAMPEDELLI,M.C. Atuação de enfermagem em geriatria: uma nova concepção dentro de um hospital geral, Acta Paulista de Enfermagem, v.2 n.2, p.46-60, jun.1989.

PEREZ, E.A. Enfermeria gerontologica: conceptos para la practica, Organizacion Panamericana de la Salud, 1993.

RAMOS, L.R. O país do futuro não pensa no futuro, Gerontologia. v.3 n.1 p.52-54, 1995.

VERAS, R.P. País jovem com cabelos brancos: a saúde do idoso no Brasil, Rio de Janeiro: Relume Dumará/UERJ., 1994.


Artigos sobre Saúde do Idoso:

 

CONTEXTO DA SAÚDE DO IDOSO NO BRASIL

Por Dr. James Fitzgerald*

No Brasil o aumento da expectativa de vida verificado nas últimas décadas, passando de 60.0 anos em 1980, para cerca de 67.6 anos em 1996, juntamente com o rápido descenso das taxas de fecundidade total da população (4.35 em 1980, e 2.28 em 1996), tem proporcionado um envelhecimento da população brasileira, mostrando que o contingente idoso é o que mais vem crescendo, quando comparado com os demais segmentos etários. O percentual de idosos na população brasileira em 1991 foi de 5.1%, e, em 1996, subiu para 7.3%.

Estima-se que existiam atualmente cerca de 17.6 milhões de idosos no país, representando uma resposta à mudança e o aumento da esperança de vida no país. Projeções demográficas demonstram que, este número, pode ultrapassar nos próximos 25 anos a marca de 30 milhões. A tendência pelo envelhecimento da população brasileira apresentara desafios significativos para a sociedade brasileira e especificamente para o idoso, entre eles, a atenção à pessoa idosa para redescobrir possibilidades de viver sua própria vida com a máxima qualidade possível. Sabe-se que os idosos convivem mais freqüentemente com problemas crônicas de saúde, os quais podem afetar a funcionalidade das pessoas, o que justifica uma maior procura e utilização de serviços de saúde, bem com a um elevado consumo de medicamentos. Estudos mostram que a dependência para o desempenho das atividades de vida diária tende a aumentar cerca de 5% na faixa etária de 60 anos para cerca de 50% entre os com 90 ou mais anos. Também, a grande maioria (mais de 85%) dos idosos no Brasil apresenta pelo menos uma enfermidade crônica e cerca de 15% têm pelo menos cinco dessas doenças, como a hipertensão e as diabetes. Outro fator importante quando do estabelecimento de ações para a saúde dos idosos refere-se não só a sua vulnerabilidade na eventualidade de uma pandemia de influenza em humanos como as dificuldades de acesso às vacinas e aos tratamentos.

A Política Nacional de Saúde do Idoso (1999) têm como propósitos basilares: a promoção do envelhecimento saudável; a manutenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade funcional dos idosos; a prevenção de doenças; a recuperação da saúde dos que adoece; as reabilitações daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida, de modo a garantir-lhes permanência no meio em que vivem exercendo de forma independente suas funções na sociedade.
A independência e a autonomia pelo maior tempo possível, são metas a serem alcançadas na atenção a saúde da pessoa idosa. A implementação desta política compreende a definição e ou readequação de planos, programas, projetos e atividades do setor saúde, que direta ou indiretamente se relacionem com o seu objeto. Precisa-se de uma mobilização efetiva de toda a sociedade com uma articulação permanente que, no âmbito do SUS, envolve a construção de contínua cooperação entre o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

Já o Estatuto do Idoso (2003) representou um grande avanço da legislação brasileira. Elaborada com uma participação representativa de entidades da defesa dos interesses dos idosos e da sociedade como um todo, abrange dos direitos fundamentais até as penas para os crimes mais comuns cometidos contra estas pessoas. O estatuto confirmou que os idosos gozam de todos os direitos fundamentais inerentes aos direitos humanos, sem prejuízo de proteção integral. Assegura-lhe por lei e por outros meios legais todas as oportunidades e facilidades para promoção de sua saúde física e seu aperfeiçoamento moral, intelectual espiritual e social, em condições de liberdades e dignidades. O envelhecimento é um direito pessoal e a sua proteção um direito social. É obrigação de o Estado garantir aos idosos a proteção à vida e a saúde mediante efetivação das políticas sociais publica que permitem um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.
O Estatuto prevê, ainda, atenção integral ao idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde, assegurada por meio de cadastramento e de ações e serviços alternativos, que estimulem a não hospitalização e a manutenção do idoso junto a sua família e comunidade. O estatuto estabelece, ainda, a atenção médica e odontológica em serviços ambulatoriais para as doenças e agravos agudos e crônicos que afetam preferencialmente os idosos. Também, o fornecimento obrigatório de vacina conforme recomendação da autoridade sanitária e a reabilitação para redução das seqüelas decorrentes dos agravos à saúde. Também é prevista a distribuição gratuita de medicamentos de uso continuado assim como a obrigatoriedade dos profissionais de saúde notificar, aos órgãos competentes, casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos aos idosos. Em relação aos planos de saúde, as operadoras ficam proibidas de fazer reajustes em função da mudança de idade para 60 anos.

