Entrevista: Marcelo Cassaro

Ninja não chora!!! (Mas e Paladinos de nível zero...?)

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Bem, primeiramente gostaria de agradecer a você, em nome de todos da comunidade da Dragon Slayer no Orkut, por conceder esta entrevista, e também ao J.M.Trevisan por ter nos ajudado a contatar você.


M. Cassaro: Sem problemas, eu é que agradeço pela oportunidade. Mas está ficando difícil responder a essas entrevistas sem recorrer a copy/paste, então vou avisando: o que vou dizer agora, talvez vocês já tenham visto em algum outro lugar.



Agora, algo que todos os fãs de 3D&T estão ansiosos por saber, está tudo acabado mesmo?


M. Cassaro: Receio que sim, não tenho mais interesse em trabalhar com 3D&T. A primeira razão para isso é que 3D&T foi levado a seu limite. O Manual Turbo, em minha opinião, contém o máximo em resolução de situações com um mínimo de regras — ele não pode ser melhorado. Qualquer acréscimo faria o jogo ficar complicado, sem necessidade. A única forma de evoluir seria com uma mudança total, e isso foi feito em 4D&T.


A segunda razão: por pura falta de tempo, não tenho mais condições de trabalhar com vários sistemas diferentes. Estou satisfeito com o Sistema D20, quero melhorá-lo, fazê-lo mais rápido e enxuto. Quero que outros jogadores tenham acesso mais fácil a ele — isso ainda é um problema, seus livros básicos oficiais são muito caros e complexos. Por isso ajudei a preparar o jogo Primeira Aventura, e por isso decidi transformar 4D&T em algo que o próprio 3D&T havia sido: uma porta de entrada, desta vez para o Sistema D20.


A terceira razão: a Editora Talismã continua comercializando os antigos Manuais 3D&T sem minha autorização, sem pagamentos de direitos autorais. A renda dessas vendas vem sendo usada para cobrir os prejuízos da atual Dragão Brasil. E francamente, não tenho nenhum interesse em sustentar a atual equipe da revista com MEU esforço.



Sobre Holy Avenger, como vai indo a animação?


M. Cassaro: Já temos a autorização da Ancine, que era a parte mais complicada. Agora estamos preparando amostras para exibir a possíveis investidores. Enquanto não vem o patrocínio oficial, estamos trabalhando na pré-produção. Eu faço storyboards (um tipo de história em quadrinhos feita antes do filme). A Erica tem feito novos character designs, mudando o visual dos personagens. Edu Francisco faz cenários e monstros, e assim por diante.


O projeto inclui uma série de TV com três temporadas de 13 episódios cada, e também um movie para cinema, envolvendo a origem do Paladino, a chegada de Arsenal e os pais de Lisandra e Sandro. O filme já foi dublado, estamos começando sua animação. Dica: uma cena do movie aparece na Gazeta do Reinado, na revista DragonSlayer 6.


Estou ouvindo falar de fãs que não acreditam mais na Holy animada, devido à demora. Acontece que este é o tempo normal para produções audiovisuais, tudo é mais trabalhoso e demorado. Há poucos dias ouvi falar sobre a estréia de Molly Star Racer, uma produção França-Japão, no canal Jetix norte-americano (já está sendo dublada para exibição no Brasil). Ora, o primeiro clipe desta série foi exibido em 2002. A primeira versão da abertura de Holy (ainda não definitiva, pois usa os models antigos dos personagens) ficou pronta em 2004, então façam as contas.



E quanto a versão Reload de Holy Avenger que vinha saindo pela Mythos? Ela está definitivamente cancelada ou apenas temporariamente suspensa?


M. Cassaro: Cancelada em definitivo, por questões contratuais. Já recebi propostas da Conrad e JBC para a publicação de uma “versão definitiva”, encadernada em dois ou três volumes. Mas vamos dar um tempo ainda para que isso aconteça.



Dragon's Bride, o que podemos esperar para o futuro dessa HQ? Alguma previsão de lançamentos exclusivos dela? Talvez um volume encadernado...


Não posso prometer nada. DBride não pode ser encadernada, porque faz parte da DSlayer (encadernar é apenas reunir revistas já existentes sob uma mesma capa). Não há planos para uma reimpressão. Por enquanto, sugiro que os leitores continuem acompanhando na própria DSlayer.



4D&T foi lançado no EIRPG desse ano pela JBC, como foi a aceitação dele no evento?


M. Cassaro: Não tenho números exatos, sei apenas que a JBC lucrou bem no Encontro (ou seja, pagou todas as despesas com estande e funcionários, e ainda teve lucro). A editora está caprichando na divulgação do jogo, anunciando-o em mangás como Shaman King, Yu-Gi-Oh e Negima, e também promovendo torneios nos eventos.



Já sabemos que Reinos de Moreania agora estão definitivamente ligados com Arton, por isso, é demais esperar o lançamento de algum suplemento de Tormenta sobre eles?


M. Cassaro: Eu gostaria, sim, de ver um livro básico de Moreania – mas não sei ainda qual editora poderia publicá-lo. Embora esteja ligado a Arton, o cenário estreou originalmente na Mantícora, então eles são a primeira opção. Mas vamos nos preocupar com isso quando houver material suficiente para um livro inteiro.



É amplamente conhecido por todos que você é um fã de anime e mangá, mas quais seriam as suas preferências e influências para criar Holy Avenger e Dragon's Bride? (Aliás, que mania de nomes em inglês, hein?)


M. Cassaro: O primeiro mangá que li foi Outlanders, uma aventura de ficção científica. Era muito diferente dos quadrinhos de super-heróis, porque tinha um FINAL. Então enfiei na cabeça que, um dia, faria alguma coisa assim.


