Fonetica

 

FONÉTICA


É a parte da gramática que estuda os sons da fala humana, ou seja, os fonemas.


1. Fonemas

Fonemas são sons da fala humana que, sós ou combinados, formam as sílabas que, por sua vez, formam as palavras.


2. Fonemas e Sílabas - Diferença

Não há que confundir fonema e sílaba, coisas bem diferentes. Uma sílaba pode conter um (a-go-ra), dois (a-go-ra), três (es-tre-la), quatro (cris-tão) e até cinco (felds-pa-to) fonemas.


3. Letras

Letras são as representações gráficas (símbolos convencionados) dos fonemas.


4. Fonema e Letra - Diferença

Fonema pronuncia-se e ouve-se; letra escreve-se e vê-se.

Uma palavra pode ter igual número de fonemas e letras:


cabelo - 6 letras e 6 fonemas.


O número de letras pode ser maior do que o número de fonemas:


hoje - 4 letras e 3 fonemas, pois o “h” não é pronunciado;


guerra - 6 letras e 4 fonemas, pois os dígrafos “gu” e “rr” representam apenas um fonema cada um;


tanto - 5 letras e 4 fonemas, pois o “n” apenas faz com que o “a” seja nasalizado.


Há, ainda, palavras que possuem mais fonemas do que letras:


tóxico - 6 letras e 7 fonemas, pois o “x” equivale a /ks/.


Por outro lado, um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes, como podem, também, fonemas diferentes ser representados por uma mesma letra:


mesa, beleza - as letras s e z representam o mesmo fonema /z/;


texto (x = /s/), exame (x = /z/), sexo (x = /ks/), máximo (x = /ss/), lixo (x = /ch/) - em cada uma o “x” representa fonemas diferentes.


Por aí se vê que não há, rigorosamente, um símbolo gráfico (letra) para cada fonema de nossa língua. Essa discrepância entre fonemas e letras é a responsável pela maior parte das dificuldades ortográficas que enfrentamos.


5. Nome da letra

Não se confunda o nome da letra com o fonema respectivo. Assim, ele, eme, erre, cê são os nomes das letras l, m, r, c.

Os fonemas são os sons que a leitura dessas letras produz na palavra.





6. Classificação dos Fonemas


a) VOGAIS

Não são simplesmente as letras a, e, i, o, u. Em quilo, a letra u nem é fonema.

A vogal é fonema básico de toda sílaba. Não há sílaba sem vogal e não pode haver mais de uma vogal numa sílaba. Por outra, o número de vogais de um vocábulo é igual ao número de sílabas; inversamente, o número de sílabas é igual ao número de vogais.


b) CONSOANTES

Como o próprio nome sugere (com + soante = soar com), consoantes são os fonemas que, para serem emitidos, necessitam do amparo de outros fonemas, ou seja, das vogais.


Cabe relembrar que, para haver consoante, é necessário o fonema (ruído) e não a letra (escrita). Assim, em “hipótese”, não há a consoante “h”, mas apenas essa letra; em “ilha”, a consoante única é o fonema representado pelas letras “lh”; em “manga”, o “n” não é consoante, porque não constitui fonema, mas apenas indica a nasalização do “a”.


c) SEMIVOGAIS

Constituem os fonemas intermediários entre as vogais e as consoantes: não têm a fraqueza destas nem a autonomia daquelas. São, na prática, o “i” e o “u”, quando, ao lado de uma vogal autêntica, soam levemente, sem a força de vogal. O “e” e o “o”, sempre que, na mesma circunstância, forem pronunciados, respectivamente, como “i” e “u”, também serão semivogais.

Comparem-se as diferenças de intensidades dos fonemas grifados, nas palavras que seguem:


Semivogais

Vogais

Pais

país

Mau

baú

Mágoa

pessoa

Vídeo

Leo

Mário

Maria



Observações:

1ª) O a é sempre vogal, aberto ou fechado, oral ou nasal.

2ª) Qualquer uma das letras a, e, i, o, u, isolada ou entre duas consoantes, será vogal.

3ª) O fonema que receber o acento tônico será obviamente vogal.

4ª) Pode haver duas vogais juntas, mas jamais se juntarão duas semivogais.


7. Grupos ou Encontros Vocálicos

Chamam-se assim os grupos ou encontros constituídos de dois ou mais fonemas vocálicos (vogais e semivogais).


a) DITONGO

É o grupo constituído de uma vogal e uma semivogal ou vice-versa.

O ditongo pode ser:

crescente - quando a semivogal vem antes: série, água, vítreo, nódoa, quando, freqüente;

decrescente - quando a semivogal vem depois: leite, baixo, céu, herói, mão mãe, põe, muito.

Qualquer ditongo ainda pode ser:

oral - quando emitido sem a participação das fossas nasais: série, água, vítreo, nódoa, quase, leite, baixo, céu;

nasal - quando há participação das fossas nasais: quando, freqüente, põe, muito.





Na prática, os ditongo nasais são:

1 - os que levam o til: sabão, anões, mãe, cãibra;

2 - os que vêm seguidos de “m” ou “n” na mesma sílaba: quando, guampa;

3 - o “ui” de mui e muito;

4 - os grupos “em”, “en”, “ens” e “am” no final de vocábulos: também, éden, edens, armam.



b) HIATO


É o encontro de duas vogais: pessoa, guria, sde, sda, coordenar.


Observação:

Todas as vogais repetidas constituem hiatos e, por isso, devem ser pronunciadas separadamente: crêem, caatinga, vôo, niilismo.


c) TRITONGO

É o grupo formado por uma vogal entre duas semivogais: quais, saguão.


Observação:

Uma vogal ladeada por semivogais é o único jeito possível de haver tritongo. Acautele-se, pois, o leitor contra a falsa impressão de tritongo que podem dar palavras como “raio”, “tamoio”, “veraneio”, “bóia”, “idéia”. Observe-se que não há tritongo pelo simples fato de que é uma semivogal que está entre duas vogais. Tem sido norma gramatical separar as sílabas dessas palavras assim: rai-o, ta-moi-o, ve-ra-nei-o, bói-a, i-déi-a, formando, portanto, ditongos decrescentes.


Os tritongos podem ser:

orais - quando emitidos sem a participação das fossas nasais: Uruguai, desiguais;

nasais - quando emitidos com a participação das fossas nasais: saguão, saguões, enxáguam, ágüem.


8. Encontros Consonantais

São as seqüências de duas ou mais consoantes: vidro, digno, escrita.


Observação:

Os encontros consonantais disjuntos (separados silabicamente), como os de “advogados”, “ritmo”, “oão”, “digno”, por serem de difícil elocução, têm proporcionado verdadeiras aberrações fonéticas e até ortográficas. É comum ouvirmos e às vezes até vemos tais palavras escritas assim: “adevogados”, “rítimo”, “opição”, “diguino”. Note-se que, assim, são acrescidas de um fonema e uma sílaba.


9. Dígrafos

São os grupos de duas letras representando um fonema apenas. Não confundamos dígrafo (2 letras = 1 fonema) com encontro consonantal (cada letra = 1 fonema).


Estes são os dígrafos:

ch, lh, nh ¾ cheio, filho, ninho;

gu, qu, (com o u mudo) ¾ guindaste, querido, requinte, segue;

rr, ss ¾ terra, morro, isso, passa;

sc, xc (antes de e e de i) ¾ piscina, exceto;

¾ naa, dea;

am, an, em, en, in, im, om, on, um, un, desde que não sejam ditongos nasais (ver ditongo nasal) ou façam parte de tritongo nasal (ver tritongo nasal) ¾ também, canto, sempre, entre, ímpio, pintura, combate, onda, álbum, funda. Em outras palavras: as vogais seguidas de m ou n na mesma sílaba, uma vez que estes, nesse caso, são meros índices de nasalização.


SEPARAÇÃO SILÁBICA


1 - A divisão de sílabas se processa pela silabação das palavras, jamais pelos elementos constitutivos de sua formação. Sabemos, por exemplo, que bisavô se forma de bis + avô, mas, na silabação, teremos bi-sa-vô, sendo esta a separação correta.


2 - Toda consoante precedida de vogal forma sílaba com a vogal seguinte:

janela ............... ja-ne-la

ético ................ é-ti-co

desumano ....... de-su-ma-no

subumano ....... su-bu-ma-no

subabitação ..... su-ba-bi-ta-ção

superativo ........ su-pe-ra-ti-vo

hiperácido ........ hi-pe-rá-ci-do


Observação:

Como vimos nos dígrafos, as letras m e n muitas vezes são índices de nasalização da vogal anterior. Para efeitos fônicos, é como se fossem til: transandino, consorte, sentido, bomba, campo, lindo. Por isso, justificam-se por essa mesma regra as separações: tran-san-di-no, tran-sa-ma-zô-ni-co, con-sor-te, sen-ti-do, bom-ba, cam-po, lin-do.


3 - O que se pode e o que não se pode separar:


Não se separam:

  1. os ditongos e os tritongos: lei, fai-xa, a-zei-te, fé-rias, lé-gua, nó-doa, cha-péu, ji-bói-a, mai-o a-ve-ri-güei, quais, pa-ra-guai-a;

  2. os dígrafos do “h” e do “u”: cha-ve, fi-lho, ne-nhum, a-qui-lo, se-gue, se-quer;

c) os encontros consonantais no início de palavras: gno-mo, mne-mô-ni-co, pneu-má-ti-co, psi-có-lo-go;

  1. em geral, os grupos consonantais em que a segunda letra é “l” ou “r”: a-tle-ta, o-blí-quo, a-tri-to, sa-cro, le-tra, a-dro.


Separam-se:

a) os hiatos: vô-o, ga-ú-cho, fi-lo-so-fi-a, ca-no-a, a-í, Le-o;

b) os dígrafos “rr”, “ss”, “sç”, “sc” e “xc”: bar-ro, os-so, des-ça, nas-ce, ex-ce-to;

c) os encontros consonantais pronunciados disjuntamente: ad-vo-ga-do, dig-no, ar-te, per-cus-são, sub-di-re-tor, sub-li-nhar (pronuncia-se como sub-lo-car);

d) as consoantes duplas: oc-ci-pi-tal, fric-ção;

e) os encontros consonantais (de mais de duas consoantes) em que aparece “s” separam-se depois do “s”: es-tre-la, des-pres-tí-gio, in-ters-tí-cio, felds-pa-to, pers-cru-tar, ins-tru-ir.


4 - É claro que, se a palavra já for separada por hífen, essa separação será respeitada, e, na passagem de uma linha para a outra (translineação), tal hífen até deve ser repetido:

..................................... ex-

-atleta ..................................

................................... disse-

-nos .....................................

.................................... obra-

-prima ..................................

.................................... auto-

-retrato ................................


5 - Na translineação, devem-se evitar separações de que resultem, no fim de uma linha ou no início da outra:

a) letras isoladas:

......................................... e-

duca................................... ....................................... ba-

ú ..........................................

b) termos grosseiros:

.....................................cus-

toso .....................................

....................................puta-tivo.......................................

................................... após-

tolo ......................................


TESTES


1) Analise a classificação incorreta:

a) piscina, carro ......... dígrafos

b) legião ..................... tritongo

c) pessoa .................... hiato

d) porém ....................... ditongo decrescente

e) farmácia, padaria ..... ditongos crescentes


2) Assinale o único conjunto em que há erro de separação silábica:

a) jói-a, co-mé-dia, cres-ce-mos

b) de-sa-jus-ta-do, sa-guão, sec-ção

c) mne-mô-ni-ca, trans-al-pi-no, ra-i-nha

d) su-pers-ti-ção, e-gíp-cio, res-sur-gir

e) su-ben-ten-der, gra-tui-to, ab-di-ca-ção


3) A alternativa em que há um erro de divisão silábica, no que se refere à escrita é:

a) cai-ar, jói-a, gló-ria

b) Sa-a-ra, tê-nue, á-gua

c) sé-rie, ma-io, bi-sa-vô

d) co-lap-so, par-tiu, fri-ís-si-mo

e) sub-le-var, subs-cre-ver, pror-ro-gar


4) Nas palavras AINDA e BEIJÁ-LA há, respectivamente:

a) ditongo crescente e ditongo decrescente

b) hiato e ditongo crescente

c) ditongo crescente e hiato

d) hiato e ditongo decrescente

e) ditongo decrescente e ditongo crescente


5) O vocábulo “sossegue” tem

a) nove fonemas

b) oito fonemas

c) sete fonemas

d) seis fonemas

e) cinco fonemas


6) A alternativa em que há um erro de divisão silábica, no que se refere à língua escrita, é:

a) in-te-rur-ba-no, su-bes-ti-mar

b) lí-rio, subs-tân-cia,

c) a-lhe-io, ex-ce-ção

d) du-as, tê-nue

  1. cor-re-ri-a, só-bria


7) A alternativa em que há um erro de divisão silábica é:

a) en-sai-ar, al-ca-téi-a, ví-treo

b) an-ta, prê-mio, tá-bua

c) lap-so, frei-o, su-pe-ra-ti-vo

d) sub-ins-pe-tor, sub-de-le-gar

e) re-crei-o, fri-o, áu-rea


8) Assinale a alternativa cujos encontros vocálicos correspondem, na mesma ordem, aos seguintes: JUIZ - QUEIXO - COMPÕE - ÁREA

a) vôo - quais - coração - hábeis

b) coroa - raio - porém - quase

c) mais - queijo - quando - série

d) A, B e C correspondem.

e) n.d.a.


9) A separação das palavras subinspetor, abscissa, fortuito e sublinhar está correta em :

a) sub-ins-pe-tor, abs-cis-sa, for-tui-to, su-bli-nhar

b) su-bins-pe-tor, abs-cis-sa, for-tui-to, sub-li-nhar

c) sub-ins-pe-tor, ab-scis-sa, for-tui-to, su-bli-nhar

d) su-bins-pe-tor, abs-cis-sa, for-tui-to, su-bli-nhar

e) su-bins-pe-tor, abs-ci-ssa, for-tu-i-to, sub-li-nhar

10) Quanto à translineação, assinale a alternativa em que há apenas uma palavra que não deve ser separada onde está o hífen:

a) i-déia, alegri-a, indis-por

b) sub-linhar, intu-ir, auto-controle

c) fede-ral, após-tolo, furi-bunda

d) de-satenção, con-torcer, cus-tar

e) circu-ito, recre-io, feld-spato


11) Indique a alternativa em que há erro de partição silábica:

a) a-do-les-cen-te, p-neu-má-ti-co, ab-di-car

b) ét-ni-co, ra-iz, ins-cre-ver,

c) pers-pi-caz, fri-ís-si-mo, tran-sa-ma-zô-nia

d) bis-ne-to, in-te-res-ta-du-al

e) rai-as, ar-roi-os, ca-iu


12) No vocábulo preguiçoso, temos:

a) dois encontros consonantais

b) um encontro consonantal e um dígrafo

c) dois dígrafos

d) um encontro vocálico

e) um ditongo


13) Marque a relação incorreta:

a) prosódia - um encontro consonantal e um ditongo

b) ruim - hiato

c) bênção - ditongo oral

d) cachorro - dois dígrafos

e) palha - dígrafo


14) Numa das seqüências, todas as palavras apresentam hiato:

a) leoa, pessoa, fiéis

b) coroa, boa, mágoa

c) prováveis, razoável, dêem

d) violento, suor, pais

e) boa, hiato, cooperar


15) Para responder a esta questão, examinar as afirmativas referentes ao valor de letra “x”:

I - o “x” representa os fonemas /ks/ na palavra “tóxico”;

II - o “x” representa os fonema /ks/ na palavra “intoxicar”;

III - o “x” representa o fonema /z/ na palavra “inexaurível”;

IV - o “x” representa o fonema /z/ na palavra “exorcismo”;

V - o “x” representa o fonema /s/ na palavra “extirpar”.

Pelo exame das afirmativas, verifica-se que:

a) apenas uma está correta

b) apenas duas estão corretas

c) três estão corretas

d) quatro estão corretas

e) todas estão corretas



RESPOSTAS

1- E 2- C 3- C 4- D 5- D 6- C 7- D 8- B 9- B 10- D 11- A 12- B 13- C 14- E 15- E


PROBLEMAS

ORTOGRÁFICOS


  1. TERMINAÇÕES


1. Terminações -ez (-eza), -ês (-esa)


Observe os exemplos:


Grupo 1 Grupo 2

gentil ........ gentileza campo.......camponês, camponesa

belo .......... beleza barão........ baronesa

mole ......... moleza burgo ........burguês, burguesa

fluido ........ fluidez Pequim......pequinês, pequinesa

insensato .. insensatez Portugal.....português, portuguesa


No Grupo 1, a palavra primitiva é adjetivo, e a derivada, substantivo.

No Grupo 2, a palavra primitiva é substantivo, e a derivada, adjetivo.

Portanto, usa-se -ez(-eza), quando a palavra deriva de um adjetivo, e -ês(-esa), quando a palavra deriva de um substantivo.


2. Terminação -oso(s), -osa(s)

Essa terminação (sufixo) forma muitas palavras adjetivas na Língua Portuguesa. É desnecessário dizer que ela será sempre com “s”: bondoso(s), bondosa(s); gasoso(s), gasosa(s); bilioso(s), biliosa(s); maravilhoso(s), maravilhosa(s).

O substantivo gozo(s) e todas as formas do verbo gozar (eu gozo, tu gozas, ele goza etc.) são com z, mas não constituem exceção, porque essas palavras não têm sufixos, isto é, não são derivadas de outra menor.


3. Teminações -izar, -(is)ar

Com a terminação izar (sufixo com z), formam-se muitos verbos na Língua Portuguesa:

canal ......... canalizar

bárbaro ..... barbarizar

nacional .... nacionalizar

estilo ......... estilizar

humano ..... humanizar


Observe-se que, realmente, acrescentamos -izar, retirando, quando muito, uma letra da palavra primitiva.

Há alguns verbos que, aparentemente, apresentam a terminação -isar (com “s”):

análise ...... analisar

paralisia .... paralisar

pesquisa .... pesquisar

friso ............ frisar


Observe-se que, nestes exemplos, acrescentamos apenas -ar, pois is já estava na palavra primitiva, o que significa que não existe o sufixo -isar, e sim -ar.


- IZAR - quando a palavra primitiva não oferece IS.

- ISAR - quando a palavra primitiva oferece IS.


Nota: A conjugação desses verbos, bem como as palavras que se formam a partir deles, evidentemente, mantêm o z ou o s, conforme o caso:

canalizar - canalização, canalizado, canalizamos etc;

paralisar - paralisação, paralisado, paralisaremos, paralisando etc.


4. Terminação -inho

Esse sufixo liga-se ao radical por duas maneiras:

  1. diretamente, eliminando, quando muito, uma vogal da palavra primitiva:


curral + inho = curralinho, dent(e) + inho = dentinho, nariz + inho = narizinho, barc(o) + inho = barquinho, cant(o) + inho = cantinho, lag(o) + inho = laguinho.


As consoantes finais do radical l, z, t, c, (transformada em qu) e g (transformada em gu)] permitem que esta ligação direta aconteça.

Isso igualmente acontece, quando a consoante final da palavra primitiva, tomada no singular, for o “s”. Por isso, temos:


país + inho = paisinho, mes(a) + inha = mesinha, pes(o) + inho = pesinho, Luís(a) +

inha = Luisinha.


Nestes exemplos, seria tão absurdo substituir o s por outra letra (z), como seria absurdo substituir as consoantes dos exemplos anteriores.


  1. Entretanto, se o radical não oferecer uma consoante que permita essa ligação espontânea, natural, será preciso recorrer a uma, que se acrescenta; e essa consoante deverá ser o z, e apenas o z:


pai + z + inho = paizinho, mãe + z + inha = mãezinha, guri + z + inho = gurizinho, árvore + z + inha = arvorezinha.


- (S) INHO- quando o radical oferecer S.

- ZINHO- quando o radical não oferecer S ou outra consoante.


Observação: As palavras formadas com sufixos como -ito, -al, -ão, arão, -arrão obedecem à mesma norma ortográfica:


piá + z + ito = piazito, pai + z + ão = paizão, capim + z + al = capinzal, homem + z + arrão

= homenzarrão; lápis + ito = lapisito,

Luís + ão = Luisão, cas(a) + arão = casarão.


5. Terminações -agem, -igem, -ugem

Eis terminações que geralmente se grafam com g: garagem, a viagem, fuligem, ferrugem, vertigem.

Todavia, os verbos em -ajar, -ijar e -ujar (viajar, alijar, enferrujar etc.) mantêm, na conjugação, o j. Por isso, temos: que eles viajem, que eles alijem, que eles enferrujem etc.


Nota: As pessoas mais desavisadas têm certa dificuldade em distinguir, na frase, o substantivo viagem (com g) do verbo viajem (com j). A elas basta que se diga que o substantivo admite o plural viagens e que o verbo pode mudar para qualquer outra pessoa (viaje, viajemos etc.);

Que viajem! Na próxima vez, viajem vocês.

(Que viagens! Na próxima vez, viaje você.)


6. Terminações -ear, -iar

Muitos são os verbos terminados em -ear e -iar. Eis alguns:


campear passear financiar

veranear acarear aviar

estrear negociar amaciar

recear acariciar copiar


Como evitar trocas entre e e i na hora de empregar essas formas infinitivas?


Conjugando o verbo na primeira pessoa do presente do indicativo: se esta terminar em -eio, o infinitivo será com -ear; se terminar em -io, o infinitivo será com –iar:


eu campeio

eu passeio

eu financio

eu veraneio

eu acareio

eu avio

eu estréio

eu negocio

eu amacio

eu receio

eu acaricio

eu copio


Observação:

Apenas cinco verbos fazem “eu -eio”, apresentando, contudo, o infinitivo com -iar. São os da “Regra do MÁRIO”: mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.


7. Terminações -(e)eiro -(e)eira, -(i)eiro, -(i)eira


Às vezes, surgem dúvidas entre o emprego de e ou i antes das terminações -eiro, -eira. A dúvida desaparece, se atentarmos para a origem da palavra formada com essas terminações, pois a letra da dúvida (e ou i) será a mesma que estiver na palavra primitiva:


cume .......

cumeeira

estância ....

estancieiro

lume ........

lumeeiro

espécie .....

especieiro

candeia......

candeeiro

frio ...........

frieira

areia ..........

areeiro




8. Terminações -am, -ão

Nas formas verbais, a terminação será -am (e não -ão), se a sílaba tônica for a penúltima (paroxítona): captaram, fizeram, comeram, realizaram. Se a sílaba tônica for a última (oxítona), a terminação será -ão: cantarão, venderão, farão, comerão.


  1. LETRAS


1. X

  1. Jamais use ch em vez de x, se houver ditongo antes:

caixa, faixa, peixe, ameixa, frouxo.


  1. Em geral, depois de me e mi iniciais:

mexer, mexerica, mixuruca.

Exceção: a mecha.


  1. Em geral, depois de en.

enxada, enxergar, enxurrada, enxame.

Observação:

Se a palavra derivar de uma que tem ch, este se mantém:

enchavear (en+chave+ar)


2. Correlação nd x ns

Escreva ns e não nc, se houver outra da família com nd:

compreensão (compreender), extensão (estender).


3. Correlação c x z

Na dúvida entre z ou s em certos vocábulos, basta ver se há uma família que se escreve com c:

atroz, (atrocidade), falaz (falácia), vizinho (vicinal).


4. Correlação t x c(ç)

Outra correlação entre palavras da mesma família que soluciona muitas dúvidas:

exceção (exceto), torcer, torção (torto).



5. Correlações ced x cess, prim x press,

gred x gress, tir x ssão


concessão (conceder), excesso (exceder), agressão (agredir), progressivo (progredir), opressivo (oprimir), impressão (imprimir), discussão (discutir), repercussão (repercutir).


6. “H” mudo no meio só na bahia dos baianos


desonesto, desonra, subumano.


7. K, W, Y

São usadas apenas em abreviaturas (W.C. - “water-closet”), símbolos (kg - quilograma) e nomes próprios (Kant, Byron) ou palavras derivadas deles (kantismo, byroniano).


8. S e NÃO Z

  1. Depois de ditongo, usa-se sempre s:

lousa, maisena, Sousa, náusea, Neusa.


  1. Se a palavra não for oxítona, jamais use z no fim:

ourives, lápis, ônibus, Álvares, Ramires, Rodrigues.


III - PALAVRAS E EXPRESSÕES


  1. JEITO é com “j”, porque não tem outro jeito. E assim seus derivados: jeitinho, jeitoso, ajeitar, rejeitar etc.


  1. REIvindicar - REI, depois “vindicar”.


3. Se laranja é com j, laranjeira também será. Se cume é com e, cumeeira manterá o e. Se candeia tem e depois do d, candeeiro manterá o e. E, assim, a grafia correta de muitas palavras depende apenas de observação inteligente.


4. A FIM DE - Se há DE separado, separe o A. AFIM (junto) significa afinidade e, geralmente, é usado no plural:

Nós temos idéias afins.


5. QUIS (com S) e FIZ (com Z). Por quê? Ligue-se no infinito, no nome do verbo. Se este contiver Z, está na cara que ele não deve ser trocado por S na conjugação. Se o infinitivo não contiver Z, então, na conjunção, devemos usar S:


FAZER (com Z) - fiz, fizemos, fizeste etc.
DIZER (com Z) - diz, dizemos etc.
APRAZER (com Z) - apraz, aprazia etc.

Mas:
QUERER (sem Z) - quis, quiseste
, quisera etc.

PÔR (certo) - pus, pôs, pusemos, pusera etc.


6. EXPECTATIVA (com X), que significa espera.
ESPECTADOR, o que assiste a um espetáculo, é que é com S.


7. Os verbos terminados em uir mantêm o i na 3ª pessoa do singular:

possui, constitui, constrói, anui, rui, flui.


8. PRIVILÉGIO (com i) vem de PRIVADO (com i).


9. CONSCIÊNCIA todo mundo sabe que é com sc; logo, os derivados serão com sc:


conscientizar, inconsciência, conscientização etc.


10. ATRASADO, segundo o Prof. Édison de Oliveira, é quem escreve atrasado com z.


11. EXCESSO - Não confundir com exceção.


12. A PAR x AO PAR - A expressão de uso comum é a par. Ao par usa-se no mundo financeiro para indicar equivalência de moedas e títulos. A par de (=ao lado de) é sinônimo de de par com:


A par da (ou De par com a) beleza, devemos ressaltar sua inteligência.


13. AFORA

Andava pelo mundo afora.

Afora o líder, todos riram.


Existem de fora, por fora, em fora; mas não existe à fora. É, pois, erro grosseiro escrever: “Andava pelo mundo à fora”.


14. TAMPOUCO x TÃO POUCO - Tampouco significa também não:

Não fuma, tampouco bebe.


Tão pouco traz a idéia de muito pouco:

Ele estuda tão pouco, que não passará.


15. TÃO-SÓ e TÃO-SOMENTE - São expressões que tão-somente servem para reforçar somente. Empregam-se com hífen.


16. ACERCA DE x HÁ CERCA DE x A CERCA DE - As três expressões são usadas: a primeira significa a respeito de (Só falava acerca de suas aventuras); a segunda indica tempo transcorrido, em que é igual a faz ( cerca de dez anos, estávamos no início desta obra); a terceira indica um tempo futuro (Daqui a cerca de três meses iniciaremos a obra).


17. IR AO ENCONTRA DA NAMORADA ou IR DE ENCONTRA À NAMORADA?

É muito melhor ir ao encontra da namorada. Ir de encontra a significa chocar-se, abalroar:

O automóvel foi de encontro ao barranco.


18. AO INVÉS DE x EM VEZ DE - Aproximam-se no significado, mas não são exatamente iguais. Ao invés de traz a idéia de ao contrário de:

Quando ouviu a piada, ao invés de rir, chorou.

Em vez de significa em lugar de:

Em vez de trabalhar, foi ao cinema.


19. PORVENTURA Significa acaso, por acaso. Não se separa.


20. EMPECILHO (com e e lh) - Vem de empecer, que significa estorvar, criar obstáculos.


IV - EMPREGO DO HÍFEN


1 - Certos prefixos, às vezes, exigem hífen.

Examinemos este quadro:



Palavra iniciada por:

PREFIXOS

VOGAL

h

r

s

a) pseudo, auto, neo, infra, supra, extra, proto, intra, contra, ultra, semi


SIM


SIM


SIM


SIM

b) circum, pan, mal

SIM

SIM

NÃO

NÃO

c) ante, anti, arqui, sobre

NÃO

SIM

SIM

SIM

d) super, inter, hiper

NÃO

SIM

SIM

NÃO

e) sub (também se separa antes de b.)

NÃO

NÃO

SIM

NÃO


Exemplos:

a) pseudo-homem, auto-retrato, neo-sectário, infra-assinado, supra-renal, extra-oficial, (“extraordinário” é a única exceção desse quadro), proto- -história, intra-uterino, contra-revolucionário, ultra- -som, semi-reta, semi-índio;

b) circum-adjacente, circum-hospitalar, pan- -amaricano, pan-helenismo, mal-estar, mal- -humorado; mas: circunsessão, circunrodar, pansexual, panruralismo, malroupido, malsão;

c) ante-histórico, ante-sala, ante-republicano, arqui-rabino, arqui-secular, sobre-humano, sobre- -restar; mas: anteontem, antiimperialista, arquiavô, sobreaviso, sobreeminência.

d) super-homem, super-resistente, inter- -humano, inter-radical: mas: superativo, superinfluente, superunião, interurbano, interagir, intersindical.

e) sub-reitor, sub-ramo, sub-base, sub-biblioteca; mas: subalimentado, subalugar, suboficial, subumano, subsolo, subseção.


Observação:

Atente-se bem para o fato de que todos esses prefixos se unirão à palavra radical, se esta não começar por vogal, h, r, ou s (HORAS - o e a representam as vogais).


Sem HORAS, não haverá hífen.


Neoclássico, autodidata, internacional, pseudo-progresso, superbase, infravermelho, circumpolar, malcriado, supermercado, subchefe, subdiretor, antebraço, anticristo.


2 - Sempre exigirão hífen:


a) prefixos tônicos, com acento: além, aquém, recém, pré, pró, pós, grã, grão: além-túmulo, além-mar, aquém-fronteira, pró-creches, pós-guerra, grão-mestre, grã- -finagem.


b) soto, sota, vice: soto-mestre, sota- -piloto, vice-governador, vice-almirante.


c) bem, sem: bem-humorado, sem- -vergonha, bem-amado, bem-estar, sem- -cerimônia.


d) ex, significando estado anterior, que já foi: ex-colega, ex-presidente, ex- -empregado.


e) não, quando empregado como prefixo: não-agressão, não-alinhado, não- -violência.


3 - Nunca exigirão hífen outros elementos de composição que não têm vida própria na língua, tais como: micro, macro termo, bi, tri, tetra, penta, hexa, hepta, aero, angi, bio, cis, ego, eletro, fisio, hemi, hidro, mono, multi, mini, maxi, neuro, oni, psico, quadri, radio, retro, sesqui, tele, termo, turbo, zoo: microônibus, macroatacado, termodinâmica, bicampeão, aeroespacial, anfiteatro, bioexaustor, cisplatino, egocentrista, eletromagnético, fisioterapia, retropropulsor, telejornalismo, turboélice, zoobotânica.


Observação: Quando os elementos que não exigem hífen se ligam a palavras iniciadas por h, r, e s poderá ser necessário fazer adaptação ortográfica:

sub + humano = subumano (não há “h” mudo no meio),

turbo + hélice = turboélice,

mini + saia = minissaia (sem “ss” teríamos de ler “minizaia”),

radio + repórter = radiorreporter.


V - POR QUE - POR QUÊ - PORQUE - porquÊ(s)


Não se trata, como dizem por aí, da mesma palavra com grafias diferentes; trata-se, na verdade, de palavras de categorias diferentes, cujo emprego depende da frase em que se inserem.

