Instrumentos Musicais Populares Portugueses



Aerofones

A Gaita de Foles usada em Portugal é composta por uma bolsa de ar (o fole) a que estão ligados dois tubos para produzir som e um segmento de tubo por onde o gaiteiro vai enchendo periodicamente a bolsa com ar. O ar é enviado para os tubos quando o executante pressiona a bolsa com o braço. Os tubos destinados a produzir som são o bordão ou roncão e o ponteiro. O bordão tem uma palheta simples na sua extremidade e, não tendo no tubo orifícios para os dedos e sendo comprido, produz apenas uma nota grave. O ponteiro tem também uma palheta, mas dupla, e o seu tubo, com 8 furos para os dedos, permite produzir a melodia. Gaita de Foles é utilizada nas regiões de Trás os Montes, Minho, Alentejo Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo.

A Flauta de Tamborileiro existe desde a Idade Média e tem apenas três furos para os dedos. Apesar de por vezes ser tocada a solo, geralmente é tocada pelo tamborileiro que enquanto percute o tamboril com uma mão toca a flauta com a outra. Como esta flauta tem o tubo mais estreito que o habitual o executante, mudando a intensidade do sopro, consegue produzir várias notas diferentes com cada posição. A flauta de tamborileiro é principalmente utilizada no Alentejo e em Trás-os-Montes.

Gaita de foles e flauta de tamborileiro


Além da flauta de tamborileiro existem outros tipos de flautas populares portuguesas.  Podem ser transversais (travessas), com seis furos para os dedos, ou de bisel, com seis, sete ou oito furos para os dedos. Na maioria das vezes são feitas de cana ou de pau de sabugueiro. As flautas são usadas quer a solo, muitas vezes por pastores, quer integrando conjuntos instrumentais. Apesar de espalhada por todo o país, as flautas de bisel e travessa tiveram grande tradição no Algarve, Beira Baixa, Beira Alta, Minho, Trás-os-Montes, Estremadura e Ribatejo.

Flauta de cana



A concertina, tal como o acordeão, possui palhetas livres que são postas a vibrar pela acção de um fole que fica entre os seus dois teclados de botões. O teclado da mão direita produz as notas e o teclado da mão esquerda produz os acordes e baixos de acompanhamento. Quando o executante pressiona um botão, produz uma nota se abrir o fole e outra nota diferente se o fechar. Como acontece com o acordeão, o órgão de boca asiático está na sua origem. A concertina, de grande difusão pelo país, é principalmente utilizada no Minho, Beira Baixa, Beira Litoral, Ribatejo e Estremadura.

Concertina


A Harmónica, como a concertina e o acordeão, também possui palhetas livres mas que, no seu caso, são postas a vibrar pela acção do sopro do executante. As palhetas que são finas lâminas de metal, vibram quando o executante expira ou inspira pela boca. Tradicionalmente a Harmónica é utilizada no Minho, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo e Algarve.

Harmónica



Outros aerofones populares portugueses

Acordeão (Minho, Beira Baixa, Ribatejo, Algarve)
Ocarina (Minho)
Palheta (Beira Baixa)



Cordofones


A guitarra portuguesa é o mais conhecido dos cordofones portugueses. A sua caixa de ressonância é em forma de pêra e tem seis pares de cordas que o executante dedilha usando umas unhas postiças. Apesar de difundida por todo o país as cidades com tradição de fabrico são Lisboa (Estremadura), Porto (Douro Litoral) e Coimbra (Beira Litoral).

Guitarra portuguesa



O cavaquinho é um cordofone dedilhado de dimensões muito reduzidas. Além de ser utilizado no Minho, de onde é originário, é também usado na Beira litoral, na Estremadura, Algarve e, fora de Portugal, em Cabo Verde e no Brasil. O cavaquinho, que parece estar na origem da braguinha, tem quatro cordas metálicas que são dedilhadas empregando uma técnica chamada rasgado.

Cavaquinho


A braguinha, também conhecida como Machete, é uma espécie de cavaquinho utilizado na ilha da Madeira. As suas quatro cordas são postas a vibrar pelo uso dos dedos ou, por vezes, com uma palheta. A Braguinha parece ter sido levada por emigrantes madeirenses para o Havai onde tomou o nome de Ukelele que significa “pulga saltadora em havaiano.

Braguinha


A Viola da Terra ou Viola de Arame é um cordofone dedilhado dos Açores. Geralmente tem doze cordas de arame e apresenta duas aberturas em forma de coração no tampo da sua caixa de ressonância. A Viola da Terra, desde que surgiu neste Arquipélago, em finais do século XV ou princípios do século XVI, foi evoluindo até à sua forma actual. 

Viola da Terra



A rabeca chuleira é um violino popular especialmente utilizado no Douro Litoral e Minho. A sua utilização está muito ligada a uma forma musical chamada chula que é típica dessas regiões. A rabeca tem quatro cordas friccionadas por um arco e o seu braço é mais curto que o do violino.