Para Holy Avenger, minha influência mais importante foi o anime Slayers, uma comédia de fantasia medieval. As duas histórias têm várias semelhanças — um grande e famoso herói que no final revela-se como vilão, um jovem guerreiro ingênuo e trapalhão, e até uma maga peituda em trajes sumários. O engraçado é que Holy foi bem-sucedida no Brasil, e Slayers não foi...


Os japoneses têm uma cultura antiga, tradicional, e motivos sobrando para rejeitar influências norte-americanas. Mesmo assim eles usam títulos em inglês o tempo todo: Dragon Ball, Pokémon (contração de “Pocket Monster”), Saint Seiya, Lodoss War, Evangelion… então por que nós, um país jovem e multicultural, ficamos assim tão receosos em adotar palavras inglesas? Especialmente quando o assunto é RPG, um jogo inventado nos Estados Unidos.



Aliás, qual seria a sua opinião sobre os fansubs da Internet, que tornaram possível que mangás e animes nunca publicados aqui reunissem dezenas de milhares de fãs. Acha que o trabalho deles contribui positivamente?


M. Cassaro: A fronteira entre fansub e pirataria é bem estreita. Acho que fansubbers tiveram um papel importante no passado, quando quase não havia mangás nas bancas e nem exibição de animes no Brasil. Mas hoje temos muitos canais exibindo animes oficialmente, e dezenas de mangás nas bancas. As séries mais recentes chegam aqui muito rápido. Posso estar errado, mas não acho que ainda exista justificativa para recorrer a material clandestino.



Vimos que a capa da DS 6 foi de autoria de André Vazzios, isso indica uma parceria entre a Dragon Slayer e o Estúdio Arena?


M. Cassaro: A parceria já existe, só não posso garantir que será a longo prazo. Vamos torcer que sim. É sempre bom ver os trabalhos de Vazzios em nossos textos.



Uma das maiores queixas dos fãs (e também dos não-fãs...) é com relação as resenhas que você faz dos livros do Trio, eu mesmo vejo elas como um “press release”, e não como uma resenha. Qual a sua posição sobre isso?


M. Cassaro: Naturalmente, as queixas dos não-fãs não me interessam. Eles não compram meus títulos, não são meus consumidores, então não devo a eles nenhuma satisfação.


Para os fãs, um conselho: eu não procuro opiniões em listas e fóruns, nem tenho Orkut, então não esperem mudar alguma coisa apenas discutindo entre si. As únicas mensagens que realmente leio são aquelas enviadas ao email da DSlayer. Então, se tiverem qualquer queixa, crítica ou elogio, aquele é o lugar.


Quanto às resenhas, eu sempre faço questão de avisar logo no início que sou o autor, então não estou enganando ninguém. Em vez de críticas e elogios, me atenho apenas aos fatos e deixo que os leitores julguem. E não deixo de apontar defeitos quando os encontro — vocês verão isso na própria resenha do Manual 4D&T.



O que podemos esperar após o lançamento de Piratas e Pistoleiros, ou seja, quais os possíveis lançamentos para o primeiro semestre do ano que vem?


M. Cassaro: Não sei dizer, ainda não temos planos a tão longo prazo. Não quero prometer um título específico e depois passar os anos seguintes ouvindo “quando-sai-quando-sai-quando-sai”, como vem acontecendo com Império de Jade.


Só posso dizer que temos algumas idéias, e estamos plantando suas sementes. Uma coisa importante deve acontecer com relação ao Reino dos Minotauros (a primeira pista será revelada na Gazeta do Reinado, na DS7).



É verdade que, após terminar de ler O Inimigo do Mundo, você foi ao banheiro chorar? (Sim, a culpa é do Leonel por eu saber disso, hehe...)


M. Cassaro: Claro que não. Ninja não chora.



Bem, o que você achou do romance?


M. Cassaro: É muito legal ver o romance finalmente publicado, depois da mudança conturbada de editoras.


É uma história excelente, Leonel está de parabéns! Fiquei muito, muito feliz por ler uma grande história de Tormenta, que eu NÃO tive que escrever!


Lembro que minha participação foi mínima: o Trevisan, aquele entre nós que mais queria realizar um romance de Tormenta, pensava no tema principal. No começo não queríamos mexer com grandes plots do cenário — tínhamos acabado de reformular os livros básicos, não queríamos mudar nada importante tão cedo. Por outro lado, eu achava o romance uma oportunidade boa demais para falar de um evento sem importância. Mas como contar uma história grandiosa sem modificar o cenário já existente?


Então eu disse: “e se a Tormenta tivesse sido provocada por...?” (SEGREDO, LEIA O ROMANCE PARA SABER)



Área de Tormenta, do Leonel Caldela, promete abalar as estruturas de Arton. Ainda está distante a publicação de um livro assim sobre a devastada Lamnor e a temível Aliança Negra?


M. Cassaro: Estou ajudando (mas não tanto quanto gostaria) o Leonel com o AdT, ele será realmente muito completo. Não deve restar nenhum segredo sobre a Tormenta. O Mestre terá, inclusive, a opção de encerrar totalmente a ameaça (mas haja nível épico...).


Não posso falar sobre Lamnor e a Aliança Negra, esse plot pertence ao Trevisan. Mas acho que ele e o Leonel estão pensando em alguma coisa, talvez para o ano que vem.



Bem, gostaria de mais uma vez agradecer pela entrevista, e desejar boa sorte e sucesso nas suas empreitadas.


M. Cassaro: Obrigado. Também agradeço pelo fã-site oficial da DragonSlayer, eu e os outros autores vamos nos esforçar para manter a qualidade da revista e compensar as iniciativas dos fãs.