Vejamos cada caso:


POR QUE


Funciona como advérbio interrogativo, nas frases interrogativas diretas ou indiretas:

Por que discordas de mim? (interrogativa direta)

Gostaria de saber por que discordas de mim. (interrogativa indireta)

Por que há tanta celeuma? (interrogativa direta)

Dize-me por que há tanta celeuma. (interrogativa indireta)


Pode ser, ainda, a preposição por e o pronome relativo que. Ora, se pode ser pronome precedido de preposição, à semelhança de a que, de que, em que etc., está errado quem diz que se usa por que somente nas perguntas:

A causa por que lutamos vencerá.

Os caminhos por que andamos são tortuosos.


Comprova-se, na prática, o uso de por que (preposição e pronome separados), substituindo-os pela expressão PELO QUAL (PELOS QUAIS, PELA QUAL, PELAS QUAIS):


A causa pela qual lutamos vencerá.

Os caminhos pelos quais andamos são tortuosos.


Embora não seja necessário, porque as frases interrogativas são fáceis de reconhecer, artifício semelhante pode ser aplicado ao advérbio interrogativo:


Por qual razão há tanta celeuma?

Dize-me a razão pela qual há tanta celeuma.


Resumindo, usa-se por que, sempre que for possível substituí-lo por uma expressão onde apareça QUAL ou QUAIS.


POR QUÊ


Só pode ser advérbio interrogativo:

Vieste tão tarde, por quê ?

Podes sair, mas quero saber por quê.

Por quê, afinal ?


O acento se justifica pelo fato de o quê haver adquirido tonicidade, o que acontece quando for insulado ou está em final de frase. Pelos exemplos, observa-se que é muito freqüente nos diálogos das narrativas.


Seu reconhecimento, na prática, faz-se pelo mesmo artifício do anterior. Receberá o acento, se bater num sinal de pontuação.


PORQUE


É sempre conjunção. Em geral, é substituível por POIS e nunca é substituível por uma expressão em que aparece QUAL ou QUAIS:

Trabalha, porque o trabalho enobrece.

Há pessoas que não se abatem, porque possuem muita força de vontade.


Na prática, se não for substituível por POIS, reconhece-se pela exclusão de POR QUE e POR QUÊ:

Neste capítulo, há muitos porquês, mas é porque ele versa sobre eles e não porque o autor seja maníaco


PORQUÊ(S)

Trata-se de uma substantivação. Como ocorre com os substantivos em geral, admite ser pluralizado, ao contrário dos casos anteriores em que temos palavras invariáveis:

Não é fácil compreender o porquê desse comportamento.

Eram tantos os porquês, que começamos a duvidar.


Se o pomos ou podemos pô-lo no plural, usemos PORQUÊS ou PORQUÊ.


VI - QUE, QUÊ(S)

O “que” é a palavra que mais funções pode exercer na frase. Isso, entretanto, não nos interessa analisar aqui. Para os objetivos deste capítulo, basta que saibamos os raros casos nos quais deve ser acentuado por adquirir tonicidade.

Esses casos, podemos reduzi-los a dois:




1)quando encerra a frase ou for exclamativo, circunstâncias em que virá necessariamente seguindo de ponto:


Disseste o quê?
Quê! Não acredito.


2) quando for substantivado, caso em que admite ser pluralizado:

Tinha um quê estranho no olhar.
(Tinha uns quês estranhos no olhar.)



TESTES


1) Uma das palavras está grafada incorretamente em:

a) insensatez, consulesa

b) improvisado, ajuizado

c) descortezia, atrasaram

d) propusemos, quisemos

e) formalizaram, paralisaram


2) Idem:

a) excessões, utensílios

b) trigésimo, concessões

c) inadmissível, necessidade

d) transgressões, percurso

e) desclassificaram, assessoraram


3) Idem:

a) cochilaram, encorajei

b) enxergavam, linchavam

c) trajetória, relaxaram

d) homenageiam, regeitavam

e) contagiante, majestoso


4) Uma das palavras está grafada incorretamente em:

a) hesitamos, seiscentos

b) asterisco, idoneidade

c) sessenta, repercução

d) aeroporto, beneficente

e) meteorológico, madeireira

5) A única palavra que não se escreve com - X -, na série abaixo, é:

a) bruxulear

b) enxumaçar

c) debuxo

d) mexilhão

e) enxame


6) Assinale o item em que o emprego da letra Z num vocábulo está incorreto:

a) catequizar, abalizar, rezar

b) matizar, modernizar, agonizar

c) ajuizar, finalizar, simbolizar

d) granizar, amenizar, frizar

e) suavizar, fiscalizar, anarquizar


7) As ........................... passara ficaram gravadas em seu .............................. .

a) vississitudes porque subconsciente

b) vicissitudes porque sub-consciente

c) vississitudes por que sub-consciente

d) vicissitudes por que subconsciente

e) vicissitudes porque subconsciente


8) Somente em um dos termos seguintes, está correto o uso do hífen:

a) super-produção

b) super-humano

c) super-bomba

d) super-confiante

e) super-potente





9) Pense nos ideais ...................... batalhamos há tanto tempo, e diga-me ................. fracassamos. Será ............ fomos incapazes ou descuidados em algum ponto?

a) por que por que por que

b) por que por que porque

c) porque porque porque

d) porque por que porque

e) por que porque por que


10) Então .............não posso ir também? Só ............. sou mais novo? Responda, ou não vai me dizer ....... ?

a) porque porque porque

b) porque por que por quê

c) por que por que por quê

d) por que porque por quê

e) por que por que porque


11) Assinale a alternativa correspondente à grafia correta dos vocábulos: 1. desli_e 2. vi_inho 3. atravé_ 4. empre_a

a) z z s s

b) z s z z

c) s z s s

d) s s z s

e) z z s z


12) Em solenidade realizada no .............. . do Palácio Piratini, dentro da programação .......... à Semana Farroupilha, o Governador procedeu ao ............... do ............. crioulo.


a) saguão aluziva acendimento candieiro

b) sagüão alusiva ascendimento candeeiro

c) saguão alusiva acendimento candeeiro

d) sagüão aluziva ascendimento candieiro

e) saguão aluziva assendimento candieiro


13) Como resultado das reformas da Igreja Católica ............, lançaram-se as bases de uma das mais .......... experiências educacionais, que atenuaram a ............. pedagógica ............... .

a) pos-conciliar profícuas cisudez vijente

b) pós-conciliar proficuas sizudez vigente

c) pósconciliar profícuas sisudês vijente

d) pós-conciliar profícuas sisudez vigente

e) posconciliar profícuas sisudêz vijente


14) Ao dedor, a testemunha ............ propor uma ............. fiel dos fatos e conseguiu realizar a .......... perfeita dos acontecimentos.

a) quis discrição recreação

b) quis descrição recriação

c) quiz descrição recriação

d) quiz descrição recreação

e) quiz discrição recriação


15) Se qui_esse, o vice-diretor da Revista enviaria o escritor para uma via_em ao e_trangeiro.

a) z j x

b) s g s

c) s j x

d) z g s

e) s g x


16) Olhando, pesqui_ando, anali_ando e refletindo, o homem descobrirá os ideais ...............................deve lutar.

a) z z porque

b) s s porque

c) z z por que

d) s s por que

e) s z por que


17) O amor verdadeiro provoca sempre alegria. ..................? ................ é crescimento, realização, dom de vida. No entanto, você poderia perguntar ............... sofrem aqueles que amam.

a) Porque Por que porque

b) Por quê Por que porque

c) Porque Porque por que

d) Por que Porque por que

e) Por quê Porque por que


18) É ............. a condição em que vivem as famílias...............................

a) subumana superpobres

b) subhumana superpobres

c) sub-humana super-pobres

d) sub-humana superpobres

e) subumana super-pobres


19) Assinale a alternativa em que não há erro quanto ao hífen:

  1. subdiretor, autodidata,

anticonvencional, antedata

  1. pseudo-progresso, super-desenvolvido,

sub-chefe

  1. pré-carnavalesco, macro-atacado,

bi-campeão, micro-ônibus

  1. ultra-moderno, neo-clássico,

super-resistente, super-homem

  1. sub-solo, arqui-avô, sobre-eminência,

pré-cabralino


20) Há erro de grafia na alternativa:

  1. Por que você decidiu cursar Comunicação Social?

  2. Eu ignoro o porquê de sua decisão em cursar Comunicação Social.

  3. Eu ignoro por que motivo você se decidiu cursar Comunicação Social.

d) Eu ignoro por que você se decidiu cursar Comunicação Social.

e) Você se decidiu cursar Comunicação Social só por que pensa que o curso oferece boas perspectivas?


21) A manifestação do Ministro foi contundente: “............ dar................ aos ............... ?”

a) Por que subsídios privilegiados

b) Por que subsídios previlegiados

c) Porque subisídios privilegiados

d) Por que subisídios privilegiados

e) Porque subsídios previlegiados


22) Indique a alternativa onde todas as palavras estão corretas:

a) vice-reitor, pré-carnavalesco, anti-comunista

b) super-produção, auto-didata, ultra-saudável

c) pseudo-profeta, inter-resistente, pós-guerra

d) sobre-humano, intra-muscular, ante-sala

e) ante-republicano, neo-humanismo, semi-reta


RESPOSTAS

1- C 2- A 3- D 4- C 5- B 6- D 7- D 8- B 9- B 10- D 11- A 12- C 13- D 14- B 15- B 16- D 17- E 18- A 19- A 20- E 21- A 22- E


PROSÓDIA


Objetivo da prosódia

Prosódia é a parte da fonética que se ocupa principalmente do estudo da sílaba tônica dos vocábulos.


Sílaba Tônica

É a sílaba que recebe o acento tônico.


É oportuno lembrar que existem algumas palavras que não têm sílaba tônica, constituindo o grupo das palavras átonas. São elas:

- os artigos: o. a os, as, um uma, uns, umas;

  • os pronomes oblíquos átonos: me, te, se, nos, vos, o, a, os, as, lhe, lhes;


  • os pronomes relativos: que, quem, qual;

  • as proposições monossilábicas: a, com, de, em, por, sem, sob;

  • a proposição "para";

- algumas conjunções: e, nem, ou, porque, se, que, como;

- quaisquer combinações dessas classes: do (de+o), duma (do+uma), pelos (por+os); lha (lhe+a), no-lo (nos+o) etc.


Acento Tônico

Quase toda palavra possui uma sílaba que é mais forte — a sílaba tônica — a qual recebe um impulso de voz maior do que despendemos com as outras sílabas. Esse impulso de voz a mais que concentramos na sílaba tônica é o que chamamos de acento tônico.


Vogal Tônica

É a vogal da sílaba tônica.


Há palavras que, conforme deslocarmos a sílaba tônica, mudam o significado: SÁ-bia (inteligente), sa-Bi-a (verbo "saber"), sa-bi-Á (pássaro).


Acento Gráfico


É o sinal (´) ou (^) que indica, por escrito, a posição da sílaba tônica. Não se confunda acento gráfico (grafado) com acento tônico (pronunciado). Assim, nas palavras azul e esquecido existe acento tônico, mas não existe acento gráfico; já na palavra esplêndido existem acento tônico e acento gráfico.

Modernamente, o acento grave (`) é empregado apenas para indicar o fenômeno da crase.


Sílaba Subtônica

É a primitiva sílaba tônica dos vocábulos que recebem o sufixo -mente ou tem sufixo introduzido pela letra Z (-zinho, -zito, -zal, -zeiro etc.).


a m a r g a + m e n t e = a m a r g a m e n t e

Ý Ý Ý

sílaba tônica sílaba sílaba

subtônica tônica


Classificação das Palavras Segundo a Posição da Sílaba Tônica


A sílaba tônica só pode ser a antepenúltima, a penúltima ou a última.

Se a sílaba tônica for a antepenúltima, a palavra se chamará PROPAROXÍTONA: esplêndido, dico, árvore, lâmpada, íamos, ssemos.

Se a sílaba tônica for a penúltima, a palavra se chamará PAROXÍTONA: esquecido, somente, cafezinho, janela, cil, órgão.


É costume entre gramáticas classificar as PAROXÍTONAS terminadas por ditongo crescente também como PROPAROXÍTONAS RELATIVAS ou EVENTUAIS, porque tal ditongo pode ser pronunciado separadamente (di-vór-ci-o, tê-nu-e, O-Ií-vi-a), embora não possa ser separado graficamente (di-vór-cio), tê-nue, O-lí-via).


Se a sílaba tônica for a última, a palavra se chamará OXÍTONA: azul, jaca, português, veloz, Juvenal, desesperação.


Erros Comuns de Prosódia (ou Silabadas)


Quando alguém, ao pronunciar uma palavra, coloca o acento tônico numa sílaba que não é a tônica, dizemos que cometeu uma silabada.

Segue-se uma relação de palavras, cuja vogal tônica grifamos, comumente mal pronunciadas:



avaro decano nefar

ágape edito (decreto, lei) Normandia

aete édito (ordem judicial) Nobel

aziago estragia novel

alone fortuito pântano

aelito filantropo pegada

arquétipo gratuito perito

batavo grácil pudico

varo ímprobo refém

barbaria inaudito revérbero

barrie ínclito ruim

mano intuito rubrica

boemia ínterim trapa

cartomancia ibero trânsfuga

ciclope vedo ureter

circuito maquinaria nite

crisântemo misantropo firo




ACENTUAÇÃO GRÁFICA


Advertência

A solução, em termos gerais e definitivos, do problema de acentuar depende da assimilação o aplicação correta de um pequeno conjunto de regras. Evidentemente, essa aplicação correta só a consegue aquele que tiver conhecimentos básicos de Fonética e Prosódia. É preciso, pois, se necessário, revisá-los, porque de nada valem as regras de acentuação para quem, por exemplo, não sabe achar a sílaba tônica. Aliás, indicá-la é o fim exclusivo da acentuação gráfica. Por isso, qualquer acento colocado numa sílaba não-tônica (átona ou subtônica) constitui erro muito grave.


1 - Regra das Proparoxítonas

Coloca-se acento gráfico sobre a vogal tônica de todas as proparoxítonas, todas, sem exceção:

médico, árvore, lâmpada, estilística, incômodo, incólume, dermatológico, cantássemos, vendêssemos, cantaríamos, revólveres, líderes.


2 - Regra das Paroxítonas

Coloca-se acento gráfico sobre a vogal tônica das paroxítonas terminadas por:


  1. ditongo crescente: série, água, mágoa, exigência, pátria, História, Mário, Antônio, árduo, vídeo, gêmeo - singular ou plural;

b) ã, ãs: ímã, sótãos, órgão, órfãs:

ão, ãos: sótão, sótãos, órgão, órgãos;

ei, eis: jóquei, pônei, pôneis, hábeis, vendêsseis;

i, is: táxi, táxis, júri, júris, lápis;

om, ons: iândom, rándom, prótons, nêutrons, íons;

um, uns: álbum, álbuns, fórum, vade-mécum, factótum;

us: bônus, ônus;


c) I, n, r, x: fácil, réptil, móvel, cônsul, inconsútil, hífen, éden, sêmen, próton, nêutron, íon, líder, fêmur, revólver, caráter, tórax, ônix, látex.


d) ps: bíceps, fórceps, Quéops.


Observações e artifícios:

1) Há um caminho prático o eficiente para o reconhecimento das paroxítonas terminadas por ditongo crescente. São palavras que apresentam duas letras vogais no fim (seguidas ou não de s), e a vogal tônica está na sílaba anterior. Veja-se bem: duas letras-vogais no fim e vogal tônica antes: gló-ria, á-rea, fá-tuo, Ê-nio, ex-ce-lên-cia. Se a vogal tônica for uma das últimas (Fi-lo-so-fi-a, ca-no-a, pe-ru-a, en-vi-e, ja-mais, a-ção), ou se houver mais de duas letras-vogais no fim (rai-o, estei-o, tamoi-o, a-rei-a), não teremos paroxítona terminada em ditongo crescente.

2) Observe-se, para memorizar, que as vogais a, e, i, o, u estão presentes, pela ordem, nas terminações do item “b”.

3) As terminações do item “c” podem ser lembradas pelos iniciais do seguinte órgão fictício: Liga Nacional do Raio X.

4) Os prefixos latinos terminados em i e r não levam acento: semi-rico, anti-semita, super-homem, inter- -resistente.


3 - Regra das Oxítonas

Coloca-se acento gráfico sobre a vogal tônica das palavras oxítonas terminadas por:


a) o, os: avó, avó, avós, cipó, cipós, propôs, pó, pós, Feijó;

e, es: ipê, ipês, pé, pés, cem, cafés, vê, vês, descrê, português;

a, as: cajás, pá, pás, fará, farás, atrás, má, más;


b) em, ens (com mais de uma sílaba):

além, porém, armazém, armazéns, parabéns, aquém.


Artifício:

As terminações do item “a” podem ser lembradas pela O.E.A. (Organização dos Estados Americanos).


Observações:

  1. Na acentuação, respeita-se a individualidade fonética das partes que estão antes e depois do hífen, procedendo como se fossem palavras independentes. Por isso: café-concerto, limpa-pés, árvore-de-bálsamo, dir-nos-á, contar-lhe-ás, cantá-la-íamos, convidá-lo-emos.

2) A 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados (reter, conter, advir, provir etc) recebe acento circunflexo. As demais formas submetem-se à regra, item “b”.

(tu) tens vens conténs provéns

(ele) tem vem contém provém

(eles) têm vêm contêm provêm


4 - Regra da Quebra de Ditongo

Coloca-se acento gráfico sobre a vogal tônica dos hiatos formados por vogal + i(s) ou u(s), para evitar que sejam confundidos com ditongos. Comparemos:

ai x a-í

pais x pa-ís

mau x ba-ú

ruivo x ru-í-do


Por outras palavras: acentuam-se o i e o u, quando preencherem, simultaneamente, as três condições seguintes:

- forem tônicos;

- vierem antecedidos de vogal;

- formarem sílabas sozinhos ou com s.

miúdo, gaúcho, faísca, balaústre, juízes, Grajaú, Tramandaí, saída, uísque.


Observação:

O i seguido de nh não leva acento, por causa da nasalização: rainha, tainha, bainha, fuinha, ventoinha.

Também não se acentuam o i ou u tônicos, mas sem vogal antes, ou formando sílaba com outra letra que não o s: item, idem, ali, bauru, tatu, urubu, jacu, Cairu, juiz, Raul, sair, ruim, caiu, saiu.


5 - Regra dos Hiatos OO e EE

Coloca-se acento gráfico sobre a 1ª vogal dos hiatos oo e ee, se ela for tônica: vôo, enjôo, perdôo, lêem, vêem, crêem, descrêem, antevêem, relêem.


Observação:

Os verbos ler, dar, ver e crer (Leda vê, crê!) e seus derivados são os que ainda apresentam êe na terceira pessoa do plural.


6 - Regra dos Ditongos Abertos

Coloca-se acento gráfico sobre a vogal tônica dos ditongos eu, ei, oi (Eu sei, boi!), quando forem abertos: chapéu, fogaréu, réus, céu, idéia, protéico, rói, heróis, heróico, bóia, paranóia, estóico.


7 - Regra do Trema

O trema depende de uma condição básica: u precedido de q ou g, seguido de e ou i. Sem essa condição, abandona-se a hipótese de trema. É fácil de entender: o trema é sinal de sonorização do u. E só há necessidade de indicar tal sonorização, quando houver o risco de não ser pronunciado. Esse risco só existe naquela condição básica.


Fora disso, será sempre pronunciado. Assim, por exemplo, qüinqüenal, sem os tremas, poderíamos ler kinkenal, mas aguada, aquoso, quórum não correriam risco de deformação.


Resumindo: coloca-se trema sobre o u, quando, entre q ou g e e ou i, for pronunciado: tranqüilo, sagüi, conseqüência, agüentar.


Fora da condição básica ou mudo, nada leva.


Se, havendo a condição básica, o u for tônico, substitui-se o trema por um acento agudo: obliqúes, argúem.


Observações:

1) Algumas palavras admitem duas pronúncias; por isso, dupla grafia: líquido, líqüido.

2) Uma palavra não admite dois acentos, mas admite tantos tremas quantos forem necessários e também o acento: qüinqüegenário, qüinqüelíngüe, lingüística.


8 - REGRA DO ACENTO DIFERENCIAL


  1. Acentua-se pôde (pretérito perfeito) pa-ra diferenciar de pode (presente do indicativo).


b) Acentuam-se as seguintes palavras para diferenciá-las de correspondentes átonas:


pôr (verbo)

pára (verbo “parar”)

pélo, pélas, péla (verbo “pelar”)

péla, pélas (substantivo = jogo)

pêlo, pêlos (substantivo = cabelo)

pôlo, pôlos (substantivo = ave)

pólo, pólos (substantivo = extremo ou jogo)

pêra (substantivo = fruta ou barba)

côa, côas (verbo “coar”).


Correspondentes átonas:


por (preposição)

para (preposição)

pelo, pela, pelas (prep. + artigo)

pela, pelas (preposição + artigo)

pelo, pelos (preposição + artigo)

polo, polos (prep. + artigo – antiga)

pera (preposição antiga)

co’a, co’as (preposição + artigo).


Observações:

1) Note-se que, no item “a”, o acento diferencia pronúncias (aberto-fechado), ao passo que, em “b”, indica palavra tônica em oposição a palavra átona de mesma grafia.

2) São apenas esses os acentos diferenciais remanescentes da Lei nº. 5.765, de 18 de dezembro de 1971.


NOTA FINAL - Os nomes próprios estão sujeitos às mesmas regras. A gramática não cuida de questões herdadas ao arrepio do vernáculo.


NOTAÇÕES LÉXICAS

São os sinais de que nos servimos, na escrita, para indicar a pronúncia correta da palavra. Além do acento agudo (´), do acento circunflexo (^) e do trema (¨), são notações léxicas:

a) o til - indica a nasalização das vogais a e o: maçã, ação, mãe, põe, corações;

b) a cedilha - indica que o c tem valor de ss antes de a, o e u: raça, baço, caçula;

c) o apóstrofo - indica a supressão de fonema: pau-d'arco;

d) o hífen - usa-se nas derivações prefixais, nos compostos e para ligar os pronomes oblíquos ao verbo;

e) o acento grave - modernamente, apenas se usa para indicar a crase.


TESTES


1) Há erro de acentuação num dos conjuntos seguintes:

a) grátis - jibóia - jutiti - altruísmo

b) aqui - Nobel - também - rubrica

c) apóio - item - espelho - tênue

d) ávaro - íngreme - trégua - caráter

e) circuito - boêmia - ínterim - Nélson


2) Apenas num dos conjuntos seguintes existe erro de acentuação:

a) urubu - juriti - júri

b) baú - Tramandaí - admiti-lo

c) rubrica - bílis - suéter

d) você - pólens - Lindóia

e) item - independência - Leo


3) A alternativa em que há um erro de acentuado gráfica é:

a) seriamente - caju - sabê-lo-emos - tranqüilo

b) repor - abençoa - movê-lo-ias - tínheis

c) vezes - abençôo - feri-lo - ventoinha

d) retém-no - têxtil - pô-lo-á - éter

e) for - descrêem - contratá-lo-iamos - heroína


4) A alternativa em que todas as palavras obedecem à mesma norma de acentuação é:

a) distraída - dói - alumínio

b) público - pálida - espírito

c) experiência - série - distraída

d) célula - indústria - também

e) líder - fácil - heróico


5) O barulho ............. que o ouvido humano tolera é de cento e trinta ..............., .............. de um jato no aeroporto.

a) maximo - decibéis - ruído

h) maximo - decibeis - ruido

c) máximo - decibeis - ruido

d) máximo - decibéis - ruído

e) máximo - decibéis - ruido


6) Argumentando com........., o promotor exige que ......... a exatidão das declarações do depoente.

a) eloquencia - averígüem

h) eloqüência - averíguem

c) eloquência - averiguem

d) eloqüência - averigúem

e) eloqüencia - averigüem


7) O ........ resulta da ............ entre alga e fungo.

a) líquen - simbiose

b) liquen - simbiose

c) liquem - simbiose

d) líquen - simbióse

e) líquem - simbióse


8) Todos os carros ........... forçosamente ............ ponto, porque as obras da estrada........... a passagem.

a) param - naquele - obstruíram

b) param - naquêle - obstruíram

c) páram - naquele - obstruíram

d) páram - naquele - obstruiram

e) param - naquele - obstruiram


9) A séria em que há erro de acentuação é:

a) ácido, prótons, ítens

h) fácil, ruído, através

c) fez, trem, caracu,

d) otário, heróico, sagüi

e) perdôo, ipê, índio


10) A alternativa que apresenta todas as palavras com acentuação gráfica correta é:

a) pálido - cafézinho - femur

b) chapéu - umbú - eles provém

c) sozinho - pôr (verbo) - averigúe

d) mágoa - serio - biceps

e) porem - esplendido - úmido


11) Aceita um ............. ? Então ponha o ............ na ...............

a) cafezinho - açucar - xicara

b) cafezinho - açúcar - xícara

c) cafézinho - açucar - xícara

d) cafèzinho - açúcar - xícara

e) cafézinho - açúcar - xicara


12) Há ERRO relacionado com a acentuação gráfica numa das palavras em:

a) prejuízos - reduzi-lo-iam

b) (as) rubricas - destroem

c) (os) mistéres - itens

d) aperfeiçoe - predispõem

e) apóiem - proporás


13) Há ERRO relacionado com a acentuação gráfica em:

a) Deverias pôr as barbas de molho.

b) As indústrias têxteis estavam em grande expansão.

c) A localização dos polos petroquímicos provocou grande discussão.

d) As raízes das árvores rasgavam o solo.

e) Os contribuintes consideram muito elevadas as alíquotas.


14) Todas as palavras devem ser acentuadas na alternativa:

a) pudico - pegada - rubrica

b) gratuito - avaro - policromo

c) abdomen - itens - harem

d) magoe - perdoe - ecoa

e) contribuia - atribuimos - caiste


15) A série em que nem todas as palavras se acentuam pelo mesmo motivo é:

a) juízo, aí, saúde, baús

b) poética, árabes, lírica, metáfora

c) glória, apóia, série, inócuo

d) réptil, fêmur, contábeis, ímã


e) assembléia, dói, papéis, céu

16) A vogal tônica está destacada incorretamente numa das palavras em:

a) mistEr, filantrOpo

b) a rUbrica, gratUito

c) decAno, uretEr

d) novEl, ruIm

e) pudIco, fortUito


17) Somente o singular exige acento gráfico em:

a) consul - consules

b) carater - caracteres

c) lider - lideres

d) sofrivel - sofriveis

e) pulover - puloveres


18) Somente o plural exige acento gráfico em:

a) refem - refens

b) hifen - hifens

c) mes - meses

d) textil - texteis

e) cascavel - cascaveis


19) Ocorre erro de acentuação gráfica em:

a) quilômetros

b) mercantis

c) ônus

d) aspéctos

e) logaritmo


RESPOSTAS

1- D 2- D 3- E 4- B 5- D 6- D 7- A 8- A 9- A 10- C 11-B 12-C 13-C 14-E 15-C 16-B 17-B 18-E 19-D


SEMÂNTICA


A semântica trata do significado das palavras através do tempo e do espaço. Nesse chão, estudam-se:


  1. Sinônimos

São palavras relacionadas por um sentido comum, mas diferentes na forma.

Os sinônimos são perfeitos, quando o sentido é igual:


alfabeto = abecedário

brado = grito

extinguir = apagar

adversário = antagonista

contraveneno = antídoto

Os sinônimos são imperfeitos, quando a significação é semelhante:

bela - formosa

livro - volume

caridade - bondade


2. Antônimos

São palavras de significação oposta:

ordem x anarquia

soberba x humildade

louvar x censurar

A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido contrário ou negativo:

bendizer x maldizer

simpático x antipático

progredir x regredir

concórdia x discórdia

explícito x implícito

ativo x inativo

esperar x desesperar

simétrico x assimétrico


  1. Sentido Próprio


Diz-se da palavra que é empregada na sua significação natural. É, em última análise, o sentido que a palavra tem originalmente.


4. Sentido Figurado

Ocorre quando a palavra está empregada em sentido translato, ou seja, quando, por um processo de analogia, é empregada em sentido diverso do próprio:

A dama trazia uma flor nos cabelos. (sentido próprio)

A dama pertence à flor da sociedade. (sentido figurado)

À noite, no campo, podemos admirar as estrelas. (sentido próprio).

A lua (... ) salpicava de estrelas o nosso chão".(sentido figurado)


5. Denotação e Conotação


É conveniente guardar estas duas palavras:

DENOTAÇÃO (= sentido próprio) e

CONOTAÇÃO (= sentido figurado).

Nos textos dissertativos (artigos, monografias e teses), narrativas de fatos (noticiários, reportagens) e livros científicos, predomina a linguagem denotativa, que é racional, lógica, objetiva.

Já nos textos literários em geral, principalmente na poesia, o artista usa, com freqüência, linguagem figurada, subjetiva, sentimental, isto é, conotativa.


5. Homônimos

Se duas palavras de significados diferentes são iguais na grafia, ou na pronúncia, ou nas duas coisas, tais palavras são HOMÔNIMAS:

o porto (substantivo) - eu porto (verbo)

cozer (cozinhar) - coser (costurar)

ser (verbo) - o ser (substantivo)


Relação de palavras homônimas:


acender (atear fogo) – ascender (elevar-se)

acento (sinal gráfico) – assento (banco)

acerto (precisão) – asserto (afirmação)

apreçar (marcar o preço de) – apressar (acelerar)



caçar (apanhar, perseguir – cassar (invalidar)

animais)


cegar (privar da visão) – segar (ceifar)

cela (cubículo) – sela (arreio)

censo (recenseamento) – senso (juízo)

cerrar (fechar) – serrar (cortar)

cessão (ato de ceder) – seção/secção (parte,

sessão (reunião) setor)

concertar (harmonizar) – consertar (remendar, arrumar)


incipiente (principiante) – insipiente (ignorante)

tacha (prego) – taxa (imposto)


  1. Parônimas

São palavras apenas semelhantes, sem nenhuma igualdade, mas a semelhança faz com que a gente embarque na canoa de usar uma peja outra:

retificar (corrigir) - ratificar (confirmar)

imergir (submergir) - emergir (vir à tona)

mal (contrário de "bem") - mau (contrário de "bom")


Relação de palavras parônimas:


acidente (desastre) - incidente (acontecimento

inesperado)

atuar (agir) - autuar (processar)

casual (ocasional) - causal (relativo à causa)

cavaleiro (homem que - cavalheiro (homem cortês)

anda a cavalo)

delatar (trair) - dilatar (aumentar)

descrição (ato de des- - discrição (qualidade de ser

crever) discreto)

descriminar (inocentar) - discriminar (diferenciar)

despercebido (desatento) - desapercebido (desprevenido)

eminente (notável) - iminente (imediato, prestes a)

infligir (aplicar (pena) - infringir (violar)

pleito (eleição) - preito (homenagem, respeito)

prever (antever) - prover (abastecer)

ratificar (confirmar) - retificar (corrigir)

sortir (prover) - surtir (produzir efeito)

tráfego (trânsito) - tráfico (comércio ilícito)

vestiário (recinto para - vestuário (traje)

troca de roupa)

vultoso (grande) - vultuoso (inchado)

TESTES


1) Devemos alterar, ou seja, ............... agora este projeto, porque, após, não serão permitias ................

a) ratificar - ratificações

b) retificar - retificações

c) ratificar - retificações

d) retificar - ratificações


2) ............. as minhas palavras iniciais, pois não sou homem de fazer modificações no que está feito. Acho que tenho o equilíbrio suficiente para não ............ certas normas.

a) Ratifico - infringir

b) Ratifico - infligir

c) Retifico - infringir

d) Retifico - infligir


3) No .......... do violoncelista ......... havia muitas pessoas, pois era uma ......... beneficente.

a) conserto - eminente - sessão

b) concerto - iminente - seção

c) conserto - iminente - seção

d) concerto - eminente - sessão


4) O submarino .............. do mar.

a) holandês imergiu

b) holandez imergiu

c) holandês emergiu

d) holandez emergiu


5) .......... sem licença; teve a licença ............

a) Caçava - caçada

b) Caçava - cassada

c) Cassava - caçada

d) Cassava - cassada


6) Dê o sinônimo da palavra "propensão":

a) vontade

b) tendência

c) indiferença

d) firmeza

e) indisposição


7) Aponte o antônimo do vocábulo "sucinto":

a) conciso

b) inerente

c) ampliado

d) breve

e) eficaz


8) Assinale o homônimo de "censo":

a) senço

b) cenço

c) sensso

d) cenzo

e) senso


RESPOSTAS:

1-B 2-A 3-D 4-C 5-B 6-B 7-C 8-E










MORFOLOGIA

(AS 10 CLASSES GRAMATICAIS)


1. Substantivo

Substantivos são as palavras que representam os seres em geral, quer sejam concretos (livro), quer sejam abstratos (liberdade), quer sejam comuns (rio, cidade, homem) quer sejam próprios (Jacuí, Porto Alegre, José), quer sejam termos primitivos (sapato), quer sejam derivados (sapataria), quer sejam termos simples (flor, sol), quer sejam compostos (beija-flor, girassol), quer sejam coletivos (bando, enxame).