Em 2005, o Programa Saúde do Idoso apresentava-se como uma prioridade de impacto importante para o Ministério da Saúde. No ano seguinte, 2006, o Pacto pela Vida foi proposto pelo Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, pactuando-se responsabilidades entre os três gestores do Sistema Único de Saúde no campo da gestão do sistema e da atenção à saúde do idoso. Dentre as ações estratégicas identificados destaca-se como um novo paradigma a mudança no conceito de disponibilizar medicamentos para o da assistência farmacêutica ao idoso, um marco referencial para a atenção á saúde brasileira visando desenvolver ações que qualifiquem o uso de medicamentos por esta população.

Texto extraído do livro Assistência Farmacêutica ao Idoso, uma abordagem multiprofissional

* Dr. James Fitzgerald- Gerente da Unidade de Medicamentos e Tecnologia – Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde.

 

O Brasil é um país que está envelhecendo

De repente a sociedade brasileira despertou para algo que não estava preparada para perceber: o Brasil é um país que está envelhecendo. Sempre tivemos o conceito de que éramos um país jovem e que o problema do envelhecimento é assunto dos países europeus, norte-americanos e Japão. No entanto, passamos a perceber um número cada vez maior de idosos nas ruas, tanto em cidades do interior como nas grandes cidades brasileiras. A imprensa começou a mostrar números que demonstram este envelhecimento e alertar para os problemas decorrentes dele.

O envelhecimento populacional brasileiro resultou da queda de nascimentos que vem ocorrendo no país desde os anos 60, com a descoberta de vários métodos anticoncepcionais, principalmente a pílula, que se somou a queda progressiva nas taxas de mortalidade que vêm se manifestando desde o final da segunda guerra mundial, nos anos 40. O mais importante em nosso envelhecimento populacional é a velocidade com que o mesmo está ocorrendo.

A maior preocupação de uma pessoa que pensa no seu envelhecimento é chegar à terceira idade sem ter uma doença que limite seu dia-a-dia e o torne dependente de outras pessoas. Estudos realizados com pessoas idosas têm demonstrado que a maioria considera a saúde como o valor mais fundamental, reforçando o dito popular “o importante é estar com saúde”.  

Envelhecer sem nenhuma doença crônica é mais a exceção do que a regra. Estudos brasileiros têm demonstrado que, entre os idosos, a grande maioria (mais de 85%) apresenta pelo menos uma enfermidade crônica e, cerca de 15%,  pelo menos 5. No entanto, ao serem perguntados sobre a sua saúde, a metade considerou regular, 36% boa ou ótima e somente 13% má ou péssima.

Embora pareça, não estamos diante de uma contradição. Por exemplo, a pessoa que tem pressão alta e trata adequadamente o problema poderá levar uma vida normal como qualquer outra. Essa mesma pessoa somente irá considerar a sua saúde ruim ou péssima se sofrer algum tipo de complicação, conseqüente da falta de cuidados, como um “derrame cerebral” ou um infarto miocárdio que, aí sim, podem causar limitações, que impeçam ou dificultem a realização de coisas que antes ela fazia no dia-a-dia, necessitando assim do auxílio de outras pessoas.   

A nossa capacidade de realizar as tarefas do cotidiano sem o auxílio de outros, denominamos de capacidade funcional. Estas necessidades diárias são de dois tipos: atividades básicas da vida diária (levantar-se da cama ou de uma cadeira, andar, usar o banheiro, vestir-se, alimentar-se) e atividades instrumentais da vida diária (andar perto de casa, cuidar do seu dinheiro,  sair e tomar uma condução, fazer compras). Os estudos realizados no Brasil também mostram que quase a metade dos idosos precisa de alguma ajuda para a realização de pelo menos uma das atividades necessárias à sua da vida diária e uma minoria significativa (7%) mostrou ser altamente dependente.

Do ponto de vista de saúde pública, a capacidade funcional surge como um conceito de saúde mais adequado para instrumentar e operacionalizar uma política de atenção à saúde do idoso. Ações preventivas, assistenciais e de reabilitação em saúde, devem objetivar e melhorar a capacidade funcional do idoso, ou no mínimo mantê-la e, sempre que possível, recuperá-la. Um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de doenças específicas.

Os idosos no Brasil

 
 

 

 
 

Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000. O instituto considera idosas as pessoas com 60 anos ou mais, mesmo limite de idade considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para os países em desenvolvimento. Em uma década, o número de idosos no Brasil cresceu 17%, em 1991, ele correspondia a 7,3% da população.

O envelhecimento da população brasileira é reflexo do aumento da expectativa de vida, devido ao avanço no campo da saúde e à redução da taxa de natalidade. Prova disso é a participação dos idosos com 75 anos ou mais no total da população - em 1991, eles eram 2,4 milhões (1,6%) e, em 2000, 3,6 milhões (2,1%).

A população brasileira vive, hoje, em média, de 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 90. Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas (13% do total), e a esperança de vida, a 70,3 anos.

O quadro é um retrato do que acontece com os países como o Brasil, que está envelhecendo ainda na fase do desenvolvimento. Já os países desenvolvidos tiveram um período maior, cerca de cem anos, para se adaptar. A geriatra Andrea Prates, do Centro Internacional para o Envelhecimento Saudável, prevê que, nas próximas décadas, três quartos da população idosa do mundo esteja nos países em desenvolvimento.

A importância dos idosos para o País não se resume à sua crescente participação no total da população. Boa parte dos idosos hoje são chefes de família e nessas famílias a renda média é superior àquelas chefiadas por adultos não-idosos. Segundo o Censo 2000, 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são chefes de família, somando 8,9 milhões de pessoas. Além disso, 54,5% dos idosos chefes de família vivem com os seus filhos e os sustentam.

Subpáginas (1): PSICOLOGIA E O IDOSO
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