Rabeca Chuleira



Outros cordofones populares portugueses

Rajão (Madeira)
Viola Amarantina (Douro Litoral)
Viola Beiroa ou Bandurra (Beira Baixa)
Viola Braguesa (Minho)
Viola Campaniça (Alentejo)
Viola Toeira (Beira Litoral)



Idiofones


Os paulitos são uns paus utilizados pelos pauliteiros em danças populares de Trás-os-Montes. Cada pauliteiro utiliza um par de paulitos, um em cada mão, e durante a dança, de acordo com a coreografia, bate com um no outro ou contra os paulitos de outro dançarino. A dança dos paulitos e outras “danças de espadas” são referidas em literatura desde a Idade Média. 

Paulitos


O brinquinho é um idiofone tradicional da ilha da Madeira. É constituído por dois  ou três conjuntos de bonecos com castanholas nas costas que assentam em placas de madeira que têm caricas presas. As placas, com os bonecos presos, movimentam-se verticalmente ao longo de um eixo feito com uma cana e um arame que lhe passa por dentro. Ao tocar, o músico segura o arame na sua base, onde tem um cabo de madeira, e desloca-o para cima e para baixo. No Minho existe um instrumento semelhante mas de maiores dimensões chamado zuca-truca. No vídeo aqui apresentado o brinquinho aparece ocasionalmente no lado esquerdo da filmagem.

Brinquinho


A utilização de seixos na música é uma tradição do Minho e que também pode ser observada em Arronches, no Alto Alentejo. Os habitantes da vila de Arronches apanham as já famosas pedrinhas nas ribeiras circundantes e utilizam-nas como castanholas.

Guizos, sinos e pedrinhas


As conchas (Vieiras) são frequentemente usadas como uma espécie de reco-reco. O executante raspa as estrias de uma concha contra as estrias da outra. As vieiras são utilizadas no Minho e em Trás-os-Montes onde são chamadas ferranholas.

Vieiras



Outros idiofones populares portugueses

Almofariz (Beira Baixa)
Bilha com abano (Ribatejo e Estremadura)
Castanholas (Minho, Douro Litoral, Trás-os-Montes, Alentejo e Ribatejo)
Castanhola de cana ou cana aberta (Ribatejo)
Chincalho (Alto Alentejo)
Ferrinhos (Minho, Trás-os-Montes, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Algarve, Madeira e Açores)
Garrafa com garfo (Beira Baixa, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo e Algarve)
Genebres (Beira Baixa)
Pratos (Minho, Beira Baixa e Açores)
Reque-reque (Minho e Madeira)
Tréculas (Madeira)
Trinchos (Beira Baixa)
Zaclitrac (Minho)




Membranofones


O Bombo é o membranofone de maiores dimensões usado em Portugal. As peles, colocadas dos dois lados da caixa de ressonância, podem ter perto de um metro de  diâmetro e são percutidas com baquetas grossas chamadas massetas. As principais regiões onde é utilizado são Trás-os-Montes, Beira Baixa, onde até existe o museu “Casa do Bombo”, Minho, Douro Litoral e Beira Litoral, onde surge integrado nos conjuntos de “Zés Pereiras”.

Bombo



O Pandeiro é um membranofone de forma quadrada, com pele dos dois lados da moldura, que o executante percute com as mãos. No seu interior são colocados grãos, caricas ou pedrinhas que batem nas peles durante a execução enriquecendo o som. É chamado Adufe na Beira Baixa e por vezes no Alentejo. Com pequenas diferenças na sua construção, existe na faixa oriental do país, na chamada zona raiana, do Alentejo a Trás-os-Montes.

Adufe


Zamburra e Sarronca são apenas os nomes mais conhecidos deste membranofone friccionado. Este instrumento, na maioria das vezes, é constituído por uma bilha de barro ou metal que na boca tem uma pele onde foi atada, no centro, uma cana fina. O executante, com a mão molhada, fricciona a cana fazendo vibrar a pele e produzir um ronco. É especialmente usado na altura do Natal e do Carnaval e o Alentejo e a Beira Baixa são as regiões de maior uso tradicional.

Zamburra ou Sarronca


O Tamboril é um membranofone que tem geralmente uma caixa de ressonância bastante longa com pele dos dois lados. Encostado a cada pele existe um ou mais cordões (bordões) que vibram com os batimentos feitos pelo executante com uma baqueta. O tamboril é geralmente tocado apenas com uma mão, uma vez que a outra mão do executante é utilizada para tocar a flauta de tamborileiro. O tamboril é especialmente usado no Alentejo e Trás-os-Montes.

Tamboril



Outros membranofones populares portugueses

Caixa (Trás-os-Montes, Beira Baixa e Beira Alta) 
Caixa-tarola (Minho)
Pandeireta (Ribatejo e Alto Alentejo)
Tambores vários (Açores, Minho, Beira Baixa, Algarve...)

Comments