Mas qualquer palavra pode ser substantivada, desde que exerça função de substantivo na frase. Por exemplo, "sábio" é adjetivo, porque podemos dizer "homem sábio", mas, em "O sábio estuda", passa a ser substantivo, porque exerce função (sujeito) típica de substantivo. Nessa condição, aceita até ser adjetivado: "O sábio responsável estuda". Em "Viver alegre contrapõe-se a morrer triste", "viver" e "morrer" são verbos substantivados, porque exercem, respectivamente, as funções de núcleo do sujeito e núcleo do objeto indireto.


2. Adjetivo

É a palavra que expressa uma qualidade e "encaixa diretamente" ao lado de um substantivo.

Tomemos a palavra "bondoso" para exemplo. É, com efeito, um adjetivo, porque, além de expressar uma qualidade, pode ser “encaixada diretamente” ao lado de um substantivo:

homem bondoso, moça bondosa, pessoa bondosa

Já com a palavra "bondade", embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade.

"Bondade", portanto, não é adjetivo, mas substantivo, porque admite o artigo: "a bondade". O substantivo encaixa ao lado de outro substantivo, mas não diretamente e, sim, através de uma proposição: homem de bondade, moça de bondade, pessoa de bondade.


3. Pronomes


PESSOAIS

Os pronomes pessoais, que tomam o lugar da pessoa que fala (1ª pessoa), da pessoa com que falamos (2ª pessoa) ou da pessoa de que falamos (3ª pessoa), podem ser:


  1. RETOS E OBLÍQUOS


PRONOMES PESSOAIS

Pessoa

Retos

Oblíquos

Gramatical


Átonos

Tônicos

singular

eu

me

mim, (co) migo

plural

nós

nos

(co) nosco

singular

tu

te

ti, (con) tigo

plural

vós

vos

(con) vosco

singular

ele, ela

se, o, a, lhe

si, (con) sigo

plural

eles, elas

se, os, as, lhes

si, (con) sigo



EMPREGO (CERTO X ERRADO)


a) Eu e tu x mim e ti - Se houver preposição antes, devemos usar mim e/ou ti, e não eu e/ou tu:

Entre mim e ti não há desavenças.

Sobre Joana e ti nada se pode dizer

Devo a ti esta conquista.

Constrói esta casa para mim.


Se, todavia, acrescentarmos um verbo no infinitivo, devemos usar eu e/ou tu:

Constrói esta casa para eu morar.

Ele disse que é para eu e tu partirmos.


b) Si e consigo - Estes pronomes somente podem ser empregados, se se referirem ao sujeito da oração:

Joana só pensa em si. ("Si" refere-se a "Joana": sujeito)

O poeta gosta de ficar consigo mesmo. ("Consigo" refere-se a "poeta": sujeito.)


Estão erradas, portanto, frases como estas:

Creio muito em si, meu amigo.

Quero falar consigo.


"Si" e "consigo" estão referindo-se à pessoa com quem falamos, o não ao sujeito de "creio" e "quero", que é "eu", subentendido. Para corrigi-las, basta substituir "si" e "consigo" por "você", "senhor", "V.Sa." etc., conforme exigir a situação:

Creio muito em você, meu amigo.

Quero falar com o senhor.


c) Conosco e convosco - Se vierem seguidos de uma expressão complementar, desdobram-se em "com nós" e "com vós":

Esta missão é com nós mesmos.

Com vós, jovens, sempre estou bem.


d) Ele(s), ela(s) x o(s), a(s) - Não raras vezes ouvimos: "Vi ela no teatro", "Não queremos eles aqui", frases em que o pronome reto, erradamente, está exercendo a função de objeto direto. O certo é: "Vi-a no teatro", "Não os queremos aqui".


b) DE TRATAMENTO

São pronomes de tratamento você, senhor, senhora, senhorita, fulano, sicrano, beltrano e as expressões que integram o quadro seguinte:


PRONOME

ABREVIATURA SINGULAR

ABREVIATURA PLURAL

USA-SE PARA:

Vossa(s)

Excelência(s)

V. Ex.ª

V. Ex.as

1

Vossa(s) Magnificência(s)

V. Mag.ª

V. Mag.as

2

Vossa(s)

Senhoria(s)

V. S.ª

V. S.as

3

Vossa(s)

Santidade(s)

V. S.

VV. SS.

4

Vossa(s)

Eminência(s)

V. Em.ª

V. Em.as

5

Vossa(s)

Excelência(s)

Reverendíssima(s)

V. Ex.ª Rev.ma

V. Ex.as Rev. mas

6

Vossa(s)

Reverendíssima(s)

V. Rev.ma

V. Rev. mas

7

Vossa(s)

Reverência(s)

V. Rev.ª

V. Rev.as

8

Vossa(s)

Majestade(s)

V. M.

VV. MM.

9

Vossa(s)

Alteza(s)

V. A.

VV. AA.

10


  1. Presidente (sem abreviatura), ministro, embaixador, governador, secretário de Estado, prefeito, senador, deputado federal e estadual, juiz, general, almirante, brigadeiro e presidente de câmara de vereadores;


  1. Reitor de universidade para o qual também se pode usar V. Ex.ª;


  1. Qualquer autoridade ou pessoa civil não citada acima;


4) Papa;


5) Cardeal;

6) Arcebispo e bispo;


7) Autoridade religiosa inferior às acima citadas;


8) Religioso sem graduação;


9) Rei e imperador;


10) Príncipe, arquiduque e duque.


Observação:

Todas essas expressões se apresentam também com SUA para cujas abreviaturas basta substituir o "V" por "S".


EMPREGO

a) Vossa Excelência etc. x Sua Excelência etc. - Os pronomes de tratamento com "Vossa(s)" empregam-se em relação à pessoa com quem falamos:

Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.


Com "Sua(s)" são empregados, quando falamos a respeito da pessoa:

Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.


b) 3ª pessoa - Os pronomes de tratamento são da 3ª pessoa; portanto, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa;

Basta que V. Ex.as cumpram a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhes fiquem reconhecidos.


c) Uniformidade de Tratamento - Quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de "você", não poderemos usar "te" ou "teu", o os verbos, evidentemente, vão para a 3ª pessoa. Eis um texto errado, do tipo, aliás, muito freqüente em nossa música popular:

Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.


Ou corrigimo-lo assim:

Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. Não mais permitirei que se afaste de mim.

Ou assim:

Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.


POSSESSIVOS

Com eles indicamos a coisa possuída e a pessoa gramatical possuidora. No quadro abaixo, vemo-los relacionados aos respectivos pronomes pessoais:


PESSOAIS

POSSESSIVOS

Eu

meu, minha, meus, minhas

Tu

teu, tua, teus, tuas

Ele, você, V. Ex.ª etc.

seu, sua, seus, suas

Nós

nosso, nossa, nossos, nossas

Vós

vosso, vossa, vossos, vossas

Eles

seu, sua, seus, suas




EMPREGO


a) Ambigüidade - "Seu", "sua", "seus" e "suas" têm dado origem a frases como estas:

O policial prendeu o ladrão em sua casa.

O jovem foi com a namorada para o seu colégio.


A casa é a do policial ou a do ladrão? É o colégio é o do jovem ou o da namorada?

Corrigem-se, substituindo o pronome por outro ou aproximando a coisa possuída do possuidor:

O policial prendeu o ladrão na casa deste.

O jovem foi para o seu colégio com a namorada.


b) "Machuquei a minha mão" - Não se usam os possessivos em relação às partes do corpo ou às faculdades do espírito. Devemos, pois, dizer:

Machuquei a mão. (E não "a minha mão")

Ele bateu a cabeça. (E não "a sua cabeça")

Perdeste a razão? (E não "a tua razão")


RELATIVOS

São as palavras que, quem, qual, cujo, onde, como, quando, quanto, desde que:

a) tenham como precedente um substantivo e como conseqüente um verbo;

b) possam ser substituídos, sem quebra de sentido, por uma expressão onde aparece qual ou quais:

Os livros que li ajudaram-me.

(Os livros os quais li ajudaram-me.)

A casa onde moro tem goteiras.

(A casa na qual moro tem goteiras.)


DEMONSTRATIVOS

São os que localizam ou identificam o substantivo.

MASCULINO

FEMININO

NEUTRO

este(s)

esta(s)

isto

esse(s)

essa(s)

isso

aquele(s)

aquela(s)

aquilo


Ainda são demonstrativos O, A. OS, AS, quando antecedem o QUE e podem ser substituídos por AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO:

Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)

Esta rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que te indiquei.)


EMPREGO


Este(s), esta(s), isto indicam que o ser está próximo da pessoa que fala:

Este livro que tenho aqui em minha mão esclarece o assunto.


Esse(s), essa(s), isso indicam o ser que está próximo da pessoa com quem falamos:

Essa caneta com que escreves pertence a mim.

Aquele(s), aquela(s), aquilo indicam o ser que estiver longe de ambas as pessoas:

Aquele quadro que vemos na parede é antigo.


Agora, prestemos atenção a estes exemplos:


1) "A mim só interessa isto: realizar os meu ideais." "Realizar os meus ideais: isso é o que me interessa."

Isto (ou este, ou esta) indica uma idéia que ainda não foi expressa. Isso (ou esse, ou essa) indica uma idéia que já foi expressa.

2) "As palavras afetuosas e os ditos irônicos são como as flores e os espinhos: aquelas perfumam; estes ferem.(ou estes ferem; aquelas perfumam.)"

Ao nos referirmos a duas idéias anteriormente expostas, este(s), esta(s), isto (jamais esse ... ) indicam a idéia mais próxima, isto é, a última; aquele(s), aquela(s), aquilo indicam a idéia mais afastada, isto é, a primeira.

3) "Esta seção precisa de papel."

"Esperamos que essa seção atenda ao nosso pedido."

Este(s), esta(s), isto indicam o local (cidade, rua, repartição, estado etc.) de onde escrevemos. Esse(s), essa(s), isso indicam o local em que se encontra o nosso correspondente.

4) "Neste século XX, vimos coisas de espantar." "Naquele (ou Nesse) tempo, dizia Jesus..."

Em relação a tempo, este(s), esta(s) indicam o presente; o passado indica-se por esse ou aquele.


Observação:

Os pronomes demonstrativos podem combinar-se com preposições: neste, desse, naquele etc.), o que em nada modifica os empregos referidos.


INDEFINIDOS

São os que determinam o substantivo de modo vago, de maneira imprecisa.


LISTA DOS INDEFINIDOS

VARIÁVEIS


MASCULINO

FEMININO

INVARIÁEIS

SINGULAR

PLURAL

SINGULAR

PLURAL


algum

alguns

alguma

algumas

alguém

certo

certos

certa

certas

algo

muito

muitos

muita

muitas

nada

nenhum

nenhuns

nenhuma

nenhumas

ninguém

outro

outros

outra

outras

outrem

qualquer

quaisquer

qualquer

quaisquer

cada

quanto

quantos

quanta

quantas


tanto

tantos

tanta

tantas


todo

todos

toda

todas

tudo

vário

vários

vária

várias


pouco

poucos

pouca

poucas



INTERROGATIVOS

Chamam-se interrogativos os pronomes que, quem, qual o quanto, empregados para formular uma pergunta direta ou indireta:


Que trabalho estão fazendo?

Diga-me que trabalho estão fazendo.

Quem disse tal coisa?

Ignoramos quem disse tal coisa.

Qual dos livros preferes?

Não sei qual dos livros preferes.

Quantos passageiros desembarcaram?

Pergunte quantos passageiros desembarcaram.


DIFERENÇA ENTRE OS PRONOMES SUBSTANTIVOS E OS PRONOMES ADJETIVOS


Pronomes adjetivos são aqueles que simplesmente acompanham os substantivos:

Este moço é meu irmão.

Estes dois simpáticos e elegantes moços são meus irmãos.


Pronomes substantivos são aqueles que substituem ou representam tão bem o substantivo, que é como se ele estivesse presente:

Nem tudo está perdido.

(Nem todos os bens estão perdidos.)


Os pronomes "fanáticos" são os pessoais e os relativos. Eles são sempre substantivos; por isso, dispensam essa classificação. Basta chamá-los simplesmente pronomes pessoais e pronomes relativos.

Os outros ora são pronomes substantivos, ora são pronomes adjetivos.

Sendo assim, nos exemplos seguintes, eles se comportam como:


A caneta é minha.

minha – pron. subst. possessivo.

Minha sogra é um anjo.

minha – pron. adj. possessivo.

Aquilo que fizeste não se faz.

aquilo – pron. subst. demonstrativo.

Aquela criança veio ao mundo por acidente.

aquela – pron. adj. demonstrativo.

Ninguém entra em fria por querer.

ninguém – pron. subst. indefinido.

Nenhum homem conseguirá convencê-la.

nenhum – pron. adj. indefinido.

Que queres comigo?

que – pron. subst. interrogativo.

Quantas moedas vais oferecer?

quantas – pron. adj. interrogativo.


4. Artigo

É artigo a palavra que, vindo (diretamente ou não) antes de um substantivo, indica se o mesmo está sendo empregado de maneira definida ou indefinida. É por isso que os artigos se subdividem em:

a) Artigos definidos - o, a, os, as - porque deixam definido, determinado o substantivo a que se referem.

Ao dizermos: "Mário, joga fora o cigarro!" estamos nos referindo a um cigarro determinado: aquele que Mário provavelmente estaria fumando.

b) Artigos indefinidos - um, uma, uns, umas - porque deixam indefinido, indeterminado, vago o substantivo a que se referem.

Quando dizemos: "Mário, dá-me um cigarro!" estamo-nos referindo a um cigarro indeterminado. Mário nos daria qualquer um dos que ele tivesse no maço. Mas eu e Mário teríamos o mau hábito (definido) de fumar


5. Numeral

É a palavra que indica uma quantidade exata ou um lugar numa série.

Os numerais podem ser:

a) Cardinais - quando indicam um número básico: um, dois, trás, cem mil...

b) Ordinais - quando indicam um lugar numa série: primeiro, segundo, terceiro, centésimo, milésimo...


Segue uma lista dos ordinais que mais se erram:

40º - quadragésimo 300º - trecentésimo

50º - qüinquagésimo 400º - quadringentésimo

60º - sexagésimo 500º - qüingentésimo

70º - septuagésimo 600º - sexcentésimo

80º - octogésimo 700º - septingentésimo

90º - nonagésimo 800º - octingentésimo

100º - centésimo 900º - nongentésimo

200º - ducentésimo 1.000º - milésimo


c) Multiplicativos - quando indicam uma quantidade multiplicativa: dobro, triplo, quádruplo...

d) Fracionários - quando indicam parte de um inteiro: meio, metade, dois terços...





6. Advérbio

É a palavra invariável que se relaciona ao verbo para atribuir-lhe uma circunstância. Segundo a nova nomenclatura gramatical brasileira, os advérbios podem ser:

a) de afirmação - sim, certamente, efetivamente etc.;

b) de dúvida - talvez, quiçá, porventura, acaso, provavelmente etc.;

c) de intensidade - muito, pouco, assaz, bastante, mais, menos, tão, tanto, quão etc.:


Nota: É de observar que as palavras "muito", "pouco" o "tanto" também podem ser pronomes indefinidos. A diferenciação é fácil: podendo variar em gênero ou número, serão pronomes indefinidos; quando forem invariáveis, serão advérbios.

Maurício estuda pouco.

Ele dispõe de pouco tempo.


No primeiro exemplo, qualquer que seja a modificação de gênero ou número introduzida na frase, "pouco" permanecerá invariável.

No segundo exemplo, basta substituir "tempo" por "horas", para que tenhamos:

Ele dispõe de poucas horas.

Portanto, o primeiro é advérbio e o segundo é pronome indefinido.


d) de interrogação - onde, como, quando e por que nas interrogações diretas ou indiretas:

Onde vais?

Como vais?

Quando vais?

Por que voltaste?

Quero saber onde vais.

Mandaram perguntar como vais.


Nota: Não se deve confundir advérbio interrogativo com pronome interrogativo.



e) de lugar - aqui, ali, aí, além, aquém, acima, abaixo, atrás, dentro, junto, defronte, perto, longe etc.

f) de modo - assim, bem, mal, depressa, devagar, melhor, pior e a maior parte das palavras formadas de um adjetivo, mais a terminação "mente" (leve + mente = levemente; calma + mente = calmamente).

g) de negação - não, tampouco.

h) de tempo - agora, já, depois, anteontem, ontem, hoje, jamais, sempre, outrora, breve etc.


Observação 1:

Foi dito que o advérbio se refere ao verbo; acrescente-se, agora, que ele também pode referir-se a um adjetivo ou a outro advérbio.

Ele trabalha muito. muito Þ trabalha

Ele é muito trabalhador. muito Þ trabalhador

Ele poderia trabalhar muito mais. muito Þ mais



Observação 2:

Também existem as chamadas locuções adverbiais que vêm quase sempre introduzidas por uma preposição: à farta (= fartamente), às pressas (= apressadamente), à toa, às cegas, às escuras, às tontas, às vezes, de quando em quando, de vez em quando etc.


7. Preposição


É a palavra invariável que serve de ligação entre dois termos de uma oração ou, às vezes, entre duas orações:

Ele comprou um livro de poesia.

Ele tinha medo de ficar solitário.


Como se vê, a preposição "de", no primeiro exemplo, liga termos de uma mesma oração; no segundo, liga orações.


Preposições Simples - Eis a lista: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, durante, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.


Locuções Prepositivas


Além das preposições simples, existem também as chamadas locuções prepositivas, que terminam sempre por uma preposição simples: abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, ao lado de, a par de, apesar de, a respeito de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de, depois de, diante de, embaixo de, em cima de, em frente de(a), em lugar de, em redor de, em torno de, em vez de, graças a, junto a (de), para baixo de, para cima de, para com, perto de, por baixo de, por causa de, por cima de, por detrás de, por diante de, por entre, por trás de.



8. Interjeições


São palavras, sem valor sintático, que exprimem estados súbitos de alma:

"ai!", "oh!", "socorro!"


9. Conjunções


Palavras ou locuções invariáveis que ligam orações.

Dividem-se em dois grupos: coordenativas e subordinativas.


COORDENATIVAS


Aditivas

Tipo: e

Relação: e, nem (= e não), também, que, não só... mas também, não só... como, tanto ... como, assim... como etc.


Observação:

Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica.

Assim é que, para classificar uma função ou locação conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pelo tipo. Por exemplo, o "que" somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pelo tipo "e":

"Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és".


Alternativas

Relação: ou... ou, já ... já, seja... seja, quer... quer, ora... ora, agora... agora.


Observação:

As alternativas caracterizam-se pela repetição, exceto "ou" cujo primeiro elemento pode ficar subentendido.


Adversativas

Tipo: mas

Relação: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, senão, não obstante.




Observação:

As alternativas, exceto "mas", podem aparecer deslocadas. Nesse caso, a substituição pelo tipo só é possível, se devolvidas ao início da oração:

Esforçou-se muito; não logrou, contudo, êxito.

Esforçou-se muito, contudo (=mas) não logrou êxito.


Conclusivas

Tipo: portanto

Relação: portanto, logo, por conseguinte, assim, pois, então, por isso, por fim, enfim, conseguintemente, conseqüentemente.


Explicativas

Tipo: porque

Relação: porque, pois, pois que, que, porquanto, já que, uma vez que, visto que, sendo que, dado que, como.


SUBORDINATIVAS


Causais

Idem às explicativas. A diferenciação, na prática, faz-se examinando a oração anterior. Se esta tiver o verbo no imperativo, a conjunção será coordenativa explicativa:

Fecha a janela, porque faz frio.


Condicionais

Tipo: se

Relação: se, caso, contanto que, desde que, uma vez que, dado que, a não ser que, a menos que, suposto que, salvo se, exceto se.


Concessivas

Tipo: embora

Relação: embora, conquanto, ainda que, posto que, mesmo que. em que, se bem que, por mais que.


Conformativas

Tipo: conforme

Relação: conforme, consoante, segundo, como, da mesma maneira que.


Consecutivas

Relação: que (precedido de "tão", "tal", "tamanho" ou "tanto”), de maneira que, de modo que, de forma que, de sorte que, de molde que, de jeito que.


Comparativas

Relação: que, do que (precedidos de "mais", "menos", "maior", “menor", "melhor" ou "pior"), como (precedido de "tão", "tal" ou "tanto”), qual (precedido de "tal"), quanto (precedido de "tanto"), quão (precedido de "tão").


Finais

Tipo: a fim de que

Relação: a fim de que, para que, porque, que.


Integrantes

Relação: que, se


Observação:

O "que" a o "se" serão conjunções subordinativas integrantes, se a oração por eles iniciada responder à pergunta "Qual é a coisa que ... ?”, formulada com o verbo da oração anterior.

Não sei se se morre de amor.

- Qual é a coisa que não sei?

- Se se morre de amor.


Proporcionais

Tipo: à proporção que

Relação: à proporção que, à medida que, ao passo que.


Temporais

Tipo: quando

Relação: quando, logo que, assim que, depois que, enquanto, ao tempo que, apenas, mal.


Valor das conjunções


Para lá de importante é ter domínio sobre o valor semântico (o significado) das conjunções, ou seja, é preciso saber que circunstâncias nos trazem as orações iniciadas por elas, relativamente à idéia expressa na oração à qual estão ligadas. Tais circunstâncias inferem-se, em geral, do próprio nome das conjunções. Por exemplo, na frase: "Estamos bem preparados, portanto teremos um bom desempenho", a conjunção (portanto) é conclusiva, e a oração iniciada por ela (negrito) expressa uma conclusão, decorrente do que se diz na oração anterior, isto é, do fato de estarmos bem preparados.

Assim, as conjunções, além de ligar orações, indicam as seguintes circunstâncias:


Aditiva - adição, soma, aproximação:

As flores embelezam e perfumam o ambiente.


Alternativa - alternância, exclusão:

"Ou troteia, ou sai da estrada."


Adversativa - adversidade, oposição:

O Brasil é um país rico, mas os brasileiros são pobres.

Conclusiva - conclusão, conseqüência, resultado:

"Penso, logo existo."


Explicativa - explicação, motivo:

Trabalhemos, porque o trabalho dignifica.


Causal - causa, razão:

"Estou triste, porque não tenho você perto de mim."


Condicional - condição:

Se a chuva parar, iremos ao jogo.


Concessiva - concessão (isto é: a oração iniciada por ela concede uma garantia de que a idéia da outra se realizará):

Embora tenhamos pouco tempo, concluiremos o trabalho.


Conformativa - conformidade, concordância:

Devemos proceder conforme estabelece o regulamento.

Consecutiva - conseqüência, efeito:

Tem contado tantas mentiras, que ninguém acredita nele.

Comparativa - comparação:

O perfume de jasmim é tão saliente quanto o da rosa é discreto.


Final - finalidade, resultado desejado ou preconcebido:

Estudarei esse assunto, a fim de que possa compreendê-lo.


Proporcional - proporção, medida:

À proporção que estudava, compreendia melhor o assunto.


Temporal - tempo:

Quando voltares, visita-me.

Integrante - a conjunto integrante inicia uma oração que integra o sentido (além de exercer uma função sintática) de um termo da oração anterior:

Espera-se que venças. (sujeito de "espera-se")

A verdade é que vencerás. (predicativo)

Sei que vencerás. (objeto direto de "sei")

Tudo depende de que estudes. (objeto indireto de "depende”)

Tenho medo de que fracasses. (complemento nominal de "medo")


10. Verbo

É a palavra com que se expressa uma ação (cantar, vender) ou um estado (ser, estar).

Nota: Quanto à conjugação e emprego dos tempos, ver "Flexão Verbal".


TESTES


1) Marque a opção em que há erro relativo ao emprego de pronome.

a) Estive com Sua Excelência ontem, e ele nada me revelou sobre seu problema.

b) Nada deves fazer sem eu estar presente.

c) O sono ou a vigília, que me importa esta ou esse?

d) Aviso-o de que chegarei a essa cidade no dia 10 de junho.

e) Os tipos de artigos são estes: definidos e indefinidos.


2) Observe as palavras grifadas da seguinte frase: "Encaminhamos ao Diretor cópia autêntica do Edital nº 19/94."

Elas são, respectivamente:

a) verbo, substantivo e substantivo.

b) verbo, substantivo e advérbio.

c) verbo, substantivo e adjetivo.

d) pronome, adjetivo e adjetivo.

e) pronome, adjetivo e substantivo.


3) O pronome está empregado incorretamente em:

a) É para mim fiscalizar aqueles volumes.

b) Tudo ficou esclarecido entre mim e ti.

c) Os herdeiros dividiram os bens entre si, sem desavenças.

d) São muitas as pessoas de quem dependemos.

e) Não há razão para eu ficar triste.


4) Aponte a frase em que o pronome demonstrativo está incorreto:

a) Este veraneio está maravilhoso.

b) Isso aí deve ser transportado com cuidado.

c) Neste tempo, não havia os perigos de hoje.

d) Isto é meu e possui valor estimativo.

e) Aquele sujeito é teimoso e bravo.


5) Instrução: Para responder a esta questão, preencher adequadamente as lacunas e numerar a coluna A de acordo com a coluna B.

Coluna A

( ) O candidato não consegue aprovação

( ) O candidato merece ser aprovado __

( ) O candidato busca um local sossegado.

( ) O candidato terá sucesso.

( ) O candidato tem dificuldade em algumas matérias.


Coluna B

1 - por mais que estude

2 - uma vez que estudou

3 - para que possa estudar

4 - assim que estudar

Está correta a numeração da alternativa:

a) 2,3,4,2,1

b) 3,4,4,1,2

c) 1,2,3,4,1

d) 3,2,1,4,3

e) 1.3,2,1,4


6) O período em que a segunda oração apresenta uma idéia de condição é:

a) Os artistas devem trabalhar na solidão, uma vez que desejem uma visão mais profunda dos fatos.

b) O jornalista tem de trabalhar dentro dos fatos, posto que tal cuidado acarrete dificuldades.

c) O jornalista pode bem informar, já que participa dos fatos.

d) Os artistas trabalham na solidão, até que consigam revelar o sentido profundo dos fatos.

e) O jornalista vive no meio dos acontecimentos, de modo que pode bem informar.


7) Há uma relação de causa e conseqüência na alternativa:

a) Quando submetidos à reação repressiva da sociedade, os meninos de rua têm vida curta.

b) Caso não se iniciem na delinqüência, os meninos de rua não sobrevivem.

c) Ainda que se entreguem à delinqüência, os meninos de rua têm vida curta.

d) Como a ação da palmatória da necessidade é impositiva, os meninos de rua aderem ao crime.

e) Sem que se dêem conta, os meninos de rua estão dominados pelas drogas.


RESPOSTAS:

1- C 2- C 3- A 4- C 5- C 6- A 7- D



FLEXÃO NOMINAL


FORMAÇÃO DO PLURAL


1. REGRA GERAL

Em palavra terminada por vogal acrescenta-se "s":

Livro - livros, série - séries, pó - pós, café - cafés.


2. REGRAS ESPECIAIS

a) Regra do "LEÃO e do CIDADÃO ALEMÃO".

No plural, teremos: "Os leões e os CIDADÃOS ALEMÃES. Assim, as palavras terminadas em ÃO:

- trocam ÃO por ÕES (plural mais freqüente: balões, botões, canções, corações... e os aumentativos: casarões, livrões);

- acrescentam "s": cidadãos, cortesãos, cristãos, desvãos, irmãos, pagãos e as paroxítonas terminadas em "ão"(sótãos, órgãos);

- trocam ÃO por ÃES: bastiães, cães, capelães, capitães, catalães, charlatães, escrivães, guardiães, pães, sacristães, tabeliães.


Observação:

Apresentam múltiplos plurais:

alão - alões, alãos, alães;

alazão - alazões, alazães;

aldeão - aldeões, aldeães;

vilão - vilões, vilãos;

ancião - anciões, anciãos, anciães;

verão - verões, verãos;

castelão - castelões, castelãos;

rufião - rufiões, rufiães;

ermitão - ermitões, ermitãos, ermitães;

sultão - sultões, sultãos, sultães.



b) Regra dos AMORES às GRISES LUZES.

Às terminações R, S ou Z acrescenta-se ES.


Observação:

Não-oxítonas terminadas em S são invariáveis: os pires, os atlas, os lápis, os ônibus.


c) Regra do - AL, - EL, - OL -UL.

As palavras com essas terminações formam o plural trocando o L por IS: bananais, papéis, faróis, pauis, azuis.


d) Regra do ARDIL do RÉPTIL

As palavras terminadas por IL: oxítonas trocam o L por S (funis, barris); paroxítonas trocam IL por EIS (fáceis, hábeis) .


e) Regra do FOGO nos CORPOS (metafonia)

Na passagem do singular para o plural, há palavras que trocam o timbre fechado da vogal tônica em aberto, como em:

FOGO (ô) - FOGOS (ó) e CORPO (ô) - CORPOS (ó).

É o que acontece com: abrolho, contorno, caroço, corcovo, corvo, coro, despojo, destroço, escolho, esforço, estorvo, forno, foro, fosso, imposto. jogo, miolo, olho, osso, ovo, poço, porco, posto, povo, reforço, socorro, tijolo, toco, torto, troco.


f) Palavras terminadas em X são invariáveis: os tórax.


3. PLURAL DOS DIMINUTIVOS

Para formar o plural dos diminutivos terminados em ZINHO e ZITO, proceda da seguinte forma:

1º) forme o plural da palavra primitiva;

2º) retire o "s";

3º) acrescente "zinho" ou "zito";

4º) recoloque o "s":


marzinho ......... marezinhos

cãozito .........cãezitos

Assim formamos pãezinhos, florezinhas, anãezinhos, fogõezinhos, anzoizinhos etc.


4. PLURAL DOS COMPOSTOS

Quanto ao plural dos compostos, podemos formular uma regra que é de enorme valor prático. Ei-la:


Em princípio, variam as palavras do composto que forem variáveis isoladamente.


cartas-bilhetes, amores-perfeitos,

cabras-cegas, segundas-feiras,

guarda-chuvas, sempre-vivas,

grão-duques, bate-bocas,

os ganha-pouco, os pisa-mansinho,

os leva-e-traz, os vai-volta.


Em "guarda-civil", "guarda-noturno" etc., "guarda" é substantivo; portanto, é palavra variável, motivo pelo qual temos "guardas-

-civis", "guardas-noturnos" etc.

Guarde bem essa regra, mas não se esqueça destas exceções importantes e fáceis de fixar:

  1. Quando o composto contiver preposição, varia apenas o primeiro elemento:


Com a preposição na porta, o "s" não passa.


chapéus-de-sol, pães-de-ló,

pores-de-sol, mulas-sem-cabeça,

cavalos-vapor (a vapor, de vapor), joões-de-barro.


b) Quando o segundo elemento exprime idéia de fim ou semelhança, varia igualmente o primeiro:

navios-escola, salários-família,

peixes-boi, bananas-maçã.


Observação:

Em geral, esses compostos aceitam que se pluralize também o segundo elemento:

navios-escolas, bananas-maças


c) Pluralizam apenas o último elemento os compostos de dois ou mais adjetivos e os que denotam som de coisas:

médico-cirúrgicos, sócio-político-econô-micos, luso-brasileiros, reco-recos, tique- -taques.

Exceção: surdos-mudos.


Observação:

Os adjetivos compostos variam somente no último elemento também quanto ao feminino:

obras sócio-poIítico-econômicas, salas médico-cirúrgicas.


TESTES


1) Ocorre erro de flexão de número em:

a) mesas-redondas

b) pública-formas

c) lugares-comuns

d) quartas-feiras

e) guarda-louças


2) Ocorre erro de flexão de número em:

a) tabeliões prestativos

b) anfitriões generosos

c) ações vis

d) conversações fúteis

e) pasteizinhos gostosos


3) Marque a opção em que a forma plural apresenta incorreção:

a) caráter - caracteres

b) anfitrião - anfitriões

c) jornalzinho - jornaizinhos

d) bóia-fria - bóias-frias

e) primeiro-ministro - primeiro-ministros


4) Marque a opção em que o adjetivo composto está flexionado incorretamente

a) relações afetivo-sexuais

h) manchas roxo-escuras

c) soluções alcalino-terrosas

d) discussões político-econômicas

e) questão argentina-boliviana


5) Marque a opção em que uma das formas plurais está incorreta.

a) charlatões álcoois

b) cidadãos corrimãos

c) reveses casaizinhos

d) gravidezes guardiães

e) tabeliães suéters


RESPOSTAS:

1- B 2- A 3- E 4- E 5- E


FORMAÇÃO DO FEMININO


Os gêneros das palavras da Língua Portuguesa são o masculino e o feminino, conforme admitam o artigo "o" ou o artigo "a".


Masculino

Há palavras que só têm o masculino: o mar, o livro, o telefone, o papel.

Atenção para estes masculinos: o caudal, o elã o champanha, o dó, o eclipse, o formicida, o grama (unidade de peso), o lança-perfume, o milhar, o pijama, o proclama, o saca-rolhas, o telefonema.


Feminino

Há palavras que só têm o feminino: a mesa, a flor, a luz, a parede.


Atenção para estes femininos: a aguardente, a análise, a fama, a cal, a cataplasma, a coma, a dinamite, a faringe, a omoplata, a mó, a tíbia, a variante e os nomes terminados em "gem" (a ferrugem, a lavagem), exceto "personagem", que pode ser masculino ou feminino.


Comum de dois gêneros

Há palavras que, sem mudar a forma, tanto servem para indicar o sexo masculino como o sexo feminino, bastando mudar o artigo; por isso, chamam-se COMUNS DE DOIS:

o artista - a artista, o dentista - a dentista, o jovem - a jovem, o estudante - a estudante, o doente - a doente, o camarada - a camarada, o mártir - a mártir, o selvagem - a selvagem.


Sobrecomum

As palavras que só têm uma forma e um único gênero, mas designam tanto o homem quanto a mulher, são chamadas SOBRECOMUNS:

o cônjuge, a pessoa, o algoz, a testemunha, a vítima, a criança.


Epiceno

Há palavras que, como as sobrecomuns, só têm uma forma o um único gênero, mas servem para designar animais dos dois sexos. São os EPICENOS:

o tigre, o jacaré, a cobra, a pulga.

A distinção, na prática, se necessária, far-se-á da seguinte forma:

o tigre macho, o tigre fêmeo; a cobra macha, a cobra fêmea; ou o macho do tigre, a fêmea do tigre.


Biformes

As palavras que têm uma forma para o masculino e outra para o feminino são BIFORMES. Estas, para a formação do feminino, obedecem a critérios diversos:


1) Terminação "o" - Trocam o "o" por "a":

menino - menina, moço - moça, aluno - aluna, belo - bela.


2) Terminação "ão" - Trocam "ão" por:

"ã": cidadão - cidadã, alemão - alemã, anão - anã, irmão - irmã;

"oa": leão - leoa, leitão - leitoa, patrão - patroa, hortelão - horteloa, tabelião - tabelioa;

"ona": chorão - chorona, pedinchão - pedinchona, valentão - valentona.


3) Terminação "e" - Trocam "e" por "a":

chefe - chefa, gigante - giganta, monge - monja, parente - parenta;


Mas há muitas que são comuns de dois:

o amante - a amante, o cliente - a cliente, o doente - a doente, o habitante - a habitante, o ouvinte - a ouvinte, o servente - a servente.


4) Terminação "or", "ês", "l", "z" - Acrescentam "a":

doutor - doutora, professor - professora, freguês - freguesa, inglês - inglesa, zagal - zagala, oficial - oficiala, juiz - juíza.


5) Não se enquadram nos casos anteriores:


abade – abadessa ateu – atéia

avô – avó barão – baronesa

bispo – episcopisa imperador – imperatriz

jogral – jogralesa judeu – judia

ladrão – ladra maestro – maestrina

conde – condessa cônsul – consulesa

czar – czarina diácono – diaconisa

dom – dona duque – duquesa

embaixador – embaixatriz europeu – européia

felá – felaína frade – freira

galo – galinha grou – grua

guri – guria herói – heroína

ilhéu – ilhoa papa – papisa

pitón – pitonisa poeta – poetisa

príncipe – princesa profeta – profetisa

rajá – rani rapaz – rapariga

rei – rainha réu – ré

sacerdote – sacerdotisa sandeu – sandia

sultão – sultana taberéu – tabaroa

varão – virago visconde - viscondessa


6) Casos em que o feminino é todo diferente do masculino:


bode – cabra boi – vaca

cão – cadela carneiro – ovelha

cavaleiro – amazona cavalheiro – dama

cavalo – égua compadre – comadre

frei – sóror genro – nora

homem – mulher javali – giranda

marido – mulher padrasto – madrasta

padre – madre pai – mãe

patriarca – matriarca veado – cerva

zangão - abelha


7) Mudam o sentido ao mudar o gênero:


o cabeça (chefe) a cabeça (parte do corpo)

o capital (dinheiro) a capital (cidade)

o cisma (cisão da Igreja) a cisma (dúvida)

o cura (padre) a cura (ato de curar)

o grito (brado) a grita (gritaria)

o lotação (ônibus) a lotação (capacidade)

o moral (ânimo) a moral (decência)

o poço (cavidade funda) a poça (cova rasa)

Nota: O complemento da flexão nominal é a concordância nominal. Queira ver.


FLEXÃO VERBAL


CONJUGAÇÃO


1) Conjugações

Em Português, há três conjugações:

1ª conjugação: Ar

2ª conjugação: Er, Or (poEr)

3ª conjugação: Ir

2) Modos

Há três modos: INDICATIVO, SUBJUNTIVO, IMPERATIVO.


3) Formas Nominais

Há três formas nominais: INFINITIVO, GERÚNDIO, PARTICÍPIO.


4) Tempos

Há, basicamente, três tempos: PRESENTE, PRETÉRITO, FUTURO.


QUADRO GERAL DOS MODOS E TEMPOS


5) Conjugação


a) Formação do Presente do Subjuntivo

BASE: 1ª pessoa do singular do presente do indicativo.


1ª conjugação

2ª conjugação

3ª conjugação

falf + E

falE

vendf + A

vendA

partf + A

partA


falEs


vendAS


partAS


falE


vendA


partA


falEmos


vendAmos


partAmos


falEis


vendAis


partAis


falEm


vendAm


partAm


  1. Formação do imperativo.


Presente Indicativo

Imperativo Afirmativo

Presente Subjuntivo

Imperativo

Negativo

amo


ame


amas

®

ama

ames ®


não ames

ama


ame ¬

ame ®


não ame

amamos


amemos ¬

amemos ®


não amemos

amais

®

amai

ameis ®


não ameis

amam


amem ¬

amem ®


não amem


Exceção: Verbo SER na 2ª pessoa (singular e plural) do imperativo afirmativo, que são, respectivamente, SÊ (tu) e SEDE (vós).


  1. Formação do Pretérito Imperfeito do Indicativo


1ª conjugação

2ª e 3ª conjugações

RADICAL + AVA

cantAVA

RADICAL + IA

corrIA


cantAVAs


corrIAs


cantAVA


corrIA


cantÁVAmos


corrÍAmos


cantÁVEis


corrÍEis


cantAVAm


corrIAm

  1. Conjugação do Pretérito Perfeito do Indicativo


1ª conjugação

2ª conjugação

3ª conjugação

pensEI

comI

partI

pensaSTE

comeSTE

partiSTE

pensOU

comeU

partiU

pensaMOS

comeMOS

partiMOS

pensaSTES

comeSTES

partiSTES

pensaRAM

comeRAM

partiRAM


e) Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo


Três tempos derivam do pretérito perfeito do indicativo: o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, o futuro do subjuntivo e o pretérito imperfeito do subjuntivo. A base para a formação desses tempos é a 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito.


Pret. mais-que-perfeito

Futuro do

subjuntivo

Pret. imperf. do subj.

FIZERAM

fizera

FIZERAM

fizer

FIZERAM

fizeSSE


fizeras


fizerES


fizeSSEs


fizera


fizer


fizeSSE


fizéramos


fizerMOS


fizéSSEmos


fizéreis


fizerDES


fizéSSEis


fizeram


fizerEM


fizeSSEm


f) Derivados do Infinitivo Impessoal


Derivam do infinitivo impessoal o futuro do presente, o futuro do pretérito e o infinitivo pessoal.


Futuro do

presente

Futuro do

pretérito

Infinitivo Pessoal

darEI

darIA

dar

darÁS

darIAs

darES

darÁ

darIA

dar

darEMOS

darÍAmos

darMOS

darEIS

darÍEis

darDES

darÃO

darIAm

darEM


6) Classificação Quanto à Tonicidade

a) Formas rizotônicas: quando a vogal tônica está na raiz.

b) Formas arrizotônicas: quando a vogal tônica está nas desinências (fora da raiz).


7) Classificação Quanto à Flexão

a) Regulares: Quando o radical não sofre variações e as desinências seguem o paradigma.

b) Irregulares: Quando sofrem variações no radical ou quando não seguem as desinências do paradigma (perder, ferir, dar etc.).


Observação:

Não são irregulares verbos que trocam letras por exigências ortográficas, como "agir" e "ficar".


c) Anômalos: São os verbos "ser" e "ir", porque, na conjugação, trocam de radical.

d) Defectivos: Quando não têm certas formas (abolir, falir, latir).

e) Abundantes: Quando possuem duas ou mais formas equivalentes (suspender, entregar, matar).


Observação:

Com os auxiliares TER e HAVER, usa-se o particípio regular. (O diretor tem suspendido muitos alunos.)

Com os auxiliares SER e ESTAR, usa-se o particípio irregular. (Os alunos foram suspensos.)


8) Verbo precaver-se

É defectivo; possui apenas as formas arrizotônicas, nas quais é regular (precavemos, precaveis).


9) Verbo requerer

A 1ª pessoa do singular do presente do indicativo é "requeiro" e, por conseqüência, o presente do subjuntivo fica: requeira, requeiras etc. E assim, os outros tempos derivados.


10) Verbo reaver

Conjuga-se como HAVER, mas só nas formas em que há "v" (reavemos, reaveis).

11) Verbos terminados em EAR

Recebem um "i" eufônico nas formas rizotônicas (passeio, passeias, passeia, passeamos, passeais, passeiam).


12) Verbos terminados em IAR (Regra do "Mário")

Os verbos terminados em “iar” são regulares (adio, adias, adia, adiamos, adiais, adiam), exceto MEDIAR, ANSIAR, REMEDIAR, INCENDIAR e ODIAR (Mário), que se conjugam como os verbos terminados em "ear" nas formas rizotônicas (odeio odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam).

13) As Vozes do Verbo

São:

a) ATIVA: Um verbo está na voz ativa, quando o sujeito da oração pratica a ação expressa pelo verbo.


O João comprou um abacaxi.

Nós plantaremos a árvore.


b) PASSIVA: Um verbo está na voz passiva, quando o sujeito da oração sofre a ação expressa pelo verbo.

A árvore foi plantada por nós.

Um abacaxi foi comprado pelo João.

A voz passiva pode ser:


ANALÍTICA: formada por um dos verbos "ser", "estar", "ficar" seguido de particípio:

A casa foi alugada.


SINTÉTICA ou PRONOMINAL: formada com verbo acompanhado do pronome oblíquo "se", que se chama, no caso, pronome apassivador:

Aluga-se a casa.

Vendem-se flores.

Não se vê um amigo nestas paragens.


REFLEXIVA: Temos a voz reflexiva, quando o sujeito pratica e ao mesmo tempo sofre a ação expressa pelo verbo da oração. Esta voz se forma com o verbo e um dos pronomes: me, te, se, nos, vos:

Eu me feri. Nós nos ferimos.

Tu te feriste. Vós vos feristes.

Ele se feriu. Eles se feriram.


Observação:

É preciso observar bem se o sujeito apenas pratica, apenas sofre ou se pratica e ao mesmo tempo sofre a ação. Comparem-se as seguintes orações:

Paulo nos vendeu a casa.

Paulo foi ferido.

Paulo feriu-se.


No primeiro exemplo, Paulo praticou — e apenas praticou — a ação de vender. No segundo, Paulo sofreu — e apenas sofreu — a ação de ser ferido. No terceiro, Paulo não apenas praticou a ação, como também a sofreu.


14) Mudança de Voz

a) Ativa para passiva analítica

É possível passar a voz ativa de um verbo para a passiva, desde que tenha objeto direto. Bastará, então, transformar o objeto direto em sujeito da oração:


Os cientistas conduzem o desenvolvimento.

(sujeito) (objeto direto)




O desenvolvimento é conduzido pelos cientistas.

(sujeito) (agente da passiva)

Mude a voz, mas não mude o tempo: cuidado importante que se deve dispensar verbo, no sentido de manter o tempo e o modo.


b) Passiva analítica para ativa


Evidentemente, trata-se apenas de inverter o processo anterior.


O atleta foi aplaudido pelo público.

(sujeito) (agente da passiva)




O público aplaudiu o atleta.

(sujeito) (objeto direto)


c) Passiva analítica para passiva sintética ou vice-versa:


Flores são vendidas. (passiva analítica)

Vendem-se flores. (passiva sintética)

Ouviam-se os sinos. (passiva sintética)

Os sinos eram ouvidos. (passiva analítica)

Observe-se que o sujeito não muda.


15) Emprego do Imperativo


O imperativo serve para ordenar, estimular, suplicar, pedir favores, aconselhar:

Menino, traga-me aqueles livros.

Vai em frente, jovem, o vencerás.

Ajudai-me, por favor!

Empreste-me uma folha.

Não te esqueças dos livros.


Nota:

Quando empregamos o imperativo, devemos atentar bem para a unidade de tratamento, isto é, o imperativo deverá corresponder à pessoa do tratamento usado e presente nos demais elementos (verbos ou pronomes) relacionados ao ser com quem falamos:

João, faz(e) o favor de baixar tua voz .

Não temais, quando procedeis com honestidade.

Fazei o que vos digo, se quiserdes acertar sempre.

Tu és um crápula. Sai daqui.

Estuda, esforça-te, luta, vencedor.


16) Emprego do Futuro do Subjuntivo e Infinitivo Pessoal (diferença)


Muitas ouvimos pessoas dizerem, por exemplo, "Se tu a veres, foge dela", colocando o infinito pessoal onde deveriam colocar o futuro do subjuntivo.

A correção, entretanto, é fácil de fazer.

O futuro do subjuntivo é usado em orações desenvolvidas, normalmente iniciadas por conjunção ou pronome. A conjunção será "se", "quando", "conforme" ou um sinônimo (caso, logo que, assim que, como etc.), e o pronome será "que" ou "quem".

Se tu a vires, foge dela.

Quando puderes, visita-me.

A pessoa que dispuser do tempo pode falar.

Farei conforme quiseres.


O infinito pessoal emprega-se em orações reduzidas, isto é, sem aquelas conjunções ou pronomes:

Ao veres a tentação, foge dela.

Para ser vencedor, você deve evitar as tentações.


TESTES


1) A forma correta do verbo SUBMETER-SE, na primeira pessoa do plural do imperativo afirmativo, é:

a) submetamo-nos

b) submeta-se

c) submete-te

d) submetei-vos

e) submetam-se


2) ............ mesmo que és capaz de vencer; ........... e não ...........

a) Mostra a ti - decide-te - desanime

b) Mostre a ti - decida-te - desanimes

c) Mostre a si - decida-se - desanime

d) Mostra a ti - decida-te - desanimes

e) Mostra a ti - decide-te - desanimes


3) Depois que o sol se ........... haverão de ............. as atividades.

a) pôr - suspender

b) por - suspenderem

c) puser - suspender

d) puzer - suspender

e) pôr - suspenderem


4) Não se deixe dominar pelo mal da solidão. ................ a vida que há nas formas da natureza, ................ atenção à transbordante linguagem das coisas e .......... o mundo pelo qual transita distraído, com olhos muito atentos.

a) Descobre - presta - vê

b) Descubra - presta - vê

c) Descubra - preste - veja

d) Descobre - preste - vê

e) Descubra - presta - veja


5) Se .......... a interferência do Ministro nos programas de televisão e se ele ........... não ocorreriam certos abusos.

a) requerêssemos - interviesse

b) requiséssemos - interviesse

c) requizéssemos - interviesse

d) requerêssemos - intervisse

e) roquizéssemos - intervisse


6) Se ............ o livro, não ............ com ele: ............... onde combinamos.

a) reouveres - fiques - põe-no

b) reouveres - fiques - põe-lo

c) reaveres - fica - ponha-o

d) reouveres - fica - ponha-o

e) reaveres - fique - põe-lo


7) Se eles ............ suas razões e ............. suas teses, não os .............

a) expuserem - mantiverem - censures

b) expuserem - mantiverem - censura

c) expuzerem - mantiverem - censures

d) exporem - manterem - censures

e) exporem - manterem - censura


8) Se o ........... por perto, ............: ele ............... o esforço construtivo de qualquer pessoa.

a) veres - precavenha-se - obstrue

b) vires - precavém-te - obstrui

c) veres - precavém-te - obstrue

d) veres - acautela-te - obstrui

e) vires - acautela-te - obstrui


9) Se ele se ............ em sua exposição ............. bem. Não te ...........

a) deter - ouça-lhe - precipites

b) deter - ouve-lhe - precipita

c) detiver - ouve-o - precipita

d) detiver - ouça-o - precipita

e) detiver - ouve-o - precipites


10) Os habitantes da Ilha de Nanja acreditam que, quando o Menino Jesus ............. e ............. todos em paz, haverá de abençoá-los.

a) vier - os ver

b) vir - os ver

c) vier - os vir

d) vier - lhes vir

e) vir - lhes ver


11) Os pais ainda ........... certos principies, mas os filhos já não ............ neles e ............ de sua orientação.

a) mantêm - crêm - divergem

b) mantém - crêem - divergem

c) mantêm - crêem - divergem

d) mantém - crêem - divirgem

e) mantêem - crêem divergem


12) Se todas as pessoas ............ boas relações e ............. as amizades, viveriam mais felizes.

a) mantivessem - refizessem

b) mantivessem - refazessem

c) mantiverem - refizerem

d) mantessem - refazessem

e) mantessem - refizessem


13) ............ graves problemas que o .........., durante vários anos, no porto, e, com isso, impediram que ..........., em tempo devido, sua promoção.

a) Sobreviram - deteram - requeresse

b) Sobreviram - detiveram - requisesse

c) Sobrevieram - deteram - requisesse

d) Sobreviram - detiveram - requeresse

e) Sobrevieram - detiveram - requeresse


14) Eu não ........... a desobediência, embora ela me ............ ; portanto, não ............ comigo.

a) premio - favoreça - contes

b) premio - favorece - conta

c) premeio - favorece - conte

d) premio - favoreça - conta

e) premeio - favoreça - contas


15) Se ao menos ele ........... a confusão que aquilo ia dar! Mas não pensou, não se ............... e ................. na briga que não era sua.

a) prevesse - continha - interveio

b) previsse - conteve - interveio

c) prevesse - continha - interviu

d) previsse - conteve - interviu

e) prevesse - conteve - interveio


16) A locução verbal que constitui voz passiva analítica é:

a) Vais fazer essa operação?

b) Você teria realizado tal cirurgia?

c) Realizou-se logo a intervenção.

d) A operação foi realizada logo.

e) Qual foi o resultado do transplante.?


17) O seguinte período apresenta uma forma verbal na voz passiva: “A corrupção deveria ser punida de forma mais rigorosa." Qual a alternativa que apresenta a forma ativa correspondente?

a) deveria punir

b) puniria

c) puniriam

d) deveriam punir

e) puniram


18) A oração "O alarme tinha sido disparado pelo guarda" está na voz passiva. Assinale a alternativa que apresenta a forma verbal ativa correspondente.

a) dispara

b) dispararia

c) fora disparado

d) tinham disparado

e) tinha disparado


19) A oração "O engenheiro podia controlar todos os empregados da estação ferroviária" está na voz ativa. Assinale a forma verbal passiva correspondente.

a) podiam ser controlados

b) seriam controlados.

c) podia ser controlado

d) foram controlados

e) controlavam-se


20) Assinale a oração que não tem condições ser transformada em passiva.

a) As novelas substituíram os folhetins do passado

b) O diretor reuniu para esta novela um elenco especial.

c) Alguns episódios estão mexendo com as emoções do público.

d) A memória do público grava com força determinados tipos das novelas.

e) O autor extrai alguns detalhes do personagem de pessoas conhecidas.



RESPOSTAS

1– A 2– E 3– C 4– C 5– A 6– A 7- A 8– E 9– E 10– C 11– C 12– A 13- E 14– A 15– B 16– D 17– D 18– E 19– A 20- C



SINTAXE


(FUNÇÕES SINTÁTICAS)


Funções do substantivo e do pronome


O substantivo e o pronome podem exercer dez funções sintáticas: seis relacionadas ao verbo (sujeito, predicativo, objeto direto, objeto indireto, agente da passiva e adjunto adverbial); quatro não-relacionadas ao verbo (adjunto adnominal, complemento nominal, vocativo e aposto).


I - DE COMO SE RECONHECE O SUJEITO

Queira ver no capítulo da "Concordância Verbal".


II - DE COMO SE RECONHECE O PREDICATIVO


1º) É necessário que o verbo da oração seja um dos seguintes:

ser, estar, permanecer, ficar, continuar, andar, parecer, virar.


2º) É necessário que haja um elemento não-proposicionado que expresse um estado do sujeito. Tal elemento expressa um estado, quando se pode dizer que ele é igual ao sujeito.

Minha prima continua uma bela moça.

(sujeito) (predicativo)

(Minha prima = uma bela moça)


Minha prima continua o enxoval

(sujeito) (objeto direto)

(Minha prima ¹ o enxoval)


Observação:

O predicativo poderá, eventualmente, estar preposicionado. Isso ocorrerá, quando o elemento preposicionado for substituível, sem quebra de sentido, por um adjetivo.

Ele está com saúde.

(=saudável)

Sua atitude era de respeito.

(=respeitosa)


Nota:

Predicativo não é a mesma coisa que predicativo do sujeito e predicativo do objeto. Essas funções veremos mais adiante.


III - DE COMO SE RECONHECE O OBJETO


Elimine-se, antes de qualquer coisa, a hipótese de haver predicativo, porque, havendo predicativo, não haverá objeto.

Eliminada essa hipótese, será objeto o elemento (preposicionado ou não) que completar o sentido de um verbo de idéia incompleta.

Observem-se os seguintes exemplos:

1º) Para alguns, democracia é sinônimo de desordem.

Não há objeto, porque há predicativo (sinônimo).


2º) O seu amor, um cachorrinho, morreu naquela tarde chuvosa e fria.

Não há objeto, porque o verbo tem sentido completo:

O seu amor morreu.


3º) O hábito não faz o monge.

Paulo gosta da sogra.


Nesses casos "o monge" e "da sogra" são objetos, porque completam o sentido dos verbos "faz" e "gosta".

O hábito não faz.......

Paulo gosta.......


OBJETO DIRETO: quando não vem precedido de preposição: o monge:


OBJETO INDIRETO: quando vem precedido de preposição: da sobra.


OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO: quando vem precedido de uma preposição dispensável:

O leão matou ao caçador.

(O leão matou o caçador.)


OBJETO PLEONÁSTICO: quando aparece repetido, reforçando a idéia:

Minhas idéias, defendo-as eu.

(Eu defendo minhas idéias)

minhas idéias – objeto direto

as – objeto direto pleonástico

Aos meus comandados, sempre lhes direi a verdade.

(Sempre direi a verdade aos meus comandados.)

aos meus comandados – objeto indireto

lhes – objeto indireto pleonástico


IV - DE COMO SE RECONHECE O AGENTE DA PASSIVA


Será agente da passiva o elemento introduzido pela preposição POR (pelo, pela, pelos, pelas) ou DE (do, da, dos, das) que pratica a ação expressa por um particípio:


Simone foi beijada pelo namorado.

Ele era um palhaço querido das crianças.


Não havendo particípio, é inútil procurar agente da passiva.

V - DE COMO SE RECONHECE O AD- JUNTO ADVERBIAL


Recolhidos o sujeito, o predicativo, os abjetos e o agente da passiva, na medida em que existam, classificar-se-ão como adjuntos adverbiais todos os substantivos (ou pronomes substantivos) que ainda se referirem ao verbo:

Às duas horas da tarde, comprei um livro de poesias na Livraria dos Jesuítas.

Sujeito: "eu" (subentendido);

Objeto direto: "um livro de poesias";

Adjuntos adverbiais: "às duas horas da tarde" e “na Livraria dos Jesuítas”.


VI - DE COMO SE RECONHECEM O ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLEMENTO NOMINAL


Havendo, na oração, um substantivo (ou um pronome substantivo) antecedido de preposição e não-relacionado ao verbo, ele ou será adjunto adnominal, ou será complemento nominal.


Examine o amigo os exemplos subseqüentes:


Meu tio comprou uma casa de madeira.

(adjunto adnominal)

O medo da morte às vezes faz a vida breve.

(complemento nominal)


Como se vê, "de madeira" e "da morte", além de estarem antecedidos de preposição, não se referem ao verbo. Referem-se, isto sim, às palavras "casa” e “medo", respectivamente.

Se tivéssemos que "chutar" a classificação agora, "chutaríamos" entre adjunto adnominal e complemento nominal, o que nos daria, em cada caso, 50% de probabilidades de acertar.

Entretanto essas possibilidades atingirão o máximo, se atentarmos para as diferenças que existem entre as duas funções.


Ei-las:


ADJUNTO ADNOMINAL

COMPLEMENTO NOMINAL

Refere-se a uma palavra de idéia completa.

Refere-se a uma palavra de idéia incompleta.

É acessório, dispensável.

É integrante indispensável.

Geralmente, vem precedido da preposição “de” ou “com”.

Pode vir precedido por qualquer preposição.

Encerra idéia de posse, matéria, finalidade ou propriedade. (Veja observação)

Não encerra essas idéias.


Observação:

Mostramos, a seguir, como se deve proceder para reconhecer a idéia:

a) IDÉIA DE POSSE

de = que pertence a

O marido de Josefa. (O marido que pertence a Josefa.)

b) IDÉIA DE MATÉRIA

de = feito de

Casa de madeira. (Casa feita de madeira.)

c) IDÉIA DE FINALIDADE

de = para

Sala de visitas. (Sala para visitas.)

d) IDÉIA DE PROPRIEDADE

de = próprio para ou próprio de

Livro de filosofia. (Livro próprio para filosofia.)

Memória de prodígio. (Memória própria de prodígio.)


É importante observar, por fim, que o adjunto adnominal e o complemento nominal sempre fazem parte de um conjunto que exerce outra função sintática. Assim, em “Meu tio comprou uma casa de madeira”, “de madeira” é adjunto adnominal pertencente ao objeto direto “uma casa de madeira”; em “O medo da morte às vezes faz a vida breve”, “da morte” integra o sujeito “o medo da morte”.

VII - DE COMO SE RECONHECEM O VOCATIVO E, O APOSTO

O vocativo e o aposto têm duas características comuns:

a) não se referem ao verbo;

b) não são preprosicionados:



Sois, amigos, o futuro da Pátria! (vocativo)

Chamaco, o jogador, era um artista. (aposto)


As diferenças entre eles:


VOCATIVO

APOSTO

Apresenta ou admite a interjeição "ó".

Não admite a interjeição.

Estamos falando com o ser.

Estamos falando sobre o ser.



Observação:

O vocativo pode ser deslocado para o início ou para o fim da frase ("Amigos, sois o futuro da Pátria!”), ao passo que o aposto acompanha sempre o elemento a que ele serve de explicação.


VIII - PREDICADO

Predicado é tudo o que se diz do sujeito. Logo, o predicado de uma oração será tudo, descontados o sujeito e o conetivo oracional, quando houver.


a) CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO


O predicado pode ser:

NOMINAL: tratando-se de verbo, ser, estar, permanecer, ficar, continuar, andar, parecer ou virar e havendo relação de igualdade entre o sujeito e o núcleo seguinte:


Helena era uma excelente moça.


VERBO-NOMINAL: tratando-se de qualquer verbo e havendo a possibilidade de desdobramento, sem quebra de sentido da frase, numa locução formada por ele mesmo e um dos verbos da lista anterior:

O guri saiu satisfeito.

(O guri saiu e estava satisfeito.)

Considero o guri inteligente.

(Considero e ele parece inteligente.)


VERBAL:


Em todos os outro casos.

Gostava muito do namorado.

A moça desapareceu.


b) PREDICATIVO, PREDICATIVO D0 SUJEITO E PREDICATIVO DO OBJETO


Quando temos um predicado nominal, o predicativo será chamado predicativo, porque ele sempre se refere ao sujeito e seria redundante dizer predicativo do sujeito, embora alguns gramáticas aceitem essa classificação.

Todavia, se o predicado for verbo-nominal, o predicativo será do sujeito, caso se relacione ao sujeito da oração, e será predicativo do objeto, caso se relacione ao objeto da oração.

Assim, nos exemplos "O guri saiu satisfeito" e "Considero Maria inteligente", "satisfeito" é predicativo do sujeito, porque se relaciona a "guri" que, no caso, é sujeito da oração; e "inteligente" é predicativo do objeto, porque se relaciona a "Maria", que, nosso caso, é objeto direto da oração.


Observação:

Tanto o predicativo do sujeito como o predicativo do objeto podem, excepcionalmente, vir procedidos das preposições "de", "em", "para", ou do conetivo "como"; esses elementos, entretanto, não devem ser considerados no desdobramento:

Chamaram-no de mentiroso.

Elegemos aquele homem para nosso chefe.

Ungiram David em rei.

O vigário escolheu Antoninho como sacristão.



C) NÚCLEO DO PREDICADO

Já vimos que predicado é tudo, menos o sujeito o conetivo oracional.

E qual é o núcleo do predicado?

1º - No predicado verbal, o núcleo é apenas o verbo.

2º - No predicado nominal, o núcleo é apenas o predicativo.

3º - No predicado verbo-nominal, o núcleo é o verbo + o predicativo.


FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ADJETIVO


Sintaticamente, o adjetivo exerce duas funções:


a) Predicativo (predicativo propriamente dito, predicativo do sujeito ou predicativo do objeto) - nas mesmas condições estabelecidas anteriormente:

A realidade é descomunal. (predicativo)

O menino brinca tranqüilo. (predicativo do sujeito)

Encontrei minha irmã pensativa. (predicativo do objeto)

Chamaram-no de medroso. (predicativo do objeto)


b),Adjunto adnominal - em todos os demais casos.

Seus olhos verdes me encantam.


Observação:

Os pronomes adjetivos serão sempre adjuntos adnominais.


FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ARTIGO

O artigo, em análise sintática, só pode ser adjunto adnominal.


FUNÇÕES SINTÁTICAS DO NUMERAL

Os numerais, sintaticamente, têm um comportamento semelhante aos pronomes:

a) quando acompanham (diretamente ou não) um substantivo, somente poderão exercer a função de adjunto adnominal;

b) quando não acompanham um substantivo, exercem todas as funções deste, nas mesmas circunstâncias:


Dois foram à broca. (sujeito)

Os últimos serão os primeiros. (predicativo)

Ela teve dois. (objeto direto)

Ela gosta dos dois. (Objeto indireto)

Ela era amada pelos dois. (agente da passiva)

Ela saiu com os dois. (adjunto adverbial)

A cara dos dois era de tolerância. (adjunto adnominal)

Ela era receptível aos dois. (complemento nominal)

Treze, és o número da sorte. (vocativo)

Um número, o treze, não me sai da cabeça. (aposto)


FUNÇÕES SINTÁTICAS DO ADVÉRBIO

Os advérbios, bem como as locuções adverbiais, funcionam única e exclusivamente como adjuntos adverbiais.


FUNÇÕES SINTÁTICAS DA PREPOSIÇÃO

Sintaticamente, as preposições, bem como as locuções prepositivas (que equivalem a uma proposição apenas), pedem exercer duas funções:

a) conetivo vocabular (ou intervocabular), quando liga dois vocábulos;

b) conetivo oracional (ou interoracional), quando liga duas orações.

FUNÇÕES SINTÁTICAS DAS CONJUNÇÕES

As conjunções, tal como as preposições, exercem a função de conetivos que ligam palavras (O fumo e a bebida fazem mal) ou orações (Não fumo nem bebo)


CONCORDÂNCIA VERBAL


I ¾ PRELIMINARES


É a concordância que se faz do verbo com o seu sujeito.

Disso depreendemos que, para fazer uma concordância correta, é tão importante ter presentes as normas que a regem, como reconhecer o sujeito e conjugar o verbo. De nada nos valerá sabermos que o verbo concorda com o sujeito, se não soubermos qual é o sujeito e qual a forma que o verbo deve assumir.


Repõem-se capas de livros.

A certeza de que o exemplo proposto está correto advém-nos dos seguintes fatos:

1º) O sujeito é “capas de livros” (plural);

2º) A 3ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo “repor” é “repõem”;

3º) O verbo concorda, em pessoa e número, com o sujeito.

Iniciemos, portanto, pelo estudo do sujeito, apenas o essencial para o objetivo pretendido: concordância verbal.


Observação:

O conhecimento do sujeito é útil não só para resolver a concordância, mas também ajuda na virgulação, na colocação pronominal e até na interpretação. Os versos


Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante”


muitas vezes não são entendidos por desconhecimento de que o sujeito é “as margens plácidas do Ipiranga”, isto é, “As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico”.


II ¾ SUJEITO


1- Reconhecimento

Formula-se a pergunta


QUE(M) É QUE(SE)...?


com o verbo do qual se quer achar o sujeito. A palavra ou expressão que servir de resposta será o sujeito.

A luz alegre do sol iluminou a paisagem.

¾ Que(m) é que iluminou?

¾ A luz alegre do sol. (sujeito)


Dois cuidados importantes a tomar:

a) Ao formular a pergunta, deve-se colocar o verbo sempre na 3ª pessoa do singular, sob pena de obtermos como resposta outro elemento da oração.

Os raios alegres do sol iluminaram a paisagem.

¾ Que(m) é que iluminou?

¾ Os raios alegres do sol. (sujeito)


Se perguntássemos “Que é que iluminaram?”, obteríamos como resposta “a paisagem” que, na verdade, é objeto direto.


b) Se houver, junto ao verbo, a partícula “se”, esta deve ser incluída na pergunta.

Na serra, bebem-se bons vinhos.

¾ Que é que se bebe?

¾ Bons vinhos. (sujeito)


Outros exemplos:

Eu e minhas primas fomos ao campo.

¾ Quem é que foi?

¾ Eu e minhas primas. (sujeito)

Tu e Margô tratastes-me bem.

¾ Quem é que tratou?

¾ Tu e Margô. (sujeito)

Amarra-se o burro segundo a vontade do dono.

¾ Que é que se amarra?

¾ O burro (sujeito)

Naquela casa, não se lia nada

¾ Que é que se lia ?

¾ Nada. (sujeito)


Notas:

1 - Se o período contiver mais de um verbo (período composto), repete-se a pergunta com cada verbo, pois a cada um pode corresponder um sujeito diferente.

Encontravam-se reunidos os líderes do mo-

vimento, porque surgiram, naquele dia,

questões para as quais se exigia resposta imediata.

¾ Quem é que se encontrava?

¾ Os líderes do movimento. (sujeito da 1ª oração)

¾ Que é que surgiu?

¾ Questões. (sujeito da 2ª oração)

¾ Que é que se exigia?

¾ Resposta imediata. (sujeito da 3ª oração)


2 - A rigor, não há necessidade de se fazer a pergunta, se o verbo estiver na 1ª ou 2ª pessoa do singular ou plural, pois, em geral, o sujeito será “eu”, “tu” “nós” ou “vós”. Só não será “nós” ou “vós”, se foram substituídos por uma expressão equivalente: eu, tu e ele (=nós), eu e ele (=nós), tu e ele (=vós).


Morena linda, serei o teu cantor. (eu)

Quando ouvires a minha voz, despertarás. (tu e tu)

Em nossas almas, encontraremos páginas... (nós)

Descrentes, perdoai a nossa fé. (vós)

Deus, Ó Deus!... Onde estás que não respondes?” (tu e tu)


2 - Verbos Impessoais

Verbos Impessoais são os verbos que não têm sujeito; por isso, evidentemente, não se faz pergunta para achá-lo.

São eles:

Haver

O verbo haver é impessoal:

a) quando significa existir; isto é, quando pode ser substituído por existir:

Ainda flores.

(Ainda existem flores.)

Havia poucas mulheres na fila.

(Existiam poucas mulheres na fila.)

Haja rapazes solteiros para tantas moças bonitas.

(Existam rapazes solteiros para tantas moças bonitas.)

Haverá momentos melhores que este?

(Existirão momentos melhores que este?)

Se houver lugares, reserve dois, por favor!

(Se existirem lugares, reserve dois, por favor!)


Observação:

Impessoal é o verbo “haver” significando “existir”, o que não quer dizer que o verbo “existir” seja impessoal.


b) quando indica tempo decorrido, isto é, quando pode ser substituído por fazer:

Li, dias, um belo livro.

(Li, faz dias, um belo livro.)


Observação:

Na indicação de tempo, é comum ocorrer dúvida entre ou A. Facilmente verificamos quando se deve usar , verbo HAVER, porque, nesse caso, é possível substituí-lo por FAZ. Além disso, o tempo de que se trata já decorreu.

dez dias, programou este passeio.

(Faz dez dias, programou este passeio.)

Trabalho muitos anos.

(Trabalho faz muitos anos.)


Se o tempo não decorreu, não será possível usar FAZ. Isso prova que não se trata do verbo HAVER, mas de simples preposição.

Daqui a dez dias, voltará para casa.

Saiu daqui (= faz) pouco, mas voltará daqui a pouco.

Noutras acepções, o verbo HAVER não é impessoal, isto é, possui sujeito.

Hão de chorar por ela os sinamomos.”

¾ Quem é que há de chorar?

¾ Os sinamomos. (sujeito)

Os ministros houveram por bem decretar o aumento dos impostos

¾ Quem é que houve?

¾ Os ministros. (sujeito)


Fazer

Esse verbo é impessoal:

a) na indicação de tempo cronológico:

Faz duzentos anos que a democracia começou.

Amanhã fará dois meses que iniciamos esse trabalho.

Vinha lutando, fazia muitos anos.


b) na indicação de tempo meteorológico:

Fez muito frio neste inverno.

Fazia dias quentes quando me resfriei.

Observação:

Neste caso, também é impessoal o verbo ESTAR:

Agora está calor.


Ser

Na indicação de tempo (horário e datas), distâncias e estado do tempo, o verbo SER também não apresenta sujeito.

São 10 horas, e ela não vem.

Quando eclodiu a revolta, eram 31 de março de 1964.

De uma praia a outra, são 10 quilômetros.

O gado morria: era inverno.


Chover

E todos os verbos que denotam fenômenos da natureza: anoitecer, nevar, trovejar etc.

No verão, anoitece lentamente.

Choveu durante toda a noite.


Empregados em sentido figurado, esses verbos perdem a impessoalidade:

No salão, choviam confetes e serpentinas:

¾ Que é que chovia?

¾ Confetes e serpentinas. (sujeito)


Observação importante:

Todos os verbos impessoais, quando fazem parte de uma locução verbal, transmitem sua impessoalidade aos verbos que os acompanham. Diz o professor Édison de Oliveira que verbo impessoal é doente contagioso.

Poderá haver problemas.

Vai fazer cinco anos que não volto lá.

Está havendo discordância entre os pares.


REGRA

Verbo impessoal (exceto SER) sempre se emprega na 3ª pessoa do singular.

(Observem-se os exemplos dados.)


  1. Classificação do Sujeito


a) Simples - quando há um só núcleo, expresso ou subentendido:

Os pobres não optaram pela pobreza.

Os luminosos raios do sol nascente douravam as copadas das árvores.

Tu venceste pelos teus méritos.

Construiremos uma nação forte. (Nós, subentendido)


Observação:

Não existe a classificação sujeito oculto.


b) Composto - quando houver mais do que um núcleo, caso em que sempre estará expresso:

Saúde e felicidade valem mais que dinheiro.

Tu e eu lutamos pelo mesmo ideal.

Jornal velho e café requentado são pouco apreciados.


c) Indeterminado - quando existe, mas não está expresso, nem pode ser determinado.

Em dois casos, forma-se esse sujeito:

1º - com o verbo na 3ª pessoa do plural, sem precisar o agente da ação:

Andam falando mal de ti.

Bateram na porta.


Observe-se que a concordância se faz com eles (3ª pessoa plural), mas que esse eles pode ser apenas um ele que não se pode precisar. Se disséssemos “Eles andam falando mal de ti”, saberíamos precisamente quem são eles.


2º - com o verbo na 3ª pessoa do singular, acompanhado do se, não havendo nada na frase que responde à pergunta “Que(m) é que se...?

Precisa-se de serventes.

Fala-se mal de ti na empresa.

Aqui se vive em paz.


Observação:

No primeiro exemplo, há quem pense que de serventes responde à pergunta “Que(m) é que se precisa?”, escrevendo, por isso, precisam-se. A esses incautos advertimos que o sujeito jamais aparece precedido de preposição, e “de” é preposição. O referido exemplo é diferente de “Exigem-se bons serventes”, em que bons serventes responde à pergunta “Que é que se exige?” e não está precedido de preposição.


Fique, portanto, enfatizado que, nesse tipo de sujeito indeterminado, emprega-se o verbo, obrigatoriamente, na 3ª pessoa do singular.


III — REGRAS GERAIS DE CONCORDÂNCIA


a) Para o sujeito simples

Eis a regra mais importante da concordância verbal:

O verbo concorda em pessoa e número com o seu sujeito.


Assim é que, achado o sujeito, sendo ele simples, só resta colocar o verbo em conformidade com o mesmo:

Por que Deus fez da mulher o suspiro do moço e o sumidouro do velho?”

Iam-se os homens como as folhas secas das árvores.”

Soaram 12 horas no sino da matriz.

O sino da matriz soou 12 badaladas.

Bateram 6 horas no relógio da varanda.

O relógio da varanda deu 6 horas.


Nota:

Os erros mais freqüentes na aplicação dessa regra ocorrem quando o sujeito está depois do verbo e no plural:

No mundo, existem milhares de periódicos.

Ouvem-se por toda parte os gemidos dos infelizes.

b) Para o sujeito composto

Sendo o sujeito composto, o verbo vai:


1 - para a 1ª pessoa do plural, se contiver “eu”:

Eu, tu e ele estamos no mesmo nível.

Tu e eu somos velhos amigos.

Eu e Helena assistíamos ao filme.

Maurício, João e eu formamos a comissão de inquérito.


2 - para a 2ª pessoa do plural, se contiver “tu” (sem “eu”):

Tu, minhas primas e teu irmão fazeis maus papéis.

Nesse caso, também se admite a 3ª pessoa do plural:

Tu, minhas primas e teu irmão fazem maus papéis.

3 - para a 3ª pessoa do plural, nos demais casos:

Um homem e uma mulher lançaram-se em sua perseguição.



Observação:

Se o sujeito composto estiver depois do verbo, este pode ir para o plural, segundo o que acima se disse, mas também pode simplesmente concordar com o núcleo que estiver mais próximo:

chegaram ao local o professor e sua turma.

chegou ao local o professor e sua turma.

Àquela entediosa reunião comparecemos eu, meu chefe e um amigo.

Àquela entediosa reunião compareci eu, meu chefe e um amigo.


IV ¾ REGRAS ESPECIAIS


1 - O sujeito é uma gradação — O verbo vai para o singular:

Um vento, uma ventania, o maior furacão não os inquietava.


2 - Sujeito resumido por tudo, nada, alguém, ninguém, cada um etc. ¾ O verbo deve concordar com esse elemento:

O local, o horário, o clima, nada nos favorecia.


3 - Sujeito formado por nome próprio plural — O verbo só vai ao plural, se houver, antes, um artigo no plural:

Vassouras fica no Rio de Janeiro.

O Amazonas preocupa os ecologistas.

Os Andes percorrem a América do Sul.

Os Estados Unidos incluem-se entre as nações democráticas.


4 - O sujeito é que ¾ O verbo concorda com o precedente do que:

São fatos que não ocorrem.

Sou eu que mando aqui.


5 - O sujeito é quem ¾ O verbo concorda com o precedente ou vai para a 3ª pessoa do singular:

Fostes vós quem errastes.

Fostes vós quem errou.


6 - O sujeito é qual de nós, quais de vós, quantos de nós, quem de vós etc. ¾ Se o pronome interrogativo estiver no singular, o verbo fica no singular. Se o interrogativo estiver no plural, o verbo vai para a 3ª pessoa do plural, ou concorda com o pronome pessoal.

Qual de vós errou?

Quais de vós erraram?

Quais de vós errastes?


7 - O sujeito é mais de..., menos de... ¾ O verbo concorda com o numeral que se segue:

Mais de um apostador acertou.

Mais de dez apostadores acertaram.

Menos de dois apostadores acertaram.


Exceção: Se houver idéia de reciprocidade:

Mais de um parlamentar se criticaram mutuamente.


8 - O sujeito é uma expressão de tratamento ¾ O verbo vai para a 3ª pessoa: do singular, se a expressão de tratamento estiver no singular; do plural, se a expressão de tratamento estiver no plural.

V. S.a fique tranqüilo

V. S.as fiquem tranqüilos.


9 - Núcleos ligados por ou ¾ O verbo vai:

a) para o singular, se houver idéia de exclusividade:

Ou o criminoso ou o réu era chamado a depor cada um por sua vez.


b) para o plural, se houver idéia de simultaneidade:

Matemática ou Física exigem um raciocínio bem formado.


10 - Concordância siléptica ou silepse ¾ Quando o sujeito estiver na 3ª pessoa do plural, e a pessoa que fala ou escreve sente-se partícipe dele, o verbo pode (não é necessário) ser empregado na 1ª pessoa do plural:

Os homens somos todos corruptíveis.

Os brasileiros caracterizamo-nos como imprevidentes.


11 - O sujeito é um e outro ¾ O verbo tanto pode ir para o plural como para o singular:

Um e outro traziam ilusões na bagagem.

Um e outro trazia ilusões na bagagem.

Mas se o sujeito for um ou outro ou nem um nem outro, o verbo deve ser empregado no singular:

Um ou outro procurará novos rumos.

Nem um nem outro esperava a reconciliação.


12 - Sujeito constituído de dois núcleos ligados por com ¾ O verbo:


a) ficará no singular, se o segundo núcleo estiver entre vírgulas:

A jovem loira, com seu cachorro na coleira, desfilava no parque.


b) irá para o plural, se não houver vírgulas:

O Padre com o sacristão olhavam indiferentes.


13 - Parecer mais infinitivo ¾ Há duas construções possíveis:

As nuvens pareciam derramar água.

As nuvens parecia derramarem água.


14 - Haja vista ¾ Nesta expressão, vista(e não visto) permanece invariável; o que varia, concordando com o sujeito, é o verbo:

Haja vista o fato.

Hajam vista os fatos.


15 - Concordância facultativa ¾ A concordância do verbo será facultativa:


a) se o sujeito for constituído de núcleos sinônimos:

Medo e temor nos acompanha/acompanham sempre.


b) se o sujeito é um coletivo distanciado do verbo:

A multidão, embora os oradores previamente inscritos prolongassem os seus discursos insípidos, esperou/es-peraram pacientemente a palavra do seu grande líder.

c) se o sujeito for um coletivo seguido de substantivo no plural:

Um grupo de torcedores invadiu/invadiram o gramado:


d) se o sujeito for um dos que:

Eu fui um dos que errou/erraram.


e) se o sujeito for cerca de... ou parte de...

Passou-se/Passaram-se cerca de duas horas.

f) se o sujeito for uma expressão partitiva, como “a maior parte de...”, “a maioria de...” etc.:

A maior parte dos alunos não estuda/estudam.


V ¾ CONCORDÂNCIA DO VERBO “SER”


1) O verbo “ser” obedece, em geral, às mesmas normas até aqui propostas, mas, se estiver entre dois núcleos das seguintes classes, em ordem: PRONOME PESSOAL ¾ PESSOA ¾ SUBSTANTIVO CONCRETO ¾ SUBSTANTIVO ABSTRATO ¾ PRONOME INDEFINIDO, ele concordará com a classe precedente, sem levar em conta a função por ela exercida. Assim:


Tu és Maria. Maria és tu.

Maria é minhas alegrias. Minhas alegrias é Maria.

As terras são a riqueza. A riqueza são as terras.

Tudo são flores.

Tudo são emoções.


2) Casos Especiais

a) Na indicação de horas, datas e distâncias - Nesses casos, como já vimos, o verbo “ser” é impessoal, isto é, não tem sujeito; portanto, concordará com a expressão central do predicativo:

Agora, são duas horas.

Quando eles chegaram, era meio-dia e vinte.

Hoje, são quatorze de maio.

Hoje, é dia quatorze de maio.

Daqui à vila, são cinco quilômetros.

b) As expressões “isto é” e “ou seja” são invariáveis:

Vieram três convidados, ou seja, os pais e um irmão.

c) As expressões de quantidade (peso, medida, preço etc.) como “é muito”, “é pouco”, “é demais” etc. também são invariáveis:

Vinte anos para escrever um livro é muito.


d) A partícula expletiva é que também não varia. (Expletiva significa dispensável.)

Eu é que sei disso.

(Eu sei disso.)


VI ¾ LOCUÇÕES VERBAIS


Há locução verbal, quando o sujeito é comum aos verbos que a constituem:

As artes deverão perpetuar as glórias do homem.

Poderiam surgir conflitos, se nada se fizesse.

A realidade precisa ser encarada corajosamente.

Talvez possam ambos viajar juntos.

Os ideais devem ser perseguidos tenazmente.


Como se observa nos exemplos, apenas o primeiro verbo entra em conformidade (concorda) com o sujeito, permanecendo o infinitivo invariável. Estão, pois, erradas frases assim:

Talvez possam ambos viajarem juntos.

Os ideais devem serem perseguidos tenazmente.

Poderiam, se nada se fizesse, surgirem conflitos.


Observação:

Não há locução verbal, quando os verbos não têm sujeito comum; por isso, cada verbo concorda com o respectivo sujeito:

O Professor mandou os alunos estudarem.

O professor mandou estudarem os alunos.

Os líderes estimularam a cantar o povo.


TESTES


1) É mister que se ................. os reajustes do aluguel e se ................. os prazos para o pagamento, a fim de que, no futuro, não ................... mal-entendidos.

a) façam fixem surja

b) façam fixe surja

c) façam fixem surjam

d) faça fixe surja

e) faça fixe surjam


2) .............................. as compensações espirituais e não lhe .............................. os trabalhos; por isso, não ................... meios de convencê-lo a abandonar aquela tarefa áspera.

a) Bastavam-lhe importavam poderia haver

b) Bastava-lhe importava poderia haver

c) Bastava-lhe importava poderiam haver

d) Bastava-lhe importavam poderiam haver

e) Bastavam-lhe importavam poderiam haver


3) Na Ilha de Nanja, não .................. histórias em quadrinhos: ............... de simples pescadores.

a) se lêem trata-se

b) se lê trata-se

c) se lêem tratam-se

d) se lêem se tratam

e) lê-se tratam-se


4) Na Ilha de Nanja não ............... Árvores de Natal; se .............., provavelmente ................. também muitos brinquedos.

a) têm houvessem existiria

b) tem houvessem existiria

c) há houvesse existiriam

d) há houvesse existiria

e) há houvessem existiriam


5) As crianças não sabem que........... pistolas e que........ armas nucleares; se soubessem,...... de chorar.

a) existem pode haver haveria

b) existe podem haver haveriam

c) existem podem haver haveriam

d) existe pode haver haveria

e) existem pode haver haveriam


6) Elas .................. disseram que ................. tu que ............. .

a) mesmo seria iria

b) mesmas serias irias

c) mesmas seria irias

d) mesmo serias irias

e) mesmo serias iria


7) ................ várias semanas que não se realizam torneios; ............... motivos suficientes para tal procedimento.

a) Faz deve haver

b) Fazem deve haver

c) Fazem devem haver

d) Faz devem de haver

e) Faz devem haverem


8) ................... muitas das qualidades que se .................. para esta tarefa; portanto, não seremos nós quem .................. esta escolha.

a) Faltam-lhe exigem fará

b) Falta-lhe exige fará

c) Falta-lhe exige faremos

d) Falta-lhe exigem faremos

e) Faltam-lhe exige fará

9) Talvez não ................... receber-me; entre ................. e ela .............. abismos intransponíveis.

a) quizesse mim havia

b) quisesse mim havia

c) quizesse eu haviam

d) quisesse mim haviam

e) quisesse eu haviam


10) Saiu daqui .................... uma hora, pois ............... diversas providências a tomar. Estará de volta daqui .................. meia hora.

a) há havia há

b) a havia a

c) há havia a

d) há haviam há

e) a haviam a


11) Que ................... ou não existido os deuses mitológicos, pouco importa; já ................ séculos que a arte os ................ vivos.

a) houvesse faz mantêm

b) houvesse fazem mantém

c) houvessem faz mantêm

d) houvessem fazem mantém

e) houvessem faz mantém


12) Embora não ................ palavras que ................. minha alegria, tentarei dizer o que sinto.

a) exista traduzam

b) exista traduza

c) existam traduzam

d) existam traduza

e) exista traduzem


13) Os Estados Unidos ................. grandes universidades de .............. fama e mérito.

a) possuem reputada

b) possui reputado

c) possui reputados

d) possuem reputado

e) possui reputada


14) Tudo isso ............... mentiras; e não ....................... pessoas que o conhecem ................. muitos anos e que podem dizer a verdade!

a) é faltam fazem

b) é falta faz

c) são faltam faz

d) são falta faz

e) é falta fazem


15) Quando ................ seis horas no campanário, alguém sempre .............. acender as luzes.

a) bate veem

b) bate vêem

c) bate vém

d) batem vem

e) batem vêm


16) Já ................ muitos anos que se ................ da cidade o pai e o filho, mas a todos ainda ................... sua cordial simpatia

a) fazia fora lembravam

b) fazia foram lembravam

c) fazia foram lembrava

d) faziam foram lembravam

e) faziam fora lembrava


17) Quando se ................. de situações como estas, onde se .............. rápidas medidas, não .............. tantos embaraços.

a) trata exige devem haver

b) tratam exigem devem haver

c) tratam exige deve haver

d) trata exigem devem haver

e) trata exigem deve haver


18) No mundo ................ diariamente 8.000 periódicos e ........... 250 milhões de revistas a cada quinze dias.

a) publicam-se distribui-se

b) publicam-se distribue-se

c) publica-se distribui-se

d) publicam-se distribuem-se

e) publica-se distribue-se


19) ................. , em 1939, as transmissões regulares entre Nova Iorque e Chicago, mas quase não .............. aparelhos. Atualmente, ............ 400 televisores para cada mil habitantes.

a) Iniciaram-se haviam existem

b) Iniciou-se havia existem

c) Iniciou-se haviam existe

d) Iniciou-se havia existe

e) Iniciaram-se havia existem


20) ................... onze horas ou ............. talvez doze, quando bateu à minha porta.

a) Eram deviam ser

b) Era devia ser

c) Era deviam ser

d) Eram devia ser

e) Eram deviam serem


RESPOSTAS

1- C 2- A 3- A 4- C 5- E 6- B 7- A 8- A 9- B 10- C 11- E 12- C 13- A 14- C 15- D 16- C 17- E 18- D 19- E 20- A


CONCORDÂNCIA NOMINAL


1 - Um adjetivo + um substantivo ou vice-versa


O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo:

velha casa casa velha

velhos barcos barcos velhos


2 – Um adjetivo + substantivos (dois ou mais com gêneros e números diferentes ou não)


O adjetivo concorda, em geral, com o substantivo mais próximo:

Escolheste mau lugar e hora.

Escolheste hora e lugar

Tinha invulgar inteligência e dinamismo.


Observação:

Se os substantivos são de pessoas ou parentesco, o adjetivo vai para o plural.


Chegaram os simpáticos sogro e sogra.

Chegaram os simpáticos sogra e sogro

Vimos as belas Simone e Luísa.


3 - Substantivos + um adjetivo



O adjetivo pode concordar com o substantivo mais próximo ou ir para o plural, com predominância do masculino:


Professores e professoras gaúchas.

Professores e professoras gaúchos.

Ela tem uma filha e um filho loiro.

Ela tem uma filha e um filho loiros.


Tinha muitos vestidos e jóias caras.

Tinha muitos vestidos e jóias caros.

É uma mulher de rosto e corpo belíssimo.

É uma mulher de rosto e corpo belíssimos.

Observação:

A concordância do adjetivo com o substantivo mais próximo é obrigatória, se o adjetivo se referir apenas a este.


Deu-me beijo e abraço apertado.

O ancião e a jovem sedutora formaram um par estranho.


4 - Um substantivo + adjetivos



São possíveis três construções:


1ª construção

As literaturas brasileira e portuguesa ...

Estudo as línguas inglesa e francesa.

Os dedos polegar, indicador e médio ...


2ª construção

A literatura brasileira e a portuguesa ...

Estudo a língua inglesa e a francesa.

O dedo polegar, o indicador e o médio ...


3ª construção

A literatura brasileira e portuguesa ...

Estudo a língua inglesa e francesa.

O dedo polegar, indicador e médio ...


5 - Concordância do adjetivo em função de predicativo


Observe:


As ruas eram modernas.

A lua ficou triste.

A menina estava enferma.

Mamãe continua bondosa.

Seus olhos e sua boca eram tentadores

Sua boca e seus olhos eram tentadores.

Eram tentadores seus olhos e sua boca

Eram tentadores sua boca e seus olhos.

Era tentadora sua boca e seus olhos.

O clima e a água eram ótimos.

O sol e a lua são poéticos.

O vale e o monte ficaram escuros.

O rio e o vale estavam solitários.

A noite e a lua eram frias.


O predicativo do sujeito, quanto ao número, acompanha a concordância do verbo.



Observação:

Quando o sujeito for um substantivo feminino empregado em sentido indeterminado, vago, o adjetivo fica invariável.

Pinga não é bom para o corpo. (mas "Esta pinga não é boa...")

É proibido entrada. (mas "É proibida a entrada.")

É necessário muita coragem. (mas "É necessária uma coragem ímpar.")


6 - Casos particulares


a) O problema nos nomes de cores

automóvel gelo olhos azuis

blusas rosa unhas vermelhas

sapatos areia vestidos amarelos

raios amarelo-ouro olhos verde-escuros

blusas verde-musgo camisas rubro-negras


Se o nome de cor é ou contém substantivo, fica invariável. Se for um adjetivo simples ou composto, concorda normalmente, nunca se esquecendo de que, nos adjetivos compostos, só varia o último. A única exceção é azul-marinho (gravatas azul-marinho).


b) Mulher diz: "muito obrigada", "eu mesma", "eu própria".


c) Só, sós

Eles estão sós. (= sozinhos ¾ adjetivo)

Eles conversaram. (= somente ¾ advérbio)


d) Quite (= livre, desobrigado)

Estou quite. Estamos quites.

Sócio quite. Sócios quites.


e) Meio

Como adjetivo (acompanhando substantivo), varia:

meia maçã

meio-dia e meia (hora)

meia-noite.


Como advérbio, fica invariável:

Ela estava meio tonta.


f) Anexo, incluso a apenso

São adjetivos; devem variar:

As folhas anexas contêm os exercícios.


g)Menos

É palavra invariável.


h) O substantivo e os numerais


- cardinais

Concordam com número, quando este estiver expresso ou implícito:


Folha n.º dois.

Página dois.

Casa duzentos.


Mas:


Duas folhas.

Duas páginas.

Duzentas casas.

- Ordinais

Obedecem às regras que se inferem dos exemplos:

Cometeu as infrações segunda e terceira.

Subiu aos andares primeiro e segundo.

Cometeu a segunda e terceira infração.

Cometeu a segunda e terceira infrações.

Subiu ao primeiro e segundo andar.

Subiu ao primeiro e segundo andares.


  1. Particípio

O particípio, que às vezes é verbo e outras vezes é adjetivo, concorda com o termo a que se refere:


As casas foram construídas com recursos do Estado.

As mulheres amadas são mais felizes.

Feitas as pazes, foram comemorar.

Dadas as circunstâncias, foi necessário retroceder.


Encerrada, depois de longos debates, a reunião, todas as pessoas presentes foram convidadas para o coquetel.






Observação:


Com os verbos ter e haver, forma os tempos compostos, caso em que não varia:

As flores tinham desabrochado.

Se elas não houvessem causado problemas, seriam convidadas.


  1. Melhor e mais bem

Antes de particípio, deve-se usar mais bem, jamais melhor:

Estas obras estão mais bem acabadas.

Os atletas mais bem treinados vencerão.


  1. Expressões de tratamento

Para efeito de concordância, as expressões de tratamento V. Ex.ª, V. Ex.as, V. S.ª, V. S.as etc. comportam-se como se fossem você (singular) ou vocês (plural):

Se V. Ex.as (vocês) estivessem em seu juízo perfeito, compreenderiam que nada lhes devemos, porque os elegemos para que cumpram com suas obrigações.


Observação:

Há que se respeitar o sexo da pessoa:

V. Ex.a é muito generoso. (homem)

V. Ex.a é muito generosa. (mulher)


TESTES


1) O plural correto de OLHO VERDE- -MAR é:

a) olho verde-mar

b) olhos verde-mares

c) olhos verdes-mar

d) olhos verdes-mares

e) olhos verde-mar


2) O substantivo cujo plural apresenta mudança de pronúncia da vogal tônica é:

a) bolso

b) olho

c) esposo

d) gosto

e) globo


3) Comprou uma casa e um carro ................ ; isso tornava ................. as nossas desconfianças de que ela estivesse ................. inclinada a pedir auxílio financeiro.

a) novos improvável meio

b) novo improvável meia

c) novos improváveis meio

d) novo improvável meio

e) novo improváveis meia


4) Deixou ..............., desde logo, os prêmios a que faria jus o vencedor: dois ............ .

a) estabelecidos carros azuis-claros

b) estabelecidos carros azul-claro

c) estabelecido carros azul-claros

d) estabelecidos carros azul-claros

e) estabelecido carros azuis-claros


5) Queremos bem ............... nossa opinião e nossos argumentos, deixando ............. , sem possibilidade de outras interpretações, as palavras que ................ expressam.

a) clara escritas os

b) claro escrito o

c) claros escrito as

d) claros escritas as

e) clara escrito os


6) Os acidentados foram encaminhados a diferentes clínicas .......... .

a) médicas-cirúrgicas

b) médica-cirúrgicas

c) médico-cirúrgicas

d) médicos-cirúrgicos

e) médica-cirúrgicos


7) Ela ....... reconhecia que era...... atrapalhada nos exames; era por isso que nunca aparecia entre as três ........ colocadas.

a) mesmo meia melhores

b) mesmo meia mais bem

c) mesma meia melhores

d) mesmo meio melhor

e) mesma meio mais bem


8) Mais tarde, ................ as mudanças e os arranjos que se ............., poderemos prosseguir.

a) providenciado fizer necessário

b) providenciados fizer necessários

c) providenciadas fizer necessário

d) providenciados fizerem necessário

e) providenciadas fizerem necessários


9) Desejo reafirmar a V. Ex.ª que todos os ................ que .............. foram encaminhados dependem exclusivamente de ................ veredicto.

a) abaixos-assinados lhe seu

b) abaixos-assinados vos vosso

c) abaixo-assinados lhe seu

d) abaixo-assinados vos vosso

e) abaixo-assinados lhe vosso


10) Dirigindo-me a V. Ex.ª, tomo a liberdade de pedir-..............., Sr. Ministro, ................ interferência nos canais de televisão, no sentido de coibir certos abusos de linguagem. Tomando as providências cabíveis, V. Ex.ª será .............. de nossos mais veementes aplausos.

a) lhe sua merecedor

b) lhe sua merecedora

c) vos vossa merecedor

d) vos vossa merecedora

e) lhe vossa merecedor


RESPOSTAS

1- E 2- B 3- C 4- D 5- A 6- C 7- E 8- E 9- C 10- A


REGÊNCIA VERBAL


1) A regência verbal trata da relação de dependência que se deve estabelecer entre o termo regente (verbo) e o termo regido (complemento: objeto direto e objeto indireto).

2) Sabemos que os verbos, quanto à transitividade, se, classificam em:


INTRANSITIVOS: quando têm idéia completa, isto é, quando não precisam de complemento:

As velhas casas ruíram.


TRANSITIVOS DIRETOS: quando não têm idéia completa, isto é, quando exigem complemento (objeto direto), e este se liga ao verbo sem o auxílio de preposição:

Ele vendeu a velha casa.


TRANSITIVOS INDIRETOS: quando não têm idéia completa, e o complemento (objeto indireto) relaciona-se ao verbo, obrigatoriamente, através de uma preposição:

Ele já não gostava da velha casa.


TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS: quando o verbo aceita os dois complementos:

Ele deu o dinheiro aos filhos.


3) A regência verbal nada tem a ver com os adjuntos adverbiais. Estes dão à frase circunstâncias não-obrigatórias e são precedidos de preposição, que poderá ser qualquer uma, de acordo com a idéia que se quiser transmitir:

Ele corria no parque.

Ele corria de medo.

Ele corria com seu guaipeca.

Ele corria entre as árvores.

Os adjuntos adverbiais podem ir-se, acumulando na mesma frase, haja ou não complemento:

Ele corria durante a tarde, contra o vento, sem camisa.

Ele vendeu a casa no fim do mês, contra a sua vontade.


4) Felizmente, sabemos, em geral, o tipo de relação que se estabelece entre o verbo e seu complemento, como nestes exemplos:

Geralmente, os filhos sobrevivem aos pais.

Filiou-se ao grupo dos que, para eximir-se de castigo, imputavam a culpa aos outros.

Utilizou as informações e aproveitou-se da oportunidade.


Entretanto, noutros casos, acostumados a ouvir e ver o erro, encontramos dificuldades.

É o caso dos seguintes verbos:


Aspirar


a) No sentido de desejar, almejar, é transitivo indireto:

Os homens aspiram ao bem-estar.

Há muito bacharéis que aspiram à carreira diplomática.

Aspirava a uma posição mais elevada e a um ordenado maior.


b) É transitivo direto no sentido de respirar, sorver:

Os mineiros aspiravam o pó insalubre das minas.

Todos os dias aspiramos a névoa poluída da metrópole.


Visar


a) No sentido de ter em vista, ter por objetivo, é transitivo indireto:

Se visarmos apenas aos bens materiais, morreremos frustados.

Não visamos a qualquer lucro.

Visamos à paz e ao progresso social.


b) É transitivo direto no sentido de apontar arma e dar visto:

Caitutu visou a testa da cobra que picara o seio de Lindóia.

Ele visava os contratos com muito cuidado.


Assistir


a) No sentido de ver, presenciar, estar presente, é transitivo indireto:

Os que estavam presentes assistiram a uma cena comovedora.

Não é bom assistir à televisão sem espírito crítico.


b) No sentido de residir, habitar, exige em:

Aspirando a um cargo público, ele vai assistir em Brasília.


c) É transitivo direto no sentido de dar assistência, ajuda:

Um bom médico assiste os seus pacientes com devoção.


Querer


a) No sentido de gostar, estimar, é transitivo indireto:

Joãozinho quer muito aos seus pais.

Ele também quer muito à namorada.


b) É transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade:

Os meninos queriam um punhado de moedas.


Esquecer e Lembrar


a) Quando acompanhados de pronome, constroem-se com de:

O jovem ator esqueceu-se do texto.

Esquecia-se freqüentemente das contas que fazia.

Eu me lembro dos meus tempos de guri.


b) Constroem-se sem preposição, se desacompanhados de pronome:

Lembrou o nome do amigo para assumir o cargo.

O jovem ator esqueceu o texto.


Pagar e Perdoar


a) Se o objeto for de pessoa, será indireto:

Perdoa aos pobres de espírito, porque não sabem o que fazem.

Não pagaram aos funcionários.


b) Se o objeto for de coisa, será direto:

O Brasil não pode pagar a dívida externa.

Ela não perdoou as ofensas que recebeu.

Obedecer e Desobedecer


São transitivos indiretos, exigem a preposição a:

Devemos obedecer às normas do coração.

Por que não obedeces aos teus pais?

Muitos brasileiros desobedecem aos regulamentos.


Morar, residir, estar situado etc.


Esses versos constroem-se sempre com a preposição EM e não com a preposição A, como muitas vezes acontece, principalmente antes da palavra RUA:

Residia na Rua dos Bobos, nº 0.

Elas moram na Av. Atlântida.

Dirigia-se ao prédio sito na Rua dos Andradas, nº 1000.

Preferir


Quem prefere, prefere alguma coisa a outra e não do que outra, e é redundante dizer preferir mais:

Preferia um bom vinho a uma cerveja.

Prefiro ser rico a ter saúde a ser pobre e doente.





Implicar


Emprega-se preferentemente sem a preposição EM:

Magistério implica sacrifícios e renúncias.

As paixões violentas implicam perigos imensos.


Chegar e Ir


a) No emprego mais freqüente, constroem-se com a preposição A e não com EM.

Devido ao trânsito, cheguei tarde à escola.

Foi ao bar beber uma cerveja.

Durante as férias, elas foram à Bahia.


b) O verbo ir constrói-se com PARA, quando houver idéia de permanência:

Se for eleito, ele irá para Brasília.


c) Quando indicam o meio de transporte no qual se chega ou se vai, então sim exigem EM:

Cheguei no ônibus da Unesul.

A delegação irá no vôo 300.


5) A preposição, quando exigida, nem sempre aparece depois do verbo, como nos exemplos até aqui relacionados. Às vezes, ela pode ser empregada antes do verbo, bastando. para isso, inverter a ordem dos elementos da frase:

Na Rua dos Bobos, nº 0, residia um grande poeta.


Outras vezes, ela deve ser empregada antes do verbo o que acontece nas orações iniciadas pelos pronomes relativos, principalmente que, quem, qual e cujo:

A moça de que gostava partiu com outro.

As pessoas em quem confiou traíram-no.

Os ideais a que aspira são nobres.

A rua na qual está situada a empresa é das mais movimentadas.


Nesse caso, há um artificio muito prático para identificar a preposição exigida: basta tomar o verbo e construir uma frase em ordem direta, substituindo o pronome por um substantivo:


Ele gostava da (de + a) moça.

Ele confiou nas (em + as) pessoas.

Ele aspira aos (a + os) ideais.

Ela está situada na (em + a) rua.


6) O, A, OS, AS x LHE, LHES

Sabemos que os pronomes oblíquos átonos são: me, te, se, lhe, lhes, o, a, os, as, nos, vos. Pois bem, os pronomes me, te, se, nos e vos tanto podem ser objeto direto quanto objeto indireto, não havendo, portanto, dificuldade no seu emprego, em se tratando de regência.

Mas os pronomes o, a, os, as só podem ser objeto direito, e os pronomes lhe, lhes, objeto indireto. Não se pode, por conseguinte, empregar um pelo outro. Está errado dizer:


Eu lhe vi no cinema.


Pior ainda fica, se a frase tem outro objeto indireto:


Em nosso estabelecimento, técnicos especializadas vão ajudar-lhe a construir sua casa.

É claro que o correto é substituir o lhe(s) por o(s) ou a(s):


Eu a vi no cinema.

Em nosso estabelecimento, técnicos especializadas vão ajudá-lo a construir sua casa.

Assim, se o verbo é daqueles que admitem dois objetos, o pronome a empregar será sempre o oposto ao objeto expresso de outra forma. Vejamos:

O orador dirigiu o olhar às galerias.

(O orador dirigiu-lhes o olhar.)

(O orador dirigiu-o às galerias.)


É até mesmo possível representar os dois objetos pelos pronomes ao mesmo tempo:

O orador disse a verdade ao público.

(O orador disse-lha.)


Observação:

A estratégia para certificar-se quanto ao pronome e usar é a seguinte: substituir o pronome por uma substantivo: se o substantivo vier sem preposição (objeto direto), põe-se o, a , os ou as (objeto direto), fazendo a concordância; se o substantivo vier com preposição (objeto indireto), põe-se lhe ou lhes (objeto indireto):

Convidou-os para a festa.

(Convidou o panaca para a festa.)

Estas conquistas não lhe pertencem.

(Estas conquistas não pertencem ao panaca.)


7) Dois ou mais verbos de regências diferentes não podem ser empregados com o mesmo complemento:

Os alunos leram, o não gostaram do livro.

O povo quer, aspira e precisa de ajuda.


Essas frases corrigem-se assim:

Os alunos leram o livro, e não gostaram dele.

O povo quer ajuda, aspira a ela e precisa dela.


É claro que, se os verbos têm a mesma regência, o complemento pode ser comum a todos:

Comprou, leu e, depois, vendeu o livro.


Para verificar a regência em tais casos, basta construir frases isoladas com cada verbo:

O povo quer ajuda.

O povo precisa de ajuda.

O povo aspira à ajuda.


8) Embora não sejam questões de regência verbal, é oportuno lembrar três tipos de construções que freqüentemente aparecem erradas:


a) "Entre eu e tu não há diálogo."


Havendo preposição, não se empregam os pronomes retos eu e tu, mas sim os pronomes oblíquos tônicos mim e ti.

O certo é:

Entre mim e ti não há diálogo.

Já não existe relação entre Paula e mim. Para mim e Paula surgiu outro caminho.


b) "Esta laranja é para mim chupar."

Na comparação com o item anterior, essa construção parece correta; entretanto, agora, o pronome a empregar deve ser eu, porque há um verbo no infinitivo depois, do qual o pronome reto é sujeito:

Esta laranja é para eu chupar.

Tal tarefa deve ser para tu fazeres.

c) "Está na hora do espetáculo começar."

Quando, depois de um elemento introduzido por preposição, houver um verbo no infinitivo, a preposição deve ser desmembrada do artigo ou do pronome:

Está na hora de o espetáculo começar.

Apesar de eles discordarem de mim, respeitam minha opinião.


REGÊNCIA NOMINAL


A regência nominal verifica-se com nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) de sentido incompleto.


Se dissermos, por exemplo, “Ele tem necessidade” logo perguntaremos: “Necessidade de quê?” Isso prova que a palavra “necessidade” não tem uma significação completa. Ela tem necessidade de algo mais que a explique - o COMPLEMENTO NOMINAL, que vem sempre precedido de preposição.


Exemplos:


- Acostumado a, com

Acostumado à vida do campo estranhou a cidade

Ela não está acostumada com essas coisas.


- Ansioso de, por:

Estamos ansiosos de ver o mar.

Ele está ansioso por dias melhores.


- Assíduo a, em:

Ele é assíduo às aulas.

Assíduo no cumprimento de suas tarefas.


- Isento de:

Estou isenta de culpa.


- Nocivo a:

O fumo é nocivo à saúde:


- Antipatia a, por:

É grande a minha antipatia às tarefas cansativas.

Sinto antipatia pelo esforço.


- Amor a, de, para com, por:

Amor aos estudos.

O amor do povo anima as autoridades.

Amor para com os filhos.

Confessou seu profundo amor por ele.


- Acesso a:

A estrada dá acesso à praia.


- Atenção a:

Prestaram atenção ao que foi explicado.


- Obediência a:

Devemos obediência aos mais velhos.


- Preferível a:

Isto é preferível àquilo.


- Imbuído de, em:

Estava imbuído de más intenções.

Está imbuído em fantasias.


- Propenso a, para:

Era propenso aos estudos.

Era propenso para o mal:

Os substantivos e adjetivos pertencentes ao mesmo radical dos verbos têm a regência destes:

Devemos obedecer às leis.

Devemos obediência às leis.

Somos obedientes às leis.



TESTES


1) Embora ............ conhecesse há pouco tempo, estimava-........... muito e até já principiava a ............ bem.

a) o - lhe - querer-lhe

b) o - o - querer-lhe

c) o - o - querê-lo

d) lhe - lhe - querê-lo

e) lhe - lhe - querer-lhe


2) A honestidade .......... sempre procedera tornava-.......... imune .......... tais acusações.

a) que - lhe - o

b) com que - o - a

c) com que - lhe - de

d) em que - o - de

e) de que - o - a


3) Como afirmam os ecólogos, é preferível um pássaro voando ............ dois na mão.

a) de que

b) do que

c) a

d) à

e) que


4) Os filmes ......... assistia não eram aqueles ........... mais gostava.

a) a que - de que

b) aos quais - que

c) que - que

d) que - dos quais

e) a que - que


5) Forçaram- ........... persistir ............ campanha, embora isso implicasse ............ comprometimento de seus ideais.

a) lhe a - daquela - o

b) no em - naquela - no

c) no a - naquela - o

d) lhe a - naquela - no

e) Ia à - com aquela - no


6) Os ideais ............ aquela sociedade se subordinava e os princípios ......... estavam retratados na obra do escritor ............ acabamos de mencionar.

a) a que - que obedecia - que

b) a que - que obedeciam - a que

c) a que - a que obedecia - que

d) que - aos quais obedeciam - a que

e) que - que obedeciam - a que


7) Preferem .................. ................ tipos de brinquedos.

a) mais as pedrinhas - do que outros

b) mais as pedrinhas - a outros

c) as pedrinhas - do que outros

d) as pedrinhas - a outros

e) mais as pedrinhas - que outros


8) Você não irá hoje. Informo-................ ................ sua ida foi adiada.

a) o - que

b) lhe - de que

e) te - de que

d) lhe - que

e) te - que


9) Sua assiduidade ............ aulas espantava os que ............. haviam conhecido a anterior desconsideração ............ estudo.

a) às - lhe - ao

b) às - o - para com

c) nas - o - para o

d) nas - o - pelo

e) as - lhe - do


10) Acometeu- ............ uma sensação desagradável, como já ........... sucedera um dia, de algo subjacente ........... consciência, uma espécie de sentimento de culpa.

a) o - se - na

b) o - lhe - à

e) lhe - o - à

d) lhe - lhe - sob a

e) o - se - sob a


11) Os alunos reclamaram ............ horário que ............ estão obrigando a cumprir, por ........... prejudicial.

a) o - lhes - julgar-lhes

b) o - o - julgá-lo

c) do - os - julgá-lo

d) do - lhes - julgar-lhe

e) do - os - julgá-los


12) Aspirava ............. cargo, mas foi preterido ............. outro candidato com maiores aptidões ............ tarefa.

a) ao - por - para a

b) ao - a - a

c) pelo - por - na

d) o - a - na

e) o - pelo - para a


13) Ela não ..........., mas admirava- ..........., queria- .......... muito bem e obedecia- .......... cegamente.

a) o compreendia - o - lhe - lhe

b) compreendia-o - lhe - lhe - o

c) o compreendia - o - o - lhe

d) compreendia-lhe - o - o - o

e) lhe compreendia - lhe - lhe - lhe

14) Informando- ........... do sucesso alcançado, felicitou- ............ pela brilhante vitória e abraçou-............. com entusiasmo.

a) lhe - lhe - o

b) lhe - o - o

c) o - o - o

d) o - o - lhe

e) o - lhe - o


15) Na literatura, há livros ............. autoria não temos provas concretas, levando em consideração as informações ............ dispomos.

a) de cuja a - de que

b) cuja - que

c) cuja - de que

d) de cuja - de que

e) cuja - que


16) Imbuído ............ suas reais capacidades e apoiado ............... sua boa formação técnica, considerava-se apto ............. cargo.

a) em - de - ao

b) de - em - para o

c) por - a - pelo

d) com - sobre - para com o

e) por - de - do


17) A única frase que está de acordo com a língua culta, no que se refere à regência, é:

a) Ele é o cronista a que mais aprecio

b) Recebeu os passaportes a que o embaixador tinha visado.

c) O convite a que prazerosamente acedi alegrou-me muito.

d) Estes são os livros cuja leitura tanto gosto.

e) Os momentos difíceis por que atravessou não o desanimaram.


18) Na infância, tratou- ............ com dureza. Apresentou- .............. aos contos de Edgar Poe e escutava- ............. com muita atenção.

a) lhe - lhe - lhe

b) o - o - o

c) o - o - lhe

d) lhe - lhe - o

e) o - lhe - o


19) Ela .............. amava, perdoava- ............. as faltas o defendia- ............ contra o mundo de revólver na mão.

a) lhe - lhe - o

b) o - o - lhe

c) o - o - o

d) o - lhe - o

e) lhe - lhe - lhe


20) Fulano de Tal, residente ........... Rua do Arvoredo, nº 300, solicitou que ............ enviássemos amostras destes produtos.

a) na - lhe

b) a - lhe

c) à - lhes

d) a - lhes

e) à - lhe


RESPOSTAS

1– B 2– B 3– C 4– A 5– C 6– C 7– D 8– D 9– A 10– B 11– C 12– A 13– A 14– C 15– D 16– B 17– C 18– B 19– D 20– A



CRASE


I - CONCEITO


Por hora, fiquemos com este conceito:

Crase é a fusão, a sobreposição de dois as, comumente preposição e artigo feminino.

a + a (s) = à(s)


Nota:

Para melhor compreensão deste assunto, é conveniente revisar os conceitos de artigo e preposição, os quais se encontram no capítulo da MORFOLOGIA (classes gramaticais).


II - CASOS EM QUE NÃO EXISTE ARTIGO, SENDO O “ A” APENAS PREPOSIÇÃO


1. Antes de palavra masculina:

Voltamos a pé.

O artigo feminino não pode estar antes de palavra masculina.


2. Antes de artigo indefinido (um, uma):

Entregou-se a uma pessoa leviana.

Não pode haver, diante de um substantivo, ao mesmo tempo, um artigo definido (a) e um indefinido (uma).


Observações:

Antes de uma poderá haver crase em duas hipóteses:

a) quando “uma” for numeral, caso em que é possível substituí-lo por “duas”:

Ele chegou à uma hora.

Ele chegou às duas hora.

b) na expressão à uma, significando “ao mesmo tempo”:

Todos à uma começaram a vaiar.


3. Antes de verbo:

Limita-se a cantar sambas.


Pode-se usar artigo antes de verbo (quando for substantivo), mas esse artigo será o masculino (Gosto de ouvir o cantar dos pássaros), nunca o feminino.


4. Antes de pronomes, exceto os possessivos (ver o item V):

Devo a ela minha aprovação. (pessoal reto)

Glória a ti, que soubeste vencer! (pessoal oblíquo)

Não me dirijo a qualquer pessoa. (indefinido)

Dedicou a vida a essa causa. (demonstrativo)

Solicito a V.Ex.ª um despacho favorável. (tratamento)

A quem te referes? (interrogativo)


Antes desses pronomes jamais aparece artigo.


Observação:

Os pronomes de tratamento senhor, senhora e senhorita admitem artigo, podendo ser encarados, para efeito de crase, como palavras comuns (item IV).

Antes de pronomes relativos pode haver crase (item VII).


5. Quando a palavra que vem após o a (preposição invariável) estiver no plural:

Dedicava-se a causas nobres.

Se houvesse o artigo, esse deveria concordar com “causas”, e o s apareceria.


Muita atenção para este caso: trata-se de um a (preposição simples, sem s) e de uma palavra no plural (com s). Se tivéssemos escrito “Dedicava-se às causas nobres”, a construção seria outra na forma e no sentido, e a solução é a do caso comum (item IV).


6. Antes do sujeito:

Chegou a hora de resolver isso.

Ouvem-se, ao longe, as vozes dos animais.


Antes do sujeito, jamais haverá preposição.


III - CASO EM QUE NÃO EXISTE PREPOSIÇÃO, SENDO O “A(S)” APENAS ARTIGO


- Quando, antes do a(s), houver uma preposição:

Insurgiu-se contra as autoridades.

Compareceu perante a comissão de inquérito.

Houve desavenças entre as partes.

O concerto foi marcado para as 21 horas.

As palavras contra, perante, entre e para, como já vimos, são preposições; não poderia haver outra, a preposição a, junto ao artigo.


Observação:

Até, quando significa mesmo, ainda, é advérbio; por isso, pode haver crase depois dele:

O bom leitor dá atenção até às vírgulas.








IV - CASO COMUM DE CRASE


1. Quando é que, “sobre” a preposição, está o artigo, caracterizando a crase?

Na prática, é muito simples fazer essa verificação; basta aplicar o seguinte artifício:

Substitui-se a palavra feminina que estiver depois do a(s) por uma masculina, respeitando a estrutura da frase. Então:


a) se, no lugar do a(s), aparecer ao(s), haverá preposição e artigo; portanto, crase:

Não foi à festa das amigas.

(Não foi ao baile das amigas.)

Disse às amigas que estava resfriado.

(Disse aos amigos que estava resfriado.)


As combinações ao e aos que aparecem nos artifícios provam a existência das contrações à e às (crase) nos exemplos.


  1. se, no lugar do a(s), aparecer o(s), não haverá preposição e, evidentemente, não haverá crase:


Vendeu a casa em que morava.

(Vendeu o prédio em que morava.)

Perdi as peças do jogo.

(Perdi os dados do jogo.)

Os artigos o e os dos artifícios provam que a e as dos exemplos não passam também de simples artigos definidos.


c) se, ao substituir-se a palavra feminina por uma masculina, permanecer, antes desta, a, isso quer dizer que ele será apenas preposição.

Escreveu o bilhete a máquina.

(Escreveu o bilhete a lápis.)

Estávamos face a face.

(Estávamos rosto a rosto.)


Observação:

Como o artifício prova, essas expressões repetidas (“cara a cara”, “boca a boca” etc.) jamais apresentam crase.


2. Outros exemplos com respectivos artifícios:

- Escreveu à mãe, pedindo a grana de que precisava.

(Escreveu ao pai, pedindo o dinheiro de que precisava.)

- Minha boa mãe, devo à senhora as maiores alegrias da vida.

(Meu bom pai, devo ao senhor os maiores prêmios da vida.)

- À esquerda, navegava um barco a vela.

(Ao lado, navegava um barco a vapor.)

- Andava às cegas à cata de amigas; por isso, só encontrou as infelizes.

(Andava aos trambolhões ao encalço de amigos; por isso, só encontrou os infelizes.)

- Bebeu toda a cerveja, mas não aplacou a sede que, às vezes, lhe invadia a alma dilacerada.

(Bebeu todo o vinho, mas não aplacou o sofrimento que, aos ensejos, lhe invadia o coração dilacerado.)


3. Às vezes, como no último exemplo, surge certa dificuldade para fazer a substituição, ou porque não se encontra uma palavra masculina que agrade, ou porque a expressão em que está o a(s) não tem similar com masculino.

No primeiro caso, basta dizer que a palavra masculina não precisa guardar qualquer relação de sentido com a palavra feminina; o que interessa manter é a construção, a mesma estrutura frasal.

Por exemplo: “Dirigiu-se à feira.”

O artifício poderia ser: “Dirigiu-se ao mercado.”

Mas também poderia ser: “Dirigiu-se ao cinema”, “Dirigiu-se ao encontro”, “Dirigiu-se ao inferno.


No segundo caso, ou seja, quando não há similar com masculino, a solução é familiarizar-se com tais expressões, que não são muitas.


Eis as mais freqüentes:


à baila

à gandaia

à procura de

às tontas

à bessa

à grande

à regalada

às vezes

à bica

à guisa de

às apalpadelas

à superfície

à bruta

à larga

às avessas

à testa de

à busca de

à luz de

às boas

à toa

à cata de

à maneira de

às carradas

à tona

à custa de

à mão

às cegas

à traição

à disposição

à míngua

às claras

à unha

à espera de

à mercê de

às escondidas

à vela solta

à força

à mostra

às ocultas

à vista

à frente

à parte

às pressas

à vontade


4. Em duas circunstâncias, a palavra feminina a substituir está subentendida:


a) Fui à Marco Polo

Refere-se à Globo.

b) Estava vestido à indiana.


Ainda há quem escreva à Vieira.

No primeiro caso, é uma palavra de natureza genérica (“empresa”, “livraria”, “companhia”, “construtora”, “oficina” etc.) a que pertence o nome próprio.

Assim:

Fui à empresa Marco Pólo

Refere-se à Livraria do Globo.


O artifício provaria:

Fui ao reduto Marco Polo.

Refere-se ao livreiro do Globo.


No segundo caso, subentende-se a palavra “moda”:

Estava vestido à moda indiana.

(Estava vestido ao jeito indiano.)

Ainda há quem escreve à moda de Vieira.

(Ainda há quem escreva ao estilo de Vieira.)


5. Crase antes de hora.

Caso interessante ocorre quanto à crase antes de horas, não por ser realmente um caso à parte, mas pelos inúmeros ditos e até escritos estapafúrdios que sobre isso surgem. Na realidade, não há nada de novo a acrescentar. O que foi dito até aqui vale também para esse caso. Assim, antes de horas, pode ou não haver crase, bastando aplicar os mesmos recursos:

Compareceu às 10 horas.

(Compareceu aos 10 minutos.)

À 1 hora, irá ao encontro.

(Aominuto, irá ao encontro.)

Virá daqui a uma hora.

(Virá daqui a um minuto.)

A reunião estava marcada para as 10 horas.

(“Para” é preposição. Item III).

Os bancos deveriam abrir das 10 às 16 horas.

(Os bancos deveriam abrir dos 10 aos 16 minutos.)


V - CASOS FACULTATIVOS


1. Antes dos Pronomes Possessivos

O emprego do artigo antes desses pronomes é facultativo.

Por isso, diz-se que a crase antes deles é facultativa. É, mas em certa circunstância e nada mais.

Comecemos por examinar estes exemplos:

a) Dirigiu-se humildemente a seu pai.

b) Disse não dever nada a seus irmãos.

c) Disse não dever nada a suas irmãs.


Pelas razões expostas no item II (1 e 5), em nenhuma dessas frases existe artigo, não se caracterizando, portanto, a crase. Se quisermos dispor da faculdade de usar os artigos, teremos:

a) Dirigiu-se humildemente ao seu pai.

b) Disse não dever nada aos seus irmãos.


E, obrigatoriamente:

c) Disse não dever nada às suas irmãs.


Na última frase, existe a preposição (quem deve, deve algo a alguém), e passou a existir o artigo, comprovado pelo s; portanto, existe a crase indicada.


Vejamos, agora, estes exemplos:

a) Por que vendeste a tua casa?

  1. Não me interessam as tuas angústias.


Aqui, a indicação da crase nem é facultativa nem é obrigatória: é proibida, porque não há preposição, mas apenas artigos facultativamente usados. Tanto que poderíamos escrever:


a) Por que vendeste tua casa?

b) Não me interessam tuas angústias.


Examinemos, enfim, os exemplos seguintes:

a) Dirigiu-se humildemente a sua mãe.

b) Dirigiu-se humildemente à sua mãe.


Ambos estão certos, porque existe a preposição (quem se dirige, dirige-se a alguém), e o artigo é facultativo, sendo facultativa a indicação de crase.


Conclusão:

Para haver crase facultativa antes de possessivo, é preciso que ele esteja no feminino singular e que haja preposição. Nos demais casos, ou a crase é proibitiva ou é obrigatória.


2. Antes de Antropônimos (nomes de pessoas) Femininos

Sendo o uso do artigo facultativo antes dos nomes próprios de pessoas, é facultativo o uso da crase, bastando que o nome seja feminino e que haja preposição.

a) Pediu um empréstimo a Helena.

b) Pediu um empréstimo à Helena,.


Evidentemente, sem preposição não se admite crase.

Vi a Helena no cinema.


Neste caso, o que se pode fazer é não usar o artigo, mas jamais indicar crase.

Vi Helena no cinema.


O artifício de substituir por nome masculino funciona aqui da seguinte maneira: surgindo a ou ao, a crase é facultativa; aparecendo o ou nada, é proibida.


VI - CASO DOS TOPÔNIMOS (nomes de localidades)


Se o topônimo admite artigo feminino e houver preposição, haverá crase:

Referiu-se à França.


Mas se o topônimo não admite artigo, de forma nenhuma haverá crase:

Disse que iria a Paris.


O recurso para verificar se o nome da localidade admite ou não artigo é colocá-lo no início de uma frase qualquer, em função de sujeito.

A França possui muitos monumentos famosos.

A Bahia é a terra de Castro Alves.

Paris é centro cultural.

Santa Catarina progrediu muito.


França e Bahia admitem artigo; Paris e Santa Catarina rejeitam-no.

Observe bem que o fato de o nome da localidade admitir artigo não é a razão suficiente para a existência da crase;é imprescindível que haja também a preposição:

Percorreu a Itália de automóvel.

Fazia à Itália os maiores elogios.

Itália admite artigo (A Itália exporta gente), mas só no segundo exemplo há também a preposição.

Cumpre destacar que todo topônimo acompanhado de um elemento determinante admite artigo. Roma não admite artigo (Roma era dissoluta), porém, se colocarmos ao seu lado o determinante antiga ou dos césares etc., passará a aceitá-lo.

A Roma antiga era dissoluta.

A Roma dos césares era dissoluta.

Por conseguinte, há crase em frases como:

Referiu-se à Roma antiga.

Devemos muito à Roma dos césares.


VII - CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM O PRONOME DEMONSTRATIVO A(S) antes DE QUE, QUEM, QUAL, QUAIS E DE


Nada parece mais difícil aos leigos do que reconhecer a crase antes do que, quem, qual, quais (pronomes) e de (preposição). Isso é, todavia, talvez mais fácil do que nos outros casos. Bastará aplicar o mesmo artifício de substituição da palavra feminina por uma masculina, com a diferença de que, nesse caso, a palavra a ser substituída estará antes do a(s) e não depois.


Exemplos:

1) A rua a que nos dirigimos é paralela à que te referes.

(O rio a que nos dirigimos é paralelo ao que te referes.)

2) A casa de Maria é semelhante à que pretendo construir.

(O lar de Maria é semelhante ao que pretendo construir.)

3) A reunião à qual não compareceste terminou cedo.

(O encontro ao qual não compareceste terminou cedo.)

4) As obras recentemente iniciadas, às quais se destinou vultosa verba, serão concluídas antes do prazo.

(Os prédios recentemente iniciados, aos quais se destinou vultosa verba, serão concluídos antes do prazo.)

5) A sabedoria de certos homens é igual à dos burros.

(O saber de certos homens é igual ao dos burros.)

Observações:

1) No caso do que, ao aplicar o artifício, é preciso tomar cuidado para não substituí-lo por qual ou quais, pois isso dará solução errada.

Esta é a obra a que me dedico.

Artifício certo: Este é o livro a que me dedico.

Artifício errado: Este é o livro ao qual me dedico.

2) O de pode estar combinado com outras classes, o que em nada altera a regra.

Minha opinião é oposta à daqueles que fazem a guerra.

(Meu parecer é oposto ao daqueles que fazem a guerra.)

3) Antes de quem, que entrou aqui por uma questão didática, nunca aparece crase.

Esta é a moça a quem dedicou seus poemas.

(Este é o povo a quem dedicou seus poemas.)


VIII - CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM O A INICIAL DE AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO.


O pronome demonstrativo aquele e suas variantes pode contrair-se com a preposição :

a + aquele(s) = àquele(s)

a + aquela(s) = àquela(s)

a + aquilo = àquilo.


Como verificar a existência dessa preposição nas frases?


É só substituir aquele(s), aquela(s) ou aquilo por este(s), esta(s) ou  isto. Se, na substituição, aparecer um a, será a preposição, comprovando a existência da crase.


O que dizer àqueles que não escutam?

(O que dizer a estes que não escutam?)

Àquela que vencer daremos uma viagem.

(A esta que vencer daremos uma viagem.)

Referiu-se àquilo como coisa certa.

(Referiu-se a isto como coisa certa.)


Se nada aparecer antes de este(s), esta(s) ou isto, não haverá crase “sobre” aquele(s) , aquela(s) ou aquilo.


Percorria aqueles caminhos com desenvoltura.

(Percorria estes caminhos com desenvoltura.)

Eram muito tristes aquelas cenas da guerra.

(Eram muito tristes estas cenas de guerra.)

Aquilo não era coisa que se fizesse.

(Isto não era coisa que se fizesse.)


TESTES


1) O Ministro informou que iria resistir ....... pressões contrárias ..... modificações relativas ..... aquisição da casa própria.

a) às - àquelas - à

b) as - aquelas - a

c) às - àquelas - a

d) às - aquelas - à

e) as - àquelas - à


2) A alusão ....... lembranças da casa materna trazia......... tona uma vivência .......... qual já havia renunciado.

a) às - a - a

b) as - à - há

c) as - a - à

d) às - à - à

e) às - a - há


3) Use a chave ao sair ou entrar ............................... 20 horas.

a) após às

b) após as

c) após das

d) após a

e) após à

4)....... dias não se consegue chegar .......... nenhuma das localidades ........ que os socorros se destinam.


a) Há - à - a

b) A - a - à

c) À - à - a

d) Há - a - a

e) À - a - à




  1. Fique .......... vontade; estou........... seu inteiro dispor para ouvir o que tem ................ dizer.

a) a - à - a

b) à - a - a

c) à - à - a

d) à - à - à

e) a - a - a


6) No tocante............. empresa ......... que nos propusemos ........... dois meses, nada foi possível fazer.

a) àquela - à - à

b) aquela - a - a

c) àquela - à - há

d) aquela - à - à

e) àquela - a - há


7) Chegou-se .............. conclusão de que a escola também é importante devido ........merenda escolar que é distribuída gratuitamente......... todas as crianças.

a) à - à - à

b) a - à - a

c) a - à - à

d) à - à - a

e) à - a - a


8) A tese..............aderimos não é aquela........defendêramos no debate sobre os resultados da pesquisa.

a) a qual - que

b) a que - que

c) à que - a que

d) a que - a que

e) a qual - a que


9) Em relação ........... mímica, deve-se dizer que ela exerce função paralela ...... da linguagem.

a) a - a

b) à - à

c) a - à

d) à - aquela

e) a - àquela


10) Foi ......... mais de um século que, numa reunião de escritores, se propôs a maldição do cientista que reduzira o arco-íris ......... simples matéria: era uma ameaça ........poesia.

a) à - a - a

b) há - à - a

c) há - à - à

d) a - a - a

e) há - a - à


11) A estrela fica ........ uma distância enorme, ......... milhares de anos-luz, e não é visível ......... olho nu.

a) a - à - à

b) a - a - a

c) à - a - a

d) à - à - a

e) à - a - à


12) Estava .......... na vida, vivia ............ expensas dos amigos.

a) atoa - as

b) a toa - à

c) atôa - às

d) à toa - às

e) à toa - as


13) Estavam .......... apenas quatro dias do início das aulas, mas ele não estava disposto ............. retomar os estudos.

a) há - à

b) a - a

c) à - a

d) há - a

e) a - à


14) Disse ... ela que não insistisse em amar........ quem não ......... estimava.

a) a - a - a

b) a - a - à

c) à - a - a

d) à - à - à

e) a - à - à


15) Quanto ........ suas exigências, recuso-me ......... levá-las ........... sério.

a) às - à - a

b) a - a - a

c) as - à - à

d) à - a - à

e) as - a - a


16) Quanto .......... problema, estou disposto, para ser coerente ........... mesmo, .......... emprestar-lhe minha colaboração.

a) aquele - para mim - a

b) àquele - comigo - a

c) aquele - comigo - à

d) aquele - por mim - a

e) àquele - para mim - à


17) A lâmpada ............. cuja volta estavam mariposas ......... voar, emitia luz ......... grande distância.

a) a - à - à

b) à - a - à

c) a - à - a

d) a - a - a

e) à - a - a


18) Aquela candidata ............ rainha de beleza, quando foi ...... televisão, pôs-se ........ .roer as unhas.

a) à - à - a

b) à - a - à

c) a - a - à

d) à - à - à

e) a - à - a


19) Eis o lema ......... sempre obedecia: ódio .... guerra e aversão ...... injustiças.

a) à que - à - as

b) à que - à - às

c) a que - à - às

d) a que - à - as

e) a que - a - as


20) Faltou ....... todas as reuniões e recusou-se .........obedecer ............ decisões da assembléia.

a) a - a - as

b) a - a - às

c) a - à - às

d) à - a - às

e) à - à - às


21) Expunha-se....... uma severa punição, porque as ordens ........ quais se opunha eram rigorosas e destinavam-se .......... funcionárias daquele setor.

a) a - as - às

b) à - às - as

c) à - as - às

d) à - às - às

e) a - às - às


22) ........... alguns meses o ministro revelou-se disposto ......... abrir ........ discussões em torno do acesso dos candidatos e dos partidos .......... televisão.

a) A - a - as - à

b) Há - a - às - a

c) A - à - às - a

d)Há - à - as - à

e) Há - a - as - à


23) ............. Igreja cabe propugnar pelos princípios éticos e morais que devem reger......... vida das comunidades, enquanto ....... política deve visar ao bem comum.

a) A - à - à

b) À - a - a

c) À - à - a

d) À - à - à

e) A - a - a



RESPOSTAS

1- A 2- D 3- B 4- D 5- B 6- E 7- D 8- B 9- B 10- E 11- B 12- D 13- B 14- A 15- B 16- B 17- D 18- E 19- C 20- B 21- E 22- E 23- B


COLOCAÇÃO DOS

PRONOMES OBLÍQUOS

ÁTONOS


Lista:

me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos, vos.

Posições:


PRÓCLISE: antes do verbo.

Nada se perdeu.

MESÓCLISE: no meio do verbo.

Dirigir-lhe-emos a palavra.

ÊNCLISE: depois do verbo.

Fugiram-nos as palavras.


I - REGRAS DE COLOCAÇÃO NAS FORMAS FINITAS


Nota: Formas finitas do verbo são todas as do MODO INDICATIVO, MODO SUBJUNTIVO E IMPERATIVO.

As formas infinitas são o GERÚNDIO, PARTICÍPIO E INFINITIVO (pessoal e impessoal).


PRÓCLISE


1. Estamos obrigados a colocar o pronome oblíquo em posição de próclise quando, antes e na mesma oração do verbo em que ele (o pronome) se apóia, existir qualquer uma das cinco classes gramaticais seguintes:

a) conjunção subordinativa;

b) pronome relativo;

c) pronome interrogativo;

d) pronome indefinido;

e) advérbio (não seguido de vírgula).

O homem produz pouco, quando se alimenta mal.


Próclise, porque, antes do verbo alimenta, está a conjunção subordinativa quando que a exige. Observe-se que esse quando está na mesma oração do verbo em que se apóia o pronome se.

1ª Oração: o homem produz pouco

2ª Oração: quando se alimenta mal

Veja-se, agora, este outro exemplo:

O homem produz pouco, quando, pela ausência de diversidade de culturas agrícolas e pela falta de orientação, se alimenta mal.


A palavra quando, embora não esteja imediatamente antes do verbo, continua a exigir próclise, porque está na mesma oração do verbo alimenta.

1ª Oração: O homem produz pouco

2º Oração: quando, pela ausência de diversidade de culturas agrícolas e pela falta de orientação, se alimenta mal.

Tomemos, finalmente, o seguinte exemplo:

O homem que trabalha realiza-se.

Não deve ser próclise? Não! O pronome relativo que, embora esteja antes do verbo realiza, não está na mesma oração deste:

1ª Oração: O homem realiza-se

2ª Oração: que trabalha

Concluímos, pois, que não basta a palavra de força atrativa estar antes do verbo em que se apóia o pronome oblíquo; é necessário também que pertença à mesma oração do verbo.

Se, antes do verbo, existir advérbio, este exigirá próclise, quando não estiver seguido de vírgula:

Aqui se resolvem todos os problemas.

Mas:

Aqui, resolvem-se todos os problemas.


Resulta disso que as frases negativas se constroem, quase sempre, com próclise:

Não nos negou apoio.


2. Se o sujeito estiver logo antes do verbo, a próclise será facultativa:


Ele se feriu. ou Ele feriu-se.

O homem se supera. ou O homem supera-se.

Isto nos interessa. ou Isto interessa-nos.

Eu te avisarei. ou Eu avisar-te-ei.

Nota: Essa faculdade não pode contrariar a REGRA 1. Se o sujeito for um pronome indefinido, a próclise será obrigatória:

Ninguém me convencerá.

Tudo se fez em prol da causa.


3. Faz-se próclise também nas orações optativas (orações que exprimem desejo):

Bons olhos o vejam!

Deus te ajude!

Bons ventos o levem!


MESÓCLISE


Respeitadas as regras estabelecidas para a próclise, far-se-á mesóclise, caso o verbo esteja no FUTURO DO PRESENTE (cantarei, procuraremos, direis, amará etc.) ou no FUTURO DO PRETÉRITO (cantaria, procuraríamos, diríeis, amaria etc.).


Procurar-te-emos no escritório.

Diante de uma platéia educada, cantar-se-ia melhor.

Os amigos sinceros lembrar-nos-ão um dia.


Ênclise

Nos demais casos.



II - REGRAS DE COLOCAÇÃO NAS FORMAS INFINITAS


GERÚNDIO

¾ precedido em “EM” ou de advérbio não-virgulado: PRÓCLISE

¾ demais casos: ÊNCLISE


Em o convidando, fez o governo justiça.

Usaremos essa técnica, pouco nos interessando o que a crítica possa dizer.

Ele falou francamente, revelando-nos a verdade.


INFINITIVO IMPESSOAL

¾ negativo ou precedido de qualquer proposição: PRÓCLISE OU ÊNCLISE

¾ demais casos: ÊNCLISE


Para te dizer a verdade, não sei se ele virá. ou

Para dizer-te a verdade, não sei se ele virá.

Sua intenção era não se contrariar. ou

Sua intenção era não contrariar-se.


INFINITIVO PESSOAL

- sempre PRÓCLISE


Para nos realizarmos, devemos seguir nosso ideal.

PARTICÍPIO

  • jamais aceita ÊNCLISE.


III - ÊNCLISE DOS PRONOMES “O”, “A”, “OS” e “AS”


1. Se a forma verbal termina por R, S ou Z, suprime-se esse R, S ou Z e antepõe-se L ao pronome oblíquo:


procurar + o = procurá - lo

dissestes + o = disseste - lo

diz + o = di - lo


2. Se o verbo termina por um ditongo nasal (ão, õe) ou por m, antepõe-se n ao pronome oblíquo:


dão + o = dão-no

repõe + o = repõe-no

dizem + o = dizem-no


3. Nos demais casos, nada varia.


Observação:

Ao colocar o pronome nos após as formas verbais terminadas em –mos, suprime-se o s:

dirigimos-nos = dirigimo-nos.



TESTES


1) Já ................ de que............ informados; portanto eles ............. tranqüilos.

a) os cientifiquei - os manteremos - devem sentir-se

b) cientifiquei-os - mantê-los-emos - se devem sentir

c) cientifiquei-os - os manteremos - se devem sentir

d) os cientifiquei - mantê-los-emos - devem-se sentir

e) os cientifiquei - manteremo-los - se devem sentir


2) .............................. do bolso os bilhetes que tu ..............................

a) Me desapareceu - me enviaste

b) Me desapareceram - me enviastes

c) Desapareceram-me - me enviaste

d) Desapareceu-me - me enviaste

e) Me desapareceu - enviaste-me


3) Embora não......... as reuniões sociais,................... bem, quando.....................

a) lhe agradassem - se portava - as freqüentava

b) lhe agradassem - portava-se - as freqüentava

c) lhe agradassem - portava-se - freqüentava-as

d) agradassem-lhe - portava-se - freqüentava-as

e) lhe agradassem - se portava - freqüentava-as


4) Em ....................... os bailes dos clubes, ...................... achar que ................ poucos festejos carnavalescos nesta ci-dade.

a) se excluindo - se poderia - fazem-se

b) excluindo-se - poderia-se - se fazem

c) se excluindo - poder-se-ia - se fazem

d) excluindo-se - poder-se-ia - fazem-se

e) se excluindo - poderia-se - se fazem



5) ........................ que tudo..................

a) Se diria - cansava-o

b) Diria-se - o cansava

c) Diria-se - cansava-o

d) Dir-se-ia - o cansava

e) Dir-se-ia - cansava-o


6) Quando............. todos os insucessos na vida das crianças e dos jovens, ............... indivíduos fracos. É bom que ............. apenas os insucessos mais traumatizantes.

a) se afastam - formam-se - se evitem

b) se afasta - forma-se - se evite

c) afastam-se - se formam - se evite

d) se afasta - formam-se - evitem-se

e) se afasta - se forma - se evite


7) Se esse sapato te incomoda, ................. logo, .................. fora.

a) tira-o - põe-no

b) tira-o - põe-o

c) tira-no - põe-no

d) tira-no - põe-lo

e) tira-lo - põe-o


8) O campo estava florido. Dois gaúchos............... silenciosos. Tudo parecia contribuir para ............. felizes e ........... tranqüilidade.

a) percorriam-o - fazer-los - transmitir-lhes

b) percorriam-no - fazê-los - transmiti-lhes

c) percorriam-no - fazer-los - transmiti-lhes

d) percorriam-o - fazê-los - transmitir-lhes

e) percorriam-no - fazê-los - transmitir-lhes


RESPOSTAS

1- A 2- C 3- B 4- C 5- d 6- a 7- a 8- E









PONTUAÇÃO


A VÍRGULA


I - Previsão de Perigo


Toda vírgula indica uma pausa, mas nem todas as pausas admitem vírgulas. Assim, mesmo que pareça haver pausa, é necessário cuidado para não pôr vírgula:


1) Entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e os seus complementos, que são o predicativo, o objeto direto, o objeto indireto e o agente da passiva, na medida em que existam.


SUJEITO

VERBO

COMPLEMENTO(S)

O desenvolvimento agrícola e industrial que se verifica no Brasil

tem sido

insuficiente para o atendimento das necessidades da população.

Os raio alegres do sol

douravam

as copadas dos pinheirais.

A preparação para o vestibular

exige

dos candidatos esforços redobrados.

O comportamento ético do ser humano

obedece

aos ditames da consciência de cada um.

A reforma agrária e a fixação do homem no campo

vêm sendo obstaculizadas

pela obsoleta estrutura fundiária do país.


A DESORDEM NÃO PROVOCA VIRGULA


A inversão da ordem dessas funções não é motivo para separá-las por vírgula:


"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

(Verbo) (sujeito)

de um novo heróico o brado retumbante."

(objeto direto)

2) Antes do E — a não ser que:

a) ligue orações de sujeitos diferentes:

Surgiram novas e revolucionárias idéias, e o mundo cresceu.

A esposa controla os gastos, e o marido cuida das cobranças.

b) seja repetido enfaticamente (polissíndeto):

As boas idéias se afirmam, e ganham adeptos, e fazem revoluções, e conquistam territórios.

c) tenha valor adversativo (= mas):

Fazia tudo errado, e não se envergonhava disso.


3) Antes do QUE, precedido ou não de preposição — a não ser que:

a) inicie uma oração explicativa ou causal (= porque):

Aproveitemos bem os momentos, que a vida é breve.

Ele passou a dedicar-se ao esporte, que tinha horror ao estudo.

b) inicie uma oração consecutiva (depois de "tão", "tal", "tamanho" ou "tanto"):

Tantas eram as incertezas, que resolveram abandonar o projeto.


A VIRGULA NÃO É ENTRE-VIRGULAS


Entre o sujeito e o verbo, ou entre o verbo e o seu complemento, ou, em tese, em qualquer outro lugar do período, podem-se colocar elementos que devem ser postos entre vírgulas, como se estivessem entre parênteses.

Os pássaros, na madrugada primaveril, entoavam hinos à natureza.

Os pássaros entoavam, na manhã primaveril, hinos à natureza.

Esperamos que, entre a intenção e a ação, não decorra tanto tempo.


CUIDADO PARA NÃO COLOCAR APENAS UMA VIRGULA, O QUE É PIOR DO QUE NÃO COLOCAR NENHUMA.


lI - Entre-Vírgulas


Colocam-se entre vírgulas, ou são isolados por uma vírgula no início ou no fim:


  1. O VOCATIVO


Creio, abnegados alunos, que o esforço de vocês será recompensado.

"Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revoltas!"

"Colombo, fecha a porta dos teus mares."

"Levantai-vos, heróis do Novo Mundo."

  1. O APOSTO


Todos aspiram à felicidade, árvore arreada de dourados pomos.

"O cavalo, grande amigo do homem, é sacrificado nos hipódromos."

Nós, os brasileiros, somos imprevidentes.


3) O ADJUNTO ADVERBIAL ANTECIPADO


O Brasil, lamentavelmente, enfrenta graves dificuldades.

Sabemos que, entre os participantes, há vários ativistas.

Durante o ano letivo, faremos várias alusões a isso.


Se o adjunto adverbial for curto, a virgulação é facultativa, isto é, depende de se desejar ou não dar-lhe ênfase:


Existiam, ali, muitas flores.

Existiam ali muitas flores.

Hoje, vive-se com medo.

Hoje se vive com modo.


4) A ORAÇÃO ADVERBIAL INTERCALADA OU ANTECIPADA(DESENVOLVIDA OU REDUZIDA):.


A nação, para que atinja suas metas, precisa da ajuda de todos.

Embora tenhamos muitos artistas, temos pouca arte.

Terminadas as explicações iniciais, passaremos aos exercícios.

O pobre rapaz, ao saber que fora traído, começou a chorar.


5) TODA EXPRESSÃO EXPLICATIVA, CONTINUATIVA, RETIFICATIVA, CONCLUSIVA


Esta alteração, por exemplo, poderia ser evitada.

Nós, por outro lado, estamos dispostos a colaborar.

O grupo estava muito descontente, isto é, reclamava em altos brados.

Estávamos, pois, irremediavelmente comprometidos.





  1. A ORAÇÃO ADJETIVA EXPLICATIVA (NÃO-RESTRITIVA)


Os homens, que são mortais, deveriam ser menos materialistas.

A água, que é um líqüido vital, não deve ser poluída.

Neste Estado, onde faz tanto frio e chove tanto, o homem é mais tenaz.


Observação:

No fim - e apenas no fim - das adjetivas restritivas, se forem longas, ou se dois verbos se juntarem, é tolerável uma vírgula:

Os problemas que os grandes centros urbanos da mundo inteiro acumularam ao longo do seu alucinante crescimento, parecem-nos insolúveis.

As soluções que os técnicos apresentam, exigem recursos imensos.


7) O ADJETIVO EXPLICATIVO


Os adjetivos explicativos indicam um estado geral e podem ser antecipados, sem alterar o sentido da frase:

Os vencedores, alegres, deram a volta olímpica.

Alegres, os vencedores deram a volta olímpica.

Felizes, os vencedores subiram ao pódio.

A moça, serena e tranqüila, procurou seu lugar na sala.

Espera-se que ele, inteligente e honesto, combata a corrupção.


Os adjetivos meramente determinativos restringem e não é possível antecipá-los:

Os atletas solteiros concentraram um dia antes. (Não faria sentido dizer: Solteiros, os atletas concentraram um dia antes.)


8) AS CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS E CONCLUSIVAS DESLOCADAS (Põe-se ponto-e-vírgula onde seria o lugar normal da conjunção.)


Os recursos existem; o homem, porém, não encontra soluções.

Dispomos de potencialidades imensas; conseguiremos, portanto, as soluções.

Estamos em crise; devemos, pois, economizar.


Observação:

As conjunções adversativas (exceto mas) o conclusivas (exceto logo), quando aparecerem em orações que iniciam períodos, igualmente devem ser virguladas:

Entretanto, devemos considerar que o homem é falaz.

Devemos considerar, entretanto, que o homem é falaz.

Portanto, a pena de morte merece o nosso repúdio.

A pena de morte, portanto, merece o nosso repúdio.


9) AS ORAÇÕES INTERCALADAS


Eu venho, disse ele, trazer a paz.

A poesia, explicou o poeta, é a vida metamorfoscada em versos.

Os nossos instintos, e só os inocentes não sabem disto, são os grandes condutores do nosso comportamento.



III - Vírgula Simples


Coloca-se vírgula:


1) ENTRE ELEMENTOS DE MESMA FUNÇÃO, ONDE NÃO HOUVER "E", “OU" ou “NEM"


A verdade, a justiça, a liberdade, a paz, a beleza e a bondade são aspirações dos jovens do mundo inteiro.

"Deixai que o mundo saiba que escolhestes o caminho da verdade, bondade, compaixão, honestidade, amor, perdão e reconciliação."

Trabalhemos com fé, com crença, com convicção.


Observação:

As conjunções "ou" e "nem", quando ligam orações, ou quando vêm repetidas numa enumeração, admitem vírgula:

Ou os homens acabam com as agressões, ou as agressões acabam com eles.

O Ministro não compareceu, nem mandou representante,.

Nem eu, nem tu, nem ela, nem ninguém será inteiramente feliz.


  1. ENTRE AS ORAÇÕES EM GERAL


Faltei ao expediente, pois estava febril.

Lembro-me de ti, quando eu estou nos jardins, porque as flores roubam o teu perfume.

Entrei lentamente, pensando no que deveria dizer àqueles jovens, mas não encontrei palavras que traduzissem minha emoção.


3) PARA INDICAR A SUPRESSÃO DE UM VERBO (ZEUGMA)


Uns conquistam pela simpatia; outros, pela perseverança.

Eu tinha muitos vícios; ela, muitas virtudes.

As árvores fenecem na sombra; os homens, na miséria.


Observe-se que as vírgulas estão, respectivamente, no lugar dos verbos “conquistam”, “tinha” e “fenecem”. Observe-se, ainda, o ponto-e-vírgula entre as duas partes de cada período.


4) ENTRE O NOME DA LOCALIDADE E A DATA


Porto Alegre, 15 de novembro de 1993.

São Paulo, 31-3-64.


5) ENTRE O NOME DE UM LOGRADOURO E O NÚMERO DO PRÉDIO


Rua Dr. Flores, 327.

Av. Carlos Gomes, n.º 467.

Rua M, casa n.º 14.

6) ENTRE O NÚMERO DE UM DOCUMENTO E A DATA


A acentuação gráfica foi simplificada pela Lei n.º 5.765, de 20 de dezembro de 1971.

Em reposta ao seu Ofício n.º 235, de 22 de setembro último, comunicamos que ...


7) DEPOIS DO COMPLEMENTO, QUANDO, ANTEPOSTO, FOR REPETIDO POR UM PRONOME ENFÁTICO (PLEONASMO)


Aos pobres de espírito, tudo se lhes perdoa; aos espertos, tudo se lhes nega.

O chimarrão, os gaúchos gostam de tomá-lo de madrugada.


O PONTO-E-VIRGULA


Usa-se ponto-e-vírgula:


1) PARA SEPARAR PARTES EQUIVALENTES DE UM PERÍODO, BASTANDO QUE UMA DELAS JÁ CONTENHA VÍRGULA


As águas impulsionam as turbinas; as idéias, as massas.

"Uns trabalhavam, esforçavam-se, exauriram-se; outros folgavam, descuidavam-se, não pensavam no futuro."


2) FACULTATIVAMENTE, NO INÍCIO DAS ORAÇÕES ADVERSATIVAS E CONCLUSIVAS


Tenho a vaga impressão de que tudo está acabado; mas sempre resta uma

esperança.

Nosso território possui muitas reservas; logo, sabendo explorá-lo, superaremos as dificuldades.


Observação:

Como já vimos, se as conjunções adversativas ou conclusivas forem deslocadas, o ponto-e-vírgula é obrigatório:

Ele foi muito pressionado; não abandonou, porém, os amigos.

Tenho escassos recursos; não posso, por conseguinte, ajudar-te.


3) PARA SEPARAR OS ITENS DE UMA ENUMERAÇÃO


"Ao funcionário, além do vencimento, serão deferidas as seguintes vantagens:


I - ajuda de custo;

II - diárias;

III - auxílio para diferença de caixa;

IV - abono familiar, nos termos da legislação em vigor;

V - percentagens;

VI - gratificações."


OS DOIS PONTOS


Os dois pontos serão usados:


1) ANTES DAS CITAÇÕES (em geral, depois de "dizer", "responder", "perguntar" ou equivalentes)

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!"

Aristóteles respondeu a seus discípulos: "Meus antigos, não há amigos."

2) NAS ENUMERAÇÕES


As enumerações, em geral, vêm depois da frase que as anuncia; mas, às vezes, podem vir antes.

Estes são os meus amigos: os livros, as árvores, os alunos.

Os livros, as árvores, os alunos: eis os meus amigos.





3) ANTES DE UMA EXPLICAÇÃO, UMA SÍNTESE OU UMA CONSEQÜÊNCIA DO QUE FOI DITO


"Não sou alegre nem sou triste: sou poeta."

"Eu não tenho filosofia: tenho sentimentos.”

"O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde."


O TRAVESSÃO


I - TRAVESSÃO SIMPLES


Emprega-se:


1) NOS DIÁLOGOS, PARA INDICAR A MUDANÇA DE INTERLOCUTOR, E, FACULTATIVAMENTE, ANTES DE CITAÇÕES DE FALAS DE PERSONAGENS, DEPOIS DE DOIS PONTOS

Meu nome é Rodrigo Cambará. Como é sua graça ?

Juvenal Terra.

Mora aqui no povo ?

Moro.


E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos ?"


2) PARA LIGAR PALAVRAS EM COMBINAÇÕES DESTE TIPO:

Ponte Rio—Niterói

Trajeto Osório—Tramandaí—Torres


3) EM SUBSTITUIÇÃO AOS DOIS PONTOS, COM O FITO DE REALÇAR:

"Só levo uma saudade — é dessas [sombras

Que eu sentia velar nas noites minhas..."


II - TRAVESSÃO DUPLO


Emprega-se em lugar das vírgulas, com o objetivo de dar realce a uma intercalação (casos de entre-vírgulas, menos 1, 5 e 8):


"Você há de convir — disse a mãe ines-peradamente ofendida — que se trata de uma coisa rara."


"Somente a Ingratidão — esta pantera —

Foi tua companheira inseparável."


"Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá."


PARÊNTESES


I - A rigor, no texto, os parênteses têm uma aplicação exclusiva: isolam expressões que não encaixam naturalmente na estrutura do período:



"Em outubro de 1930,

Nós fizemos (que animação!)

Um pic-nic com carabinas."


"Mulher proletária — única fábrica

que o operário tem (fábrica filhos)."


A videira tem (curiosa coincidência) longevidade igual à do homem.


2 - Podem (este uso é pouco freqüente) substituir as vírgulas ou o travessão duplo nas intercalações:


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso."

O bem-estar (no sentido social) refere-se à ausência de frustrações coletivas.


TESTES


1. A pontuação está correta em:

a) É esta creio eu, a fita que por motivos políticos, foi censurada.

b) É esta, creio eu, a fita, que por motivos políticos, foi censurada.

c) É esta creio eu, a fita, que, por motivos políticos, foi censurada.

d) É esta, creio eu, a fita que, por motivos políticos, foi censurada.

e) É esta, creio eu, a fita que, por motivos políticos foi censurada.


2. Assinale a frase correta quanto à pontuação.

a) O parágrafo único do artigo 37, também trata da isenção do imposto em caso semelhante ao estudado.

b) A mãe do soldado implorara piedade, confidenciou-me o tenente, o general porém, mandou executar a sentença.

c) Eu para não ser indiscreto retirei-me calmamente da sala, quando percebi que o assunto era confidencial.

d) Embora o doente não corresse mais perigo, os médicos resolveram mantê-lo em observação durante doze horas.

e) É alentador, o que os indicadores econômicos demonstraram: uma retomada do desenvolvimento em São Paulo, o maior parque industrial brasileiro.


3. Marque a opção em que há erro por falta ou emprego indevido de vírgula.

a) Quando precisar de mim, procure-me, amigo.

b) Encerrada a reunião, o coordenador dos trabalhos comunicou que o Senhor Governador se prontificara a reexaninar nossa proposta.

c) O inciso I do artigo 37 da Constituição prescreve que os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei.

d) Não temos a menor dúvida, de que, decorridos alguns meses, tudo voltará ao estado anterior.

e) Ainda não sabemos quando serão divulgados os resultados da prova.


4. Marque a opção em que há erro de pontuação, por falta ou emprego indevido de vírgula.

a) A nau do Estado singra em mar encapelado e pode naufragar antes de alcançar o porto.

b) Tu, até agora, foste meu soldado, e eu, teu capitão; desde este ponto, tu serás meu capitão, e eu, teu soldado.

c) A assembléia geral da companhia aberta pode autorizar a publicação de ata com omissão das assinaturas dos acionistas.

d) A inobservância dos incisos I e II do artigo 226 do Código Penal não gera nulidade dos autos de reconhecimento.

e) A alienação do controle da companhia aberta, dependerá de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários.


5. Há erro, por falta ou uso indevido de vírgula, em:

a) Teus feitos, grande e imortal Ayrton Senna, jamais serão esquecidos.

b) Um cientista moderno chegou à conclusão de que a vida, na Terra existe por um triz.

c) A mulher aceita o homem por amor ao casamento, e o homem aceita o casamento por amor à mulher.

d) Vencemos; não fique, pois, tão triste.

e) Estou convencido de que a disparada da inflação guarda relação com a perda de confiança da sociedade nos governantes e nas instituições.


6. Considere o texto seguinte e as afirmações subseqüentes:

"Noel Rosa, não sei por que razão, evi-

tava o ponto do samba — o Café Nice — e preferia a Lapa, onde vivia o pessoal da madrugada."


I - Na frase, os travessões poderiam ser substituídos por vírgulas ou parênteses, sem prejuízo contextual da mesma.

II - Os travessões desempenham aqui a mesma função que exercem num diálogo escrito.

III - No caso específico desta frase, os travessões poderiam ser simplesmente abolidos, sem que isso resultasse em erro.


Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III.

d) Apenas II o III.

e) I, II o III.


7. Assinale a alternativa em que falta um sinal de pontuação.

a) Aquela mãe só se preocupa com uma coisa: o futuro dos filhos.

b) Ela só gostava de autores antigos, tais como: Mozart, Chopin e Verdi.

c) Castro Alves (lamentavelmente, viveu pouco) é o criador imortal dos poemas "Navio Negreiro" e "Vozes da África".

d) Da sacada, descortinava-se tudo o rio, a montanha e o vale.

e) Não, amigo meu — eu conheço meus amigos — não faria isso.


8. Assinale a seqüência de sinais de pontuação que preenche corretamente os espaços numerados do texto.

"É através da dinâmica institucional 1 que se fabrica 2 quase sempre 3 o delinqüente juvenil. A instituição 4 ao invés de recuperar 5 perverte 6 ao invés de reintegrar e ressocializar 7 exclui e marginaliza 8 ao invés de proteger 9 estigmatiza."


9. A oração que deve ficas entre vírgulas encontra-se na alternativa:

a) Aqueles que manifestam suas idéias merecem apreço.

b) Os jovens em geral que são idealistas por natureza merecem apreço.

c) Os jovens brasileiros que lutam por seus ideais merecem apreço.

d) As pessoas de mais idade que se comunicam com os jovens merecem apreço.

e) As pessoas de mais idade que compreendem os jovens merecem apreço.




10. A frase em que há um sinal de pontuação mal empregado é:

a) Escola, meio salário mínimo por mês e participação nos lucros da lavoura: eis a remuneração do "agricultor mirim".

b) O "agricultor mirim" tem várias vantagens; escola, meio salário mínimo por mês e participação nos lucros da lavoura.

c) Escola, meio salário mínimo por mês e participação nos lucros da lavoura — tu-do isso recebe o "agricultor mirim ".

d) O "agricultor mirim" é bem remunerado: recebe escola, meio salário mínimo por mês e participação nos lucros da lavoura.

e) O "agricultor mirim" recebe escola, meio salário mínimo por mês e participação nos lucros da lavoura; não tem, pois, do que se queixar.


Respostas:

1– d 2– d 3– d 4– e 5– b 6– a 7– d 8– b 9– b 10– b



INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS


I - O QUE É INTERPRETAR TEXTOS

Já está vulgarizada a expressão "interpretação de textos", querendo significar, nas provas objetivas que hoje profusamente são feitas em exames e concursos em geral, o processo que consiste na identificação de idéias de um texto. No processo, buscam-se:

a) a idéia principal (ou básica);

b) as idéias secundárias;

c) o reconhecimento de palavras ou ex-

pressões que possam dar validade ao entendimento das idéias expressas no texto.


Num sentido mais amplo, interpretar um texto significa todo e qualquer trabalho que tenha motivação a partir do próprio texto, objetivando a compreensão do conjunto, das relações e das estruturas.

Disso, conclui-se que, na interpretação de um texto, o que interessa é o próprio texto.

E mais:

Tudo o que é necessário para justificar o nosso entendimento se encontra no texto ou dele se depreende.


2 - OS TIPOS DE QUESTÕES

São muito variados os tipos de questões de interpretação. A fim de podermos trabalhar dentro dos limites necessários aos objetivos a que nos propusemos, vamos enumerar três tipos:

a) Questões de sinônimos (ou antônimos)

É muito comum aparecerem questões envolvendo o conhecimento de sinônimos e, às vezes, de antônimos.

Vejamos um exemplo:


Não há crime onde não houve aquiescência.”


Indicar, entre as alternativas, a que poderia substituir a palavra grifada, sem alteração do sentido da frase:

a) arrependimento

b) conhecimento

c) consentimento

d) intenção

e) premeditação

Resposta: C



LEMBRETE

É importante observar que há possibilidade de uma palavra estar empregada no sentido dicionarizado. Neste caso, temos o significado real.


Por exemplo:


Todos haveremos de morrer um dia.

morrer = finar-se, falecer, dizer adeus ao mundo, acabar, terminar, bater as botas etc.

Já no texto “Ele morre de amores pela filha do vizinho”, “morrer” adquire o sentido de “gostar muito de”, que é um sentido figurado, translato.


Vejamos num texto:


Amara caminha para o piano. Seus dedos magros batem de leve nas teclas. Duas notas tímidas e desamparadas: mi, sol... Mas a mão tomba desanimada. O olhar morto passeia em torno, vê as imagens familiares: a cama desfeita, os livros da noite, empilhados sobre o mármore da cabeceira...”

A palavra morto, em "O olhar morto passeia...", significa:

a) falecido

b) matado

c) perdido

d) finado

e) acabado


A resposta é a letra C.


b) Questões de interpretação basea-das em frases ou partes do texto

Nesse tipo de questões, devemos escolher a alternativa cuja idéia está de acordo com o texto, eliminando as que contenham dados contrários, alheios, exagerados ou divergentes em relação ao texto.

Parece muito difícil generalizar entre nós o uso do cheque. Brasileiro gosta mesmo é de receber aquele Santos Dumont de chapéu desabado e ar angélico, deslumbrado de tantos zeros em sua cédula de dez mil. Ou um melancólico Floriano, a garantir, atrás do bigode mongólico, a autenticidade de seus cem cruzeiros. Negócio de ver o freguês rabiscar uma ordem dirigida a um banco não apetece a ninguém. O talão pode ser furtado. O signatário pode não ser o próprio nem residir onde alega. A conta bancária pode estar gélida. A assinatura pode não conferir com os registros do banco. Enfim, uma porção de possibilidades indesejáveis se antepõem entre o papelucho e a ambiciosa moeda corrente nacional.”

Segundo o texto, brasileiro não gosta de receber cheque, porque:

a) normalmente o cheque não tem fundo.

b) o dinheiro vale mais do que o cheque.

c) somente o dinheiro em "moeda corrente nacional" inspira confiança.

d) o talão de cheques é normalmente falso.

e) em geral, a assinatura do cheque não confere com o registro bancário.

Resposta C, porque é a única que está da acordo com o texto.


c) Questões baseadas em síntese

Nesse tipo de questões, o trabalho consiste em reduzir o texto a uma só idéia: a idéia básica. Devemos, para tanto, escolher a opção que encerra essa idéia, descartando as que se refiram a apenas uma parte do texto e as que acaso acrescentem um aspecto alheio ao texto.


O Japão, elevado à condição de terceira potência mundial, conserva ainda muita de sua milenar cultura, embora o influxo de outras civilizações, especialmente a norte-americana.”

Questão: A alternativa que melhor traduz a idéia básica do texto é:

a) A cultura japonesa sofre a interferência de outras civilizações.

b) Como terceira potência mundial, o Japão ainda é tradicional.

c) O tradicionalismo japonês é uma realidade, embora seja uma grande potência.

d) A elevação do Japão à condição de terceira potência mundial não alterou sua cultura.

e) Como terceira potência mundial, o Japão conserva suas tradições, mesmo sofrendo influência de outras culturas.


Resposta E, porque é esta que respeita o texto em toda a sua extensão.


ORIENTAÇÃO:

Com a finalidade de auxiliar o raciocínio de quem deve responder a questões de compreensão de textos, observe o seguinte:

1) Atenha-se exclusivamente ao texto.

2) Proceda através de eliminação de hipóteses.

3) Compare o sentido das palavras; às vezes, uma palavra decide a melhor alternativa.

4) Tente encontrar o tópico frasal, ou seja, a frase que melhor sintetiza o texto.


Para tanto, guarde as palavras:

  1. INVERSÃO: as informações contidas

nas alternativas contradizem o texto.

2) FALTA: quando na alternativa faltam informações essenciais.

3) EXCESSO: quando na alternativa se encontram informações estranhas ao texto.


QUESTÕES DE INTERRUPÇÃO

1 - "O professor é o único profissional cujo fracasso é atribuído, automaticamente, a suas vítimas: se o aluno não aprende é que não estudou, jamais foi culpa do professor.”

Segundo o texto:

(A) Sempre que o aluno não aprende, o professor é um profissional fracassado.

(B) Quando o aluno não aprende, é a ele que se atribui o fracasso, e nunca ao professor.

(C) Todo aluno é, automaticamente, vítima dos seus professores.

(D) O professor jamais fracassa, porque ele é um gênio.

(E) Todo profissional está sujeito a fracasso em sua especialização.


2 - "Toda a máquina escolar é feita para garantir uma platéia (auditório) dócil ao professor, sem se indagar se o professor é um ator que mereça atenção. Qualquer ator adoraria dispor de uma máquina assim que, se não aplaude, pelo menos, não vaia."

No texto, o termo "máquina (repetido) refere-se a:

(A) uma certa organização, a uma certa estrutura.

(B) um mecanismo integrado e eficiente.

(C) um pensamento dominante no mundo moderno.

(D) um aparelho automático que aplaude.

(E) um disco com gravação de aplausos.


3 -"Os professores têm um auditório-cativo, por mais repugnante que sejam suas "aulas" para seus ouvintes. É evidente que as coisas não continuarão assim. No futuro, admitir-se-á (mesmo para os professores normais) que certos alunos não tolerem certas aulas, podendo fazer opções."

A conclusão aceitável, entre as propostas, que podemos tirar desse texto é:

(A) Futuramente, não haverá professores anormais.

(B) Atualmente, os professores têm um auditório certo, mesmo que suas aulas sejam péssimas.

(C) Para maus alunos, são necessários bons professores.

(D) Só os colégios ricos poderão oferecer opções.

(E) As escolas, no futuro, deverão modificar sua estrutura, dando ao aluno a possibilidade de escolha.


4 - "Só agora se percebe o absurdo de fazer todos os alunos aprenderem as mesmas coisas. A aprendizagem padronizada estimula o isolamento, porque priva da necessidade de comunicação: ninguém tem nada a dizer a ninguém."

O autor poderia continuar este texto, sem contradizer-se, como na alternativa:

(A) Quando todos aprendem as mesmas coisas, há muito mais possibilidades de troca de experiências.

(B) A aprendizagem padronizada é extremamente útil, porque, embora estimule o isolamento, impulsiona o progresso.

(C) Não se pode permitir ao aluno liberdade de pesquisa, uma vez que, nesse caso, ele estudará assuntos sem importância.

(D) Quanto mais diferentes os indivíduos mais possibilidades de transmitir uns aos outros sua experiência, pois comunicação significa tornar comum a experiência.

(E) Ninguém tem nada a dizer a ninguém, porque cada um aprendeu uma coisa diferente, e os desiguais não se entendem.


5 - No conjunto dos textos precedentes (releia-os em seqüência), extraídos do livro "Mutações em Educação Segundo M. Luhan", de Lauro de Oliveira Lima, percebe-se a intenção do autor de:

(A) desmoralizar a classe dos professores.

(B) elogiar o poder criativo dos alunos.

(C) criticar o sistema de ensino vigente.

(D) promover o ensino público.

(E) destacar a eficiente estrutura dos colé-gios atuais.


6 - "Gosto de afastar os" olhos de sobre a nossa arena política para ler em minha alma, reduzindo à linguagem harmoniosa e

candente o pensamento que me vem de improviso, e as idéias que em mim desperta a vista de uma paisagem ou do oceano, o aspecto, enfim, da natureza."(Gonçalves Dias).

Segundo o texto, o autor:

(A) prefere dar atenção aos temas políticos.

(B) detesta os temas políticos.

(C) diante da natureza, faz poesia, improvisada e inconseqüente.

(D) gosta de expressar em linguagem poé-tica os estados anímicos que a natureza inspira.

(E) gosta tão-somente de fazer poesia so-bre as paisagens e o oceano.


"A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre, uma língua pura, nobre e rica anuncia a raça inteligente e ilustrada. Não é obrigando-a a estacionar que hão de manter e polir as qualidades que porventura ornem uma língua qualquer; mas sim fazendo que acompanhe o progresso das idéias e se molde às novas tendências do espírito, sem contudo perverter a sua índole e abastardar-se."

7 - O autor defende a idéia de que:

(A) a língua deve evoluir, acompanhando o progresso cultural do povo.

(B) qualquer língua deve estacionar, se quiser manter e polir suas qualidades.

(C) quanto mais pura é uma raça, melhor é sua língua.

(D) todos os povos deveriam falar a mesma língua.

(E) há línguas que deveriam desaparecer.


8 - Segundo o texto, só não é válido afirmar que:

(A) um povo grande e livre tem instituições justas e racionais.

(B) um povo inteligente e culto tem urna língua pura, nobre e rica.

(C) a língua deve acompanhar a evolução, mas sem corromper-se.

(D) para acompanhar o progresso, justifica-se que a língua se corrompa.

(E) as qualidades de uma língua serão aperfeiçoadas pelo fato de obrigá-la a estacionar.

"Dizem todos, e os poetas juram e tresjuram que o verdadeiro amor é o primeiro: temos estudado a matéria e acreditamos hoje que não há que fiar em poetas: chegamos por nossas investigações à conclusão de que o verdadeiro amor, ou são todos, ou é um só, e neste caso não é o primeiro, é o último. O último é que é o verdadeiro, porque é o único que não muda.” (Manoel Antônio de Almeida - "Apud", como os anteriores textos, "Língua & Literatura", de Carlos Faraco e Francisco Moura.)


9 - Assinale a alternativa que não está de acordo com o texto.

(A) Na opinião geral, o primeiro amor é o verdadeiro

(B) Para o autor, todos os amores podem ser verdadeiros.

(C) Só quem teve um único amor é que teve um amor verdadeiro.

(D) Um só amor pode ser o verdadeiro: não o primeiro, nem o segundo, mas o último.

(E) Se o verdadeiro amor é um só - e não todos - então o verdadeiro é o último.


10 - A palavra "fiar"(4ª linha), no texto, significa:

(A) tramar fios.

(B) urdir, tecer intrigas.

(C) garantir, dar fiança.

(D) abonar, afiançar.

(E) confiar, acreditar


RESPOSTAS

1– B 2– A 3– E 4– D 5– C 6– D 7– A 8– D 9– C 10– E


PROVAS DE LÍNGUA PORTUGUESA COM RESPOSTAS COMENTADAS


PROVA I

Nas questões de números 1 a 8, cada um dos textos contém UM ERRO, que pode ser de natureza gramatical, de propriedade vocabular ou de adequação ao estilo culto e formal da língua. Identifique, entre os itens sublinhados, aquele que deve ser corrigido para que a sentença onde ele ocorre se torne correta e adequada.


1. "A ficção científica é, ainda que pareça paradoxal, um viés(1) previlegiado(2)

para retratar a pós-modernidade. Como uma época marcada pelo fim das grandes empresas o utopias pode pensar(3) o futuro? Em primeiro lugar, como catástrofe(4), um mundo em ruínas, saturado de lixo, onde(5) a mais sofisticada tecnologia convive com a decadência urbana absoluta." (M. Peixoto & M. Alalquiaga)

a) 3

b) 4

c) 5

d) 1

e) 2


2. Dispomos hoje de uma previsão nada confortável: estima-se(1) que, entre não votantes, votos nulos e em brancos(2), chegaremos a ter perto de 20 milhões. São cidadãos(3) que, diante da algaravia(4) dos candidatos, permanecem sem saber em quem votar(5).

a) 4

b) 5

e) 1

d) 2

e) 3


3. A(1) cerca(2) de uma dezena de matérias jornalísticas, (3) na última edição do matutino de circulação nacional, acerca(4) das suspeitas de corrupção nas adjacências(5) do Governo.

a) 5

b) 4

c) 3

d) 2

e) 1


4. Estou me dirigindo àqueles(1) que pretendem reativar a usina de Angra dos Reis para dizer-lhes(2) que nós(3) não concordaremos com tal ação, e que ressacharemos(4) qualquer tentativa de tirar o direito de manifestarmo-nos(5).

a) 5

b) 1

c) 2

d) 3

e) 4


5. Todo texto está aberto a uma atribuição de significados que depende da experiência prévia de leitura de quem o(1) lê. No entanto(2), qualquer significado que seja atribuído ao texto, independentemente de nós(3), ambíguo ou provisório, é sempre adequado, pois vai ao(4) encontro das expectativas(5) de um leitor específico.

a) 3

b) 4

c) 5

d) 1

e) 2


6. "Vão(1) para dez anos assisti de perto ao(2) trabalho criador de alguns doentes mentais; neles(3), o processo de pintar ou de criar se(4) fazia, realmente, sem controle consciente(5) ou intelectual." (M. Pedrosa - adaptação)

a) 4

b) 5

c) 1

d) 2

e) 3


7. A sociedade tem clamado contra a injustiça que aos pobres se fazem(1) de vedar-lhes(2) o acesso(3) às(4) universidades públicas, por não poderem(5) eles cursar escolas de boa qualidade e cursinhos preparatórios aos vestibulares.

a) 5

b) 4

c) 3

d) 2

e) 1


8. "Conforme prometemos, estamos enviando novas informações sobre a excursão(1) a Ouro Preto, e ratificando as que já foram enviadas. Embora tenha(2) havido duas desistências, conseguimos manter os preços. No entanto, se ocorrer(3) novas desistências, haverá necessidade de fazermos(4) o repasse para os demais alunos devido aos(5) compromissos já assumidos. " (Carta de uma escola aos pais)

a) 5

b) 1

c) 2

d) 3

e) 4


9. Marque a única seqüência que, ao completar o trecho abaixo, atenda às exigências de coerência, adequação semântica e formulação de argumentos.

"O uso que se faz das madeiras nobres é outra prova de insensatez, agravando o desmatamento indiscriminado, em si mesmo uma aberração. Ocorre que, na ânsia de promover o aumento da nossa receita cambial,"

a) os empresários do setor madeireiro alinham-se aos ecologistas contra a extinção de madeiras nobres.

b) deixa-se de exportar essa madeira, para usá-la na indústria de marcenaria nacional

c) dificulta-se a exportação justamente para os países que mais remuneram essa madeira.

d) a indústria tem preferido desenvolver os projetos que exigem grande consumo de madeiras nobres.

e) facilita-se a exportação dessa madeira, em toras, o que é desvantajoso financeiramente, em relação à madeira elaborada.


Nas questões de 10 a 13, indique o conjunto de palavras que preencha de forma correta as lacunas do texto dado.


10. É pouco provável que o ministro se ........... a polemizar com os funcionários que ............ eram ............. Principalmente, como era o caso, se a razão não ............ do seu lado.

a) puzesse - lhe - subordinados - tivesse

b) dispusesse - dele - submissos - tivesse

c) dispusesse - lhe - subalternos - estivesse

d) pusesse - dele - inferiores - teria estado

e) dispuzesse - a ele - subservientes - tivesse estado


11. "Nos casos de administração prolongada e posologia ..........., ............ alterações .........., em alguns casos isolados. Essas alterações desapareceram completamente após a .......... do tratamento." (Bula de "Bactrím")

a) excessiva - observaram-se - hematológicas - suspensão

b) excessiva - observou-se - homeopáticas - suspensão

c) escessiva - percebeu-se - omeopáticas - interrupção

d) recessiva - foram notadas - ematológicas - interrupção

e) escessiva - observaram-se - hematológicas - suspensão


12. "Mas não foi .......... pelo entusiasmo que o texto coerente e exemplar de Moacir me provocou que redigi ............ artigo, ............ pela certeza da sua ............ (O. Niemeyer)

a) tãopouco - esse - mas também - importância

b) tão-somente - este - portanto - insignificância

c) tampouco - este - mas - importância

d) tão pouco - esse - porém - relevância

e) tão-só - aquele - contudo - insígnia

13. As conseqüências do interminável ........... da demanda urbana não há citadino que não as conheça na pele. É ............. a cobrança de pedágios ............ pelo ............ de veículos particulares ao centro das metrópoles.

a) inchaço - imprescindível - extorsivos - acesso

b) inchaço - imprescindível - extorsivos - ascesso

c) inchaço - imprescindível - extorsivos - assesso

d) inchaço - imprecindível - estorsivos - ascesso

e) inxaço - imprecindivel - estorsivos - acesso


14. Marque a frase em que o verbo está empregado no futuro do pretérito (frases extraídas da Folha de São Paulo, 05/10/89).

a) "0 exército dos EUA em horas poria Noriega para fora do Panamá."

b) "Em Santa Catarina, as concessionárias de transportes coletivos tiveram seus contratos prorrogados sem a necessidade de novas licitações".

c) "Um dos 84 deputados estaduais vai estar ausente da assinatura da Constituição paulista".

d) "A campanha de Brizola vai entrar em crise daqui a alguns dias".

e) "A visita de Gorbatchev poderá causar manifestações políticas".


15. Assinale a alternativa que apresenta incorreção na forma verbal.

a) Observa-se que muitos boatos provêm de algumas pessoas insensatas.

b) Se você quiser reaver os objetos roubados, tome as providências com urgência.

c) Prevendo novos aumentos de preços, muitos consumidores proveram suas casas.

d) O Ministro da Fazenda previu as despesas com o funcionalismo público, em 1989.

e) No jogo de domingo, quando o juiz interviu numa cobrança de falta, foi inábil.


16. Assinale a alternativa que apresenta o emprego correto dos sinais de pontuação.

  1. Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com as vestes africanas, determinaram a proibição total da caça aos elefantes.

  2. Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com as vestes africanas determinaram a proibição total da caça aos elefantes.

c) Na Suíça delegados de 103 países, grande parte deles com as vestes africanas determinaram a proibição total, da caça aos elefantes.

d) Na Suíça, delegados de 103 países, grande parte deles com as vestes africanas determinaram a proibição, total da caça aos elefantes.

e) Na Suíça, delegados de 103 países grande parte deles com as vestes africanas determinaram, a proibição total da caça aos elefantes.

17. Marque a alternativa incorreta quanto à regência verbal.

a) Na verdade, não simpatizo com suas idéias inovadoras.

b) Para trabalhar, muitos preferem a empresa privada ao serviço público.

c) Lamentavelmente, não conheço a lei que te referes.

d) Existem muitos meios a que podemos recorrer neste caso.

e) Se todos chegam à mesma conclusão, devem estar certos.

Nas questões 18 e 19, marque a opção que não completa, de forma lógica e gra-

maticalmente coesa, o trecho fornecido.


18. Até o ano 2000, a espécie humana terá aumentado cerca de 270 por cento em relação a 1900. Todo dia, 220 mil bebês vêm ao mundo. Apesar disso,

a) a proliferação humana é a maior ameaça ao ambiento do planeta.

b) o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera não tem atingido índices preocupantes.

c) o ritmo de crescimento da população mundial está diminuindo.

d) poucos países têm adotado o planejamento familiar.

e) não há motivos para se temer uma escassez de alimentos.


19. Todo ano, nessa época, São Paulo festeja o Santo Gennaro, padroeiro dos napolitanos. A rua San Gennaro é pequena e apresenta riscos para os freqüentadores das atividades. Em virtude disso,

a) as barracas ficarão espalhadas pelas calçadas das ruas adjacentes.

b) a assessoria da prefeitura entrou em entendimentos com a comunidade do bairro visando à transferência do local.

c) recomenda-se aos pais que a presença de crianças na festa não ultrapasse as 21 horas.

d) os festeiros definiram, para este ano, a realização dos festejos na rua San Gennaro.

e) a comunidade napolitana solicita seja indicado local alternativo para as festividades.


20. Considere o trecho abaixo.

" - Eu queria saber quem é que está no aparelho.

- No aparelho não está ninguém.

- Como não está, se você está me respondendo?

- Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém.

- Engraçadinho! Então, quem está ao aparelho?

- Agora melhorou. Estou eu, para servi-lo."

(Carlos Drummond de Andrade)

Marque o par de verbos com problema

de regência idêntico ao do texto.

a) Meditar um assunto - meditar sobre um assunto

b) Sentar à mesa - sentar na mesa

e) Estar em casa - estar na casa

d) Assistir o doente - assistir ao doente

e) Chamar o padre - chamar pelo padre


Respostas com breves comentários (Prova I)


1) E - Erro de ortografia. "Privilegiado" (com "i") é a forma correta.

2) D - "Em branco " (singular) é o certo. Sem a preposição "em", estaria certo o plural, pois, nesse caso, concordaria com "votos" .

3) E - Trata-se da expressão "há cerca de " (com verbo "haver") em que o caráter verbal de "há" se evidencia pela possibilidade de substituição por "existe": "Existe cerca de uma dezena..."

4) E - Erro de ortografia. "Rechaçaremos" (do verbo "rechaçar") é o correto.

5) E - "No entanto" ( conjunção adversativa, sinônimo de "mas") indica idéia oposta, contrária. Como, no texto, a idéia é de conclusão, "portanto", "logo" ou qualquer outra conjunção conclusiva é que estaria certa.

6) C - Erro de concordância verbal. O sujeito não é "dez anos", que está precedido da preposição "para", mas a oração "(que) assisti de perto ao trabalho criador de alguns doentes mentais”. Quando o sujeito é uma oração substantiva, o verbo fica no singular.

7) E - Erro de concordância verbal. O sujeito não é "aos pobres" e, sim, o "que", cujo precedente é "a injustiça", com a qual "faz" deve concordar.

8) D - "No entanto, se ocorrerem novas desistências..." O sujeito é "novas desistências", e com ele deve concordar o verbo.

9) E - As outras são totalmente incoerentes.

10) C

11) A - No caso de "observaram-se", note-se que o sujeito é "alterações" (plural). O resto são questões ortográficas.

12) C - "Tampouco" (ver capitulo da ortografia); "este", porque o autor se refere ao artigo presente, aquele que está escrevendo.

13) A - Questão unicamente de grafia de palavras.

14) A - "Poria" é futuro do pretérito. "Tiveram" (letra B) é pretérito perfeito. "Vai estar" (letra C) e "vai entrar", embora indiquem um tempo futuro, estão no presente. "Poderá causar" é futuro do presente.

15) E - Trata-se do verbo "intervir". Conjuga-se como o verbo "vir"

16) A - Ver "Pontuação", parte inicial da vírgula.

17) C - Quem se refere, refere-se a alguma coisa. Portanto: "Lamentavelmente, não conheço a lei a que te referes."

18) A - Só haveria lógica se tivéssemos "a proliferação humana não é uma ameaça ao ambiente do planeta."

19) D - Contradiz a idéia do texto.

20) B - Brincadeira antiga, quando nos dizem que as pessoas educadas sentam na cadeira e não na mesa.


PROVA II


1. Leia

"Esforçando-se pela apropriação e conhecimento do universo, o homem encontra sempre embaraços e dificuldades de toda ordem, sendo a própria fraqueza, em face da soberania inalterável da natureza, e sua necessidade de luta, frente à complexidade dos fatos do cotidiano, as maiores destas dificuldades." (Álvaro Lins - Fragmentado)


Marque a opção que expressa, coerentemente, as idéias do texto.

a) O esforço do homem pela apropriação e conhecimento do universo resulta sempre de embaraços e dificuldades de toda ordem, em face da fraqueza humana em alterar a soberania da natureza e em minimizar a complexidade dos acontecimentos do dia-a-dia.

b) A necessidade de luta diante da complexidade dos fatos do cotidiano e a fraqueza humana em face da soberania adulterável da natureza encontram no homem impedimentos e dificuldades que motivam o seu esforço pela apropriação e conhecimento do universo.

c) O conhecimento e a apropriação do universo fazem com que o homem encontre sempre dificuldades e embaraços de toda ordem nos fatos do cotidiano, sendo as maiores dificuldades aquelas provocadas pelo esforço e fraqueza humana em face da alteração da soberania da natureza.

d) A posse e o conhecimento do universo fazem com que o homem se esforce em lutar contra a complexidade dos fatos e contra a própria fraqueza de alterar a soberania da natureza, resultando disto impedimentos e dificuldades de toda ordem encontrados por ele no cotidiano.

e) A fraqueza humana, diante da imutável supremacia da natureza, e a necessidade de luta, em face da complexidade dos acontecimentos do dia-a-dia, constituem as maiores dificuldades e obstáculos com que o homem depara, ao esforçar-se pela posse e conhecimento do universo.


2. Leia

"Não poderão ser consideradas, para os fins do disposto no parágrafo terceiro, a doença degenerativa, a inerente a grupo etário e a que não acarreta incapacidade para o trabalho." (Lei 6367 - Acidentes do Trabalho)

Assinale a alternativa falsa em relação ao texto.

a) A palavra "etário" significa "algo relativo à idade".

b) A palavra "inerente" significa "alheio a alguma coisa ou pessoa".

c) A palavra "degenerativa" significa "que faz perder as qualidades ou características primitivas".

d) A expressão "incapacidade para o trabalho" foi usada para generalizar impossibilidade física ou mental.

e) A expressão "para os fins do disposto no parágrafo terceiro" significa para a finalidade explicitada no parágrafo terceiro".


3. Assinale o item que contém erro de ortografia.

a) Na cultura oriental, fica desonrado para sempre quem inflinge as regras da hospitalidade.

b) Não conseguindo adivinhar o resultado a que chegariam, sentiu-se frustrado.

c) A digressão ocorreu por excesso de fatos ilustrativos em seu discurso.

d) Sentimentos indescritíveis, porventura, seriam rememorados durante a sessão de julgamento.

e) Ao contrário de outros, trazia consigo autoconhecimento e auto-afirmação.


4. O trecho abaixo contém um erro de natureza gramatical. Indique o item correspondente.


"(1) Vossa Excelência como é fácil erguer este país... Desde que se cortem to-

dos aqueles empecilhos(2) que eu apontei no memorial, (...) desde que se corrijam(3) os erros de uma legislação defeituosa e inadaptável às condições do país, Vossa Excelência vereis(4) que tudo isto muda, que, em vez(5) de tributários, ficaremos com a nossa independência feita..."


a) 1

b) 2

c) 3

d) 4

e) 5


5. Assinale o item que preenche corretamente as lacunas da frase:

"Em virtude de investigações psicológicas ........... que me referi, nota-se crescente aceitação de que é preciso pôr termo ........... indulgência e ............ inação com que temos assistido ........... escalada da pornoviolência."

a) à, a, à, a

b) a, à, à, à

c) a, a, a, à

d) à, à, a, a

e) a, à, a, à


6. Há erro de flexão no item:

a) "A pessoa humana é vivência das condições espaço-temporais."(L.M. de Almeida)

b) A família Caymmi encontra paralelo com dois clãs do cinema mundial.

c) Hábeis artesãos utilizam técnicas sofisticadíssimas no trabalho com metais.

d) Nos revés da vida precisa-se de coragem, para manter a vontade de ser feliz.

e) Ainda hoje alguns cânones da Igreja são discutidos por muitos fiéis.


7. A concordância nominal está incorreta no item:

a) "É um filme para aquelas pessoas que têm uma certa curiosidade sobre si mesmas." (Spielberg)

b) "Salvo alguns desastres, obtêm-se bons resultados, desde que não se tente filosofar no palco de maneira confusa." (T. Guimarães)

c) Ficavam bastantes contrariados com a negligência de algum companheiro durante os treinamentos.

d) A folhas vinte e uma do processo, encontra-se o comprovante de pagamento.

e) Estando o carnê e a procuração anexos ao processo, faltavam-lhe dados para explicar o caso.


8. Assinale o período que apresenta erro de concordância verbal.

a) As relações dos ecologistas com uma grande empresa que desrespeitava as normas de preservação ambiental começa a melhorar, para o beneficio da humanidade.

b) Até 1995, 50% de recursos energéticos e de matéria-prima serão economizados por uma empresa que pretende investir 160 milhões de dólares num projeto.

c) Hoje não só o grupo dos ecologistas carrega a bandeira ambientalista, mas também aqueles empresários que centram seus objetivos no uso racional de recursos naturais.

d) Os Estados Uinidos são o país mais rico e poluidor do mundo, entretanto não defendem a tese do "desenvolvimento sustentável", a exemplo de muitas nações ricas.

e) É preciso ver que águas contaminadas, ar carregado de poluentes e florestas devastadas exigem o manejo correto da natureza, num país povoado de miseráveis.


9. Há erro de regência verbal no item:

a) Algumas idéias vinham ao encontro das reivindicações dos funcionários, contentando-os, outras não.

b) Todos aspiravam a uma promoção funcional, entretanto poucos se dedicavam àquele trabalho, por ser desgastante.

c) Continuaram em silêncio, enquanto o relator procedia à leitura do texto final.

d) No momento,